Família: submissão se aprende em casa

Família: submissão se aprende em casa

Texto básico: Efésios 5. 21-33

Textos de apoio
– Gênesis 1. 26-28
– Gênesis 2. 4-7, 15-18, 21-25
– Gênesis 3. 1-24
– João 1. 10-12
– Colossenses 1. 15-17
– Colossenses 3. 17-21

Introdução

Dizer que a família é uma ideia de Deus tornou-se um clichê religioso? Pode ser, mas isto não pode diminuir a força desta verdade. Parafraseando Caetano Veloso, cada um de nós experimentou e experimenta “a dor e a delícia” da convivência familiar. E isso faz parte do plano original de Deus; quero dizer, a convivência familiar, pois as suas “dores” não estavam incluídas no pacote antes da desobediência do Homem (Gen 3).
A revelação de Deus, no seu princípio, nos ensina o conceito fundamental de que o homem e a mulher foram criados “à imagem e semelhança de Deus” (Gen 1. 27-28), sendo marcados indelevelmente com a imago Dei. Há diversas considerações sobre o sentido exato da expressão “imagem e semelhança”. Mas há concordância no entendimento de que “Deus deixou algo de si mesmo no ser humano, o que dá a este uma dignidade especial” (Jorge Atiencia). E, sendo Deus uma Trina comunidade santa, este “algo de si” certamente inclui a capacidade relacional.

Apesar do duro golpe desferido contra a imago Dei na Queda, Deus não desistiu de seu plano original, e providenciou um caminho de restauração, alicerçado na pessoa e na obra de Cristo. É disso que trata nosso estudo. Vamos refletir sobre o modelo a ser buscado no contexto familiar, tendo o casal como base, com o intuito de que “nossa casa” produza lampejos e sinais daquele “DNA relacional” original, que foi distorcido mas não destruído.

Podemos continuar acreditando na família como uma boa ideia de Deus?

Para entender o que a Bíblia fala

1. De que forma o v. 21 estabelece o “tom” segundo o qual toda esta passagem deve ser entendida? Qual a motivação maior para a mútua sujeição dentro do contexto familiar? Como você entende a expressão “por temor a Cristo”?

2. Por que a submissão da igreja a Cristo é uma ilustração de grande ajuda para entendermos a submissão da esposa a seu marido (vv. 22-24)?

3. Segundo os vv. 25-30, qual é o “ideal” que deve ser procurado pelos maridos? Ainda com estes versos em mente, e utilizando suas próprias palavras, responda como o marido poderia demonstrar este tipo de amor por sua esposa?

4. Por que você acha que Paulo faz um apelo para que as esposas respeitem seus maridos, enquanto ele apela aos maridos para que amem suas esposas (v. 33)?

5. Como os vv. 31-33 resumem o ensino do apóstolo sobre a unidade que deve existir entre a esposa e o marido? De que maneira esta unidade poderá influenciar a criação dos filhos (Ef 6. 1-4)

Para Refletir

O Homem é criado, de acordo com o relato de Gênesis, em relação direta com seu Criador. Este vinculo direto parece estar mediado pelo “fôlego de vida” (Gn 2.7)… Esse “fôlego”, sinal do Criador no Homem, determinará o curso de suas relações. Por ele, Deus e Homem permanecem atados e, desse momento em diante, este não poderá ser definido nem compreendido sem aquele. Isto faz do ser humano um “sujeito” e, consequentemente, um ser em relação.[…]

A imago Dei, então, nos permite ver ao Homem como um “sujeito” em relação com o Criador; alguém que é aceito, no qual se pode confiar e que está destinado a realizar-se plenamente e desfrutar da vida, tudo isto desmarcado dentro dos limites que Deus estabelece para seu bem. […] A própria comunidade divina projeta-se nessa associação humana: a bi-unidade homem-mulher. Se a imago Dei é a projeção da comunidade divina na humana, então podemos concluir que homem e mulher são iguais e, ao mesmo tempo, diferentes. Essa igualdade e essa diferença simultâneas é que permitem ao homem e à mulher uma relação sem fusão, uma intimidade sem perda de identidade, uma aproximação, mas, ao mesmo tempo, o direito ao espaço psicossocial e espiritual para crescer.

