jose carpinteiroLeia: Mt 1.18-25

 

Eles ouviram um choro fraquinho.

Inicialmente não sabiam de onde vinha. Salvo engano, não havia criança pequena na vizinhança. Com um pouco mais de atenção, seguiram em direção ao som. Desconfiados, pararam diante da porta de entrada de sua casa, moradia humilde, construída com tábuas de madeira. Ao abrir a porta e ver o recém-nascido ali fora, envolto em panos, o casal de velhos não titubeou e o recolheu para dentro de casa.

Eles não se perguntaram se teriam condições de criar mais uma criança entre as muitas que já haviam nascido naquele lar. Não refletiram se teriam condições de passar noites acordados, de assumir cuidados médicos e de educação daquele pequenino. Não pensaram no que os vizinhos e parentes diriam daquela loucura. Não. Era uma criança abandonada que precisava de um lar. E havia achado. Simples assim.

Jesus também chegou a um lar de modo incomum. José e Maria estavam noivos e não haviam ainda assumido a intimidade física de casal. De repente, Maria aparece grávida. O texto diz apenas que ela “achou-se” grávida. Em bom português, apareceu grávida! Bem, ela sabia que estava grávida e nós, que lemos o texto, também sabemos. Mas José não. Diante do fato consumado, aquele homem justo resolve não denunciar a mulher às autoridades por adultério, mas sair de casa.

Só não levou adiante o plano porque um anjo o informou em sonho sobre o que acontecera. Ao acordar, desistiu da ideia e aceitou sua mulher grávida. E, em obediência ao anjo, batizou o filho com o nome de Jesus, o salvador do seu povo.

José e Maria assumiram um alto preço ao aceitarem serem canais pelos quais o Salvador viria ao mundo. Ela, levando em seu corpo o ser divino-humano. Ele, tomando sobre si a responsabilidade de manter o casamento, mesmo diante do falatório de conhecidos e religiosos. Cada um com sua parcela de compromisso. Cada um com sua fé em ação.

Natal. Tempo de celebrar a chegada do menino Deus, do Salvador Jesus. Tempo de sermos gratos àquele casal palestino e de exaltarmos a fé que tiveram. Tempo de pensarmos nas consequências de sermos discípulos de Jesus no mundo em que vivemos.

Temos acolhido a criança como fizeram José e Maria? Temos disposição para assumir os sacrifícios decorrentes dessa decisão? Se temos, então Natal significa para nós “boas novas de grande alegria!”.

Ouça esta verdadeira pérola dos anos 1970 na voz de Rita Lee, “Meu bom José”, uma versão feita por Nara Leão. A canção foi escrita por Georges Moustaki (que faleceu em abril deste ano). Ouça. Medite. Ore.   http://www.youtube.com/watch?v=l5lNEovInGY

E aqui, na versão do próprio autor: http://www.youtube.com/watch?v=l9zTRvZtbOc

 

João Leonel

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