Falamos muito sobre amor, mas pouco sobre tristeza

 

A tristeza é melhor do que o riso, porque o rosto triste melhora o coração.
Eclesiastes 7:3

 

Steve Knight/Freeimages.com

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A tristeza é um sentimento tão real quanto a alegria. É verdade que não se trata de algo agradável (por vezes, é insuportável). Mesmo assim ela é muito útil – e eu diria até necessária. Reagir corretamente à tristeza é uma prova de maturidade. E não há outra forma de reagir que não seja enfrentando-a e experimentando-a genuinamente.

Como?

– Não menosprezando o sentimento
Muitos cristãos famosos, como Madre Teresa de Calcutá, não esconderam que já passaram por “noites escuras da alma”. Davi sentia-se como “terra seca, exausta de água” (Sl 63) e Paulo admitiu “grande tristeza e angústia no coração” por perceber como era difícil seus irmãos crerem em Cristo (Rm 9.2).

– Sendo honesto sobre as causas
Fuja da tentação de “espiritualizar” a tristeza quando a causa é psicológica. Mas também não seja incrédulo e reconheça quando a tristeza surge de uma luta contra o pecado (2 Co 7.10). O importante é fazer um exame franco sobre qual a fonte da amargura. Ore e medite.

– Tendo esperança em Deus
É verdade que devemos encarar corajosamente o incômodo da tristeza, mas não devemos perder a esperança de que Deus irá nos ajudar a superá-la (Sl 51.12, Sl 126, Jo 16.22, Ap 21.4).

– Pedindo ajuda a outros
Não devemos enfrentar sozinhos o peso da tristeza. Somos uma comunidade, não um clube. O próprio Jesus, em seu momento mais triste, chamou seus amigos: “fiquem aqui e vigiem comigo” (Mt 26.38). A consolação que Deus deve nos encorajar a consolar outros (2 Co 1.3-5).

– Perguntando a si mesmo: quem é Deus aqui, neste momento?
Cremos no Deus que veio até nós, que sentiu nossas dores, que consolou seus discípulos. Portanto, talvez a pergunta mais importante seja esta: qual a face de Deus em minha tristeza? Para Maria Madalena, ele foi o Rabôni que viu suas lágrimas (Jo 20.15-16). Para os discípulos de Emaús, ele foi aquele que fez seus corações queimarem (Lc 24.30-32).

A tristeza não deve ser reprimida, nem endeusada. Deve ser encarada com esperança no amor e na graça de Deus.

 

Se a tristeza se levantar na sua frente; se a inquietação lhe passar pelas mãos, deve pensar que a vida não o esqueceu, que o segura pela mão e não o deixará cair.

Rainer Maria Rilke (Cartas a um Jovem Poeta, 66)

 

 

  1. Assiste-lhe a liberdade de escolher textos que melhor se servem a seus interesses para confortar, orientar, e ajudar seus leitores. Indiscutível isso.

    O texto escolhido, porém, foi ruim para o desejo almejado. Ele não trata de TRISTEZA, nem propriamente de RISO ou mesmo CORAÇÃO. Para tristeza, Jesus no Getsêmani ou quando da morte de Lázaro é uma boa. Para conforto na angústia, Romanos 8:28-29 é apropriado.

    O capítulo 7 de Eclesiastes, literatura sapiencial, você sabe disso, claro, sai do tipo de poesia caracterizado por rima, linguagem metafórica, e parte para um ritmo mais de prosa. As símiles são comuns no hebraico. Acho que não é a sua praia, tanto a prosa quanto a língua.

    Veja este exemplo noutra área.

    Salmo 23, “o Senhor é o meu pastor e nada me faltará”, tem uma frase omitida, típico em poesia hebraica: “o Senhor é o meu pastor [e como pastor cuida de ovelhas] nada me faltará”. É o que se chama de ‘rima hebraica’.

    O capítulo 7 de Eclesiastes, quase inteirinho, segue esse tipo de construção: uma coisa é semelhante a isso, portanto aquilo.

    O capítulo 7 não trata de tristeza, alegria ou coisa semelhante. Se você tomar o finalzinho do capítulo 6 vai notar que o 7 aparentemente responde as duas perguntas postadas lá no final.

    Se a sua ideia foi estabelecer que o caráter é desenvolvido na adversidade, pode-se dizer que a rigor não haveria educação melhor do que na adversidade. E a adversidade tem o potencial de criar grandes oportunidades na vida de uma pessoa.

    Muito embora eu não ache que seja isso que Eclesiastes está fazendo. Pastores há que confortam e encorajam as pessoas mirando no resultado do sofrimento porque passam e, claro, usam II Co. 1:3-4.

    É o que faz a pessoa citada por você, o alemão Rainer Maria Rilke. Figura pontuada em ULTIMATO pelo Valdir. Você em ULTIMATO com frequência cita autores sem dar muita bola ao contexto.

    Leia melhor o que este poeta escreveu. Li algumas das cartas em o livro póstumo citado por você http://www.releituras.com/rilke_cartpoeta.asp

    Acho que você se perdeu por aí na boa intenção dos termos que não tem muito a ver com a sua conclusão. No CEM tem um hebraísta com doutorado nos EUA, acho. Consulte-o.

    • Caro Eduardo,
      Obrigado pelas considerações que vão mais a fundo em dois textos que, curiosamente, foram os que eu não expliquei, apenas citei. Você faz o trabalho difícil de tentar explicá-los. Nobre intenção. No meu caso, apenas citei. E quanto ao referido livro de Rilke, eu o li há alguns anos. Um livro cheio de conselhos, por vezes, soltos.
      Que Deus nos abençoe na luta contra a tristeza, seja qual for o contexto.
      Abraço fraternal.

  2. Ah, Tristeza! (Texto revisado)

    Ah, aquela tristeza, funda e dolorosa, que regela o coração da gente!
    Ah, aquela tristeza que se traduz em lágrimas que a gente chora, arrancando pedaços da alma!
    Ah, aquela tristeza, com sabor de saudade, de tanta coisa que já desapareceu, na voragem da vida!
    Ah, aquela tristeza, na recordação do mal que detestamos mas que acabamos praticando, e do bem que perseguimos como algo inalcançável!
    Ah, aquela tristeza do amor que foi-se embora, deixando, em seu lugar, o vazio, o desencanto!
    Ah, a tristeza mensageira da dor, que nos machuca e nos acaricia!
    Ah, tristeza, minha amiga e companheira, minha mestra e inspiradora, vai comigo!
    Vou dizer-te o meu segredo:
    Não posso mais viver sem ti…

    Extraído do livro “Pérolas de Sabedoria” de Ivan Espíndola de Ávila.

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