Arquivo de abril 2010

uma canção para joão

st-john1— Lá vem a noiva! — alguém grita no portão.

Começa a festa: convidados por toda parte, crianças, música, muita comida e bebida. João também foi convidado para o casamento, junto com seu irmão Tiago e Jesus, seu Mestre. Eles participavam da alegria do noivo.

Tudo ia bem, até que João notou que algumas pessoas cochichavam no ouvido umas das outras, como se algo errado estivesse acontecendo. Faltou vinho! Os pais da noiva estão aflitos e os empregados colocam a mão na cabeça:

— E agora?

João também viu que Jesus conversava com sua mãe e que depois deu instruções aos empregados.

Os empregados trouxeram talhas cheias de água, e iam enchendo os copos. De dentro das talhas saiu vinho de primeira qualidade.

João ficou grandemente admirado, pois Jesus havia transformado a água em vinho.

st-john4João era o mais jovem entre os discípulos de Jesus. Ele era filho de um homem chamado Zebedeu e era pescador do mar da Galiléia. Estava consertando as redes quando foi chamado por Jesus.

Antes de conhecer Jesus, João seguia o profeta João Batista, que anunciava a chegada do Filho de Deus. Foi na beira das águas do rio Jordão que ele viu Jesus pela primeira vez, quando João Batista disse:

— Este é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Certa vez ele viu um homem praticando uma religião diferente e usando o nome de Jesus para expulsar os maus espíritos de alguém. João foi duro com o homem:

— Nós o proibimos de fazer isso porque não é do nosso grupo.

Com muita paciência e amor, Jesus disse a João:

— Vocês não devem proibi-lo, pois quem não é contra nós é a nosso favor.

Quem segue a Jesus tem que aprender a aceitar as outras pessoas, mesmo que elas não sejam do nosso grupo.

st-john2

Outro dia, Jesus entrou numa casa em que uma menina acabara de morrer. Jesus tinha convidado João e seu irmão Tiago para estarem junto com ele.

A confusão naquela casa era muito grande. Gente chorando alto, gritando, uma tristeza imensa. Então Jesus disse ao pai da menina:

— Não tenha medo; tenha fé!

E aos que estavam chorando e gritando ele falou:

— Por que tanto choro e tanta confusão? A menina não morreu; ela apenas está dormindo.

Ao ouvirem as palavras de Jesus, muitos começaram a rir dele, achando que ele devia estar maluco.

Jesus mandou que todos saíssem da casa, depois entrou no quarto onde estava a menina, junto com João, Pedro e Tiago. Ele pegou a menina pela mão e disse:

— Menina, levante-se!

Na mesma hora, a menina se levantou e começou a andar. Ela tinha apenas doze anos.

João percebeu que Jesus era mesmo alguém muito especial, capaz de fazer coisas impossíveis como dar a vida a quem estava morto. E Jesus fez aquilo por amor aos pais da criança e por amor à própria menina. Ele também ensinou a todos que, se tivermos fé em Deus, poderemos enfrentar qualquer situação.

Antes de sair daquela casa, Jesus disse:

— Olha, não fiquem espalhando por aí o que aconteceu aqui. E tragam alguma coisa para a menina comer.

st-john3João aprendeu com Jesus que devemos separar um tempo para estarmos juntinhos de Deus em oração. Ele viu Jesus orar muitas vezes, de dia, de noite, no templo e até no deserto.

E João aprendeu a lição. Ele também orava muito a Deus, de joelhos. De tanto orar, apareceram calos em seus joelhos. João até recebeu o apelido de “Joelho de Camelo”.

João tinha um temperamento muito forte, não tinha muita paciência com as pessoas. Antes de conhecer o amor de Jesus, esquentava a cabeça por qualquer coisa. Não é à toa que ele e seu irmão eram chamados de “filhos do trovão”.

Mas com a convivência com Jesus, ele foi aprendendo a ser bondoso e generoso, compreendendo a fraqueza das pessoas. Jesus gostava muito de João e conversava muito com ele. Tanto é que ele passou a ser conhecido como “o discípulo amado”.

Certa vez Jesus chamou os discípulos para uma ceia muito especial, um jantar de despedida. Jesus sabia que logo deixaria seus amigos queridos e quis encorajá-los a ficarem firmes e unidos. João estava ao lado de Jesus. Jesus ceou com eles pão e vinho e falou de sacrifício e amor.

Naquele jantar, Jesus falou aos discípulos sobre o novo mandamento:

— Eu dou a vocês um novo mandamento: Amem uns aos outros, assim como eu os amei. O amor é o sinal daquele que me segue.

Como a festa sem vinho não é festa, a vida sem amor não é vida.

st-john5Quando Jesus estava na cruz, pediu que João cuidasse de sua mãe. Assim, depois que Cristo foi crucificado, sua mãe passou a morar na casa de João, o discípulo amado.

O tempo passou e João foi exercitando cada vez mais em sua vida a força do amor. A cada novo dia ele aprendia e ensinava algo novo. Assim ele visitava o povo de Deus, pregava, aconselhava, escrevia longas cartas falando daquele “novo mandamento” que Jesus ensinou.

João viveu bastante. Quando já estava bem velhinho esteve preso numa ilha rochosa chamada de Patmos. Foi lá que ele escreveu o livro de Apocalipse. Depois de ser solto, passou seus últimos dias junto com os queridos irmãos de Éfeso e morreu com a idade de 95 anos.

| : Tu és, Senhor, tudo que eu quis.

Teu grande amor é que me faz feliz. : |

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Tu me convidas a estar à mesa.

Quanta surpresa, sonho divino!

Não merecia tão grande apreço.

Junto ao teu peito

Eu me reclino

E adormeço.

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| : Tu és, Senhor, tudo que eu quis…

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Estás comigo a cada momento;

Meu pensamento é teu abrigo.

