Extrai toda a força das palavras
Para que o grito não seja em vão

Faz do silêncio uma arma da sabedoria
E não um escudo da covardia

Pede para entender o que está nas entrelinhas
Viver é saber ler as entrelinhas

Mergulha nas profundezas do mistério
O que transcende nos faz ir além de nós mesmos

Faz da teoria uma ponte para o caminho
E não um refúgio para o preguiçoso

Faz da prática um gesto de coragem
E não um hábito do insensato

E, por fim, entregue-se totalmente
Não aos ídolos do nosso tempo
Mas ao Deus que é Fonte de Todo Bem.

Não são as certezas, nem as dúvidas,
Nem a felicidade, muito menos o sofrimento.
É a confiança. A mais pura e simples confiança.

 

A vocação não é um fim em si mesma. Não se sustenta pela sua importância própria, mas sim pelo caminho espiritual que a conduz e dá a ela corpo, forma e clareza.

É como se fosse a harmonia de uma canção. Todas as notas musicais ligadas, formando uma composição agradável.

A vocação está debaixo de algo maior e mais importante: a harmonia da nossa caminhada pessoal, profunda e honesta com Deus. Esta é a fonte para todas as escolhas que tomarmos e todas as tarefas que assumirmos. Quando a harmonia estiver comprometida, tudo o mais também estará.

O maior desejo de quem quer levar a sério sua vocação é ter certeza de que ouviu, de fato, a voz de Deus. Não é fácil. Esta experiência não é, no entanto, isolada de todo o resto.

Ouvir a voz de Deus é consequência de submeter-se a ele, de perseverar na fé, de aprofundar-se na verdade bíblica, de ter humildade para ouvir conselhos de outros irmãos, de agarrar-se (espiritual e emocionalmente) a Jesus Cristo.

Vocação tem menos a ver com tarefa, e muito mais a ver com relacionamento: primeiramente com Deus (Aquele que nos chama) e depois com o próximo (a quem servimos).

“Porque, sempre que comerem deste pão e beberem deste cálice, vocês anunciam a morte do Senhor até que ele venha” (1 Co 11.26).

 

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Diferentes, mas tão próximas! Assim é como vejo as mulheres em minha jornada. Diferentes, obviamente, porque eu sou homem, e não mulher. Mas tão próximas, porque eu sempre as tive ao meu lado, cuidando de mim e moldando meu caráter: minha mãe “faz tudo”, minha avó “brava”, minha tia “doce”, minha irmã “compassiva”. Mulheres que me deram um tipo de senso de pertencimento, me acolheram.

Ao longo da vida, fora do convívio familiar, inúmeras outras mulheres também me ajudaram a caminhar: minhas professoras, minhas colegas de trabalho, e, especialmente, minha esposa. Todas me ensinaram a cruzar os olhares do masculino com o feminino e assim tornar minha relação com o mundo mais bela e completa.

Neste Feliz (Todo) Dia Internacional da Mulher, minha palavra é de gratidão. Eu recebi muito mais do que consegui dar às mulheres que encontrei pela vida.

Mais do que criar categorias isoladas para as mulheres, quero valorizá-las em sua inteireza, pelo todo que são. Neste sentido, são iguais a mim (ou eu sou igual a elas). Ao mesmo tempo, porém, são diferentes biologicamente e talvez em outros aspectos também. Assim Deus criou o ser humano. É mistério. Cabe a nós ter sabedoria para lidar com isso.

Que as diferenças entre homens e mulheres não sejam obstáculos, mas oportunidades para a celebração da natureza humana em seu sentido original, criada à imagem e semelhança de Deus.

 

O jornal The New York Times lançou uma campanha com o tema “verdade” no intervalo do Oscar, intitulada “Truth is Hard”. Encontrar a verdade não é uma tarefa fácil, principalmente neste cenário saturado por opiniões. A intenção do maior jornal do mundo é resgatar a importância do jornalismo na busca pela verdade dos fatos de forma independente.

Me chamou atenção uma das frases da campanha:

Truth. It´s more important now than ever.
(“Verdade. É mais importante agora do que nunca” – tradução livre)

A verdade sempre foi um tema caro para o Cristianismo. Infelizmente, muitos mataram e muitos morreram por causa dela. A intolerância com quem pensa diferente gera, muitas vezes, quebras de relacionamentos e ódio.

Mas a campanha do NYT nos lembra que a verdade não é só uma questão de “ponto de vista”. Se assim o fosse, seria fácil, não precisaríamos buscá-la. Todo ponto de vista nasce de um ponto inicial, da interpretação de um fato, de um olhar primeiro. O problema é o caminho entre este começo e o fim da busca. Tal trajetória é cheia de armadilhas e de intenções – algumas puras, outras não. Deste caminho surge a manipulação.

Mas a pior maneira de reagirmos a esta crise de compreensão é sepultarmos a noção de verdade (como elemento definidor). Sacrificando a verdade podemos até acalmar os ânimos de uma briga, mas não continuaremos a caminhar por muito tempo. Ao longo do tempo, perderíamos o sentido último das coisas.

As dúvidas nos fazem ampliar o horizonte do caminho, mas o que, de fato, nos faz continuar caminhando são as certezas. Tem razão quem diz que não sabemos tudo sobre o destino, mas também está certo quem afirma que ainda assim há uma direção real e concreta.

Sim, afirmar que há uma única verdade pode gerar orgulho. Precisamos ter muito cuidado. Mas afirmar que não há verdade é menosprezar a própria natureza humana, porque tudo o que fazemos vira história. E ainda mais grave: é negar a revelação concreta do Deus que é Verdade (Jo 1). Tomé não sabia para aonde ir, mas Jesus lhe indicou o caminho (Jo 14.6).

Não, não é tão fácil encontrar a verdade. Exige honestidade, coragem e humildade para reconhecer que não sabemos tudo. Mas nada pode nos fazer desacreditar no que vemos com nossos próprios olhos, nas relações genuínas, nos valores que se fazem eternos. Podemos até errar na busca pela verdade, mas não perderemos a fé em algo melhor e maior, que supera os erros, que se faz permanente, único. Afinal, há esperança sem verdade?

O problema não é a verdade. São os mentirosos.

 

CAMPANHA DO NYT

 

Texto atualizado em 28/02/2017, às 7h54.