Arquivo de maio 2009

dicas para uma vida sustentável

jesus and the earthAo final do livro Jesus e a Terra, de James Jones, há um anexo com sugestões práticas para uma vida ecologicamente mais responsável e sustentável. Eis aqui uma síntese:

1) Economize água. Diminua o tempo do banho; feche a torneira enquanto escova os dentes; use regador em vez de mangueira; varra a calçada em vez de lavá-la.

2) Economize energia. Use lâmpadas econômicas e aparelhos eletrodomésticos com o selo PROCEL. Evite deixar aparelhos eletro-eletrônicos em standby

3) Separe o lixo.

4) Certifique-se da origem da madeira utilizada nos móveis de sua casa. Prefira madeiras com certificado de procedência, de florestas de manejo sustentável.

5) Faça compostagem doméstica.

6) Deixe terra à vista no quintal. Nas calçadas, utilize material permeável pela água.

7) Seja solidário. Doe roupas, sapatos, etc.

8) Imprima menos papel, apenas o que for indispensável.

9) Reutiliza papéis.

10) Compatilhe materiais de escritório: canetas, lápis, clipes…

11) No escritório, utilize materiais reciclados: papel, lápis, canetas…

12) Dispense o copo descartável. Prefira usar a sua própria caneca durável.

13) Use roupas adequadas à estação. Assim, o ar-condicionado pode funcionar em potência mais baixa.

14) Caminhe e pedale.

15) Compartilhe caronas.

16) Use transportes coletivos.

17) Não jogue lixo no chão.

18) Na Igreja, dispense o copo descartável.

19) Imprima os boletins da Igreja em papel reciclado. Um exemplar por família.

20) Colabore no processo de sensibilização e mudanças práticas.

21) Evite o excesso de embalagem nas compras.

22) Use retornáveis. Abandone os produtos descartáveis: copos, pratos, talheres, garrafas…

23) Prefira produtos locais. Visite as feiras livres.

24) Consuma menos.

(Jesus e a Terra, p. 117-121)

as crônicas de zazo

zazoConheci pessoalmente o Zazo no último Som do Céu. Tive o privilégio de ouvi-lo cantar ao lado de sua família. Suas canções são cheias de sabedoria e ritmo. Acabei de ler suas crônicas, que também são cheias de sabedoria, senso de humor, ironia e muita poesia.

Ao ler seus contos, caminhamos pelas ruas do Rio de Janeiro, pelas avenidas de Brasília, pelas estradas do Brasil, e conhecemos personagens muito especiais. Há riso, há emoção, há reflexão. Cada palavra parece ser colocada ali como quem monta um quebra-cabeças, com o maior cuidado e atenção.

“‘QUANTO SERÁ QUE TERMINOU O JOGO?’ O PENSAMENTO NÃO SAÍDA DA CABEÇA de Ronaldo, nosso irmão querido, membro de uma igreja na Ceilândia, cidade-satélite de Brasília. Esse mano, que integrava o coro da igreja, tinha uma característica peculiar: era flamenguista… doente! Me digam os entendidos no assunto, se não seria redundância dizer que um flamenguista é doente… perdoe, leitor ou leitora flamenguista. É só brincadeirinha.

O drama de Ronaldo era o seguinte: o período de cânticos já havia terminado. Àquela altura, já haviam se passado bem uns quarenta minutos do final da partida, e nem sinal de uma vitória do time do coração… o culto passava pelo período de dízimos e ofertas.

‘Quanto será que terminou o…?’ A angústia era indescritível….” (p. 27).

Não sei se é porque eu sou vascaíno, mas achei a piada muito boa.

Cada história transpira alegria, criatividade e graça de Deus. A vida humana é revelada com toda honestidade e misericórdia. Pouco a pouco o leitor é cativado pelas narrativas, pela voz casual do narrador e pela verdade das personagens, identificado-se com os seus dramas e dilemas. Subitamente, nós é que somos lidos.

As Crônicas e os Contos de Zazo. Brasília: Editora Palavra, 2008.

som de passarim

Esse é o título do CD de Ivan Melo, que acaba de ser lançado. O disco traz uma sonoridade bem brasileira e contemporânea, utilizando uma linguagem altamente poética que vem lá das Minas Gerais. Destaque para a canção que dá título ao CD e às canções “Alumiô”, de autoria do próprio Ivan, “Jesus é Rei”, de Jorge Rehder, e “Palavras”, interpretada por João Alexandre. ivan1

ivan2

george herbert e as abelhas

Sou professor de Literatura Inglesa e tenho muito carinho pelos poetas metafísicos. Entre eles, há um que me comove sempre: George Herbert. Foi com surpresa que encontrei, ao ler o livro Jesus e a Terra, de James Jones, este pequeno poema:

“As abelhas trabalham para o homem; e ainda assim elas nunca ferem a flor do seu patrão, mas deixam-na, após terminar, tão formosa como sempre, tão viçosa como antes; E assim tanto a flor sobrevive como o mel escorre” (George Herbert).

jesus e a terra

Para os que leem inglês, segue o original completo do poema “Providence”. Vale a pena. Qualquer hora eu traduzo:

O Sacred Providence, who from end to end
Strongly and sweetly movest! shall I write,
And not of thee, through whom my fingers bend
To hold my quill? shall they not do thee right?

