Arquivo de maio 2010

seguir

Há um mês postei no Youtube um video caseiro desta canção. Segue a letra e depois o videozinho. Ao piano, Daniel Lenço.

Vou palmilhando mundo afora

Ruas e avenidas

De certo, só o não saber

Quando chegar…

Desenho planos, traço a vida

Como se eu fosse o autor.

Pura ilusão, eu sei,

E acordo sempre que há dor.

Os pés cansados se entregam,

A alma pede água,

A mente voa, inquieta, indócil

A procurar porquês

Então eu sinto a brisa doce

Que nem sei de onde vem

Mas refrigera a alma

E soa como um doce som

Ainda que a vida às vezes doa

Contigo eu quero prosseguir

Não sei pra onde, quando

E muito menos como,

Mas sei com quem eu vou…

Sim, sei a quem eu vou seguir.

Marcelo Miranda e Gladir Cabral

uma canção para clara

st-clara1O Conde Favorino Scifi caminha agitadamente pelo palácio da família na cidade de Assis. Ele está muito aborrecido. É que sua filha Clara não aceita se casar. Ela tem apenas 12 anos de idade. Clara é sua filha mais velha e acaba de perder a chance de um casamento milionário.

Mas o susto maior para a família veio seis anos depois, quando Clara tinha 18 anos. Após ouvir um sermão de Francisco de Assis, ela colocou na cabeça que seria freira. Assim, fugiu de casa de noite e foi, acompanhada por sua tia Bianca, até a pequena capela de Porciúncula encontrar-se com o Francisco e seus monges.

Ali, ela trocou suas vestes ricas e coloridas por uma túnica surrada e um capuz grosseiro. Clara também cortou seus cabelos e tornou-se uma freira franciscana.

Como freira franciscana, Clara renunciou a todas as riquezas a que tinha direito como filha de um conde naquela época, terras, tesouros, vestes nobres… Francisco de Assis deixou Clara sob os cuidados das irmãs beneditinas do convento de São Paulo em Batia.

st-clara6A família de Clara tentou trazê-la para casa, mas não conseguiu convencê-la a quebrar os votos que ela havia feito. Foi uma decisão difícil, mas ela sabia que era preciso seguir o plano de Deus: e achar consolo em Sua família.

Poucos meses depois a sua irmã Agnes juntou-se a ela e tornou-se freira também Franciscana. Isto trouxe grande alegria ao coração de Clara.

Dessa vez o pai mandou doze homens para agarrar e trazer Agnes de volta, à força. Clara ficou apenas orando a Deus. O pai voltou para casa desapontado mais uma vez.

Como muitas outras mulheres foram se unindo a Clara, Francisco de Assis reconstruiu uma casa antiga para que ali funcionasse a primeira comunidade de mulheres franciscanas. A casa ficava fora da cidade de Assis, perto da igreja de São Damião.

Clara foi designada para ser a abadessa da nova ordem que se chamou a Ordem das Pobres Claras, uma comunidade marcada pela piedade e que vivia só de esmolas que o povo dava.

st-clara4Com a morte do marido, a mãe de Clara foi se juntar à filha no convento. A outra irmã de Clara, chamada Beatriz, e até a sua tia Bianca também se juntaram a ela.

Muitas jovens foram se unindo à ordem das Pobres Claras. Assim, muitos mosteiros foram abertos pela Europa.

A vida de Clara foi marcada por intensa contemplação, santidade e sabedoria. Ela reservava grande parte do seu dia para a oração e para a meditação espiritual.

No convento, ela recebia a visita de muitas pessoas em busca de um conselho, de uma palavra de orientação e consolo. Diversos líderes, até mesmo líderes espirituais, buscavam as palavras sábias de Clara.

Por duas vezes Clara salvou a cidade de Assis. Certa vez a cidade foi cercada pelas tropas do Imperador Frederico II. Eles queriam invadir a cidade e já estavam subindo pelos muros.