[…] O terceiro capítulo do livro de Gênesis mostra-nos uma humanidade que violou as fronteiras traçadas pelo Criador. Isso resultou na experiência de distorção da imago Dei, mas não no seu desaparecimento. A humanidade pretendeu deixar a imago para converter-se em Dei, e isso provocou, como o Criador havia previsto, a entrada da morte (Gn 2.17). Essa “morte” prejudica a capacidade de relação do ser humano. […] Por meio do pecado descrito anteriormente, entra um elemento novo na criação, que tem sido adequadamente descrito como alienação. Esse elemento toma várias formas (Gn 3.7-8, 11-12), mas afeta particularmente as relações do ser humano, porque quebra a base da citada “relacionalidade”, a imago Dei.

[…] Todavia cremos que o efeito mais profundo nota-se no manejo das diferenças. Estas perdem o caráter de idoneidade e complementaridade, transformando-se em motivo de conflito. […] A diferenciação sexual, que tornava possível a complementaridade, que os aproximava, que permitia o reconhecimento e enriquecimento mútuos, que os fazia acima de tudo um casal, agora os separa, dissocia e desequilibra. […] A “utilidade” suplanta a “idoneidade”. A mulher passa a ser um meio para atingir um fim. A sexualidade é reduzida a sexo. O sujeito passa a ser objeto, e isso permeia toda a história. Podemos encontrar aqui as raízes profundas e históricas do machismo. A Queda afetou as bases do matrimonio e da família.

[…] Felizmente, a graça do Criador não deixou o ser humano em tal condição. Deus concebeu um plano de redenção, já anunciado no contexto da queda (Gn 3.16). A presença de Jesus Cristo como Senhor e Salvador significa para a humanidade a possibilidade de conversão de um estado de não relação (Gênesis 3.7-20) a um estado de relação (João 1.11-12). Em conseqüência, o indivíduo pode voltar a ser pessoa na plenitude de tudo que isso implica. A presença de Jesus Cristo na história marca o advento de uma nova fase. Com ele, o reino de Deus anuncia as “boas novas” da restauração da imago Dei. É a superação da experiência da queda, já que esta não pode ser vista como normativa das relações humanas.

(Jorge Atiencia. “Pessoa, casal e família”. In Casamento e Família: uma abordagem bíblica e teológica. Jorge Maldonado, editor. Viçosa, MG: Ultimato, 2003, pp. 31-46)

 

Para Terminar

1. Qual é sua reação diante da ideia de ser colocado em submissão à alguém? Que sentimentos surgem em seu coração?

2. Se você é casado(a), como você poderia desenvolver sua habilidade de amar e se submeter ao seu cônjuge? E, caso você tenha filhos, como você poderia praticar o mandamento de Paulo para que os pais “não irritem seus filhos” (Ef 6. 4)?

3. Independentemente de você ser casado(a) ou solteiro(a), de que forma você poderia crescer em sua submissão à Cristo, no contexto familiar? Como o plano de redenção traçado por Deus pode trazer esperança para os seus relacionamentos familiares?

Eu e Deus

“Senhor, oro pedindo o poder do Teu Espírito. Permite que esse poder inunde-me e transforme-me em um verdadeiro discípulo, disposto a seguir-Te além dos limites da minha vontade própria. Amém.” (Henri Nouwen)

Leia mais

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> Antes de Casar

Autor do estudo: Reinaldo Percinotto Júnior

Estudo bíblico desenvolvido a partir do capítulo 2 (Pessoa, casal e família, de Jorge Atiencia) do livro “Casamento e Família: uma abordagem bíblica e teológica” (Jorge Maldonado, org.), fora de catálogo, publicado pela Editora Ultimato.
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Um comentário para “Família: submissão se aprende em casa”

  1. Nei S Sousa 29 de maio de 2017 at 11:04 #

    Muito bacana , a submissão esta em falta tanto na igreja quanto nas familias.
    É preciso realmente rever nossos conceitos e aprender a pedir perdão mais vezes, conversar e ao menos tentar entender o ponto de vista de quem esta conosco todos os dias
    Deus sempre planejou outra forma de unir-nos a Ele de novo , e de novo , sempre. Sendo assim , nao podemos desistir da base familiar que é o plano de Deus

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