Igreja: com os pés sujos e o coração limpo

Igreja: com os pés sujos e o coração limpo

SÉRIE REVISTA ULTIMATO
Artigo: “Da missão transcultural à missão integral”, de René Padilla

Texto básico: Atos 2. 42-47

Textos de apoio
– Levítico 19. 1-10
– Isaías 1. 11-17
– Zacarias 7. 1-10
– Mateus 25. 31-46
– Gálatas 2. 8-10
– Tiago 2. 8-17

Introdução

É preciso continuar perseguindo, nas igrejas cristãs brasileiras, o desenvolvimento cada vez mais amplo da reflexão e da prática de uma vivência missionária integrada. Ou seja, buscarmos uma compreensão cada vez mais profunda de que a experiência missionária da igreja, ou o testemunho público do evangelho, não pode ficar circunscrito a determinados “eventos evangelísticos”, muitas vezes ocasionais, que acabam substituindo o que a igreja deve ser e fazer todo o tempo e o tempo todo.

As várias dimensões do viver comunitário de uma igreja estão interligados, e cada expressão deste viver, em consonância com os valores do Reino de Deus, é utilizada pelo Espírito Santo para que o nome de Jesus seja mais conhecido e adorado em nossos bairros e cidades.

Ainda há muitos desafios a serem vencidos nesta caminhada de compreensão e prática  de uma ação missionária mais integral. Mas também há avanços e conquistas, pelos quais precisamos agradecer a Deus. E somos convidados a uma constante e santa inquietação que nos tire de toda e qualquer “acomodação programática evangelística”, deixando de perceber a imperiosa necessidade de integração entre o que a igreja é e o que a igreja faz. É preciso sujar os pés, mantendo o coração purificado. Só assim estaremos aptos, pessoal e comunitariamente, para cumprirmos o mandamento de Jesus de sermos sal e luz para a nossa cidade, influenciando as pessoas para que elas vejam as coisas boas que fazemos, e assim glorifiquem o nosso Pai, que está nos céus (Mateus 5. 16)! Que Deus nos ajude.

 

Para entender o que a Bíblia fala

  1. Lucas, autor do livro de Atos, nos oferece uma descrição da primeira comunidade cristã, logo após o marcante evento da descida do Espírito Santo, no dia de Pentecostes (Atos 2. 1-13). A primeira marca daquela comunidade, segundo Lucas, era a perseverança no estudo bíblico, sob a liderança dos apóstolos (v. 42). Mas, se eles haviam recebido o dom do Espírito Santo (v. 38), por que ainda precisavam receber instruções sobre as Escrituras? Como isso poderia ajudá-los a entender ou discernir a sua missão como igreja do Senhor?
  1. Aqueles primeiros cristãos também eram perseverantes nas atividades comunitárias que davam expressão à sua nova espiritualidade ou vida interior – comunhão, eucaristia (“partir do pão”) e prática da oração (v. 42). E como é destacado no v. 46, isso era feito tanto de maneira formal (“no pátio do templo”) como informal (“em suas casas”); e havia espaço tanto para a reverência (“sinceridade de coração”) quanto para a espontaneidade (com “alegria”). De que maneira essa vida tão próxima e dinâmica ajudava a igreja a identificar e suprir suas reais necessidades (vv. 44-45)?
  1. Apesar de viverem sob incertezas e enfrentando necessidades, o que a expressão “louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo” (v. 47) revela sobre o testemunho público daquela comunidade? Por que o povo da cidade de identificava com eles?
  1. O final do v. 47 deixa claro que aquela igreja também se dedicava à difusão do evangelho (evangelização), ou seja se preocupava também com “os de fora”. Lucas não se preocupa em detalhar métodos ou práticas de ação, mas enfatiza dois elementos fundamentais na evangelização cristã. Quais são esses elementos? Quem era o protagonista principal (embora não exclusivo) em todo esse processo? A evangelização era uma atividade ocasional ou esporádica?
  1. Após pensar em todos estes elementos, e em sua inevitável conexão, como você acha que aqueles cristãos de Jerusalém chegaram ao entendimento de que todas as expressões de suas vidas (material, social, espiritual…) deveriam ser igualmente contempladas em sua experiência, ou seja, deveriam fazer parte do seu escopo missionário?