Dá-me do copo do novo vinho,

Pão sobre a mesa,

Meu grande amigo,

Paz e caminho.

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| : Tu és, Senhor, tudo que eu quis.

Teu grande amor é que me faz feliz. : |

..

Teu grande abraço, calor de um berço,

Tem tanto espaço, todo o universo.

Ouve o meu verso, Cristo Jesus.

Amas a todos,

A todos abraças

Na tua cruz.

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uma canção para tiago

st-james2Certa vez, Jesus estava caminhando pela praia do mar da Galiléia acompanhado por uma grande multidão, quando viu dois barcos na beira do mar. Os pescadores estavam ali perto, lavando as redes. Eles tinham estado no mar durante a noite inteira, mas não tinham pego nenhum peixe. Entre eles estava um jovem chamado Tiago.

Jesus pediu licença, entrou num dos barcos e começou a ensinar a multidão, que escutava da praia. Os pescadores também ouviam com atenção as palavras de Jesus.

Ao terminar ele se dirigiu aos pescadores:

— Escutem, levem o barco para aquele lado mais profundo e joguem as redes.

— Senhor, nós já trabalhamos a noite inteira e não pescamos nada, mas vamos fazer o que o senhor está mandando—respondeu um deles.

Os pescadores lançaram as redes e pescaram uma quantidade tão grande de peixe, que parecia que as redes iam se rebentar. De longe, por sinais, chamaram os outros companheiros e pescaram até encher os dois barcos.

Tiago estava junto com Pedro, seu sócio na empresa de pesca. Eles ficaram muito admirados com tudo aquilo e perceberam o grande poder que havia nas palavras e na pessoa de Jesus.

Desde então, Tiago deixou os barcos e as redes e passou a seguir Jesus. Tornou-se um pescador de pessoas, chamando gente para entrar no barco da fé. Seu irmão mais novo, João, também o acompanhou.

st_jamesTiago foi sendo transformado dia a dia pela convivência diária com Jesus. Seu temperamento era muito forte. Tanto que Jesus deu a ele e a seu irmão o apelido de “filhos do trovão”.

Um dia, quando ele andava pelas terras de Samaria, notou que aqueles habitantes não receberam Jesus nem deram hospedagem para ele. Tiago e João ficaram indignados e perguntaram a Jesus:

— Mestre, o senhor quer que mandemos descer fogo do céu para acabar com essa gente? Podemos amaldiçoá-los já!

— Queridos, o reino do Senhor é feito de amor e de bênção, não de maldição e amargura.

Outro dia, Tiago e seu irmão foram até Jesus fazer um pedido muito especial:

— Mestre, por favor, atende um pedido nosso.

— O que é que vocês querem?—Jesus perguntou.

— Quando chegar o teu Reino glorioso, deixa eu me sentar do lado direito do teu trono e o meu irmão no lado esquerdo—disseram eles.

Jesus os repreendeu duramente:

— Vocês nem sabem o que estão pedindo nem o que vem pela frente. Por acaso vocês vão conseguir beber o cálice amargo de sofrimento que eu tenho de beber?

— Vamos sim, senhor — responderam eles.

— Tudo bem, vocês beberão o cálice. Mas as coisas do Reino de Deus, é o Pai quem decide.

Os outros discípulos ficaram muito chateados com a conversa de Tiago e João. Jesus teve que ensiná-los com muita paciência:

— Meus queridos, vocês sabem que por esse mundo afora os políticos e os governadores é que dominam o povo. Mas entre vocês não pode ser assim.

Quem quiser ser o maior tem que ser servo dos outros, e quem quiser ser o primeiro tem que ser escravo de todos. Eu estou neste mundo é para servir e ajudar as pessoas, e até mesmo para dar a vida para salvar muita gente.

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Tiago tinha muita intimidade com Jesus e esteve ao lado dele em momentos muito especiais. Certa vez ele e João subiram num alto monte e viram que o rosto de Jesus começou a brilhar intensamente como o sol e suas roupas ficaram muito brilhantes. Lá eles ouviram a voz do Pai:

— Este é o meu Filho amado. Escutem o que ele diz!

Tiago também estava com Jesus no jardim do Getsêmani. Ali Jesus chorou até lágrimas de sangue pelos pecados do mundo. Lá eles ouviram Jesus dizer:

— Pai, já que eu tenho que beber esse cálice amargo, que seja feita a tua vontade.

Tiago se dispôs com todo o coração a anunciar o Reino do Senhor Jesus. Dizem que foi assim que ele visitou a Espanha e falou a eles do amor de Deus.

st-james4Com a mesma coragem ele enfrentou a perseguição e a morte. Tornou-se uma das primeiras pessoas a ser morta por seguir a Jesus. Como o Mestre havia profetizado, ele bebeu o “cálice” amargo e veio a ser um exemplo de coragem e fé.

Não se tem certeza, mas parece que muitos anos mais tarde, os restos mortais de Tiago foram levados para a Espanha e sepultados na cidade de Compostela, junto à Igreja que ele ajudou a fundar.

Muitas pessoas queriam conhecer o túmulo desse servo de Deus e faziam longas caminhadas até aquela cidade. Até hoje, muitas pessoas do mundo inteiro vão a pé através do Caminho de Santiago da Compostela, uma longa trilha. Enquanto caminham essas pessoas fazem orações e refletem sobre o mistério da vida.

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Conheço bem o mar da Galiléia

Na claridade e na escuridão

E cada onda sempre leva junto

Um pedacinho do meu coração.

A minha vida é minha pescaria,

Eu sou Tiago “Filho do Trovão”

Até que Deus chegou, e quem diria,

Mudou o rumo dessa embarcação.

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Não tenho medo!

Não tenho medo da espada,

Não tenho medo da estrada,

De andar por baixo da escada.

Não tenho medo!

Não tenho medo de cometa

E nem do boi da cara preta.

Não tenho medo de careta.

