Arquivo de junho 2005

só mais uma canção

Jorge, aqui vai um esboço… uns rabiscos. Quem sabe você toca adiante algumas linhas, refaz outras… Ainda não há métrica definida, apenas fragmentos. Minha idéia é pintar um quadro com várias imagens que refletem simplicidade

Simplicidade é a claridade de uma gota
que despenca de uma nuvem
e se debruça numa folha.
É a pedra solitária
que aguarda a vez
do próximo aguaceiro.
É o homem parado na beira da estrada.
É a sua sandália calada
a espera do rumo dos pés.
É o vento gelado
que vem das montanhas distantes
instantes eternos de paz e oração.
É o gesto inocente de alguma criança
que dança sozinha no meio da rua/parque/quintal
em pleno quintal
e enxuga uma lágrima
e colhe uma flor
e atira uma pedra
e sorri para o vento
que a abraça com paz.

confins da terra

Em minha lectio de ontem meditei sobre o Salmo 61. O versículo 2 diz: “Desde os confins da terra eu clamo a ti”. O salmista sentia-se deslocado, distante dos grandes centros, distante dos espaços privilegiados de trabalho, vitória, honra, família, glória. Muito provavelmente ele está no deserto. Ele ora a partir da periferia, da borda do mundo. Isso dá o que pensar.