Não sou economista, mas quero dar uns pitacos. Não obstante as razões técnicas da crise financeira mundial, a nossa sociedade não pode ignorar os avisos para este momento da história:
1. Não esquecer que as vítimas da crise não são apenas os senhores da economia, mas também quem depende inteiramente das decisões econômicas. Segundo o Banco Mundial, até 53 milhões de pessoas passaram a enfrentar a extrema pobreza como consequência direta do cenário econômico vigente. Os grupos vulneráveis são, em especial, mulheres, crianças, migrantes, refugiados, indígenas e deficientes físicos.(1). Crise só é crise porque afeta o ser humano. As soluções, portanto, precisam ajudar o ser humano mais afetado.
2. Ter humildade para auto-avaliar sua ética. Esta crise nos mostra que a ética não tem sido um critério considerado para tomada de decisões econômicas. Muitas vezes, vale mais a ganância do que o bem-estar social. Para os cristãos isso se chama pecado.
3. Ter coragem de tomar as decisões mais corretas. A coragem é precedida pela certeza do que é certo e do que é errado. Por isso, decide-se agir, apesar das improbabilidades aparentes. O mundo tem uma ótima oportunidade para tomar, corajosamente, decisões mais justas e sábias que ajudem a todos e salvem o planeta.
4. Reconhecer a insuficiência humana. Esta crise mostrou que os sistemas econômicos não resolvem tudo. Na opinião do pesquisador Immanuel Wallerstein, “como ninguém sabe realmente quais serão as flutuações desses indicadores, que mudam praticamente diariamente, ninguém pode fazer um planejamento sensato de nada” (2). Ou seja, ainda precisamos aprender muito. Para nós, cristãos, a certeza de que há um Deus soberano, deve nos dar humildade para reconhecer nossa insuficiência. Que os senhores do dinheiro e das nações também o façam.

(1) Os direitos humanos em tempos de crise. Artigo de Maria Nazareth Farani Azevêdo, publicado em 15/03/2009, página A3, no jornal Folha de São Paulo.
(2) Aprendendo com o Brasil. Artigo de Immanuel Wallerstein, publicado em 15/03/2009, página A10, no jornal Folha de São Paulo.

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