Arquivo de julho 2009

canção quase inquieta

carol gama1Foi em Belo Horizonte, numa exposição da artista plástica Carol Gama, que conheci este poema de Cecília Meireles.  Ao chegar em casa, fui correndo buscar o velho livro Flor de Poemas, que repousava calmamente em minha estante.  Percebi, então, que eu já havia lido e esquecido o poema.  Como pode isso? Pode, sim. Nossa memória é frágil e por isso é preciso que leiamos os velhos poemas sempre de novo e que cantemos mais uma vez as velhas canções.

Canção Quase Inquieta

De um Lado, a eterna estrela
e do outro a vaga incerta,

meu pé dançando pela
extremidade da espuma,
e meu cabelo por uma
planície de luz deserta.

Sempre assim:
de um lado, estandartes do vento …
– do outro, sepulcros fechados.
E eu me partindo, dentro de mim,
para estar ao mesmo momento
de ambos os lados.

Se existe a tua Figura,
se és o Sentido do Mundo,
deixo-me, fujo por ti,
nunca mais quero ser minha!

(Mas, neste espelho, no fundo
desta fria luz marinha
como dois baços peixes,
nadam meus olhos à minha procura …
Ando contigo — e sozinha.
Vivo longe — e acham-me aqui…)

Fazedor da minha vida,
não me deixes!
Entende a minha canção!
Tem pena do meu murmúrio,
reúne-me em tua mão!

Que eu sou gota de mercúrio
dividida,
desmanchado pelo chão …

(Cecília Meireles, Flor de Poemas, 4. ed., 1972, p. 81)

contribua com a beleza

sarah grovesHá alguns anos venho acompanhando a carreira de Sarah Groves. Meu primeiro contato com a arte dela foi em suas participações nos discos e nos shows de Michael Card. Em seu último CD, uma canção particularmente me toca: “Add to the beauty”. Resolvi fazer uma tentativa de tradução.

Para ouvirem um pedaço da música e conhecerem melhor o trabalho de Sarah Groves, visitem o site: http://www.saragroves.com/store/addtothebeauty/lyrics/addtothebeauty/

Contribua com a beleza

(Sarah Groves & Matt Bronlewee)

Chegamos com belos segredos
Chegamos com propósitos escritos em nossos corações, escritos em nossas almas
Chegamos a cada manhã
Com possibilidades que só nós podemos ter, somente nós podemos ter

A redenção vem a lugares estranhos, pequenos espaços
Chamando pelo melhor que somos

E eu contribuo com a beleza
Para contar uma história melhor
Eu quero brilhar com a luz
Que queima dentro de mim

Ela chega em pequenas inspirações
E traz redenção à vida e à obra
A nossas vidas e nosso trabalho

Ela chega em uma comunidade amorosa
Ela chega ajudando a alma a encontrar seu valor

A redenção chega a estranhos lugares, pequenos espaços
Chamando pelo que somos de melhor

E quero contribuir com a beleza
E contar uma história melhor
Eu quero brilhar com a luz
Que queima dentro de mim

Isto é graça: um convite à beleza
Isto é graça: um convite

A redenção chega a estranhos lugares, pequenos espaços
Chamando pelo que há de melhor em nós

E eu quero contribuir com a beleza
Contar uma história melhor
Eu quero brilhar com a luz
Que queima dentro de mim

Add To The Beauty
by Sara Groves and Matt Bronlewee

We come with beautiful secrets
We come with purposes written on our hearts, written on our souls
We come to every new morning
With possibilities only we can hold, that only we can hold

Redemption comes in strange place, small spaces
Calling out the best of who we are

And I want to add to the beauty
To tell a better story
I want to shine with the light
That’s burning up inside

It comes in small inspirations
It brings redemption to life and work
To our lives and our work

It comes in loving community
It comes in helping a soul find it’s worth

Redemption comes in strange places, small spaces
Calling out the best of who we are

And I want to add to the beauty
To tell a better story
I want to shine with the light
That’s burning up inside

This is grace, an invitation to be beautiful
This is grace, an invitation

Redemption comes in strange places, small spaces
Calling out our best

And I want to add to the beauty
To tell a better story
I want to shine with the light
That’s burning up inside

conhecer a si, conhecer a Deus

“Quase toda a sabedoria que temos, quer dizer, sabedoria verdadeira e sã, consiste em duas partes: conhecer a Deus e conhecer a nós mesmos. […] é evidente que o homem jamais obtém um verdadeiro auto-conhecimento a não ser contemplando a face de Deus e desce, depois dessa contemplação, para ver seu próprio interior, pois (esse é o nosso orgulho inato) sempre nos olhamos como justos, corretos, sábios e santos, até que somos convencidos, mediante clara evidência, da nossa injustiça, vileza, tolice e impureza” (João Calvino, Institutas, livro I, cap. 1).

casa grande

Um dos muitos momentos de alegria e compartilhamento no Som do Céu 2009. Ao piano o maestro Jonatas Reis.

Casa Grande
(Gladir Cabral)

A casa grande é branca e branda como a seda,
Acolchoada, fina e nobre como a renda,
Mas aqui fora reina a lei da reprimenda,
Da palmatória, nossa paga, nossa prenda.

Doutores, caros, fortes, ricos e senhores
Que suspirais pelas janelas dos amores,
Olhai por nós marcados por terríveis dores,
De vós vêm nossas esperanças e temores.

Os nossos corpos sendo mortos pouco a pouco,
Os nossos sonhos já desfeitos, todos loucos.
Na casa grande há uma cruz numa parede.

No coração de um negro há uma casa nova
Sem palmatória, sem corrente obrigatória,
Sem mais senhores, todos são de todo amigos
E nas paredes não há cristos esquecidos.

Nessa fazenda Deus é gente aproximada,
É tempo inteiro, tarde, noite e madrugada,
Motiva encontro, comunhão e caminhada,
Faz liberdade ser bem mais que uma palavra.

Os nossos corpos redimidos num momento
Bem mais veloz que a luz de todo o pensamento,
A nossa casa é muito mais que uma fazenda (1ª)
A nossa vida é bem mais que uma fazenda (2ª)

 

o vento

Compartilho uma canção nascida há uma década. Fiquei super feliz de saber que os Vencedores por Cristo a estavam cantando. Segue o video!

O Vento

O vento varre as velhas ruas
da nossa linda capital,
o vento leva o barco ao longe
e arrasta as folhas no quintal,
pois ele sabe que é outono
e à tarde traz o seu sinal,
desenha um universo novo
nas nuvens brancas do varal.

O vento sobe uma colina
assobiando uma canção.
Ele atravessa uma avenida,
depois da antiga estação.
O vento desce uma ladeira,
abraça o velho casarão,
depois visita uma favela
e alegra um triste coração.

Quem sabe de onde vem o vento?
Quem sabe para onde vai?
Assim é todo o que é nascido
Do Eterno Espírito do Pai.

O vento corta as verdes ondas
do nosso belo e imenso mar,
espalha flores e aromas,
faz a floresta se agitar.
O vento traz um pensamento
ao escritor a meditar,
levanta o leve passarinho
no seu desejo de voar.