Arquivo de julho 2008

o tempo, a nuvem e o sol

Segue um breve diálogo entre Ailred e Godric:

“Você fala de tempo, Godric”, disse Ailred. A sua tosse havia cessado por um instante. “O tempo é uma tempestade. Os tempos passam e os tempos voltam, eles giram e fluem e saltam seus limites como o rio Wear. As horas são nuvens que mudam sua forma diante de nossos olhos. Um dragão vira a manta de uma dama. O riso de um macaco transformam-se num punho cerrado de ira. Mas além das tempestades e das nuvens do tempo há a atemporalidade. Godric, o Senhor do Céu não muda, e mesmo quando nossa visão é mais escura, Ele está acima de nós, belo e dourado como o sol”. E é assim mesmo (Buechner, Godric, 60-1).

Godric

Li recentemente o livro Godric, do escritor americano Frederick Buechner. O livro me veio como um belo presente do amigo Glauber. No começo, senti cgodricerta dificuldade de entender o gênero e a linguagem do livro. Depois, fui me envolvendo e acompanhando a trajetória insólita de Godric, um santo cristão que viveu em Finchale (Inglaterra) entre os anos 1065 e 1170, na verdade um santo que não queria nada ser santo e que se considerava o ser humano mais vil que havia na face da Terra. Godric de fato existiu, e seu primeiro biógrafo foi um monge discípulo seu, Reginald. Frederick Buechner retoma a biografia desse santo relutante e a conta com grande habilidade, humor e originalidade.

Eu já ouvira falar do livro por meio do site do músico cristão Michael Card. O livro está na lista de suas leituras prediletas e mais importantes. Agora recentemente fui ao Canadá e adquiri uma outra obra prima de Buechner: Beyond Words, um livro que reúne sua trilogia clássica (Wishful Thinking, Peculiar Treasures e Whistling in the Dark). De repente, Frederick Buechner, que além de escritor renomado é também pastor presbiteriano, virou minha leitura de cabeceira. Quando será que esse autor vai ser traduzido para o português? Alguém se habilita?

Obrigado, Glauber!