Jesus e as nossas orações

Jesus e as nossas orações

Texto básico: Mateus 6.9-15

Leitura diária
D Mt 6.5-8 Orarás a teu Pai
S Rm 8.12-17 Oração dos filhos
T Rm 8.26-30 O mestre da oração
Q Sl 25.1-22 Elevo a minha alma
Q Fp 4.1-7 Súplica e ações de graça
S Jo 16.1-33 Orar no nome de Jesus
S Mt 26.36-46 Submissão absoluta

Introdução

A oração é uma das maiores bênçãos que Deus nos concedeu. O Senhor nos dá condições para falar com ele, ensina-nos a fazê-lo e assiste-nos com o seu Espírito. Sem a oração perdemos totalmente a vitalidade espiritual. Conhece mais a Deus quem mais conversa com ele, meditando na sua Palavra e falando-lhe em oração.

Por meio da Palavra, especialmente pela prática e ensinos de Cristo, podemos aprender sobre a oração. Nesta lição vamos nos deter mais especificamente em alguns dos princípios expressos na oração ensinada por Jesus aos seus discípulos.

I. Dirigida ao Pai (Mt 6.6,9)

Devemos aprender logo de início que estamos falando com o nosso Pai, de quem podemos nos aproximar com confiante amor, certos de que ele está atento. O conhecimento que temos do Deus Pai é-nos revelado por Cristo, por sua graça (Mt 11.27). Falamos com o Pai, não com um estranho. Os crentes em Cristo receberam o Espírito de ousada confiança em Deus, que lhes dá certeza de sua filiação divina (Rm 8.15). Somente pelo Espírito poderemos nos dirigir a Deus assim, como uma criança que se lança sem reservas nos braços do seu Pai.

A oração é uma prerrogativa dos que estão em Cristo. Somente esses têm a Deus como o seu Pai (Jo 1.12; Rm 8.14-17; Gl. 4.6; 1Jo 3.1,2), de onde se segue que essa oração, apesar de não mencionar o nome de Cristo, é feita nesse nome, visto que somos filhos de Deus – e é nessa condição que nos dirigimos a ele –, por meio de Jesus (Gl 3.26).

Orar ao Pai não significa simplesmente mencionar o seu nome, mas, sim, dirigir-nos a ele conforme os seus preceitos, em submissão à sua vontade. Uma oração oposta aos ensinamentos de Jesus não é dirigida ao Pai, por mais que usemos e repitamos o nome de Jesus. O problema, no contexto vivido por Jesus, é que muitos oravam aos homens, mesmo usando o nome de Deus. Do mesmo modo, podemos estar tão preocupados com a forma de nossas orações que nos esquecemos do Pai, a quem a nossa oração é destinada; portanto, cabe a ele, que vê em secreto, julgá-la (Sl 50.6,7,14). A nossa oração não necessita ter publicidade para que Deus a ouça; ele vê em secreto e nos recompensa conforme o que vê (Mt 6.6). Orar ao Pai significa sintonizar a nossa vontade com a dele; sabendo que ele é santo e a sua vontade também (Mt 6.9,10).

II. Sincera (Mt 6.5,6)

Os judeus tinham as suas horas certas de oração. Muitos cumpriam esses horários com coração sincero. Outros se dirigiam à sinagoga ou ao templo, mas procuravam estar justamente nesses horários nas praças ou ruas de grande movimento, a fim de que, quando desse a hora de oração, eles pudessem parar onde estavam e recitar as suas preces em voz alta, como se não tivesse dado tempo de chegar à sinagoga. Vendiam a imagem de piedade, sendo respeitados pelos que não conseguiam interpretar corretamente as suas motivações. Jesus condenou esses hipócritas (Mt 6.5).

Para Jesus, a questão não é o lugar, mas sim a sinceridade do coração do suplicante. Jesus diz que tais homens logo recebem a sua recompensa, visto terem conseguido o que pretendiam. O verbo traduzido (Mt 6.2,5,16) por “receberam” é usado no grego técnico em recibos, indicando a sua quitação, que o pagamento foi plenamente realizado, podendo ser de impostos, da compra de escravos, de aluguéis, etc. Ou seja: eles “oraram” para serem aplaudidos pelos homens; muito bem: conseguiram o seu objetivo. Agora, não esperem mais nada.

