Sábado, sol forte, certezas firmes.
Não me intimidarei com as forças contrárias.
É preciso desconstruir para construir. Morrer para finalmente viver. Sair para entrar. Perceber-se só para encontrar a Presença.
Mais um dia, mais um mês chega. E o que nos resta?
Acreditar na plenitude que virá, na força que toma conta de nós, na utopia que se realiza no tempo real, concreto e magnífico.
Que venha o domingo, então!

Sendo eu dor firme,
Ouço o vento, gritando
Ao luar.

Palmeiras vindo,
Ao encontro de ti eu iria.

Tempestade em mim,
A ti saber, calmaria.

Sofrimento lânguido.
Tua sombra se apagando,
Que apaga meu olhar,
Meu coração, meu pranto.
Seco pranto.

Lissânder Dias (escrita em 19 de novembro de 2000)

Morte:
Mórbida irreplicável, inevitável fato;
Teu silêncio paralisa tudo, recalcitra a vida;
Muda, és angustiante; imobilidade profunda.

Quando vens, a dor parece interminável;
Tu alcanças a profundeza do ser humano:
A vontade de permanecer.

És sarcástica, traiçoeira quando queres;
Vens de surpresa e dominas todos;
Escárnio do mal contra o homem.

Mas não és invencível; na verdade, és perdedora.
Tentaste ir além do que podias;
Tentaste vencer o Autor da vida.
Não conseguiste.

Ele conheceu a ti, sentiu a dor com a qual castigas a humanidade;
Viveu teu silêncio e ouviu teu escárnio.
Tua força o fez fraco, mas não para sempre.

Teu tempo não o aprisionou;
Tua alegria durou somente três dias – nada mais!

Alguém voltou a respirar.
E teu silêncio foi quebrado;
Não por um grito estridente, mas por um suspiro divino.

Ele abriu os olhos, por força própria.
Tu? Não tinhas mais força alguma.
Levantou-se;
Tu? Imóvel em tua insignificância.
Foi-se do sepulcro – a prisão que deste a ele.
Tu? Agora estás aprisionada pela vida.

Ele, venceu a ti. E reviveu.
Tu, ó morte? Agora é quem estás morta.
Inerte ao teu próprio silêncio.

Lissânder Dias