Equilíbrio – nem tão lá, nem tão cá

Equilíbrio

– Nem tão lá, nem tão cá

Estudo 6 – Série Livros – O Discípulo Radical, John Stott

 

Texto básico: 1 Pedro 2.1-17

Textos de apoio
– Deuteronômio 6. 4-9
– Salmo 133
– Êxodo 19. 5-6
– Atos 2. 42-47
– Efésios 2. 20-22
– Hebreus 10. 19-22

Introdução

Nosso comportamento e nossas atitudes são influenciadas, ou mesmo determinadas, pelas convicções que possuímos acerca de quem nós somos. Neste capítulo seis, esta é a principal preocupação de John Stott: definir quem nós somos, como discípulos e discípulas de Cristo. E, na sua opinião, “não há no Novo Testamento um texto que apresente um registro mais variado e equilibrado do que significa ser um discípulo do que 1 Pedro 2. 1-17” (p. 71).

Aqueles que desenvolveram o primeiro estudo desta série irão se lembrar de que este texto também foi utilizado como base para aquela reflexão. Mas, obviamente, o enfoque aqui será diferente, uma vez que nossa preocupação será o “equilíbrio” que deve caracterizar a vidas dos discípulos de Cristo. Por “equilíbrio”, Stott entende a integração orgânica entre as seis ilustrações apresentadas por Pedro neste trecho (crianças recém-nascidas; pedras vivas; sacerdotes santos; povo de Deus; estrangeiros e peregrinos; e servos de Deus), que se completam para descrever a identidade do discípulo cristão (p. 83).

É preciso mantermos “fresca” a convicção sobre a nossa identidade cristã, no dia a dia de nossas vidas, pois só assim nos comportaremos e acordo com ela. Vamos tentar?

Para refletir e entender o que a Bíblia fala

  1. Como crianças recém-nascidas [v. 2], somos chamados a crescer pessoalmente; como pedras vivas [v. 5], somos chamados à crescer comunitariamente (p. 83). Pedro expõe aqui dois tipos de crescimento essenciais para a vida cristã, que na verdade estão interligados. Ao mesmo tempo, haverão muitos obstáculos. De que maneira os cinco pecados listados no v. 1 poderão atrapalhar os relacionamentos (e o crescimento) na comunidade cristã?
  2. Como a ilustração de uma criança recém-nascida (vv. 2-3) pode ajudar na nossa compreensão de como o crescimento espiritual deve ser nutrido? Onde devemos buscar o “leite espiritual puro” (1 Pedro 1. 23)?
  3. De acordo com Pedro, ao mesmo tempo em que vão se fortalecendo com o “puro alimento espiritual”, os discípulos vão se tornando parte de um projeto de “construção coletiva” (vv. 4-6). Qual é a base ou alicerce desta construção (vv. 4, 6-8)? E qual a sua finalidade, ou seja, o que seria realizado nesta “casa espiritual” (v. 5)? Diferentemente da “antiga aliança”, quem poderia fazer parte do “sacerdócio” agora? Por que (v. 5)? Quais “sacrifícios” seriam oferecidos agora?
  4. Se Pedro tivesse parado por aqui, talvez iríamos conceber e formar, justificadamente, comunidades totalmente fechadas em si mesmas, verdadeiros “guetos espirituais”. Como os vv. 9-10 impedem esta perspectiva “elistista”? Pedro não invalida, ou menospreza, a necessidade de que os discípulos sejam “diferentes”; continuamos sendo “sacerdócio santo”. Mas, se há pouco nos preocupamos com o “por que?”, agora a questão é: “para que?”. Qual o fim (finalidade) desta santidade, desta exclusividade como povo de Deus?
  5. Nos vv. 11-17, Pedro apresenta as últimas duas ilustrações que, combinadas, acrescentam mais uma dimensão ao equilíbrio que deve caracterizar a vida do discípulo cristão. Primeiro, o discípulo é um “estrangeiro e peregrino” (v. 11). Os leitores originais da carta se encaixavam literalmente nesta descrição, pois faziam parte do que era conhecido como “diáspora” (1 Pedro 1.1); mas não é só isso, pois certamente estes termos “simbolizavam a condição espiritual deles” no mundo (p. 81). Em segundo lugar, o discípulo precisa viver como “servo de Deus” (v. 16b), com responsabilidades terrenas, como qualquer cidadão consciente (vv. 13-17). De que maneira(s) uma visão clara e saudável acerca desta “dupla cidadania” do discípulo (“cidadão do céu e cidadão da terra”) pode nos ajudar a experimentar uma vida mais equilibrada, sabendo que “o fato de pertencer a outra cidade (1.1; 2.11) não isenta os cristãos de todas as obrigações aqui na terra” (Bíblia de Jerusalém, p. 2272)?
  6. De acordo com Pedro, por que os cristãos deveriam tratar seus governantes com respeito (vv. 13-15)? Ao mesmo tempo, como os ensinamentos dos vv. 16-17 poderiam impedir você se tornar uma “capacho” dos seus governantes?

Hora de Avançar

A pergunta é: quem somos nós? E não há… um texto que apresente um registro mais variado e equilibrado… do que 1 Pedro 2. 1-17. (…) Em uma série de metáforas variadas, o apóstolo ilustra quem somos nós. Cada uma delas carrega consigo uma obrigação correspondente. Juntas elas podem ser chamadas “cristianismo”, segundo Pedro. (John Stott, p. 73)  

A vida espiritual é, antes de mais nada, uma vida. Não é apenas algo a ser conhecido e estudado; tem de ser vivido. Como toda vida, definha e morre quando separada de seus elementos próprios. A Graça está enxertada em nossa natureza e o homem todo está santificado pela presença e ação do Espirito Santo. A vida espiritual não é, portanto, uma vida completamente separada, desarraigada da condição humana e transplantada para o ambiente angélico. Vivemos como criaturas espirituais quando vivemos como homens que procuram a Deus. (Thomas Merton, Na Liberdade da Solidão, Editora Vozes, 2014, p. 39)

Para Terminar

  1. À luz do que conversamos aqui, como você avaliaria sua vida como discípulo(a) de Cristo? Há equilíbrio entre crescimento individual e comunitário; entre adoração e testemunho; entre peregrinação e cidadania? Há ênfase de alguns aspectos em detrimento de outros? Que passos práticos, simples e realistas você poderia adotar para ter equilíbrio onde necessário?

Eu e Deus

            Senhor, sondai-me, conhecei meu coração,
               examinai-me e provai meus pensamentos!
            Vede bem se não estou no mau caminho,
               e conduzi-me no caminho para a vida!
Salmo 139. 23-24 (tradução CNBB)

Leia mais

Crer é Também Pensar, John Stott, ABU Editora.

O Discípulo Radical, John Stott, Editora Ultimato.

>> Autor do Estudo: Reinaldo Percinoto Junior

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