Olha o menino!
Sorri, com lábios compridos.
Vento, vem, vai, me leva.
Alegre brisa se esvai.
Minha vista não.

Dedos, miúdos, lisos,
Toca meus sonhos
E diz: não vai embora.

Já não te vejo, mesmo a olhar.
Corredores escuros, passos curtos.
Não se inventa o sol;
Ele é maior que a invenção.

O menino espera,
Saltitando, sorrindo.
Aguarda, em inebriante paz,
Quando confia naquele que chega.

Há uma verdade profunda,
Já esquecida há tempos.
De tão profunda, esquecida.

Não se vive sem esperar;
Não se apercebe o menino
Sem a esperança de que ele crescerá.

Os olhos não se contentam
com o que está.
O que será é a própria
razão do que é.

Olha o menino!
Ele brinca, ele cresce, ele espera pelo pai!
O menino sou eu.
O menino somos nós.

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