Amigos leais… nem sempre legais

SÉRIE REVISTA ULTIMATO
Artigo: “As feridas leais de um amigo”, de Ricardo Barbosa

Texto básico: João 6. 66-71

Textos de apoio
– Jó 5. 17
– Salmo 139. 23-24
– Provérbios 15. 30-33
– João 6. 1-15; 25-65
– Gálatas 2. 9-16
– Hebreus 12. 4-11

Introdução

Deus nos criou para vivermos em comunidade. Nós precisamos uns dos outros para crescermos e nos desenvolvermos com proteção, saúde e integridade. E esse princípio se estende também ao contexto do discipulado cristão: no processo de nos tornarmos seguidores e aprendizes de Jesus não há espaço para a existência de cristãos do tipo “você S. A.”.

É no espaço comunitário que temos a oportunidade de amadurecermos emocional e espiritualmente. Ali encontramos as condições e as pessoas necessárias para que o nosso orgulho e as nossas ilusões pessoais sejam confrontadas, e o nosso “eu” verdadeiro possa florescer e se fortalecer, em conformidade com o caráter de Jesus Cristo.

Deus sempre foi, e sempre será, o agente da nossa transformação pessoal. Mas nessa jornada, com nossos altos e baixos, ele irá colocar pessoas em nosso caminho de tal modo que a experiência da coletividade e da mutualidade se tornem instrumentos de sua vontade. Precisamos sempre nos perguntar se temos valorizado devidamente a riqueza de fazermos parte de uma comunidade que busca a mesma direção. Temos nos colocado à disposição de outros, e ao mesmo tempo procurado companheiros de caminhada que nos ajudem a avaliar com sinceridade o nosso crescimento cristão? Enxergamos nossa necessidade de mentores ou “diretores espirituais” de quem podemos receber orientação, e a quem podemos recorrer para nos ajudar a avaliar nossos pensamentos e sentimentos? Pessoas francas e piedosas, que sejam capazes de se preocupar mais com nosso destino eterno do que com sua imagem ou reputação diante de nós?

Para entender o que a Bíblia fala

  1. Com base no capítulo 6 do Evangelho de João, provavelmente Jesus seria reprovado pelos especialistas em “marketing pessoal”! Em questão de alguns dias ele passa da assistência de uma multidão (vv. 2, 6, 15) para a desistência até de muitos de seus discípulos (v. 66). O que ocorreu no meio do caminho, entre esses dois momentos? Por que Jesus não foi mais “politicamente correto” em seu discurso (vv. 53, 60)? Qual era sua verdadeira preocupação (vv. 27, 58)?
  2. Que Jesus tenha desapontado os líderes judeus não é novidade. Mas, agora, até seus discípulos estavam demonstrando seu desapontamento com ele (vv. 60, 66). Por que? Em sua opinião, quais eram suas expectativas em relação a Jesus, o Messias prometido por Deus (vv. 14-15, 26, 52-53)?
  3. No v. 67, Jesus se dirige aos doze com uma pergunta bem direta, demonstrando que ele não estava disposto a negociar suas condições para o discipulado. Como esta pergunta poderia ajudar aqueles seguidores mais próximos a tomar uma decisão consciente naquele momento crucial de sua vidas?
  4. Pedro descreve o processo de sua mudança de vida como “nós cremos e sabemos” (v. 68-69). Note que ele usa todos verbos no plural. A fim de entendermos melhor esta resposta de Pedro podemos refletir sobre os elementos que são importantes para o aprofundamento de uma amizade/relacionamento. Como esta amizade/relacionamento de desenvolve? Como nós sabemos que alguém nos ama e cuida de nós? Então, como o comentário de Pedro pode ser melhor compreendido? O que fez Pedro permanecer com Jesus? O que ele queria dizer ao responder “Tu tens as palavras de vida eterna”?
  5. Quando Pedro acabou de dizer estas palavras, que reação esperaríamos que Jesus tivesse? Qual era a intenção de Jesus com sua resposta (vv. 70-71)? O que ele não queria perder de vista?

Hora de Avançar

Sabemos que poucas pessoas se importam, de verdade, com nossa alma. Poucos têm a coragem de colocar em risco sua imagem pessoal ferindo nosso orgulho pelo bem da verdade e da eternidade.[…] Amigos que fazem as perguntas difíceis, que se importam com nossa vida, com o risco de nos perdermos em nossos pecados e enganos, que preferem nos ferir a nos ver perdidos e confusos, são os amigos verdadeiros.[…] Jesus via seus discípulos como pessoas que lhe haviam sido confiadas por Deus. Por isso ele os repreendeu, exortou, foi firme e duro e, ao mesmo tempo, compassivo e misericordioso. Jamais abriu mão de sua lealdade e buscou, em todo tempo, conduzir seus amigos ao conhecimento de Deus e à vida eterna.
(Ricardo Barbosa)

Para pensar

Neste episódio, no final do capítulo 6 de João, Jesus foi bastante claro com aqueles que procuravam ser seus seguidores: “O que vocês precisam não é nem de dádivas materiais e nem de milagres; o que vocês precisam é de MIM”. Jesus cria uma separação radical entre aqueles que desejavam apenas obter alguma dádiva, e aqueles que realmente estavam dispostos a encarar uma agenda de submissão e compromisso sacrificial.

Embora muitas pessoas estivessem abandonando Jesus, os doze discípulos não fizeram isso. A sua fé, e o que eles tinham aprendido pela convivência com Jesus, os mantiveram próximos e obedientes a Ele. O conhecimento que eles obtiveram veio como fruto de sua fé e obediência (ver João 7. 17). Embora somente Pedro tenha respondido, ele agiu como um porta-voz dos outros discípulos.

O que disseram

A receptividade e o confronto são dois lados inseparáveis do testemunho cristão. Devem ficar em cuidadoso equilíbrio. Receptividade sem confronto leva a uma neutralidade confortável que não serve a ninguém. Confronto sem receptividade leva a uma agressividade opressiva que fere a todos. Esse equilíbrio entre receptividade e confronto pode estar em diferentes pontos, dependendo da posição de cada um na vida. Mas em toda situação de vida temos não só de receber, mas também de nos confrontar.
(Henri Nouwen, Crescer: Os três movimentos da vida espiritual, Paulinas, 2000, p. 94)    

Para responder

  1. Se você fosse Pedro, o que você teria respondido a Jesus? Como você teria explicado sua permanência junto dele?
  2. Alguma vez você se sentiu desapontado com Deus? Por que você se sentiu assim? Essa questão já foi resolvida em seu coração?

Eu e Deus

Senhor, tu despedaças os sonhos que mais acalento – os de estar no controle de minha vida, os de controlar os outros. Então, tu dás algo muito melhor – a visão de teu senhorio e redenção. Expulsa a incredulidade de meu coração e concede-me fé, por tua misericórdia. Amém.
(Eugene Peterson, Um Ano com Jesus, Editora Ultimato, 2015)

Autor do estudo: Reinaldo Percinotto Júnior
Este estudo bíblico foi desenvolvido a partir do artigo “As feridas leais de um amigo”, de Ricardo Barbosa, publicado na edição 363 da revista Ultimato.

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Um comentário para “Amigos leais… nem sempre legais”

  1. marly silva de souza 14 de novembro de 2016 at 13:59 #

    adorei a msg

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