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Vem me dar coragem, por tua palavra

Sempre mais cortante que qualquer espada.

Quero andar contigo pela longa estrada

Nessa terra estranha ou perto lá de casa.

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Não tenho medo!

Não tenho medo do escuro,

Não tenho medo do futuro,

De caminhar por sobre o muro.

Não tenho medo!

Não tenho medo de aranha,

Não tenho medo da montanha

E nem dos touros de Espanha.

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Feito um passarinho pelo céu aberto,

Vôo solto e livre pois estás bem perto.

Bebo as palavras do teu pensamento,

Pouso entre as linhas do teu mandamento.

filho do trovao

uma canção para paulo

st-paul5Pela estrada de Damasco passava uma estranha caravana. Ela era dirigida por um homem chamado Paulo, um fanático que resolveu acabar de vez com os seguidores de Jesus. Ele trazia nas mãos uma carta de autorização para prender, torturar e matar quem for suspeito de ser cristão.

Mas de repente uma luz veio do céu e brilhou em volta de Paulo. O brilho da luz era muito intenso e fez com que ele caísse no chão. Uma voz soou imediatamente:

— Paulo, Paulo, por que me persegues?

— Quem és tu, senhor?—perguntou Paulo, totalmente confuso.

— Eu sou Jesus, aquele que tu persegues. Levanta e entra na cidade, pois ali te dirão o que farás.

Os homens que acompanhavam Paulo viram a luz, ouviram a voz, mas não entenderam nada. Paulo se levantou mas não conseguia enxergar. Seus companheiros o levaram para Damasco.

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Paulo foi visitado por um homem chamado Ananias, um seguidor de Jesus que trouxe a ele palavras de consolo e orientação. Mesmo sabendo que Paulo era perigoso, Ananias ofereceu a ele o apoio de um irmão:

— Paulo, Deus me trouxe aqui para te dizer que tu és um servo escolhido para anunciar o nome de Jesus a muitos povos e até aos reis.

No mesmo instante Paulo voltou a enxergar. Daí em diante ele tornou-se um corajoso mensageiro de Jesus, indo de cidade em cidade e anunciando o amor de Deus.

Ele esteve até em Atenas, capital da Grécia. Não foi fácil, no meio daqueles filósofos todos. Mas coragem não faltava; e Paulo começou a falar a quem quisesse ouvir o quanto Jesus representava para ele:

— Homens de Atenas! Vejo que vocês são muito religiosos. Quando entrei na cidade vi muitos templos, altares e deuses. Encontrei até um altar dedicado ao “Deus Desconhecido”. Pois é justamente esse Deus que vocês adoram sem conhecer que eu estou anunciando…

Alguns riram de Paulo, muitos não entenderam o que ele queria dizer, mas alguns creram e se juntaram a ele.

Assim, Paulo visitou muitas cidades daquele tempo: Antioquia, Trôade, Filipos, Atenas, Corinto, Éfeso, Roma e muitas outras. Ele dormia pelas estradas, ao relento, em alguma estalagem, na casa dos amigos, debaixo da ponte, onde pudesse. Ele ganhava a vida fabricando tendas, enquanto semeava a palavra de Deus.

Em sua obra missionária, Paulo sofreu muito por Jesus. Foi preso diversas vezes, chicoteado, apedrejado, acorrentado, expulso das cidades, mas nunca perdeu a coragem nem deixou de falar do Filho de Deus.

Certa vez ele acabou sendo preso numa cela úmida e fria, acorrentado pelos pés, ao lado do seu companheiro Silas. Paulo estava faminto e cansado. Havia feridas pelo seu corpo. Mas ao invés de reclamar da vida, Paulo e Silas começaram a cantar e louvar a Deus. Os outros presos ficaram escutando, assim como também os guardas da prisão.

Phantombild Paulus von TarsusQuanto foi meia-noite, um grande terremoto sacudiu a terra e as portas da prisão foram derrubadas. O guarda ficou desesperado e, achando que os presos já tinham fugido, pegou uma espada para se matar. Mas a voz de Paulo o interrompeu:

— Não faça isso! Estamos todos aqui!

O carcereiro pediu uma luz, entrou depressa e se ajoelhou, tremendo, aos pés de Paulo e Silas e perguntou para eles:

— Senhores, o que devo fazer para me salvar?

— Creia no Senhor Jesus e você será salvo—você e a sua família.

Na mesma hora o carcereiro passou a cuidar deles. Toda a sua família teve a oportunidade de ouvir a boa mensagem de Jesus.

Três vezes Paulo sofreu naufrágio. Numa dessas vezes, ele estava num barco que ia para Roma, no meio de uma grande tempestade. Durante catorze dias, eles foram arrastados pelo vento e pela chuva, sem descanso.

Eles achavam que iam morrer, mas Deus falou com Paulo e disse que todos seriam salvos. O navio acabou encalhando e afundando perto de uma ilha, a ilha de Malta. Todos se abraçaram aos destroços do navio, pedaços de madeira, troncos e paus e conseguiram escapar.

Na ilha, eles foram socorridos pelos moradores nativos. Como estava fazendo muito frio, os moradores fizeram uma grande fogueira e acomodaram os sobreviventes ao redor.

Paulo estava entre eles, ajudando a botar lenha na fogueira. Mas quando ele ajuntou um feixe de gravetos, não viu que tinha uma cobra muito venenosa ali. O cobra mordeu a mão de Paulo, e ficou pendurada nele.

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Todos ficaram muito assustados e acharam que Paulo devia ser um homem muito azarado, castigado por Deus, e que iria morrer logo. Mas Paulo fez de conta que não era nada, sacudiu a serpente para dentro do fogo, e continuou a se esquentar.

