Arquivo de fevereiro 2011

quando estou triste

Uma canção feita há um ano, parceria preciosa com o admirável Silvestre Kuhlmann. Compartilho esta gravação com acompanhamento ao piano pelo Daniel Lenço.

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Quando estou triste

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Quando estou triste, leio

Nas letras encontro recreio

Despeço-me do mundo feio

A literatura é um meio

De ver meu dilema

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Quando estou triste, rimo,

Faço das rimas, arrimo,

Tiro, das pedras, o limo,

Dou-me um presente, um mimo:

Um novo poema.

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Quando estou triste, canto,

Achego-me àquele que é Santo;

E em êxtase, cheio de encanto,

Saio do chão, me levanto.

Esqueço o problema.

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Gladir Cabral & Silvestre Kuhlmann

quando estou triste 4

banzo

blog do espaço abertoEsta é a última canção do projeto, fala de saudade e de esperança. Ela nasceu da leitura do Salmo 6 e da pergunta que sempre volta nos dias de grande tribulação: “Até quando, Senhor, até quando?” (Sl 6.3). Criação coletiva, ela teve a participação do Thiago, que está lá em Belém do Pará; do Fabrício, que está no Rio de Janeiro; do José Barbosa, que está em Teresópolis; e do Gladir, que está em Criciúma. Pode-se dizer que ela tem um pedacinho de cada canto deste Brasil.

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Banzo

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Saudade é uma dor invisível na gente

Amor e ausência no mesmo lugar

O banzo que bate, a tristeza doente

Desejo de algo impossível de achar

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Saudade é amor que se foi de repente

Um belo poema que nos faz chorar

Cadência do samba que fez-se poente

Semente que morre e não quer germinar

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Me diz até quando, Senhor, a gente segura?

O copo transborda de dor até se partir

A vida é difícil demais, a noite é escura

Ensina o caminho do sol pro mundo luzir

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Saudade é uma dor latejante e latente

É chuva pesada que vem pra ficar

O tempo passando e a gente em silêncio

Querendo um passado que possa voltar

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Saudade é olhar cada gota de orvalho

Qual lágrima quente e silente no olhar

O mundo tão vasto é o revés do sentido

Um belo horizonte perdido no ar.

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Me diz até quando, Senhor, a gente suporta?

O corpo transpira de dor até se esgotar

Se a vida é pra gente viver, vem, abre uma porta

E dá novas forças, ó Pai, pra recomeçar

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Fabrício Matheus, Thiago Azevedo, José Barbosa Júnior & Gladir Cabral

banzo 2

lágrimas

ParqueOrgaos-PaquequerEsta é a penúltima canção de nosso projeto Canções para o Rio. A ideia aqui é contrapor a forma como o Criador fez todo o mundo transbordar em águas: fontes, corredeiras, rios, mares… Mas ao mesmo tempo, esse mesmo Deus promete secar dos olhos toda a lágrima. Isso nos parece algo fascinante. Alegria e tristeza, beleza e dor, aflição e consolo. Uma canção de esperança de que nenhum lamento será perdido ou ficará sem resposta. Ao final de tudo, ao fim desta grande história humana, a palavra que virá de Deus é de vida e restauração, alegria e plenitude.

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Lágrimas

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Aquele que fez essas águas brotarem nas fontes

Fez os riachos brincarem alegres de rio

Fez as cascatas sorrirem nos ombros dos montes

E as corredeiras cantarem nos dias de abril

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Também irá secar as lágrimas

E as mágoas deste cais

E os incontáveis ais

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Então, irá secar as lágrimas

E as mágoas deste cais

E os incontáveis ais

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Aquele que fez o sereno da noite tristonha

Fez um oásis de vida pra gente sorrir

Fez a baía banhar este sol no horizonte

E as chuvas que fazem a terra sedenta florir

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Também irá secar as lágrimas

E as mágoas deste cais

E os incontáveis ais

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Então, irá secar as lágrimas

E as mágoas deste cais

E os incontáveis ais

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Águas do Paquequer

Águas de Itapuã

Correntezas do Paraná

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Águas do Guajará

Águas do Itajaí

Corredeiras do Corumbá

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Também irá secar as lágrimas

E as mágoas deste cais

E os incontáveis ais

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Então, irá secar as lágrimas

E as mágoas deste cais

E os incontáveis ais

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Fabrício Matheus & Gladir Cabral

lagrimas 1