Of all the creatures both in sea and land
Onely to Man thou hast made known thy wayes,
And put the penne alone into his hand, 
And made him Secretarie of thy praise.

Beasts fain would sing; birds dittie to their notes;
Trees would be tuning on their native lute
To thy renown: but all their hands and throats
Are brought to Man, while they are lame and mute.

Man is the worlds high Priest: he doth present
The sacrifice for all; while they below
Unto the service mutter an assent,
Such as springs use that fall, and windes that blow.

He that to praise and laud thee doth refrain,
Doth not refrain unto himself alone,
But robs a thousand who would praise thee fain,
And doth commit a world of sinne in one.

The beasts say, Eat me: but, if beasts must teach,
The tongue is yours to eat, but mine to praise.
The trees say, Pull me: but the hand you stretch,
Is mine to write, as it is yours to raise.

Wherefore, most sacred Spirit, I here present
For me and all my fellows praise to thee:
And just it is that I should pay the rent,
Because the benefit accrues to me.

We all acknowledge both thy power and love
To be exact, transcendent, and divine;
Who dost so strongly and so sweetly move,
While all things have their will, yet none but thine.

For either thy command, or thy permission
Lay hands on all: they are thy right and left.
The first puts on with speed and expedition;
The other curbs sinnes stealing pace and theft.

Nothing escapes them both; all must appeare,
And be dispos'd, and dress'd, and tun'd by thee,
Who sweetly temper'st all. If we could heare
Thy skill and art, what musick would it be!

Thou art in small things great, not small in any:
Thy even praise can neither rise, nor fall.
Thou art in all things one, in each thing many:
For thou art infinite in one and all.

Tempests are calm to thee; they know thy hand,
And hold it fast, as children do their fathers,
Which crie and follow. Thou hast made poore sand
Check the proud sea, ev'n when it swells and gathers.

Thy cupboard serves the world: the meat is set,
Where all may reach: no beast but knows his feed.
Birds teach us hawking; fishes have their net:
The great prey on the lesse, they on some weed.

Nothing ingendred doth prevent his meat:
Flies have their table spread, ere they appeare.
Some creatures have in winter what to eat;
Others do sleep, and envie not their cheer.

How finely dost thou times and seasons spin.
And make a twist checker'd with night and day!
Which as it lengthens windes, and windes us in,
As bouls go on, but turning all the way.

Each creature hath a wisdome for his good.
The pigeons feed their tender off-spring, crying,
When they are callow; but withdraw their food
When they are fledge, that need may teach them flying.

Bees work for man; and yet they never bruise
Their masters flower, but leave it, having done,
As fair as ever, and as fit to use;
So both the flower doth stay, and hony run.

Sheep eat the grasse, and dung the ground for more:
Trees after bearing drop their leaves for soil:
Springs vent their streams, and by expense get store:
Clouds cool by heat, and baths by cooling boil.

Who hath the vertue to expresse the rare
And curious vertues both of herbs and stones?
Is there a herb for that? O that thy care
Would show a root, that gives expressions!

And if an herb hath power, what have the starres?
A rose, besides his beautie, is a cure.
Doubtlesse our plagues and plentie, peace and warres
Are there much surer then our art is sure.

Thou hast hid metals: man may take them thence;
But at his peril: when he digs the place,
He makes a grave; as if the thing had sense,
And threatned man, that he should fill the space.

Ev'n poysons praise thee. Should a thing be lost?
Should creatures want for want of heed their due?
Since where are poysons, antidots are most:
The help stands close, and keeps the fear in view.

The sea, which seems to stop the traveller,
Is by a ship the speedier passage made.
The windes, who think they rule the mariner,
Are rul'd by him, and taught to serve his trade.

And as thy house is full, so I adore
Thy curious art in marshalling thy goods.
The hills and health abound; the vales with store;
The South with marble; North with furres & woods.

Hard things are glorious; easie things good cheap.
The common all men have; that which is rare,
Men therefore seek to have, and care to keep.
The healthy frosts with summer-fruits compare.