Aí então todos ficaram muito admirados e começaram a pensar até que ele fosse um deus. Paulo aproveitou a oportunidade para dizer a eles que quando Deus está com a gente, não há o que temer, Ele nos guarda e pronto.

st-paul3Paulo continuou a sua viagem, chegou a Roma e lá anunciou o nome de Jesus para muitas pessoas, inclusive reis e governadores.

Embora fosse perdendo a visão com o passar dos anos, a luz de Cristo se tornava cada vez mais clara em sua vida.

Para Paulo, a felicidade da vida de uma pessoa depende do caminho que ela escolhe. E para ele estava claro que o único e melhor caminho era conhecer o amor de Deus mostrado através de Cristo. Ele salva nossas almas, cura nossas feridas, guia nossa vida. Quem confia nEle jamais está perdido, mesmo que esteja naufragado.

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O sino toca e é tão bonito

Ouvir o sino só a tocar.

Seu canto fino além da noite

Atravessa a vila, invade o ar.

Mas ele é oco, tão frio e feio,

Não tem segredos pra revelar.

Melhor ouvir um coração

Que sabe como bem amar.

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O amor é forte, é paciente,

Está contente quando faz o bem,

Ajuda sempre e compreende

A dor daquele que não vive bem.

Suporta tudo com esperança

Mas quer mudança que ainda vem.

Não é grosseiro nem orgulhoso,

Pra injustiça nunca diz amém.

o sino

uma canção para agostinho

Agostinho meditava no jardim da sua casa. Ele estava muito angustiado. Sua vida até ali tinha sido uma busca tola por paixões intensas e prazeres mundanos. E ele já estava com 32 anos de idade.  Tinha conhecido muita gente, e tinha feito muita gente sofrer. Tentou ser feliz por si mesmo, procurando filosofias e idéias novas. Mas o vazio no seu coração era enorme. Não conseguia controlar seus próprios desejos.

Lágrimas brotaram dos seus olhos. Ele se jogou na grama, debaixo de uma figueira e clamou a Deus:

— Ó, Senhor, até quando? Por quanto tempo terei que esperar por uma libertação? Amanhã e amanhã? Por que não por um fim a essa vergonha de uma vez?

Então ele ouviu a voz de uma criança:

— Toma e lê! Toma e lê!

Ele olhou ao redor mas não viu ninguém:

— Toma e lê! Toma e lê!

Quando olhou para o lado, Agostinho viu um livro. Era uma parte da Bíblia Sagrada. Ele folheou as páginas rapidamente, e seus olhos cairam na passsagem de Romanos 13.13-14:

“Vivamos decentemente, como pessoas que vivem na luz do dia. Nada de orgias ou bebedeiras, nem imoralidades ou indecência, nem briga ou ciúmes. Mas peguem as armas do Senhor Jesus Cristo e não pensem em satisfazer os desejos pecaminosos da natureza humana.”

Saint_Augustine_36Uma mudança profunda aconteceu em seu coração. A angústia cedeu lugar à paz. Pela primeira vez, uma alegria nova e calma encheu seu coração:

— Para mim é bom apegar-me a Deus, porque, se não permaneço nele, tampouco poderei permanecer em mim.

Depois de uma longa busca pela verdade, Agostinho tinha finalmente se encontrado. Após uma vida de farras, bebedeiras, sensualidade, e muitas vaidades, ele finalmente entregou seu coração vazio a Jesus.Em grande parte, este momento foi o resultado das muitas orações e do cuidado carinhoso de sua mãe Mônica.

Quase um ano depois, Agostinho foi batizado. As pessoas que o conhecia logo o incentivaram a ser um sacerdote. Agostinho não queria esse compromisso, mas não teve jeito. Logo se tornou bispo da cidade de Hipona, e um grande pensador, escritor e pregador do Evangelho, levando uma vida de santidade e serviço humilde ao Senhor. Ele até fundou um mosteiro, para que as pessoas pudessem se dedicar à oração.

st-augustine-botticelli41Para ele, uma pessoa que quer andar com Deus deve aprender a conviver com as outras pessoas e a controlar sua língua. Por isso, na porta do seu quarto havia um aviso que dizia:

“Aqui não falamos mal de ninguém!”

Dizem que certa vez seus amigos resolveram pregar-lhe uma peça, uma pegadinha. Eles saíram gritando pelo corredor da casa onde moravam:

— Agostinho, tem uma vaca voando lá fora! Vem ver! Corre!

Agostinho saiu correndo como louco e foi até a janela:

— Onde está, deixa eu ver!

Mas ele não viu vaca nenhuma.

Seus amigos logo começaram a rir e caçoar dele:

— Ô, Agostinho! Então você acreditou que havia mesmo uma vaca voando no céu?

Mas, com um olhar calmo e sério, ele respondeu:

— Prefiro acreditar que uma vaca esteja voando no céu do que pensar que um irmão esteja mentindo.

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Através de seu dom de escrever, de sua inteligência incomparável e de seu amor por Jesus, Agostinho defendeu o cristianismo contra as críticas que os pagãos faziam. Muitos diziam que Jesus era uma farsa e que o Evangelho trazia a ruína para as cidades. Ele combateu as idéias erradas sobre Jesus, sobre Deus, e sobre o Evangelho.

Ele só lamentava de uma coisa; era de ter conhecido a Jesus tão tarde. Como ele mesmo disse:

— Tarde demais te amei, Senhor!

Mas não era tão tarde assim. Agostinho serviu a Jesus por mais 40 anos, com muita sabedoria, humildade e santidade.

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Para Agostinho, mais importante do que saber um monte de teorias e ter um um grande conhecimento era conhecer a Deus pessoalmente e poder relacionar-se com Ele em amor e fé. O que vale é conhecer o Deus vivo, aquele que está conosco no dia a dia, que ouve nossas orações, que nos ajuda em nossos momentos de fraquezas. Ele orava ao Senhor:

— Toda minha esperança está somente na grandeza da tua misericórdia, Senhor. Dá o que mandas, e manda o que quiseres!