Clara estava enferma, mas teve que sair da sua cama e foi até os muros da cidade, levando consigo os sacramentos, para falar com os soldados.

st-clar7Quando os soldados viram Clara no muro ficaram assustados e fugiram apavorados, como se vissem algo muito sagrado. O povo da cidade ficou muito aliviado e feliz por ter Clara morando com eles.

Mais tarde, o exército retornou sob o comando do general Vitale de Aversa, que não tinha vindo junto na primeira vez. O general chegou com um exército bem maior dessa vez.

Clara se ajoelhou e começou a orar a Deus pedindo socorro, e suas irmãs ao redor dela também se ajoelharam e começaram a orar. De repente surgiu uma grande tempestade e derrubou as barracas dos soldados, deixando todos em pânico.

Os soldados fugiram novamente, e dessa vez não voltaram mais.

Clara ajudou Francisco de Assis em seus momentos de dúvida e angústia espiritual. Ela insistiu para que ele continuasse sua missão junto ao povo simples, para que ele não ficasse apenas contemplando a Deus mas pregasse e ensinasse ao povo carente.

Depois de 27 anos de intensa vida espiritual e de uma saúde bem frágil, Clara já não conseguia sair mais da cama, mas mesmo assim pedia para as irmãs a ajudarem a se sentar na cama. E assim, reclinada, ela fazia fios para que depois se fizessem roupas para os pobres.

No seu momento final, Clara estava rodeada de pessoas que amavam. Ela pediu que lessem as Escrituras Sagradas, justamente na passagem que fala do sofrimento de Cristo pela humanidade.

Clara noite, eu vejo cada estrela

Passeando solta nos braços do céu.

Calma lua, tão clara e sorridente

Para o meu poente por trás do seu véu.

.

Eu vejo cores por todo canto,

Eu vejo flores em cada campo

E seus odores são como o favo do mel.

O céu da noite iluminado

Parece um parque todo enfeitado

A dança leve do giro de um carrossel.

.

Cada dia, eu vejo uma constelação

De tanta gente que passa por mim.

Pés descalços, crianças indigentes

São como pingentes de um mundo sem fim.

.

Eu vejo um riso em cada rosto,

Apesar do gosto de cada dia.

Eu vejo um dia de uma alegria geral.

Eu quero todos de roupa nova,

De braços dados cantando a trova

Na dança-roda de um mundo novo e sem mal.

12-Track-12

canção para martinho

st-martin2Um soldado romano vem caminhando pela estrada. Ele está indo se juntar ao resto da tropa que está acampada a alguns quilômetros dali. Está usando a armadura completa, com a espada amarrada na cintura, o capacete, a couraça, o cinto e a capa nos ombros. O soldado se chama Martinho é filho de um oficial romano.

Mais a frente, Martinho encontrou um mendigo que vinha pedindo esmolas. Martinho se compadeceu do homem e rasgou a sua capa em duas partes. Ele deu a metade da sua capa ao andarilho que agradeceu, feliz da vida e impressionado.

Naquela mesma noite, dormindo ao relento, na beira da fogueira do acampamento, Martinho teve um sonhou. Ele sonhou que Cristo aparecia até ele, usando a metade da capa dada ao mendigo.

Martinho acordou no meio da noite, muito impressionado, e tentou dormir de novo, mas não conseguia deixar de pensar naquele sonho.

No outro dia, Martinho era um novo homem, convertido a Jesus Cristo, disposto a conhecê-lo melhor, servi-lo com a vida. Martinho havia se tornado um soldado de Cristo.

Ele falou ao seu capitão que, como cristão, já não poderia mais simplesmente sair a lutar e a matar pessoas. Para ele, a guerra havia se tornado uma atividade totalmente errado cheia de ódio e violência, algo que não se encaixava com a mensagem de paz e amor anunciada pelo Evangelho.

st-martin3O comandante ficou uma fera, e ordenou que Martinho fosse preso imediatamente. Assim, o jovem soldado passou muitos dias na prisão, esperando para saber o que seria de sua vida.

