Nem sempre Deus faz (ou desfaz) o que queremos

O estudo bíblico de hoje foi desenvolvido a partir do artigo Deus está sempre em ação, do pastor Elben César, publicada na edição 338 da revista Ultimato. Acesse o artigo online ou consulte a página 6 da versão digital abaixo.

Texto básico: Salmo 107 e Lamentações 2

Textos de apoio
Mt 26.36-39, 42, 44; Is 53.10-12
Lc 9.23-25; 14.27, 33
Hb 12.5-13
Tg 4.1-4
Tg 1.2-4, 12; 5.7-11
II Co 4.7-11, 14-18

Introdução
Podemos não ter a nossa vontade realizada por vários motivos. O que nos incomoda, no entanto, é que tendemos a experimentar sofrimento quando o que queremos não ocorre.

Nesse sentido, é importante lembrar que, em última instância, o sofrimento é conseqüência do pecado que entrou no mundo (Gn 3.16-19; Rm 5.12). Isso não significa que sofrimentos específicos sempre possam ser associados a pecados específicos (Jó; Jo 9.1-3). Antes, significa que, se o que queremos é nos ver livres do sofrimento, o caminho não será tentar absolutizar nossa vontade, em si corrompida pelo pecado. Mas, sim, olhar “para Jesus, o autor e consumador da nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” (Hb 12.2).

O querer do Filho sacrificado pela vontade do Pai (Mt 26.36-39, 42, 44) levou-o a alcançar a glória suprema de Deus e o bem supremo para o homem (Is 53.10-12)! Olhando para Ele, portanto, neguemos a nós mesmos e tomemos também a nossa cruz (Lc 9.23-25; 14.27, 33). Afinal, se nos identificamos com Ele em seus sofrimentos, é porque em breve nos identificaremos com Ele também na sua glória (Fp 3.8-14, II Tm 2.11) – na qual “não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor” (Ap 21.4)!

Para entender o que a Bíblia fala

Em Lamentações 2, e mesmo no Salmo 107, qual é a justificativa apresentada para as correções de Deus sofridas pelo povo (Lm 2.14a; Sl 107.11, 17)?[1]

Em ambos capítulos, qual atitude do povo é esperada por Deus diante da correção aplicada (Sl 107.6, 13, 19, 28; Lm 2.18-19)?[2] Com base nesses textos, o que o clamor revela sobre o coração do que clama?

De acordo com Hebreus 12.5-13, como devemos ver essas correções que recebemos da parte de Deus?

Nesse contexto, de acordo com Tiago 4.1-4, por que nem sempre Deus faz o que queremos?

Em outros casos, não estamos sofrendo uma correção, mas uma provação/tribulação. De acordo com Tg 1.2-4, 12 e II Co 4.7-11, 14-18, por que é necessário passarmos por esse tipo de situação adversa?[3] Como a passagem de Tg 5.7-11 procura nos encorajar nesse sentido?[4]

Olhando para o caso de Jesus (Mt 26.36-39; Is 53, em especial 53.10-12), o que podemos aprender sobre a razão de Deus nem sempre fazer o que queremos?

Hora de avançar

“Assim como o leitor de um romance não se assusta com a complicação e confusão do enredo, na certeza de que no final o autor vai deixar tudo esclarecido, os cristãos confessam que não têm sabedoria suficiente para acompanhar Deus, porque ele é muito maior, e confiam nele.”

Para pensar

Se Deus é todo-poderoso e todo-bondoso, por que o que queremos nem sempre acontece?

Várias respostas são possíveis. A mais simples se aplica quando queremos mal: Deus não atende ao nosso pedido a fim de nos livrar do mal (Tg 4.3) – a tragédia, nesse caso, seria Ele nos entregar aos nossos desejos corrompidos (Rm 1.18-32). De fato, mesmo quando queremos bem, Deus pode ter outro plano que considera melhor (At 16.6-10).