Agostinho sabia o quanto a gente precisa de Deus, do Seu amor, e da sua presença constante e confortadora. Ele dizia que dentro de cada coração humano há um vazio na forma de Deus:

— Tu nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar descanso senão em ti.

Agostinho era homem muito humilde. Certa vez ele foi duramente criticado por São Jerônimo, e tudo por causa de uma carta que foi extraviada.

Em resposta, Agostinho escreveu uma carta cheia de espírito de conciliação:

— Por favor, eu te suplico, quando perceberes que eu estou precisando de uma advertência, corrige-me com confiança, pois o ofício de um bispo pode ser maior do que o de um padre, mas Agostinho é inferior a Jerônimo em muitas coisas.

saint-augustineAgostinho viveu até os 76 anos, e então partiu deste mundo, descansando nos braços do pai.

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É demais, é demais! Lá vem o Agostinho

E olha só a cara que ele faz!

É demais, é demais!

Do jeito que viaja na parada ele não pára mais.

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Se eu disser que vi um elefante branco

Ou um touro que voava sozinho e de tamanco,

Ele é capaz de acreditar.

Se alguém disser que viu a sombra da verdade

Brincando de esconde esconde na cidade,

Ele sai correndo a procurar.

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Pois é, mas a verdade vem do Velho Livro,

Bate à sua porta e dá o seu sorriso

Como quem visita um coração.

Às vezes a mentira é linda como a fada,

Clara como a clara lâmina da espada,

Mas não tem a força do perdão.

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Eu sei que não sou feito só de pensamento.

Dentro do meu peito tem um sentimento

E ele diz que a vida vale mais.

A sede que eu sinto, a fome que me aperta

É conhecer a Deus e ter a mente aberta

A tudo o que Ele quer e o que Ele faz.

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Pode ser demais, mas tudo é muito pouco

Pra quem sonha sempre e sempre mais.

Sei que é bom demais o Deus que nos preenche

O coração e a mente e traz a paz.

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[É demais, Jesus é que é demais

Eu sou quase nada, vou seguindo atrás.

É demais, Jesus é que é demais.

Eu só tô de olho no que Ele faz]

é demais

uma canção para agnes gonxha

A jovem Agnes Gonxha está no cais do porto da Macedônia. Ela está embarcando num navio que vai para a Irlanda, para começar seus estudos e sua vida religiosa. Ela tem apenas 18 anos.

— Adeus, mamãe. Obrigado por tudo. Orem por mim.

— Vai com Deus, filha. Estuda bastante, aprende o que puderes. Depois reparte com os que nada sabem.

Agnes abraça seus pais, sua irmã mais velha Aga e seu irmão Lazar.

Agnes não sabe, mas ela nunca mais verá a sua mãe. É difícil partir, mas ela entende que Deus pode consolar seu coração e fazê-la conhecer muitas irmãs, irmães, pais e mães por este mundo afora.

Um ano depois ela tornou-se noviça e em 1931 fez seus primeiros votos sagrados, escolhendo para si o nome de Teresa, em homenagem a Teresa D’Ávila e Teresa de Lisieux. Logo ela foi enviada para a Índia onde começou a trabalhar como professora de história e geografia no colégio Santa Maria dirigido pelas irmãs.

No conforto daquele colégio que servia às moças ricas da cidade Teresa foi sentido o chamado para trabalhar entre os pobres do mundo.

O tempo foi passando e o desejo de trabalhar entre os excluídos da Índia foi crescendo:

— Foi então que recebi o chamado de Deus para abandonar até mesmo o convento das irmãs de Loureto onde eu era tão feliz e ir para as ruas da cidade. Ouvi o chamado para deixar tudo e seguir a Cristo nas favelas e servi-lo entre os mais pobres dos pobres.

Em 1948, depois de muitos pedidos, Madre Teresa conseguiu autorização do bispo para trabalhar com os pobres da cidade de Calcutá. E assim ela foi visitar e morar na periferia daquela grande cidade.

calcutaEla viu os pobres morando na beira das calçadas, os casebres, o esgoto a céu aberto, os enfermos que gemiam em seus leitos, as crianças desamparadas pelas ruas. Madre Teresa também teve que descobrir um jeito de sobreviver longe da segurança do convento, encontrar um trabalho e um lugar para morar.

Seu amor pela Índia era tão grande que ela conseguiu também cidadania indiana. Como roupa, Teresa decidiu abandonar o hábito que vinha usando durante seus anos como irmã da congreção de  Loureto e vestir as roupas comuns de uma mulher indiana: um simples manto branco chamado sari e sandálias.

Depois de dois anos de trabalho, em 1950, ela fundou a Ordem das Missionárias da Caridade, um grupo de irmãs preocupadas com o sofrimento do povo pobre de Calcutá.

Uma das preocupações daquelas irmãs era conseguir alimento para as pessoas necessitadas que viviam nas favelas.

Preocupada com a saúde do povo, ela passou alguns meses na cidade de Patna, fazendo um curso de enfermagem. Conseguiu autorização do Papa e fundou um convento. Ela alugou uma casa velha e começou o seu novo projeto.

Madre Teresa abriu um hospital para cuidar dos enfermos das favelas. A luta era grande para conseguir remédios, leitos e atender tanta gente carente.

calcuta1Madre Teresa também abriu uma escola para as crianças das favelas. As condições de trabalho eram tão difíceis que ela tinha que escrever no chão, usando um graveto.

Com muito esforço e paciência, ela conseguiu que as crianças aprendessem a ler e escrever. Ela também ensinava noções básicas de higiene pessoal: lavar as mães, tomar banhos, escovar os dentes e cortar as unhas.

Teresa foi conhecendo de perto a vida das crianças, foi sabendo os problemas que cada uma delas vivia em casa. Assim, foi visitando as famílias pobres e doentes que se amontoavam pelos pequenos barracos e dando assistência espiritual aos que tinham perdido a esperança e a alegria de viver.

