Páscoa: Deus se apresenta ao mundo

Páscoa: Deus se apresenta ao mundo

 

Texto Básico: Êxodo 6.1-9; 6.28–7.6

Leitura Diária
D Êx 3.1-22 – Deus vem para libertar
S Jo 8.21-36 – A verdade que liberta
T Is 57.1-21 – Castigo e redenção
Q Sl 50 – Um culto comprometido
Q Jo 1.1-18 – Jesus é a revelação de Deus
S 1Co 1.18-31 – Jesus é a sabedoria de Deus
S Ap 19.1-21 – Louvores ao Rei dos reis

 

Introdução

Como você descreveria a obra da redenção?

Em que ela consiste? Paulo a descreve da seguinte forma: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1.13-14). Pedro fala que Deus nos tirou das trevas para a sua maravilhosa luz (1Pe 2.9). A libertação é o primeiro e decisivo passo para a nossa redenção. É justamente isso que a Páscoa comemora.

Há dois importantes aspectos que são celebrados na Páscoa: o confronto entre Deus e o mundo e a apresentação de Cristo para o crente. Na lição de hoje nos dedicaremos ao primeiro aspecto.

1. A realidade da escravidão

A ligação da Páscoa com a saída do povo de Deus do Egito é bastante óbvia. Em nossas celebrações da Páscoa, esse evento é quase tão lembrado quanto a morte e ressurreição de Jesus. De fato, o êxodo é o evento originador da Páscoa. Antes dele nada havia para Israel celebrar. Em Deuteronômio 16.1, Moisés diz: “Guarda o mês de abibe e celebra a Páscoa do Senhor, teu Deus; porque, no mês de abibe, o Senhor, teu Deus, te tirou do Egito, de noite”.

Durante mais de uma centena de anos (alguns calculam 200 anos) o povo hebreu esteve subjugado à escravidão no Egito, a maior nação do mundo naquela época. Essa escravidão ia aumentando em seu horror à medida que os egípcios viam que não conseguiam interromper o crescimento do povo hebreu. Em certo período, Faraó chegou a ordenar que os meninos hebreus que nascessem fossem jogados no rio Nilo para morrer. O pior de tudo é que o povo estava completamente longe do Deus que chamou e abençoou seus pais e fez extraordinárias promessas a eles. Você pode imaginar quão intensas eram a dor e a angústia que esse povo tinha de enfrentar.

Não só imaginamos, mas experimentamos uma escravidão muito mais intensa. Todos nós nascemos escravos da morte e do pecado (Jo 8.34).

Vivemos sobre o terrível poder de Satanás, o príncipe desse mundo. Jesus declarou que esse tirano só procura roubar, matar e destruir (Jo 10.10). Ele vivia a nos aterrorizar pelo pavor da morte (Hb 2.14-15) e diariamente nos acusava diante de Deus (Jó 1.9-11; 2.4-5; Zc 3.1; Ap 12.10).

A Bíblia também ensina que antes de conhecer a Cristo nós éramos escravos desse mundo e da carne (Ef 2.1-3). Muitas vezes não temos dimensão das algemas que nos prendiam a este mundo. Essa escravidão atingia os nossos pensamentos, entendimento, coração e ações (Ef 4.17-19). Esse poder é tão forte que Paulo afirmou: “eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto” (Rm 7.14-15).

A condição do homem é tão precária que ele nem mesmo se dá conta da miséria a que está submetido. Ele se arma de estratégias para encobrir sua desgraça e sua dor. Diversões, baladas, bebidas, drogas, prostituição, pornografia em diversos níveis e tantas outras coisas são usadas para anestesiar a consciência (1Tm 4.1-2). Aqueles que praticam essas coisas parecem estar curtindo a vida, mas, na verdade, estão apenas aprofundando seu estado de morte (Pv 16.25; 22.5).

