faceless210_copy18571Esta canção foi escrita há mais de 30 anos. Poucas pessoas a conhecem. Guarda uma profundidade impressionante. A letra foi escrita pelo amigo Gilnei, quando éramos estudantes de teologia no Seminário Presbiteriano do Sul. Muito profunda e perturbadora, a letra. A melodia veio quase imediatamente.

Naqueles dias, uma das coisas que pesavam em nossos corações era a indiferença que muitas vezes encontrávamos no olhar das pessoas em relação ao desafio de refletir sobre as Escrituras, a realidade, a vida. Numa dessas vezes, o próprio Gilnei comentou: “As pessoas são ecos de seus próprios gritos”.

Como sabiamente nos faz pensar José Saramago, o grande desafio ainda parece estar no olhar: deixar-se olhar pelo outro e aprender a ver.

“O espelho na parede”
(Gilnei Marcel Hey Kiel & Gladir Cabral)

São vozes, ecos distantes
Que ouvem e aprendem,
Apenas reflexos da mesma imagem,
Caminhos da mesma viagem,
No espelho da parede.

São ventos surdo-imutáveis,
Não criam, não nascem,
Apenas passeiam na mesma paisagem,
Presentes, não vistos, vazios,
Na moldura da parede.

Quem fez a vida, do nada a teceu,
Usando o barro e as mãos escolheu,
Da criação, um a ser criador,
Fruto de amor.
Ora, como entender
Que sua imagem viesse a ser
Um espelho na parede?
Na moldura da parede…

https://soundcloud.com/gladir/o-espelho-na-parede

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