Logo Teresa abriu um orfanato para crianças desamparadas e abrigos para os leprosos, que eram muitos, e pessoas que estavam para morrer. Ela também construiu casa para acolher os idosos que tinham sido abandonados.

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Embora o trabalho de Teresa fosse muito cansativo e envolvente, ela sempre separava um tempo do seu dia para falar com Deus. Assim ela alimentava o seu espírito para poder alimentar as outras pessoas e recebia bênçãos para se tornar bênção na vida de outros.

Muitas moças se entusiasmaram com o exemplo de Teresa e se juntaram à sua ordem. Elas foram tocadas pela mensagem de compaixão e solidariedade pelos destituídos desse mundo. Outras pessoas ofereciam comida, roupas, remédios, enquanto outras cediam prédios e casas que tinham. Outros ainda ajudavam com dinheiro.

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Um projeto que começou pela fé, compaixão e compromisso de Madre Teresa, foi crescento como a semente de mostarda e desafiando pessoas do mundo inteiro.

Hoje, as irmãs Caridade têm 50 casas espalhadas por toda a Índia e 30 casas em diferentes países do mundo. O que um dia foi sonho hoje virou uma comovente realidade de amor e compaixão.

Em 1979, o mundo inteiro viu Madre Teresa de Calcutá receber o Prêmio Nobel da Paz em reconhecimento por sua obra pelo bem da humanidade. Mas em sua humildade, ela se achava muito pequena:

— Sou apenas um lápis de Deus—um pedaçinho de lápis com o qual Ele escreve o que quiser.

madre_teresaAo longo dos anos, Madre Teresa foi ficando com a saúde cada vez mais frágil. No entanto, ela continuou trabalhando incessantemente por mais de 50 anos, vivendo apenas pela fé, sem ter nada seu, nenhuma propriedade, nenhum bem material.

Seu coração fraco deixou de bater aos 87 anos de idade. Ela partiu em paz, depois do jantar e das orações.

Quero tua música estridente, quero tua gente

Quero estar aqui pra te ajudar.

Quero tuas vozes de criança, quero tua dança,

Cheiros e temperos pelo ar.

Vou sair da minha segurança,

Começar a minha andança pelas ruas do país.

Quero tua lágrima salgada

Transformada num sorriso de quem sabe ser feliz.

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O teu nome é Índia, berço do meu Oriente.

Tua terra é muito linda, tuas vilas, tua gente.

O teu nome é Índia, viva como o sol nascente.

No teu mundo tudo rima, mas é tudo diferente.

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Quero tuas avenidas vivas

De animais e bicicletas, teus poetas a cantar.

Belos muros e jardins floridos,

Nos quintais adormecidos as crianças a brincar.

Quero repartir o meu bocado amanhecido

De esperança em cada mesa, em cada lar.

Quero ver a tua claridade, não apenas caridade,

Mas vontade de sonhar [dignidade vindo como chuva].

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Eu habito a periferia numa estrebaria,

À beira mais sombria do teu rio,

Para alimentar tua alegria,

Confortar teus longos dias e aquecer-te nesse frio.

ìndia

uma canção para francisco

saint-francis-1Há um grande agito na floresta, pássaros cantando por toda parte, vozes de gente, gritos de animais e passos apressados. Até as folhas das árvores parecem diferentes. O que estará acontecendo? Será que alguém está caçando ou maltratando os animais?

Nada disso. É Francisco de Assis que vem chegando e cantando suas doces canções, rodeado por seus bons amigos e discípulos. O seu canto é acompanhado por inúmeros pardais e rouxinóis que estão ao seu redor. Até o gato do mato arrisca um versinho. E Francisco ergue a voz:

— “Como vai, Irmão Vento! Como vai, irmão Sol! Tudo bem, irmã Lua! Vamos louvar ao Senhor?”

E seu canto é acompanhado por toda a natureza.

Francisco era filho de um comerciante muito rico. Quando criança, foi cercado de amor e carinho. Na sua juventude, buscou pelo mundo afora o que a vida tinha de bom—bebeu, festou, farreou, correu, ganhou e perdeu muito dinheiro. Francisco provou a doçura do vinho e o amargura das tavernas. Era sempre o primeiro na busca de farra e folia. Mas dentro do seu coração havia o desejo de algo mais.

Francisco virou soldado, foi à guerra, quis ser um herói famoso, cheio de glórias e honras. Mas seu exército sofreu uma grande derrota e muitos foram mortos. Francisco acabou preso num sombrio calabouço, um lugar horrível, úmido e frio. Ficou ali durante um ano inteiro, acorrentado. Mesmo assim, Francisco jamais perdeu a alegria e sempre alimentou no coracão o desejo de liberdade. Até que um dia o seu resgate foi pago.

saint-francis-2Mais tarde, Francisco quis alistar-se entre os cavaleiros que iam lutar nas Cruzadas contra os mouros. Mas depois de um dia de uma longa caminhada, Francisco deu meia volta e veio embora para casa. O fiasco foi grande. Todos na cidade riram dele e o tomaram por covarde.

— E aí, Francisco, a guerra nem começou e você já está de volta!

Humilhado, Francisco engolia o seu fracasso.

Vinte e cinco anos se passaram. Francisco sentia uma vontade muito grande de estar sempre perto de Deus. Ele passava horas em oração, nas montanhas, nas cavernas, lamentando seus erros do passado e buscando um rumo pra vida. Muitas vezes seu coração era enchido por uma intensa alegria vinda de Deus.

Certa vez, Francisco vinha cavalgando pela estrada, quando um homem leproso usando roupas muito sujas, velhas e rasgadas ia passando por ali. Francisco gostava muito das coisas bonitas e agradáveis. Ora, a lepra era uma doença que não tinha cura naquela época, e era muito contagiosa. Ao sentir o mal-cheiro que vinha daquele homem, Francisco sentiu uma grande aversão. Mas uma força muito maior agia no seu coração, e ele desceu do cavalo e foi ao encontro do homem e beijou as mãos dele.

