Frio, domingo estranho. Quimeras pertubam-me. As vozes são diversas, e gritam.
Quem aplacará a fúria da realidade?
De onde vem o socorro?
É difícil acreditar. As mentiras são tantas, as máscaras são coloridas e o prazer parece realmente deus.
Mas digo que quero continuar. Não quero me convencer de que a mediocridade é a solução. Quero coragem para enfrentar o mal (o de dentro e o de fora).
Quero esperança para “continuar andando na verdade”.
Quero fé para continuar acreditando que minha caminhada não é em vão.
Quero Tu, ó Pai. Somente Tu.
Porque sem Ti, ó Senhor, não passo de um pecador.

A sociedade atual é movida pelo dinheiro, não pela Verdade. Ninguém quer andar. Somos todos preguiçosos, não queremos nos esforçar. Queremos sim o caminho mais fácil, que exija menos da nossa medíocre identidade.O que devemos fazer? Apenas observar com a indiferença costumeira? O que nos impede de começar a viver? O que nos impede de continuar? Por que não somos apaixonados pela Verdade? Por que preferimos acreditar na ilusão, na utopia e nas máscaras que nos cercam?
É preciso tomar posição. Queremos continuar andando na verdade. Queremos ser fiéis.

Verdade: sentido de todas as coisas, realidade nua e crua, código e compreensão de como a vida funciona e de qual é o seu verdadeiro rosto. É encontrar-se com a Origem, com o Criador, com o Alfa, com a Fonte da Vida.

“Um velho pecador é um temível e assustador espetáculo”. W. Tozer

Friagem, o mar obscuro da solidão
Guarda-se e, adormecido, fingi-se mar;
Pela poeira da estrada, segue-me o coração,
A esperar por um gesto, sorriso, olhar.

Porém, sozinho, não sou um só.
Aguardo-me sê-lo, sem tristeza,
Pela pureza perseguida, pela beleza;
Por sentir o medo dos raios de sol.

Coração meu, não espere por nada!
Meu universo ainda está confuso.
Das pedras que me maltratam, risadas;
Do futuro que me espera, absurdo.

De todos que me esperam, tu és o mais fiel;
De todas as minhas lágrimas, espero a redenção,
Mesmo que da espera, infindável réu,
Venha poesia, insônia, solidão.

De todos que me suportam, tu és o mais paciente,
Porque parece que me conheces há tempos;
E na confusão do que sou, vou ou dou,
Não esperas nada de mim, a não ser que eu espere em ti.

07, setembro, 2004.