A escravidão no Egito é uma demonstração clara da escravidão a que todo o homem está submetido, desde o seu nascimento até a sua morte.Mas essa situação estava para mudar. Tanto física quanto espiritualmente.

Depois de preservar a vida de Moisés e dar a ele uma formação especial no próprio palácio de Faraó; após tê-lo deixado por sua própria conta no deserto de Midiã, Deus se apresentou a Moisés e anunciou que descera para libertar o seu povo (Êx 3.6-8).

2. Quem é o Deus do Êxodo?

No diálogo entre Deus e Moisés, registrado em Êxodo 3 e 4, várias características de Deus são apresentadas, algumas, de certo modo, pela primeira vez.

A. Deus santificador

Quando Moisés se aproximava para ver a sarça ardente, Deus o advertiu: “tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa” (Êx 3.5). Desde então, a santidade foi um tema constante na vida de Moisés. Em muitos aspectos, Moisés e o povo aprenderam que o Senhor era um Deus Santo, que requeria a santificação do seu povo. Ele afirmou: “Eu sou o Senhor, que vos faço subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus; portanto, vós sereis santos, porque eu sou santo” (Lv 11.45). Essa é a única forma de manter comunhão com Deus. Um requisito básico para que alguém seja verdadeiramente livre.

B. Deus fiel à suas promessas

Ao se apresentar, Deus afirmou seu relacionamento com os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. Essa não é uma referência casual. O relacionamento de Deus com seu povo, não estava começando naquele momento. Ele tinha raízes antigas e profundas. Tinha base no fato de que Deus, séculos antes, escolheu homens, transformou-os e fez a eles promessas de salvação para sempre. Ele seria o Deus deles e de sua descendência. Por isso, fiel aos seus propósitos redentores e às promessas que fez, o Senhor se dispôs a libertar os hebreus do Egito.

C. Deus compassivo

A terceira característica apresentada no texto é a compaixão divina. “Certamente vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento” (Êx 3.7).

Não eram apenas os compromissos passados que traziam Deus ao Egito. Deus afirmou sua proximidade com o seu povo e seu interesse pelo seu bem estar. A majestade divina não o impede de se aproximar do homem nem de cuidar dele (Is 57.15).

D. Deus que se utiliza de servos

Deus não está apenas anunciando a Moisés o que faria. Ele está comissionando Moisés para realizar a obra redentora: “Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito” (Êx 3.10). A obra é de Deus e somente ele pode realizá-la, mas aprendemos aqui que Deus a realiza enviando e capacitando os seus servos, dando-lhe condições naturais e espirituais para fazer aquilo que é impossível aos homens (Mc 10.26-27). Ao conhecermos Deus, somos convocados para a sua obra, por isso somos chamados de servos.

E. Deus que deseja ser adorado

Nessa mesma linha acerca do serviço, Deus anuncia a Moisés que o capacitaria a libertar o povo hebreu da escravidão no Egito para que este fosse servir a Deus (Êx 3.12). No verso 18, esse propósito é descrito como sacrificar ao Senhor e em 5.1, Moisés se refere à celebração de uma festa no deserto. Ainda que o serviço a Deus não se resuma à adoração (1Sm 15.22), ela é um claro sinal de que somos servos de Deus (Sl 50.23). O crente que não tem prazer no culto que é prestado ao Senhor, certamente não se agradará dele nas demais áreas de sua vida.

F. Deus eterno

A sexta característica a ser destaca é a eternidade de Deus. Nos versos 14 e 15, Deus revela o significado sublime de seu nome. Ele é o que é. É o Deus dos ancestrais dos hebreus e é o Deus das gerações futuras. O tetragrama YHWH, normalmente registrado como SENHOR em nossas Bíblias, é a marca de um Deus que não muda, que não é novo nem antigo, um Deus que não é ultrapassado nem progressista, um Deus que simplesmente é por todas as gerações.