Quando a nossa oração é dirigida sinceramente ao nosso Pai Celeste, ele, que conhece os nossos corações, nos recompensará (Mt 6.6). Todas as vezes que as nossas orações não estiverem acompanhadas de um sentimento adequado de indignidade e de reverência para com Deus, estaremos pecando (1Sm 16.7; Sl 51.17).

III. Objetiva (Mt 6.6-8)

Nada de “vãs repetições”. A expressão significa “uma repetição supérflua e exagerada”, “repetir uma fórmula muitas vezes”. A referência de Jesus é direta e intencional aos gentios (Mt 6.7). Os pagãos criam que as repetições contribuíam para pressionar os seus deuses a conceder-lhes favores (1Rs 18). Mas que tipo de “deus” era esse, que precisava ser convencido a agir pela insistência dos homens? Além dos gentios, porém, alguns escribas judeus gostavam de fazer orações longas para poder se engrandecer e esconder a sua impiedade (Mc 12.38-40).

Orações longas poderão ser corretas, mas a Bíblia nos apresenta uma série de exemplos de orações breves (Êx 32.31,32; 1Rs 3.6-9; 18.36,37; 2Rs 19.14-19; 1Cr 4.10; Ne 2.2; Pv 30.7-9; Mt 23.14; Lc 5.8; 18.13; 23.42; At 7.60; Ef 3.14-19). É lógico que as nossas orações não devem ser avaliadas por sua “extensão”. Se as “longas” orações não são sinônimo de piedade; do mesmo modo, a sua “brevidade” não indica necessariamente a nossa fé. O que realmente importa é que as nossas orações sejam feitas ao Pai, com sinceridade, com objetividade, tendo como elemento norteador a Palavra de Deus.

IV. Reverente (Mt 6.9)

Jesus apresenta um forte contraste com a prática condenada e ensina os seus discípulos a iniciar a oração com a meditação da glória de Deus. Aparentemente simples, na prática nos parece uma dura e disciplinadora lição. Procuramos Deus nos limites de nossas forças, confessando a nossa limitação; no entanto, Jesus nos desafia a esquecer as nossas questões, os nossos problemas, e a voltar os nossos olhos para a glória de Deus.

Jesus quer nos educar de tal forma, que tenhamos em tudo, a começar pela oração, o senso de prioridade e de urgência. Por mais sérios e graves que sejam os nossos problemas e preocupações, Deus deve ter a primazia em todas as coisas (Mt 6.33).

Outro ponto deve se realçado: quando oramos, estamos falando com o nosso Pai, mas devemos ter em mente também que ele é santo, que deve ser reverenciado e adorado. Na oração sacerdotal, Jesus assim se refere ao Pai (Jo 17.11). É impossível louvar a Deus sem um reverente temor diante da sua grandeza (Sl 111.10). O alto privilégio que temos de nos relacionar com Deus por meio de Cristo deve estar sempre associado à visão da grandeza de Deus, que nos conduz ao seu serviço com santo temor (Hb 12.28,29).

Davi inicia o salmo 25 dizendo: “A ti, Senhor, elevo a minha alma” (Sl 25.1). O salmista sabe a quem se dirige, daí falar de elevar a sua alma: Deus é santo e soberano; a oração tem sempre o sentido de enlevo espiritual ainda que seja de confissão de pecados. Falar com Deus sempre é um ato de elevar a nossa alma.

Algumas pessoas, com uma idéia equivocada de “intimidade com Deus”, pensam que podem tratá-lo como a um igual ou, em muitos casos, até mesmo como alguém a quem fazem imposições. Ao contrário disso, a Escritura nos ensina que a nossa proximidade de Deus, em vez de nos conduzir a uma suposta intimidade equivocada com ele, dá-nos a perfeita dimensão da sua gloriosa santidade e que, portanto, devemos nos aproximar em adoração e respeito: “A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança” (Sl 25.14). Os “íntimos” de Deus são aqueles que o temem e obedecem.

