Poesias
Seco Pranto
22/07/05
Sendo eu dor firme,Ouço o vento, gritandoAo luar.
Palmeiras vindo,Ao encontro de ti eu iria.
Tempestade em mim,A ti saber, calmaria.
Sofrimento lânguido.Tua sombra se apagando,Que apaga meu olhar,Meu coração, meu pranto.Seco pranto.
Lissânder Dias (escrita em 19 de novembro de 2000)
Semanas e Domingos
22/07/05
A água conversavaNa mão de surdos limos.E depois se alongava,Casada com os jacintos.
Não há dentro da almaSemanas e domingos,Que não possamos, calmos,Fruir. Sou rio contigo.
Carlos Nejar
A Morte da Morte
22/07/05
Morte:Mórbida irreplicável, inevitável fato;Teu silêncio paralisa tudo, recalcitra a vida;Muda, és angustiante; imobilidade profunda.
Quando vens, a dor parece interminável;Tu alcanças a profundeza do ser humano:A vontade de permanecer.
És sarcástica, traiçoeira quando queres;Vens de surpresa e dominas todos;Escárnio do mal contra o homem.
Mas não és invencível; na verdade, és perdedora.Tentaste ir Mais >
Correr Atrás do Vento
18/07/05
O tempo corre, o mundo passaUm sonho vinga, outro sonho jazO vento dita a velocidadeMesmo cansado, eu sigo atrás
Não somos filhos do louco tempoNós somos filhos da Eterna PazCorrer a vida é muito poucoSem pressa, o mundo é muito mais
Arar a terra com lindos sonhosPrenhar o chão, plantar ideaisSem Cristo, Mais >
Espera
10/07/05
“Um velho pecador é um temível e assustador espetáculo”. W. TozerFriagem, o mar obscuro da solidãoGuarda-se e, adormecido, fingi-se mar;Pela poeira da estrada, segue-me o coração,A esperar por um gesto, sorriso, olhar.
Porém, sozinho, não sou um só.Aguardo-me sê-lo, sem tristeza,Pela pureza perseguida, pela beleza;Por sentir o medo dos raios de Mais >
Metanóia
30/06/05
Olhos lacrimejantes, sol nascendo, vindo, indo…Nuvens escuras, vem chuva, águas de salvação.O menino corre engolindo os pingos, feliz da vida!E os telhados choram, a vida chora.
Bocas secas, lua cheia, aproximando-se, chegando…A força da luz, mais que a angústia, que a ilusão.Como a própria esperança, o próximo caminhoÉ real… até a Mais >
Caminheiro
23/06/05
E quando, em passos de lua, sigo,Tamanha alegria a soar;Entre lágrimas do distante estar contigo,Sai o riso comigo a cantar.
Perfilando estas estradas de terra,O caminheiro sucede a pensar:- Quanto de mim ainda é precisoPara este vasto mundo atravessar?
Muito mais, muito mais.- É preciso entregar-se, chorar?Quanto de minhas lágrimas o céu Mais >


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