Os dois conversaram por um tempo. Francisco pode conhecer de perto a dor que o homem sentia. Depois de se despedirem, cada um foi seguindo o seu caminho. Francisco, ao olhar para trás para dar o último aceno de adeus, não viu mais o homem. Francisco jamais esqueceu o rosto marcado daquele homem. E tomou aquele encontro por um teste de Deus.

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Outro dia Francisco entrou numa antiga igreja de São Damião para orar. Seu coração estava fervendo de vontade de fazer alguma coisa de boa para Deus. De repente uma voz veio ao seu coração:

— Francisco, restaura a minha igreja!

Ele olhou para os lados e viu que aquela igreja estava em ruínas, as pedras caídas, os bancos velhos e estragados, o altar completamente abandonado. Francisco pensou que Deus o estava chamando para consertar aquela capela. E foi o que ele fez. Sem esperar autorização, vendeu tecidos que eram de seu pai e juntou dinheiro o suficiente para fazer a reforma.

Seu pai ficou uma fera; pensou que seu filho estava ficando maluco, só querendo saber de coisas de Deus. E até que ele tinha razão. O Evangelho parece loucura para quem não crê. O pai quis o dinheiro de volta e quis ainda deserdar o seu filho. Francisco devolveu o dinheiro, e também as sandálias, a capa e suas roupas do corpo.

Francisco saiu de casa usando apenas uns farrapos velhos e foi em direção à floresta gelada, dizendo:

— Bom, Pietro Bernardone não é mais meu pai. Agora posso orar com toda a liberdade, “Pai Nosso que estás nos céus…”

E assim Francisco seguiu mundo afora, dono de coisa nenhuma, possuindo todas as coisas. E pedindo a ajuda de muitas pessoas, ele reconstruiu a igreja de São Damião.

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Pessoas e mais pessoas se juntaram a Francisco em seu voto de pobreza e despreendimento. Eles dormiam ao relento, vivendo como andarilhos. Aprendiam com ele a repartir e socorrer os que não tinham nada. Aprendiam que a gente precisa de bem pouco para ser felizes, que é possível ser pobre mas ter dignidade, que é preciso ser solidário com os outros, pois somos todos irmãos, e este mundo em ruínas tem que ser reconstruído.

Para Francisco de Assis, toda a natureza faz parte da grande família de Deus: estrelas, planetas, animais, plantas, e seres humanos. Dizem que certa vez Francisco estava caminhando com seus discípulos e viu vários pássaros à beira da estrada: canários, pardais, corvos, pombos… Francisco deixou seus irmãos na estrada e foi para perto dos pássaros. Quando Francisco chegou perto deles, os pássaros não fugiram. Impressionado, ele perguntou se eles queriam ouvir a palavra de Deus.

Assim, ele começou a pregar aos pássaros que ouviam com atenção:

— Meus queridos irmãos, Deus deu a vocês roupagens tão lindas, penas coloridas, asas tão belas e leves. O nosso Pai também tem dado a vocês as sementes para comer todos os dias. Além de tudo isso, ele lhes deu uma voz tão harmoniosa e bela. O Pai os proteje e sustenta, por isso devemos louvá-lo a cada novo dia.

Parece que ao ouvirem isso os pássaros começaram a cantar ainda mais intensamente, como se entendessem o que Francisco estava dizendo. Francisco os abençou e voltou para a estrada entusiasmado:

—Puxa vida, por que eu não fiz isso antes? Foi maravilhoso!

Francisco socorreu muitas pessoas, consolou, exortou, animou. Com o passar do tempo, a sua saúde foi ficando cada vez mais frágil. Ele ainda era jovem, mas pouco a pouco foi perdendo a visão. Deve ter sido muito doloroso para ele, que amava tanto a natureza, as cores dos pássaros, do céu, das nuvens, dos rios, não poder mais enxergar a beleza da criação. Mas é justamente nesse período mais difícil de sua vida que ele compôs o maravilhoso “Cântico do Irmão Sol”.

Pela sombra longa da tarde ele vem cantando,

Repartindo tudo o que tem de melhor.

A floresta faz uma festa quando o vê passando,

E o seu canto, todos já sabem de cor.

Como vai irmão Sol? Veja só quem chegou?

Uma estrela no céu! Irmã Lua brilhou!

Sou Francisco e estou tão feliz por viver!

.

Irmão Vento, me diz: Amanhã vai chover?

Irmão Fogo, que bom é poder te rever.

São Francisco, é isto aí, muito prazer!

.

Quando a noite abraça a Irmã Terra já adormecida,

Ele conta belas histórias de amor.

Seus amigos, tão comovidos, sonham com a vida

Que será mais cheia de luz e calor.

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uma canção para patrício

Quando criança, Patrício via e ouvia seu pai ler as Escrituras Sagradas muitas vezes. Ele também ouvia seu pai orar e cantar louvores a Deus. Seu pai era um camponês e diácono da Igreja, e seu avô tinha sido um grande pregador. Mas Patrício ainda não tinha conhecido verdadeiramente a Deus.

Patrício sempre viveu muito próximo da natureza. Por ser um camponês, não teve a chance de estudar em um bom colégio nem conheceu a agitação da cidade grande. Ele amava as montanhas e mares do seu país, o país de Gales, os riachos, as estrelas, o vento forte, o povo simples, os muros de pedra e a leveza da música.

Quando Patrício tinha 16 anos de idade, sua vila foi invadida por piratas. Muitas pessoas foram mortas e muitas casas foram destruídas. Patrício foi raptado e levado como prisioneiro para terras estranhas.