Ele foi acusado de ser um medroso a querer fugir da batalha, mas deu uma resposta muito corajosa a todos:

— Se acham que sou medroso, então me coloquem na frente da batalha, onde os inimigos se encontram, desarmado. Estou pronto!

Ao final, Martinho acabou sendo expulso do exército.

Voltando para casa, Martinho anunciou o Evangelho para sua mãe e para os demais parentes. Eles se converteram a Cristo. Para ele, esta foi uma grande vitória, uma luta contra o preconceito religioso e a incredulidade.

Martinho também lutou muito contra os falsos ensinos sobre Jesus. Ele combateu, por exemplo, o ensinamento dos arianos, que diziam que Jesus Cristo não era o filho de Deus. Foram longos dias e noites de discussões, argumentos, conversas, exposições, pregações.

Naquele tempo, as pessoas não entendiam muito bem que religião não se discute. Para Martinho era mais uma questão de combater a mentira e defender a verdade.

Por causa dessas longas discussões religiosas e por insistir que Jesus é o Filho de Deus, Martinho acabou sendo expulso da cidade de Milão pelo bispo chamado Auxentius, que defendia o ponto de vista dos arianos.

Martinho acabou tendo que viver sozinho numa pequena ilha do mar Mediterrâneo, próximo da costa da Ligúria.st-martin4

Depois de viver algum tempo assim, ele foi convidado para morar em Ligugé, onde viveu uma vida de contemplação e solidão.

Mas logo apareceram discípulos e o grupo se tornou uma pequena comunidade religiosa, um ambiente onde se cultivava o respeito, a fraternidade e a devoção a Deus. Martinho ficou com eles por dez anos.

Depois disso, Martinho foi chamado e aclamado pelo povo para ser o bispo de Tours em 372. A princípio ele não aceitou o convite, mas não teve como impedir a vontade do povo.

Mas mesmo sendo bispo, ele continuou vivendo numa pequena cela, um quartinho apertado e simples, que ficava perto da catedral. Martinho não se preocupava com luxo, conforto ou beleza. O mais importante era servir a Deus, ajudar o povo, e levar uma vida simples, em contato com a natureza, em orações e estudos das Escrituras.

Martinho fundou um convento em Marmoutin, onde oitenta monges se juntaram a ele.

Ele também fundou muitos outros conventos pela Europa, destruiu altares pagãos, templos de ídolos, buscando divulgar a mensagem de Cristo.

Morreu bem velhinho.

“Foi num sonho que Ele veio ao meu encontro.

Foi um sonho o que Ele repartiu comigo.

E eu sonhava ser apenas um velho cavaleiro.

Ele fez de mim um grande aventureiro e um andarilho…”

.

Quando eu te vi à beira do caminho

Nem pensei que era o destino que me vinha visitar.

O dia era frio e eu sozinho

Estava longe do meu lar.

Mas teu olhar tão calmo e verdadeiro

Derreteu aquele gelo e me fez compartilhar.

.

E eu que era só um pequenino

Grão de areia que rolava à beira de um imenso mar

Jamais imaginava que seria

Uma montanha, pó de estrela refletida no luar.

.

Rasgo a minha capa, abro a minha vida.

Largo minha máscara e encaro um novo dia.

Vejo teu olhar com alegria.

.

E o pensamento voa feito um passarinho

Junto à beira do caminho esperando pra cantar

E cantarei aquele sonho mais divino,

O nascer do sol tão lindo e que hoje veio pra ficar.

11-Track-11

uma canção para bento

O menino Bento olhou pela última vez o portão de sua casa na pequena cidade de Nursia. O seu coração estava divido. A idéia de ir morar em Roma enchia o seu coração de entusiasmo e desejo de partir, mas a saudade da terra natal o deixava entristecido. Dividido entre a saudade e a alegria, Bento foi estudar em Roma.

