Morte:
Mórbida irreplicável, inevitável fato;
Teu silêncio paralisa tudo, recalcitra a vida;
Muda, és angustiante; imobilidade profunda.

Quando vens, a dor parece interminável;
Tu alcanças a profundeza do ser humano:
A vontade de permanecer.

És sarcástica, traiçoeira quando queres;
Vens de surpresa e dominas todos;
Escárnio do mal contra o homem.

Mas não és invencível; na verdade, és perdedora.
Tentaste ir além do que podias;
Tentaste vencer o Autor da vida.
Não conseguiste.

Ele conheceu a ti, sentiu a dor com a qual castigas a humanidade;
Viveu teu silêncio e ouviu teu escárnio.
Tua força o fez fraco, mas não para sempre.

Teu tempo não o aprisionou;
Tua alegria durou somente três dias – nada mais!

Alguém voltou a respirar.
E teu silêncio foi quebrado;
Não por um grito estridente, mas por um suspiro divino.

Ele abriu os olhos, por força própria.
Tu? Não tinhas mais força alguma.
Levantou-se;
Tu? Imóvel em tua insignificância.
Foi-se do sepulcro – a prisão que deste a ele.
Tu? Agora estás aprisionada pela vida.

Ele, venceu a ti. E reviveu.
Tu, ó morte? Agora é quem estás morta.
Inerte ao teu próprio silêncio.

Lissânder Dias

“Todas as coisas se mantém unidas pela relação, imagem com imagem, movimento com movimento. Sem isso, não haveria relação e, portanto, não existiria verdade. Cabe a nós – especialmente a você e a mim – assumir o poder da relação. Entende o que quero dizer?”

Henry Lee (citado por Eugene Peterson, no livro “Trovão Inverso”, p 21).

O tempo corre, o mundo passa
Um sonho vinga, outro sonho jaz
O vento dita a velocidade
Mesmo cansado, eu sigo atrás

Não somos filhos do louco tempo
Nós somos filhos da Eterna Paz
Correr a vida é muito pouco
Sem pressa, o mundo é muito mais

Arar a terra com lindos sonhos
Prenhar o chão, plantar ideais
Sem Cristo, a vida com o tempo seca
Sem verde, a vida é correr atrás.

Carlinhos Veiga (Album “Menino”, 1999)