maq_escreverO jornalismo é a minha labuta, graças a Deus. Gosto de ser jornalista. Sei que não sou tão bom quanto poderia, mas gosto. Dias desses um amigo, em tom de brincadeira, disse: “você tem de sair da cadeira e visitar lugares onde as coisas estão acontecendo”. Eu tentei explicar minhas limitações, mas no fundo sei que ele tinha razão. Não se faz jornalismo autêntico, inovador, relevante, sem sair das quatro paredes e conhecer histórias reais e deixar de lado o filtro confortável da internet ou das pautas pré-estabelecidas. Sem isso, podemos fazer propaganda de eventos, divulgação de pautas, repercussões do que já foi dito, mas pouco, muito pouco, do que move o jornalismo: relatar a vida, suas incoerências e complexidades, in loco. Para isso, é preciso ter um compromisso com a realidade, com os fatos, e uma disposição teimosa.

Temo que nossos jornalistas de hoje saibam tudo sobre estética da informação, mas quase nada sobre procurar a verdade, os fatos, as histórias, sobre suar a camisa em busca da verdade. Não somos executivos engravatados, mas sim operários sujos que ralam no desconforto do dia-a-dia. Não sei exatamente porque isso ocorre, os tempos estão estranhos em tantas dimensões (por que não seria também no jornalismo?), mas suspeito que seguimos a tendência preguiçosa de apenas relatar o que outros já falaram, apenas trazer manchetes da um conteúdo sem “alma”, sem realidade.  É mais cômodo, mas também é mais superficial.

Claro que não me referido a tantos jornalistas que nunca abandoraram a vontade de apurar a notícia, de correr atrás da verdade. Seja por vaidade, orgulho ou realmente um compromisso ético com a sociedade e com a profissão que o formou. A esses, deixo meus agradecimentos.

Minha crítica permanece, no entanto. Espero que o jornalismo mantenha-se como sempre foi: uma força não óbvia da sociedade que por vezes surpreende o senso comum para mostrar que a vida é mais profunda do que pensamos. Mas para isso, precisamos de jornalistas mais do que bonitinhos e legais. Precisamos de gente que encare, de verdade, sua profissão e sua própria vida.

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