Depois de longas caminhadas, com as mãos amarradas, e de uma longa viagem de navio, Patrício foi finalmente vendido como escravo na Irlanda para um homem chamado Milchu.

Assim ele viveu em terra estranha, no meio de um povo diferente e que vivia de um modo diferente. Durante seis anos, Patrício trabalhou como escravo, tomando conta de uma manada de porcos.

Vagando pelos campos, cuidando dos porcos, sentindo no rosto o vento, contemplando as nuvens do céu e as estrelas, Patrício foi descobrindo verdadeiramente a Deus. Ali seus olhos foram abertos e ele percebeu que Deus já o conhecia e protegia há muito tempo.

Com o passar dos anos, Patrício foi se tornando um homem de oração. Ele orava várias vezes durante o dia e também a noite. Enquanto trabalhava, cantava louvores a Deus. Nos momentos mais sombrios da sua vida, Deus era como um sol que nascia em sua vida e apagava as tristezas da noite.

Certa noite Patrício teve um sonho especial. Ele sonhou que estava voltando ao seu país. Naquela mesma noite ele ouviu uma voz que o chamava:

— Patrício, é melhor se apressar. Você irá para casa logo.

Em seguida, ele ouviu uma voz dizendo:

— Olha, o navio está pronto!

Naquele mesmo instante, Patrício se levantou no meio do campo e caminhou por trinta quilômetros. Assim ele fugiu da casa onde vivera como escravo durante seis anos.

Patrício chegou ao porto, encontrou um navio que estava para partir e tentou convencer os homens a recebê-lo. O comandante do navio ficou muito irritado e respondeu rispidamente:

— Mas de jeito nenhum!

Ao ouvir isso, Patrício voltou entristecido para o seu esconderijo e começou a orar, e antes de terminar a sua oração, ele ouviu uma voz que dizia:

— Vem rápido que eles estão te chamando!

Patrício voltou imediatamente e, quando chegou ao porto, os homens do navio disseram:

— Tudo bem, venha conosco.

Aqueles homens eram pagãos, isto é, nunca tinham ouvido falar de Jesus. Patrício tinha esperanças de repartir com eles a fé que tinha no evangelho de Cristo. Assim, Patrício entrou no navio e logo estava em alto mar, em direção a França.

A viagem de retorno foi muito difícil e perigosa. Eles quase morrem de fome. Foram três dias navegando pelo mar e vinte e oito dias de caminhada pelo meio de uma região deserta.

Os homens que acompanhavam Patrício estavam exaustos e diziam:

— Como é, cristão, você não disse que Deus o amava? E aí, será que esse Deus não pode nos ajudar?

Patrício respondeu:

— Abram o coração para o amor de Deus. Para Ele não há impossíveis. Hoje mesmo encontraremos comida.

Foi assim que mais à frente encontraram uma manada de porcos selvagens. Os homens puderam assim matar a fome. Mais à frente encontraram mel silvestre. Aqueles homens louvaram a Deus e passaram a respeitar Patrício.

Ao chegar em sua terra natal, Patrício buscou um jeito de estudar mais as Escrituras Sagradas e conhecer os grandes pensadores do povo de Deus. Ele reconhecia a bondade de Deus em sua vida, admitia também a sua própria imperfeição e estava disposto a servir Aquele que tinha salvo a sua vida.

Assim Patrício voltou para França e entrou para o mosteiro de Tours e Lérins. Ali ele permaneceu por muitos anos. Certa noite Patrício teve uma visão. Ele viu um homem que se chamava Victoricus e que vinha da Irlanda trazendo muitas cartas. Ele deu a Patrício uma dessas cartas e Patrício começou a ler:

— A voz dos irlandeses.

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E enquanto ele lia, parecia ouvir a voz daqueles que um dia estiveram ao seu lado na floresta de Foclut, perto do mar. Eles gritavam em uma só voz:

— Nós te suplicamos, jovem piedoso, vem e caminha entre nós novamente.

Patrício tornou-se bispo missionário. Como conhecia a cultura e a linguagem dos celtas, seu desejo era tornar-se missionário entre os irlandeses. Assim ele foi até a Irlanda e viajou por toda a ilha, evangelizando, pregando, anunciando Jesus para aquelas pessoas, organizando igrejas e mosteiros.

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Patrício reencontrou seu antigo mestre Milchu e falou a ele de Cristo. Milchu se converteu e assim também muitos chefes e líderes daquele país. Patrício anunciou o nome de Jesus até mesmo diante de governadores e reis.

Patrício não tinha muita instrução mas era um homem que vivia em comunhão com Deus, sempre dependendo da Sua bondade. Ele se considerava apenas um camponês:

— Eu sou apenas uma pedra jogada no fundo do pântano. Mas o Deus Poderoso me pegou e me colocou, em sua misericórdia, no topo do muro. De lá de cima quero gritar Sua misericórdia para sempre!

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Amigo vento, quero ouvir a novidade,
Um movimento que me faça regressar,
Um bom momento que me dê a liberdade,
O cumprimento da vontade de chegar.
A flor do campo diz que Deus é que garante
O novo canto e o desejo de cantar.
O passarinho se alimenta e não semeia
E vai cantando até o dia clarear.

Eu vou sair pelas abas da montanha,
Atravessar os riachos que encontrar,
Redescobrir os caminhos que me levam
Para perto dos que vivem junto à sombra do meu lar.
Vou navegar pelos mares mais distantes,
E navegantes quero eu acompanhar.
Eu vou soltar as amarras que me prendem
E as velas que me levam para bem de navegar.

Amigo vento, sei que a noite é muito fria,
Mas tem estrelas para me agasalhar.
Ao meio dia, a panela tá vazia,
Mas tenho fé que ainda vou me alimentar.
O mar aberto anda meio agitado
O seu abraço me aperta sem parar.
Mas sei que Deus caminha sempre do meu lado
Na tempestade Ele vai me orientar.

amigo vento