Estrada de terra em Viçosa (MG)

É manhã e eu caminho no frio de Viçosa (MG). Minha rua é de terra em uma mista zona rural. Não há flores à beira de estradas de terra.

Exercitar sim, mas também meditar. Meus olhos procuram a realidade, e não somente o destino.

O cavalo calmamente come sua grama. As árvores e os matos vestidos de poeira amarelada mais parecem aqueles garotos sujos, porém satisfeitos por um dia de brincadeiras com os colegas. Por um momento, imagino a inveja dos amigos das cidades grandes.

Chego próximo de uma pequena igreja, simples, aparentemente perdida. Dois homens vigiam o local, mas dificilmente há algum perigo. As marcas da fé persistem em um mundo cheio de poeira.

Os portões de madeira direcionam meus olhos para as muitas janelas de um antigo casarão. Falamos tanto de liberdade, mas nossas casas perderam as janelas.

Minha caminhada já dura 30 minutos, e eu decido retornar. Olho para baixo e vejo no chão as marcas da minha ida. Na volta, faço outras marcas ao lado das antigas. Parece que caminhei com os dois pés juntos. Rio da minha própria bobagem.

Na volta, reencontro as paisagens e agora lembro que as segundas chances são tão importantes quanto as primeiras. A mesma igreja, o mesmo cavalo, a mesma porteira, a mesma casa. Nem sempre a realidade é algo novo. Mas é vida.

Chego em casa, já sem frio, mais descansado que cansado, satisfeito com a caminhada matinal. Quem dera fosse eu mais disciplinado e a transformasse em hábito!