Ao chegar na cidade grande, os olhos arregalados do menino tentavam assimilar tanta beleza: as avenidas largas, as praças grandiosas, as estátuas, as construções de mármore. Bento sentia no ar o perfume das frutas da estação, plantas aromáticas, o cheiro dos animais. Ele ouvia o grito dos mercadores, crianças brincando na calçada, pessoas conversando. Tudo era novo e excitante.

st.benedict5Mas com o passar do tempo, o encanto pela cidade foi se transformando em decepção. Bento percebeu que as ruas não eram tão limpas, que havia crianças abandonadas, imoralidade, prostituição, gente caída pelos cantos, algo que fazia seu estômago revirar.

st.benedict1Assim, com a idade de 14 anos Bento resolveu abandonar a casa de seus pais em Roma, a capital do mundo, com seus bares e cabarés, carnavais e bacanais. Ele foi morar numa pequena vila chamada Enfide, que ficava a uns 40 quilômetros de Roma. Para que não fosse sozinho, seus pais permitiram que Bento fosse acompanhado pela sua ama.

Em Enfide, Bento foi morar na capela de São Pedro, na companhia de outros homens piedosos, todos muito pobres. Sua ama tomou emprestado uma peneira para penerar trigo. Acontece que, sem querer, a peneira caiu no chão e se partiu. Sua ama começou a chorar e lamentar. Bento sentiu grande compaixão por ela e começou a orar de joelhos, pedindo que Deus o ajudasse a encontrar uma solução.

Quando ele se levantou, pegou a peneira partida e começou a arrumá-la. Deus o ajudou e a peneira parecia inteira novamente, como se nunca tivesse se quebrado. Todos ficaram muito admirados e colocaram a peneira na porta da Igreja como prova do que acontece quando Deus ouve as nossas orações.

Cada vez mais, Bento sentia que precisava ficar sozinho, viver em algum lugar distante, deserto. Assim ele se foi morar numa caverna na montanha chamada Subiaco.

st.benedict2Lá ele passou sua juventude, ajudado por um monje chamado Romanus, que trazia alimentos para ele. A comida era colocada numa cesta e puxada por uma corda. Assim ele se isolou do mundo e se dedicou à oração e à penitência.

Com o passar do tempo, Bento percebeu que Deus não nos chamou para vivermos isolados. Assim ele formou uma comunidade de pessoas dispostas a viver mais intensamente em oração, estudo e trabalho.  Logo ele fundou 12 mosteiros naquela região.

Bento achava muito importante o trabalho manual e braçal. Ele dizia sempre:

— O trabalho artesanal é muito produtivo e é também uma maneira muito digna de servir a Deus.

Manter as mãos ocupadas e o corpo em movimento ajuda a manter o espírito em forma.

O estilo de vida dos monges liderados por Bento era muito simples e sem regras muito rígidas: obediência, vida comunitária e moderação. Mais do que seguir regras rígidas, os monges seguiam o exemplo de vida de Bento, sua seriedade, sua dedicação e seu temor a Deus.

st.benedict3Mais tarde, Bento partiu de Subiaco e foi viver em Monte-Cassino. Ali ele construiu um grande mosteiro. Muitas pessoas iam visitá-lo e ouvir seus conselhos, pessoas religiosas, líderes, leigos. Para cada um Bento tinha uma boa palavra.

Um dia apareceu um eremita ali perto de onde Bento morava. Esse eremita vivia com os pés presos numa corrente fixada numa pedra perto de uma caverna. Bento foi falar com o homem:

— Não faças isso, meu bom homem! Você deveria antes se acorrentar nas correntes de Cristo e não nas de ferro.

Bento deixou seus princípios de vida escritos num livro chamado Regra de Bento. Para ele a adoração era o principal dever de um monge. Bento também ensinava que, melhor do que viver totalmente isolado dos outros, numa caverna, o cristão deve buscar a companhia de seus irmãos e viver em comunidade.

st.benedict4Para ele, ficar sem fazer nada é a pior coisa que existe para uma pessoa. A gente precisa ter a mente ocupada através da leitura e da oração e as mãos ocupadas pelos trabalhos manuais. Mas o mais importante é viver para adorar a Deus. A gente tem que viver com moderação e bom senso, seja na hora de comer, de se vestir ou de trabalhar.