Light without winde is glasse: warm without weight
Is wooll and furres: cool without closenesse, shade:
Speed without pains, a horse: tall without height,
A servile hawk: low without losse, a spade.

All countreys have enough to serve their need:
If they seek fine things, thou dost make them run
For their offence; and then dost turn their speed
To be commerce and trade from sunne to sunne.

Nothing wears clothes, but Man; nothing doth need
But he to wear them. Nothing useth fire,
But Man alone, to show his heav'nly breed:
And onely he hath fuell in desire.

When th'earth was dry, thou mad'st a sea of wet:
When that lay gather'd, thou didst broach the mountains:
When yet some places could no moisture get,
The windes grew gard'ners, and the clouds good fountains.

Rain, do not hurt my flowers; but gently spend
Your hony drops: presse not to smell them here:
When they are ripe, their odour will ascend,
And at your lodging with their thanks appeare.

How harsh are thorns to pears! and yet they make
A better hedge, and need lesse reparation.
How smooth are silks compared with a stake,
Or with a stone! yet make no good foundation.

Sometimes thou dost divide thy gifts to man,
Sometimes unite. The Indian nut alone
Is clothing, meat and trencher, drink and kan,
Boat, cable, sail and needle, all in one.

Most herbs that grow in brooks, are hot and dry.
Cold fruits warm kernells help against the winde.
The lemmons juice and rinde cure mutually.
The whey of milk doth loose, the milk doth binde.

Thy creatures leap not, but expresse a feast,
Where all the guests sit close, and nothing wants.
Frogs marry fish and flesh; bats, bird and beast;
Sponges, non-sense and sense; mines, th'earth & plants.

To show thou art not bound, as if thy lot
Were worse then ours; sometimes thou shiftest hands.
Most things move th'under-jaw; the Crocodile not.
Most things sleep lying; th’ Elephant leans or stands.

But who hath praise enough? nay who hath any?
None can expresse thy works, but he that knows them:
And none can know thy works, which are so many,
And so complete, but onely he that owes them.

All things that are, though they have sev'rall wayes,
Yet in their being joyn with one advise
To honour thee: and so I give thee praise
In all my other hymnes, but in this twice.

Each thing that is, although in use and name 
It go for one, hath many wayes in store
To honour thee; and so each hymne thy fame
Extolleth many wayes, yet this one more.

água no deserto

agua capaEis o novo CD: Água no Deserto. Ele traz um punhado de canções que marcaram minha vida nestes últimos anos. A idéia é de continuidade, não de ruptura, com o que eu já vinha fazendo nos anos anteriores: lidar com poesia, com temas do cotidiano, refletir sobre a realidade social e também sobre a dimensão espiritual da vida.

Compartilho com vocês uma das canções do disco. Ela fala de um pássaro que pousou certa vez na soleira de minha janela, fala da angústia que vivem os animais ao nosso redor, fala do que temos feito ao meio ambiente e como isso tudo é visto na perspectiva da natureza que clama a Deus por socorro.

Não se deve temer o cotidiano, não se deve esquecer a realidade da nossa vida. É ali que se encontram a dracma perdida, o samaritano, os pescadores da Galiléia, o casamento em Caná, o publicano Zaqueu, as parábolas de Jesus, os sonhos de Jacó. É no chão batido do dia a dia que Jesus escreve na areia e a multidão fica perplexa. É ali que o Mestre pede água junto ao poço. É ali que Marta lava louça enquanto Maria fica aos pés de Jesus.

Assim, neste disco celebra-se a amizade, o amor, a esperança; reflete-se sobre o país em que vivemos, o mundo e seus tantos desafios; canta-se a variedade de culturas que compõem o Brasil, as cores, os ritmos, os sons, as vozes de tanta gente que faz esta nação; medita-se sobre a natureza, as aves, os mares, as montanhas, as águas que nos cercam; declara-se amor integral àquele que nos criou.

agua fundo

Passarinho

Ele pousa na soleira

Da janela principal

Chama a sua companheira

Com algum sinal

Olha tudo curioso

Minha sala, meu sofá,

Faz a festa, grita, pula

Dança até cansar

Canta, curió! Canta, sabiá!

Sabe lá o que sonha ou sofre um pobre tangará?

Ele vai voar, vai voltar pro céu,

Vai contar ao Pai do céu o que ele viu aqui.

E vai dizer que não há rio

Que não esteja por morrer

Dizer que a mata já sumiu de vez

E que a vida sofre no estio

E o mar não pára de gemer

Que a Terra inteira faz se aquecer

Vento vem soprar

Vento vem dizer

Que a esperança também dança

Neste amanhecer

E que haverá tempo de virar

De mudar o rumo e de pousar no ar