Outra possibilidade é estarmos passando por uma correção de Deus, dada a fim de que nos arrependamos, voltando para ele para sermos curados (Lm 1-5; Rm 11.22; Hb 12.5-13). Alternativamente, podemos estar passando por uma provação, dada a fim de manifestar o nosso coração e o purificar, para o nosso bem e para a Sua glória (Tg 1.2-4, 12; I Pe 1.6b-7; 4.12-13; II Ts 1.4-12).

Em qualquer caso, contudo, podemos crer que, apesar de nunca ter desejado o mal, Deus tem controle sobre ele (Jó 34.10-15; Lm 3.37-38). Assim, em seu amor que excede todo entendimento (Ef 3.19), Ele usa a nossa experiência do sofrimento para cumprir, de maneira incompreensível, o seu bom propósito – do qual pode(re)mos alegremente participar como o seu povo (Lm 3.31-33; Jó 42.5, 10-17; Tg 5.11; Gn 50.20; Rm 8.32)!

O que disseram

“…quando é preciso suportar a dor, um pouco de coragem ajuda mais que muito conhecimento, um pouco de simpatia humana tem mais valor que muita coragem, e a menor expressão do amor de Deus supera tudo.”

“Deus nos sussurra em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas brada em nosso sofrimento: o sofrimento é o megafone de Deus para despertar um mundo surdo.”

(C.S. Lewis, no livro “O problema do sofrimento”)

Para responder

1. Quais têm sido os seus principais anseios, desejos, sonhos? Olhando para eles, o que você conclui sobre as motivações que têm guiado o seu querer? Com base na Bíblia, você diria que elas têm sido agradáveis a Deus?

2. O que você gostaria que estivesse acontecendo? Com base neste estudo, refletindo em oração, por que você acha que expectativa não está sendo atendida?

3. Refletindo em oração, você pode reconhecer alguma raiz de amargura contra Deus em seu coração que nasceu por você considerar que Ele o(a) deixou passar por uma situação adversa, de sofrimento? Ciente da mensagem dos textos que você leu neste estudo, o que você gostaria de dizer a Deus a esse respeito, em oração?

4. Refletindo sobre as suas atitudes, qual é o peso que a expectativa da glória tem tido na balança do seu coração, em relação aos sofrimentos presentes? Quanto você tem deixado as adversidades atuais ofuscarem o incomparável tesouro da sua salvação eterna, prestes a ser plenamente consumada? O que você gostaria de fazer a esse respeito?

Eu e Deus

O sofrimento momentâneo precede a glória permanente. Portanto, atentemos “não nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se näo vêem são eternas” (II Co 4.17-18). Sejamos perseverantes, com alegria, porque a glória é certa e a sua manifestação, próxima!

Autor do Estudo Bíblico: Jonathan Simões Freitas

 


[1] Sugestão: leia, também, Lm 1.5, 8-9ª, 14, 18, 20ª, 22ª; 3.34-36, 39, 42, 64; 4.6, 13, 16, 22; 5.7, 16-17.

[2] Sugestão: leia, também, Lm 3.21-33, 40-42, 55-58; 5.21.

[3] Sugestão: leia, também, I Pe 1.6b-7; 4.12-13.

[4] Sugestão: leia, também, Hb 10.35-39 e o Salmo 37.

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Um comentário para “Nem sempre Deus faz (ou desfaz) o que queremos”

  1. josé sandro alves da silva 12 de setembro de 2014 at 15:56 #

    A confiança em ” Deus ” e muito importante, as vezes nos sentimos abandonados como se ninguem ligasse para nosso sofrimento, me sinto assim muitas das vezes, não por que eu quero, mesmo nos momentos de feliidades sentimos um vazio.
    Estou tentando buscar entendimento sei que um dia o Senhor ira falar comigo me mandará um sinal e eu estarei pronto para aceita-lo.

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