Hora de Avançar

A missão pode ou não envolver um cruzamento de fronteiras geográficas, mas em todo caso tem a ver primordialmente com um cruzamento da fronteira entre a fé e a não fé, seja na terra natal – at home – ou no exterior – mission field –, em função do testemunho acerca de Jesus Cristo como Senhor da totalidade da vida e de toda a criação.[…] Em outras palavras, cada igreja, seja qual for a sua localização, é chamada a participar na missão de Deus – uma missão que tem um alcance local, um alcance regional e um alcance mundial –, começando em sua própria “Jerusalém”.
(René Padilla)

Para pensar

O capítulo 2 do livro de Atos, que tem como marco a dádiva do Espírito Santo no dia de Pentecostes, está dividido em três partes: o evento  em si (vv. 1-13), a explicação de Pedro, cheio do Espírito, sobre o que tinha acontecido (vv. 14-41), e os efeitos produzidos pela presença do Espírito Santo na comunidade cristã de Jerusalém (vv. 42-47). Assim, o protagonismo todo pertence ao Espírito Santo.

John Stott comenta: “Não precisamos esperar, como os cento e vinte, pela vinda do Espírito Santo. Pois o Espírito Santo veio no dia de Pentecostes, e nunca mais deixou a sua igreja. Nossa responsabilidade é nos humilharmos diante de sua autoridade soberana, decididos a não apagá-lo, mas a lhe dar toda a liberdade. E então nossas igrejas irão manifestar, novamente, as marcas da presença do Espírito que muitos jovens estão buscando especialmente: ensino bíblico, comunhão em amor, adoração viva e uma evangelização contínua e ousada” (A Mensagem de Atos, ABU Editora, 1994, p. 93).

O que disseram

Todos os ministérios da igreja têm uma dimensão evangelística. Não se deve confundir evangelização com as múltiplas tarefas missionais da igreja. Não obstante, é necessário reconhecer o potencial evangelístico de todas estas tarefas. A congregação evangelística (isto é, a igreja como base da evangelização) não é apenas uma que se mantem “ocupada” com atividades evangelísticas especiais, mas uma que descobre a dimensão evangelística de tudo que é e que é chamada a fazer, e não hesita em fazê-lo.
(Orlando Costas, Proclamar Libertação, Garimpo Editorial, 2014, p. 221)  

Para responder

  1. Considerando os vários aspectos que, segundo Lucas, faziam parte daquela comunidade cristã em Jerusalém, procure refletir qual destas áreas (ensino das Escrituras, comunhão amorosa, adoração criativa, testemunho público do evangelho…) precisa ser mais desenvolvida em sua igreja local. Como você, com a ajuda de Deus, poderia se envolver mais e contribuir para este desenvolvimento?
  1. Você considera que a sua comunidade cristã conta com a simpatia das pessoas do seu bairro, ou da sua cidade? Em outras palavras, essas pessoas sentiriam falta da sua igreja caso ela se mudasse para outro lugar? Por que sim, ou por que não?

Eu e Deus

Pai, concede-nos sabedoria para te conhecer, zelo para te buscar, um coração disposto a meditar sobre ti, uma vida disposta a anunciar-te, no poder do Espírito do nosso Senhor Jesus Cristo.
(Ambrósio, 340-397, bispo de Milão) 

Autor do estudo: Reinaldo Percinotto Júnior
Este estudo bíblico foi desenvolvido a partir do artigo “Da missão transcultural à missão integral”, de René Padilla, publicado na edição 363 da revista Ultimato.

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2 Comentários para “Igreja: com os pés sujos e o coração limpo”

  1. robson santos sarmento 17 de novembro de 2016 at 22:31 #

    ”Os cristãos necessitam urgente e urgentíssimo retornar ao discipulado e compreender que, embora ainda não tenhamos o Reino de Deus, aqui, consumado, devemos lutar para o ter, através do serviço, da confissão, do compromisso e da busca pela vida, em favor do próximo.”

  2. Paulo Frizan 21 de dezembro de 2016 at 21:30 #

    com esses estudos vou aprender mas de Deus

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