Bento morreu em seu monastério aos 67 anos, e como sempre quis: orando. Ele sabia que seu momento estava chegando e se preparou para ele, conversando com o Pai.

.

.


Gira o vaso sobre o tabuleiro,

Gira a roda do oleiro,

Gira o mundo ao meu redor.

Gira o girassol o dia inteiro,

Um relógio sem ponteiro

Lê as horas ‘té decor.

.

Quando o velho fio de prata se arrebenta

E a peneira se despenca da beirada do fogão,

É preciso amor e paciência

Muita fé e persistência

Na destreza de uma mão artesã.

.

Vida, minha vida, quanta lida

Tem um homem que procura

Consertar um coração.

Passa uma agulha pela dobra

Da costura com ternura

E vai fazendo a amarração.

.

Seu trabalho só termina quando a linha se acaba

Ou quando a alma já não sente a solidão.

Tudo então apenas recomeça

E Ele pega outra peça

Com a sua bela mão artesã.

.10 – A roda do oleiro

canção para pedro

As ondas calmas do mar da Galiléia batiam na areia da praia. Os irmãos Pedro e André consertavam as redes. Eles estavam cansados, mas havia muita coisa para fazer.

— Pois é André, hoje a pesca foi boa.

— É mesmo, Pedro. Olha só que peixão!

Eles acreditavam que um dia o Filho de Deus visitaria a terra. Enquanto conversavam, alguém se aproximou. Era Jesus que veio até eles para fazer um grande convite:

— Eu sei que vocês conhecem o mar e sabem pescar muito bem. Mas eu quero convidá-los para outro tipo de pescaria. Venham comigo para serem pescadores de gente.

Pedro e André ficaram muito alegres e surpresos com o convite de Jesus. Sentiram dentro de si um desejo muito grande de seguir este homem de Nazaré. E foi o que fizeram.

st-peter8Pedro e André nasceram e cresceram na cidade de Cafarnaum. Ali aprenderam a pescar e conheceram seus amigos:

— Como é gostoso viver aqui na beira desse mar da Galiléia! Mas precisamos ir para outras terras enfrentar novos desafios — pensou Pedro.

E lá se foram eles a seguir Jesus.

Certa vez, alguns homens foram até Pedro perguntar se Jesus pagava os impostos corretamente. Pedro foi até Jesus e recebeu dele uma ordem absurda:

— Pedro, vá até o lago e jogue o anzol. Puxe o primeiro peixe que pegar e você encontrará dentro da boca dele uma moeda. Com ela pagaremos os nossos impostos.

Dito e feito. Pedro foi ao lago, pescou um peixe e dentro dele encontrou a moeda.

Certo dia Jesus foi para um lugar deserto para ficar sozinho e orar um pouco. Mas não teve jeito, uma grande multidão veio atrás dele, gente de muitos lugares distantes. Eles que haviam caminhado muitos quilômetros só para estar pertinho de Jesus e ouvir suas palavras de amor.

De tardinha, Pedro e os seus amigos foram falar com Jesus:

— Senhor, já é muito tarde, e este lugar é deserto. Manda essa gente embora para que possam comprar comida!

— Eles não têm que ir embora. Vocês é que têm de alimentá-los — Jesus respondeu.

st-peter9O susto foi enorme:

— Mas Mestre, é gente demais! São mais de 5.000 pessoas e nós só temos cinco pães e dois peixes!

— Tragam os pães e os peixes aqui — disse Jesus.

Eles trouxeram os pães. Jesus mandou o povo se sentar na grama, deu graças ao Pai pelo alimento e entregou para que repartissem.

Todos se alimentaram e ficaram satisfeitos, e ainda sobraram doze cestos cheios de pão.

