Cansaço e esgotamento: para descansar é preciso crer

Cansaço e esgotamento: para descansar é preciso crer

SÉRIE REVISTA ULTIMATO
Artigo: “Repouso sabático”, de Ricardo Barbosa, edição 364

Texto básico: Marcos 6. 7-13, 30-44

Textos de apoio
– Gênesis 2. 1-3
– Êxodo 20. 8-11
– Salmo 62. 1-8
– Mateus 12. 1-14
– Hebreus 4. 9-11
– Apocalipse 14. 13

Introdução

O cansaço, e eventualmente até mesmo o esgotamento (“burnout”), tem se tornado uma experiência cada vez mais comum na nossa sociedade, inclusive entre os cristãos.

No que diz respeito ao ambiente cristão, uma das consequências mais desastrosas do cansaço é o surgimento de um coração endurecido e insensível, que nos afasta da compaixão pelo próximo e também da possibilidade de sermos renovados pelo Senhor.

No presente estudo vamos olhar para um momento de cansaço e estresse dos apóstolos de Jesus, diante das suas demandas ministeriais, e buscar analisar como o Mestre procurou ajudá-los a lidar com as consequências do cansaço, levando-os a um espaço de descanso e de confiança na Sua graça e provisão.

Temos nos preocupado com nosso cansaço, buscando previamente alternativas para minorar suas consequências? Ou normalmente agimos apenas como “apagadores de incêndios”? O descanso sabático, em um dia completo da semana ou em algum horário curto de cada dia, tem sido uma disciplina saudável dentro de nossa prática espiritual? Temos visto esta prática não apenas como uma necessidade, mas como uma oportunidade de relacionamento confiante com o Senhor de nossas vidas?

Para entender o que a Bíblia fala

  1. Você acha que a missão executada pelos doze tenha sido desgastante (vv. 12-13)? Que palavras ou expressões ajudam a justificar sua resposta?
  1. Após a intensa atividade realizada nos povoados, os discípulos retornam para junto de Jesus (v. 30), relatando tudo o que tinha acontecido. Talvez esperassem ter um merecido tempo de descanso, mas isso não foi possível. Por que? Qual a solução encontrada por Jesus (v. 31)?
  1. Até que enfim iriam descansar… Mas, novamente tiveram seus planos frustrados por uma multidão de necessitados (vv. 32-33). O plano inicial era o descanso, mas por que Jesus resolveu atender a multidão (v. 34)? Como você acha que os apóstolos devem ter se sentido com esta decisão de Jesus?
  1. Será que Jesus considerava o descanso pouco importante ou secundário (v.31)? A experiência da multiplicação dos pães e peixes, de alguma maneira, pode ter proporcionado um momento de descanso para os discípulos? Como?
  1. Uma vez que o descanso e a compaixão são marcas inegociáveis do discipulado cristão, como as atitudes de Jesus neste trecho (vv. 31, 34) nos ensinam sobre a complementaridade de ambos, sem deixar que sejam necessária e mutuamente excludentes?

Hora de Avançar

“Uma dificuldade que todos os que procuram servir a Deus enfrentam é não saber celebrar, contemplar a grandeza, a majestade e o governo de Jesus Cristo. O repouso sabático é um mandamento da graça de Deus. É o lugar onde aprendemos que é Deus, e não nós, quem governa e reina. É o lugar onde somos nutridos e restaurados por ele, onde a aliança é reafirmada e aprendemos a celebrar o cuidado e a bondade de Deus. Disse Jesus: “Vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto”. É apenas disso que precisamos”.  (Ricardo Barbosa) 

Para pensar

A prática do descanso em um dia da semana, ou de uma hora por dia, ou idealmente a prática de ambas as estratégias, podem nos proporcionar uma melhor percepção e uma preparação especial para remirmos todo o nosso tempo. O “dia sabático” nos permite compreender o verdadeiro sentido dos outros seis dias de semana. O rabino Abraham Heschel no lembra: “O descanso sabático serve de exemplo do mundo futuro… A essência do mundo por vir é um descanso sabático eterno, e o sétimo dia, dentro do tempo, é um exemploda eternidade”.

Ainda segundo Heschel: “A grosso modo pensamos que a terra é a nossa mãe, que o tempo é dinheiro e que o lucro é nosso companheiro. Mas o sétimo dia serve-nos de lembrete de que Deus é o nosso Pai, de que tempo é vida e de que o espírito é o nosso companheiro”.                        

O que disseram

Em um sentido mais profundo, não guardamos o sábado; o sábado é que nos guarda. A finalidade do sábado era ser o período de lazer intencional em que refletíssemos sobre a origem e os alvos de nossa vida na terra. Logo, o sábado nos mantém voltados para Deus, como quem está viajando com destino ao céu. E assim, mostramo-nos disponíveis ao dom do sábado precisamente porque não somos capazes, por nós mesmos, de suster nossa jornada em direção a Deus, em direção ao céu. (Paul Stevens, Disciplinas Para Um Coração Faminto, Abba Press, 1994)   

Para responder

  1. Você está se sentindo pressionado ou desgastado em sua vida pessoal ou ministerial? Que decisões práticas você poderia tomar para evitar que esta situação atinja um estágio de “esgotamento espiritual”?
  1. Alguma vez você percebeu que o cansaço havia “sabotado” sua compaixão e a sua vontade de cuidar do próximo? O que você aprendeu desta experiência?

Eu e Deus 

Aquele que habita no abrigo do Altíssimo
E descansa à sombra do Todo-poderoso
Pode dizer ao Senhor:
“Tu és o meu refúgio e a minha fortaleza,
O meu Deus, em quem confio”.
(Salmo 91. 1-2, NVI)  

Autor do estudo: Reinaldo Percinotto Júnior
Este estudo bíblico foi desenvolvido a partir do artigo “Repouso sabático”, de Ricardo Barbosa, publicado na edição 364 da revista Ultimato.

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2 Comentários para “Cansaço e esgotamento: para descansar é preciso crer”

  1. Sebastião Marciano de Almeida Filho 19 de abril de 2017 at 10:16 #

    Fantástico, muito edificante para todos nos que não temos uma ideia clara da precisão do descanso. Parabanes

  2. antônia Paula Lopes Teixeira 27 de abril de 2017 at 13:36 #

    Amei tirei algumasdúvidas

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