Arquivo de janeiro 2005

rabiscos para uma canção

Quanta coisa é preciso contar

Quanto coisa é preciso conter

Tanta coisa é preciso dosar

Tanta coisa é preciso dizer

Tanto fato pra se olvidar

Tanta foto pra se devolver

distração e concentração

Impressionam-me cada vez mais as distrações que a vida contemporânea traz: televisão, telefone, internet, rádio, video-game, sem falar dos inúmeros livros que são lançados a cada semana. Tanta coisa pra fazer, tanta coisa pra ler, tanto site pra visitar, mas tudo muito solto e desconexo. Sinto que preciso de um foco mais nítido e claro, quero aprender a dizer não, a fugir de certas distrações que apenas ocupam a mente e trazem pouco crescimento. Concentração, voltar ao centro, ao eixo de minha vida, ao coração, e ali encontrar meu Criador e ouvir Sua voz, não o simples vazio ou o som do sangue em minhas veias.

tempo, inocência e experiência

Vejo que a vida nos torna mais experientes a cada ano que passa, mas distancia-nos da inocência. Facilmente a decepção e a amargura podem nos fazer refens de nossas próprias memórias e nos aprisionar em uma grade invisível de ceticismo e desânimo. Envelhecer, mantendo a alma intacta, é um respeitável desafio.

quero ser uma oliveira

Ontem li o Salmo 52. O salmista se compara a uma oliveira plantada no pátio do templo de Jerusalém. Quero ser assim também. Quero aprender a permecer no pátio da casa de Deus, ficar quieto em sua presença, beber a água da chuva, alimentar-me da luz do sol, cravar as raízes em solo santo, sentir o vento passando por mim, abrigar alguns pássaros, cumprimentar as pessoas que chegam para louvar a Deus, e vê-las depois indo para casa.

Ensina-me, Senhor, a ser calmo e humilde como as árvores. Que meus frutos ainda sirvam pra abençoar, quem sabe, alguém.

Gladir

quero ser oliveira

Feito um rei Davi em pleno verão de 2005, quero ser uma oliveira plantada na casa do Senhor. Quero aprender a permenecer nele, esperar o sol, o vento, a chuva, ver as pessoas passando ao redor, enfrentar tempestades, raios e trovões, mas sempre perto da sua casa, no quintal de Deus.

voz

A voz é o que há de mais nosso, vem de nossos pensamentos e desejos mais profundos. A voz às vezes emudece, às vezes hesita, às vezes se arrisca. Quero me arriscar e vencer o círculo de silêncio e vácuo, expressar sentimentos e vontades, uma intenção.

É isso.

Gladir Cabral