G. Deus poderoso

Por fim, Deus reafirma sua mão forte. “Portanto, estenderei a mão e ferirei o Egito com todos os meus prodígios que farei no meio dele; depois, vos deixará ir” (Êx 3.20). Ao libertar Israel, Deus demonstra seu supremo poder diante de todos os poderes deste mundo (estudaremos isso na próxima seção).

H. Quem vê a mim, vê ao Pai

Facilmente verificamos em Jesus essas características divinas. Sua encarnação teve como propósito a nossa redenção (Lc 19.10). Seu caráter santificador foi afirmado em João 13.8; 15.3. Seu caráter fiel é visto no modo como ele cumpriu todas as profecias registradas no Antigo Testamento (Lc 4.21). Sua compaixão e preocupação são vistas no modo como ele tratava as multidões (Mt 9.35-36). Os discípulos de Jesus foram comissionados e capacitados para ir por todo o mundo pregando o evangelho (Mt 28.19-20). Como Deus, ele deseja a adoração (Jo 16.14; 17.5), sua eternidade é afirmada (Hb 13.8), tanto quanto o seu poder (Mt 3.11).

Assim percebemos que todas as características mostradas a Moisés são plena e perfeitamente vistas em Jesus Cristo. É por isso que João pode afirmar: “e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14).

3. O poder de Deus

No que diz respeito ao Egito, o Senhor mostrou sua supremacia sobre os poderes dos magos, de Faraó e dos deuses do Egito. Esse foi um contundente prenúncio do confronto entre Cristo e os poderes desse mundo e da vitória final de nosso redentor.

A. É maior que o dos sábios deste mundo

Quando chegou ao Egito, Moisés começou a demonstrar os poderes que Deus havia concedido a ele e encontrou a oposição dos magos que serviam Faraó. Podemos considerar esses magos como os sábios e entendidos desse mundo que pretendem sobrepor-se à Palavra de Deus.

Quando transformou sua vara em serpente, os magos fizeram o mesmo. Contudo, a serpente de Moisés devorou as demais (Êx 7.10-12). Quanto ele tornou em sangue as águas do Nilo, os magos fizeram o mesmo e contribuíram para endurecer o coração de Faraó (Êx 7.22). Quando Moisés fez as rãs se multiplicarem pela terra, os magos fizeram mais rãs aparecerem, mas não foram capazes de retirá-las (Êx 8.7-8). Mas a sabedoria deste mundo é louca e inútil. Na terceira praga, os magos reconheceram sua derrota. Não puderam imitar Moisés e disseram a Faraó: “Isto é o dedo de Deus” (Êx 8.18-19).

A Escritura ensina que pela loucura da pregação da cruz de Cristo, Deus aniquila a sabedoria dos sábios e dos inteligentes, tornando louca a sabedoria deste mundo (1Co 1.18-21). Esse foi o motivo da exultação de Jesus(cf. Lc 10.21).

Há também em nossos dias, muitos que se julgam sábios e entendidos. Eles se chamam de cientistas, filósofos, teólogos, consultores, comentaristas etc. Boa parte deles acha que pode confrontar e sobrepujar a sabedoria divina. Contudo, logo seu conhecimento encontra limites e passa. Enquanto isso, a Palavra de Deus permanece para sempre.

B. É maior que o dos governantes deste mundo

Quando Moisés compareceu diante de Faraó solicitando a liberação do povo, Faraó respondeu: “Quem é o Senhor para que lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir a Israel” (Êx 5.2). Em resposta a essa afronta, o Senhor disse a Moisés que humilharia Faraó, mostrando que os reis desta terra não podem prevalecer diante do Rei dos reis (Êx 6.1).

O coração do Faraó seria endurecido até que toda a ira de Deus recaísse sobre ele e sobre o Egito (Êx 9.14-16). Foi por isso que Deus permitiu que os magos, até certo ponto, pudessem imitar os feitos de Moisés, e quando, diante da manifestação do poder de Deus, o coração de Faraó não conseguiu mais resistir, o próprio Deus o endureceu para que a arrogância daquele governante fosse completamente abatida (Êx 9.12; 10.20, 27; 11.10).

