Baseado em Efésios 5.1-21:

  1. Identidade: filhos amados (1)
  2. Missão: andai em amor como Cristo (2), andai como filho da luz (8)
  3. Identidade e missão que começam em Deus: “sede imitadores de Deus” (1) ; “…que também nos amou e se entregou por nós a Deus como oferta e sacrifício com aroma suave” (2).
  4. Estilo de vida como reflexo da identidade e da missão em Cristo (3-7)
  5. Vida plena e salva é uma vida transparente, íntegra, aberta, irrepreensível (8-14)
  6. Vida plena e salva é uma vida sábia, proveitosa, relevante, útil (15, 16), que discerne os tempos (16) e a vontade de Deus (17)
  7. Vida plena e salva é uma vida cheia do Espírito, da presença de Deus preenchendo o vazio da alma, e que escolhe não ser preenchida pelo supérfluo viciante, descartável (18)
  8. Viva plena e salva é uma vida alegremente grata com os outros e com Deus (19-20), que sente a honra de Cristo, de onde brota a verdadeira humildade que rejeita uma vida de competição (21).

O ônibus vai cortando as curvas de asfalto enquanto meu olhar de passageiro enxerga casas simples à beira da estrada. Muitas delas bem antigas que nos fazem lembrar tempos longínquos em que as janelas e as varandas tinham mais valor.

Estas casas são acompanhadas quase sempre por terrenos prontos para receber sementes. Solos riscados paralelamente pela enxada ou pelo trator dão a impressão de que a natureza está em ordem. É possível ver também ferramentas e sacos cheios de grãos ou adubos. Parece que é tempo mesmo de semear.

Também não são raras chácaras mais ricas e que sugerem donos abastados, mas que não moram por ali. Carros caros estão nas garagens e contrastam com veículos velhos em casas igualmente velhas ao lado das novas.

Sigo em direção à minha casa. Já são onze horas de viagem. Ainda faltam umas duas. Olho para o lado oposto ao da janela e vejo rostos em profundo sono. O meu colega de poltrona não para de dormir. Mais a frente, no entanto, duas senhoras não deixam de conversar.

Já li bastante e agora prefiro escrever. Escrevo como quem quer encontrar lições no que vejo. Encontro-as. Descubro que é tempo de lançar as sementes. Para o agricultor que vejo pela janela isso talvez seja algo totalmente previsível. Para outros, como eu, no entanto, é um ato difícil de discernimento sobre os tempos da vida.

Vi sua grande boca e contei seus dentes:
458 visíveis
Seus olhos flamejantes traziam uma luz falsa
Parecia dia, mas era noite

Seus braços alcançavam os quatro cantos do mundo
E, por um momento, pensei que eu não tinha para onde ir

Sua risada transformava as flores em pálidas pinturas sem vida
Sua graça era sem graça

Sua desproporcionalidade me encolhia
Me sentia menor, menos gente

Mas uma voz me sussurrou:
“Não tenha medo;
É preciso saber exatamente quem ele é
Para que possa derrotá-lo”

Contei então novamente seus dentes
– muito mais que 458 —
Medi seu tamanho e sua temperatura
Ouvi seu coração

E quanto mais eu sabia, mais fraco ele ficava
E quanto mais eu olhava em seus olhos, mais ele se esquivava

De repente, o monstro era do meu tamanho,
Seus olhos eram frios, quase tristes
Sua boca muda, pequena
A miséria era sua companhia
E ele não sabia para onde ir.

Rio que corre e desliza
Que move e lava
Que embala navegantes
Companheiros do vento.

Rio de lágrimas
Límpidas, justas
Feridas pela ponta do barco
Que corta, separa, prossegue.

O som do motor
O cheiro do óleo diesel
O balanço da embarcação
Os golfinhos que saltitam.

Tudo segue
Menos as margens

Em frente
Segue

Em mim
Segue