Arquivo de setembro 2005

a inveja

É Virgílio quem adverte o jovem Dante, caminhando pelas trilhas do Purgatório:

“A inveja vos atormenta, porque os vossos desejos
olham àqueles bens terrenos, dos quais tanto mais o gozo
diminui quanto mais são os que nele participam.

Se o amor da suma esfera encaminhasse os vossos desejos
para o alto, não teríeis no coração o receio que
outrem pudesse diminuir um instante o vosso gozo;

naquele claustro, isto é, no Céu, ao contrário da Terra,
quanto são mais a gozar de um mesmo bem,
tanto mais cada um goza.

(…)

Quanto maior é o número dos que no Céu amam,
tanto mais ocasião vos é de amar com santo amor,
bem como espelho um ao outro refletindo”.

(A Divina Comédia, II.xv)

fama, eternidade e esquecimento

A Divina Comédia é um mar às vezes revolto, às vezes calmo, mas sempre cheio de peixe. Em capa página é possível pescar sabedoria e ironia, como em:

“A fama que se adquire no mundo é como o soprar do
vento, que ora é numa direção, ora noutra, e recebe
diversos nomes segundo as várias partes das quais sopra.

Antes que seja passado um milênio, que é em
confronto com a eternidade um tempo mais breve
que um volver de olhos em comparação

ao movimento do céu estrelado, qual fama
haverás tu maior se morreres
na velhice, ou se morreres menino?

(…)

O vosso renome tem a cor da erva,
e passa da manhã à tarde e o Sol
que a fez nascer é o mesmo que a seca.”

(Dante, II.xi)

pai nosso de Dante

Assim oram as almas no Purgatório de Dante:

“Ó Padre nosso, que estais no Céu,
não para te confinar, mas por maior amor
aos Céus e aos Anjos,

toda a criatura louve o teu nome
e a tua potência e te dê graças
do amor que lhe demonstras.

Faz descer sobre nós a paz do teu reino,
pois que nós não podemos nada
para conseguir isto por nós mesmos.

Como dos seus desejos te fazem sacrifícios os Anjos,
que no Céu cantam hosana,
assim façam sobre a terra os homens.

Dai-nos hoje o pão quotidiano,
sem o qual por este áspero deserto
quem mais quer avançar mais se desvia.

E como nós perdoamos a cada um o mal que temos
sofrido, também tu perdoa benignamente sem olhar
aos nossos escassos méritos.

Não ponhas à prova com as tentações diabólicas
a nossa virtude, que é facilmente vencida pelo grande
inimigo, mas livra-a do Diabo que a impele ao mal…”

(Dante Alighieri, A Divina Comédia, II.xi)

amigos especiais

Com Josias Hack na Cong. Trindade

Tiago Vianna na Cong. Presbit. em Tubarão

Com Tiago Vianna no Morro dos Conventos, em Araranguá (SC)

razão e limite

Estou lendo A Divina Comédia, e me surpreendendo a cada passo de Dante Alighieri e seu companheiro Virgílio (o escritor romano). Em certa altura, lê-se:

“Estulto é quem espera que a nossa razão
possa percorrer toda a infinita via,
que tem uma substância em três pessoas.

Contentai-vos de conhecer as obras de Deus;
porque se os homens tivessem podido conhecer
todas as coisas, fora inútil o parto de Maria” (Dante, II.iii).

for love or money?

“Some people want to see God with their eyes as they see a cow and to love him as they love their cow – they love their cow for the milk and cheese and profit it makes them. This is how it is with people who love God for the sake of outward wealth or inward comfort. They do not rightly love God when they love him for their own advantage. Indeed, I tell you the truth, any object you have on your mind, however good, will be a barrier between you and the inmost truth” (Meister Eckhart).

Versão possível:

“Algumas pessoas querem ver a Deus com seus olhos como eles vêem uma vaca e amá-lo como amam sua vaca – eles amam sua vaca pelo leite e queijo e lucro que ela dá. É isso o que acontece com gente que ama a Deus com a expectativa de ganhar riqueza exterior e conforto interior. Eles não amam a Deus corretamente quando o amam para obter vantagens. Falando sério, vou dizer a verdade, qualquer objeto que você tenha em sua mente, ainda que seja bom, será uma barreira entre você e a verdade mais profunda” (Meister Eckhart).

homeless


“‘How can you worship a homeless Man on Sunday and ignore one on Monday?’ said the sign outside St. Edward’s Cathedral in Philadelphia” (Christianity Today).

Tal e qual:

“‘Como você pode adorar um Sem-teto no domingo e ignorar um sem-teto na segunda?’, diz o cartaz da catedral de Santo Edwards, na Filadélfia” (revista Christianity Today).