Arquivo de dezembro 2008

josé, o esposo de maria

Nestes dias de Natal, nada melhor que um pouco de leitura bíblica e reflexão. Após a leitura de Mateus 1-2; Lucas 2.41-51; 3.23-38, caminhemos um pouco ao lado de Frederick Buechner:

Não se pode culpar José por considerar a possibilidade do divórcio ao descobrir que, não por sua causa, Maria estava grávida. Entretanto, quando lhe foi explicado, ele encarou os fatos como um homem, e tudo foi perdoado. Assim que recebeu a palavra em um sonho de que o rei Herodes estava planejando matar todos os meninos na vizinhança na expectativa de que o Messias fosse um deles, José tomou a criança e Maria e partiu para o Egito, onde teve o bom senso de permanecer até que encontrou o nome de Herodes na coluna de obituários. Mais tarde, quando perderam Jesus em Jerusalém com a idade de 12 anos, José ficou tão nervoso quanto Maria e tão completamente feliz quanto ela ao reencontrar o menino.

Quando Mateus, no seu evangelho, registra a genealogia de Jesus, ele a trala através da linhagem de sua mãe, em deferência à doutrina que ensina que Jesus era de fato o filho de Deus. Quando Lucas registra isso, por outro lado, embora não fosse menos crente, ele não se acanha em listar o nome de José como pai de Jesus e reconstruir sua linhagem através dele.

Como Jesus mesmo nunca se revelou preocupado com teologia, é difícil deixar de crer que, pelos velhos bons tempos, ele teria preferido a versão de Lucas. (Buechner, Beyond Words, p. 202).

os miseráveis

miserablesFinalmente, estou realizando um sonho antigo nestas férias: ler Os Miseráveis, de Victor Hugo. Estou saboreando cada linha. O livro começa com uma descrição detalhada da vida, feitos e pensamentos de Dom Bienvenu, bispo de Digne (França) em 1815. Minhas expectativas eram encontrar um texto denso, literiariamente rico, mas não necessariamente edificante. No entanto, topei com esta fala de Bienvenu, que transcrevo:

– Nunca devemos ter medo de ladrões ou assassinos. São perigos externos e os menores que existem. Temamos a nós mesmos. Os preconceitos é que são os ladrões; os vícios é que são os assassinos. Os grandes perigos estão dentro de nós. Que importância tem aquele que ameaça a nossa vida ou a nossa fortuna? Preocupemo-nos com o que põe em perigo a nossa alma. (Hugo, Os Miseráveis, p. 47).

o riso e a dor

Aqui vai mais uma preciosidade do Buechner, quebrando este jejum de tantos dias sem postar. Desculpem-me, é a correria do final de ano me levou na correnteza.

“Bem-aventurados vocês, que agora choram, pois haverão de rir”, disse Jesus (Lc 6.21). Isso não quer dizer apenas que vocês haverão de rir quando o tempo vier, mas que vocês podem rir um pouco ainda agora no meio do choro, pois vocês sabem que o tempo está próximo. Apesar de parecer o contrário, o final será um final feliz. O riso tem a ver com isso. É o riso da fé. É a divina comédia. (Frederick Buechner, Beyond Words, p. 63).