Depois daquele jantar maravilhoso no deserto, Jesus despediu os discípulos:

— Olha, vocês vão na minha frente. Entrem no barco e vão para o outro lado do lago, enquanto eu me despeço desse povo. Além do mais, preciso de um tempo para orar.

Os discípulos entraram no barco e foram remando e remando contra o vento forte. Já passava das três horas da madrugada quando viram um homem caminhando sobre as águas. Levaram aquele susto:

— É um fantasma! — gritaram eles.

Mas o homem respondeu:

— Não tenham medo, não! Sou eu, Jesus, o Mestre de vocês!

Pedro ficou assustado e desafiou:

st_peter3— Se é o senhor mesmo que está aí, então faz com que eu também ande em cima das águas!

— Vem! — respondeu Jesus.

E Pedro foi, com a cara e a coragem. Quer dizer, só com a cara. Quando ele sentiu a força do vento, faltou coragem. Pedro começou a afundar. Então gritou:

— Socorro, Senhor!

Na mesma hora Jesus estendeu a mão e o segurou.

Assim Pedro foi percebendo que Jesus era alguém muito especial: o Filho de Deus, o Salvador prometido.

Certa vez Pedro perguntou:

— Senhor, quantas vezes devo perdoar alguém que me ofende? Sete vezes?

—Não apenas sete vezes—respondeu Jesus—mas setenta vezes sete.

Na verdade, Cristo quis dizer a Pedro que a gente tem que perdoar sempre.

Quando a Festa da Páscoa estava chegando. Jesus convidou os discípulos para ficarem juntos e jantarem. Na hora da ceia, Jesus pegou uma toalha e amarrou-a na cintura, depois tomou uma bacia com água e começou a lavar e enxugar os pés dos seus discípulos.

Pedro achou aquilo muito estranho:

— O senhor vai lavar os meus pés?

— Pedro, agora tu não entendes o que estou fazendo, mas mais tarde entenderás!

— O Senhor nunca lavará meus pés!

— Se eu não lavar, tu não serás mais meu discípulo! — disse Jesus.

— Ah, Senhor, se é assim eu quero que me laves, não somente os pés, mas também minhas mãos e minha cabeça! — disse Pedro.

st-peter4— Calma, Pedro! Você já tomou banho, já está limpo. O seu coração já foi lavado pela minha palavra — disse Jesus.

O que Cristo queria ensinar é que a gente precisa aprender a servir e ajudar as outras pessoas. Isto não é fácil, e só se consegue com muito esforço e com muito amor.

A vida de Pedro tem muitas lições de força e fraqueza, coragem e medo, dúvida e fé. Quando Jesus foi preso, Pedro foi o primeiro a tentar defendê-lo. Mas naquela mesma noite, cheio de medo, ele negou que era amigo de Jesus.

Mais tarde, já ressuscitado, Jesus apareceu numa praia, enquanto os discípulos pescavam. Pedro foi o primeiro a reconhecê-lo e lançou-se ao mar para encontrá-lo. Jesus trouxe novos desafios a ele:

— Pedro, tu me amas?

— É claro, Senhor!

— Então cuida das minhas ovelhas.

Bom, junto com os demais discípulso, Pedro tornou-se um grande pastor do povo de Deus e um grande pescador de gente para Jesus.

st-peter5

.

Senhor, Senhor, aumenta a nossa fé

E faz-nos querer um mundo melhor, melhor do que ele é.

Senhor, Senhor, aumenta a nossa fé

E faz-nos chegar na beira do céu na ponta do nosso pé.

.

O mar é tão vasto e verde, Senhor,

Profundo como ele só.

A mente vacila, a alma equilibra

A vida que não tem dó.

O barco é tão pequenino, Senhor,

Menor do que um coração.

Mais forte que toda a onda, Senhor,

É a força do teu perdão.

.

O vento que sopra forte

Retalha o corte e o seu pavor,

Mas tua palavra doce

Alivia as dores de um pescador.

Embora o olhar se perca

Na linha imensa da vastidão,

O mundo não tem segredo, Senhor,

Na palma da tua mão.

09-Track-09