Diante das autoridades judaicas que o condenavam injustamente, Jesus afirmou: “Respondeulhe Jesus: Tu o disseste; entretanto, eu vos declaro que, desde agora, vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu” (Mt 26.64). O mesmo é afirmado por João em Apocalipse 1.7 sobre todos os povos. É essa autoridade de Jesus no céu e na terra que deveria manter a tranquilidade dos discípulos quando fossem levados diante de reis e governadores (Lc 21.12-15). É por ela que ele vencerá todas as nações reunidas por Satanás contra ele no final dos tempos (Ap 20.7-10).

C. É maior do que o poder dos deuses deste mundo

“A nossa luta não é contra o sangue e a carne e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal” (Ef 6.12). É por isso que Deus anunciou a Moisés: “Executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor” (Êx 12.12).

Cada uma das pragas revelou o poder de Deus contra as divindades adoradas pelos egípcios. Aqueles ídolos não eram nada. Somente o Senhor detém todo o poder sobre a criação e é o único capaz de abençoar ou amaldiçoar verdadeiramente.

Da mesma maneira, encontramos Jesus vencendo os inimigos da humanidade. Ele, por meio da Palavra de Deus, triunfou sobre Satanás durante a tentação no deserto. Com sua morte, ele julgou o príncipe deste mundo (Jo 12.31; 16.11), destruiu o seu aterrorizador poder sobre nós (Hb 2.14-15) e cancelou o escrito de dívida que pesava sobre nós (Cl 2.13-15). Uma vez ele expulsou Satanás do céu (Lc 10.18; Ap 12.9), agora o mantém preso e sob controle (Lc 11.20-22; Ap 20.2), e no final dos tempos o lançará, juntamente com a besta e o falso profeta, no Lago de Fogo e Enxofre (Ap 19.19-20; 20.10).

Um a um o Senhor Jesus já venceu todos os seus inimigos e os colocou debaixo de seus pés. Quando chegar o dia glorioso de sua volta, ele consumará tudo, entregando o reino para o Deus e Pai e então nosso Deus será tudo em todos (1Co 15.24-28).

Conclusão

Pudemos ver quão especial é a celebração da Páscoa para o povo de Deus. Como marco inicial da obra da redenção, a Páscoa nos lembra o peso da escravidão a que estávamos submetidos desde o nosso nascimento. Lembra-nos também que um Deus santo, fiel, compassivo eterno e poderoso veio, na pessoa de Jesus Cristo, em nosso socorro para nos santificar e nos chamar para a adoração e o serviço do reino. E anuncia que Deus confrontará e vencerá cada um dos poderes deste mundo e dos inimigos de seu povo até que todos estejam vencidos debaixo de seus pés. Cumpre-nos, com toda a alegria, celebrar a redenção que nos foi concedida por Jesus.

Aplicação

Você tem consciência dos efeitos e da miséria que o pecado causa na vida do homem? Que segurança o conhecimento sobre os atributos de Deus e a intervenção redentiva que ele faz na história da humanidade traz a você? Se você já desfruta das bênçãos da redenção, como você expressa sua gratidão a Deus por tão grande livramento do pecado? Como você pode melhorar isso?

Autor da lição: Dario de Araújo Cardoso
>> Lições adaptadas do livro Encontrei Jesus numa festa de Israel, de John Sittema, Editora Cultura Cristã. Publicada com permissão.

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Um comentário para “Páscoa: Deus se apresenta ao mundo”

  1. Luiz Carlos dos Santos 9 de maio de 2015 at 19:06 #

    Uma otima lição que mostra a condição precaria do homem, e Jesus Cristo é nosso socorro para nos santificar e nos chamar para adoração do nosso bom Deus, e temos que celebrar a redenção que nos foi concedida.

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