Considerando isso, Jesus nos ensina a começar a oração reconhecendo quem é Deus, proclamando a sua santidade (Mt 5.9; Is 29.23; Ez 36.23). Devido à nossa incapacidade de cumprir esse ato de glorificação de forma adequada, rogamos que Deus mesmo santifique o seu nome e implante o seu reino. Quando oramos, somos convidados a meditar naquilo que Deus é e tem feito (Sl 34.3; 66.1,2).

A nossa oração deve ser um ato de glorificação a Deus, o reconhecimento de quem ele é e, pelo Espírito, a disposição de cumprir a sua vontade, proclamando sua majestade e glória reveladas no seu nome (Jo 17.4,6).

V. Submissa (Mt 6.10)

A oração não é uma tentativa de mudar a vontade de Deus, mas sim a manifestação sincera do nosso desejo de submeter-lhe os nossos sonhos e necessidades. Essa submissão não é aprendida pela razão, embora mesmo racionalmente tenhamos argumentos para assim proceder, pelo fato de sabermos que Deus é sábio, bondoso e onisciente. A submissão a Deus é um aprendizado da fé, por meio de nossa comunhão com ele.

Quando pedimos que Deus faça a sua vontade, o fazemos com amor e confiança, certos de que a vontade de Deus é sempre boa, agradável e perfeita (Rm 12.2); por isso, temos prazer em cumpri-la (Sl 40.8; Ef 6.6). Somente um coração que tem dentro de si a Palavra pode sentir prazer na vontade de Deus e se alegrar na manifestação do seu poder.

Ao orarmos conforme nos ensinam as Escrituras, estamos submetendo a nossa vontade a Deus. Não pretendemos mudar a sua vontade. A oração do Senhor nos ensina a pedir a Deus que realize a sua vontade aqui na terra como é feita no céu. Oramos para que a vida na terra se aproxime o máximo possível da do céu, onde os anjos cumprem perfeitamente a vontade divina (Sl 103.21). Essa atitude vemos exemplificada em Cristo, em sua oração proferida próxima à sua morte (Mt 26.39). Seu ministério terreno foi uma manifestação constante da sua obediência, desde a sua encarnação, passando por todos os desafios inerentes à sua missão, até a sua auto-entrega na cruz em favor do seu povo (Fp 2.5-8; Hb 5.8).

VI. Confessante (Mt 6.12)

Ao orarmos reconhecendo a glória de Deus, somos conduzidos a olhar para nós mesmos; e nesse ato, temos uma nítida visão do nosso pecado. Essa foi a experiência de Isaías (Is 6.1- 5). A contemplação da majestade de Deus e o reconhecimento do nosso pecado nos levam confissão, rogando-lhe perdão. O perdão de Deus é o princípio fundamental para o nosso relacionamento com ele. Sem o seu perdão, como poderemos orar? Por isso, precisamos iniciar com o perdão; todos nós carecemos do perdão de Deus.

Na oração do “Pai Nosso”, a palavra empregada para “dívida” refere-se a um débito que precisa ser pago e ao mesmo tempo assinala que não dispomos de recursos para fazê-lo. Essa oração contém em si uma confissão expressa do nosso endividamento para com Deus e a nossa incapacidade de saldar a dívida. Contudo, também nos indica o caminho do pagamento: o perdão obtido por Jesus para todos nós os que cremos.

Conclusão

Quando oramos, nós buscamos a Deus, não o homem. Não estamos em busca de recompensas humanas. Oramos ao Pai colocando diante de seu trono de graça as nossas necessidades. Nesse procedimento, jamais devemos nos esquecer de que ele sabe todas as coisas, mas Deus, como Pai que é, gosta que falemos com ele do que ele já sabe.

Aplicação

Orar em nome de Jesus é dizer ao Pai que o seu Filho eterno subscreveu o que estamos dizendo. Significa a confiança única e exclusiva na suficiência de seus méritos. Você ora assim?

>> Estudo publicado originalmente na revista Palavra Viva, série publicada pela Editora Cultura Cristã. Usado com permissão.

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Um comentário para “Jesus e as nossas orações”

  1. PAULO LOURIANO DIAS 13 de agosto de 2018 at 16:31 #

    GOSTEI MUITO SE PUDER E QUIZER PODE MANDAR EMAIL PARA MIM FIGO MUITO GRATO . QUE DEUS POSSA ESTAR SEMPRE TE VALEU

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