Por que Cristo morreu?

POR QUE CRISTO MORREU?

 

 

Texto básico:  João 10.11-18

Texto devocional:  Isaías 52.1-15

Versículo-chave: Gálatas 2.20
“Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”

Leia a Bíblia diariamente:
Segunda: Jo 3.14-18
Terça: Rm 2.25-29
Quarta: Is 52.10-15
Quinta: 1 Co 15.1-6
Sexta: Gl 5.1-6
Sábado: 1 Tm 6.1-18
Domingo: Tg 1.12-17

 

INTRODUÇÃO

Geralmente quando há um crime, a Justiça determina que se faça um traba­lho de investigação para que sejam encontrados os responsáveis. Façamos uma investigação nas Escrituras para descobrir quem são os responsáveis pela morte de Cristo.

Por que Cristo morreu? Quem foi o responsável pela Sua execução? Quem são os suspeitos? E nós, quanto estamos envolvidos com a Sua morte? Qual é a nossa responsabilidade? Olhando pelos olhos de Deus, vejamos a nossa participação. A morte de Jesus foi um acidente? Ou será que fazia parte dos propósitos de Deus Pai? Conheçamos os responsáveis.

I. Pilatos, o governador: por conveniência

1. Era governador romano na província da Judeia. Ele quis agradar aos judeus, entregando-lhes Jesus (Mc 15.15).

2. Estava convicto da inocência de Jesus (Lc 23.4; Jo 18.38; 19.4-5)

3. A mulher de Pilatos o havia avisado: “Não te envolvas com esse justo” (Mt 27.19).

4. Tentou libertar Jesus. Vejamos como:

– enviando-O a Herodes (Lc 23.5-12);
– usando meias medidas (Lc 23.16-22);
– tentando soltá-Lo através de voto popular (Lc 23.20);
– tentando protestar a Sua inocência (Mt 27.24).

5. Pilatos, por fim, cedeu à pressão e entregou Jesus para ser crucificado (Lc 23.23-25). Quis contentar a multidão (Mc 15.15).

“É fácil condenar a Pilatos e passar por alto nosso próprio comportamento igualmente tortuoso. Ansiosos por evitar a dor de uma entrega completa a Cristo, nós também procuramos subterfúgios. Deixamos a decisão para alguém mais, ou opta­mos por um compromisso morno, ou procuramos honrar a Jesus pelo motivo errado (como mestre em vez de Senhor), ou até mesmo fazemos uma afirmação pública da lealdade a Ele, mas ao mesmo tempo O negamos em nossos corações” – Stott.

 

II. Os sacerdotes judeus: por inveja

1. Os sacerdotes entregaram Jesus a Pilatos

Eles O acusaram de subversivo e exigiram a crucificação. Jesus destacou a culpa deles ( Jo 19.11).

2. Jesus incomodava os sacerdotes

– Deixava-Se chamar de Mestre (Mt 19.16; 26.49).
– Festejava com publicanos (Mt 9.10-11).
– Curava no sábado (Mt 12.1-8).
– Denunciava a hipocrisia (Mt 23.27).
– Causava inveja (Mt 27.18).
– Encurralava os sacerdotes, deixando-os sem saída (Mc 11.28-30).
– Tinha autoridade para ensinar, expelir demônios, perdoar pecados e julgar o mundo, mas os sacerdotes não tinham essa autoridade.

“A mesma paixão maligna influencia nossas atitudes contemporâneas para com Jesus. Ele ainda é, como O denominou C.S.Lewis, ‘um interferidor transcendental’. Ressentimo-nos de Suas intrusões à nossa vida privada, Sua exigência de nossa homenagem, Sua expectativa de nossa obediência. Por que é que Ele não cuida de Seus próprios negócios, perguntamos petulantemente, e nos deixa em paz? A essa pergunta Ele instantaneamente responde dizendo que nós somos o Seu negócio e que jamais nos deixará sozinhos. De modo que nós também vemo-Lo como um rival ameaçador, que perturba nossa paz, mina autoridade e diminui nosso autorrespeito. Nós também queremos eliminá-Lo” – Stott.

 

III. Judas Iscariotes: por dinheiro

1. A traição de Jesus por Judas (1Co 11.23)

a) Judas seria um escolhido para o mal? (Lc 22.3; Jo 17.12; At 1.15-17). Entretanto nada disso exonera Judas. Ele era um agente livre. Podia não ser ele.

b) Ele se expôs à vontade de Satanás ( Jo 13.25-30). A traição foi odiosa (Mc 14.21).

c) O suicídio de Judas foi um atestado de culpa.

2. Qual o motivo da traição? Ganância

a) Judas vendeu Jesus (Mt 26.6-16; Mc 14.3-11).

b) Judas amava o dinheiro (Lc 12.15; 1Tm 6.10 NVI).

 

Aplicação

Não é por acaso que Jesus disse que devemos nos acautelar de toda a cobiça, ou que Paulo declarou que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (Lc 12.15; 1Tm 6.10 NVI). Muitos se deixam subornar (Am 2.6). Mas o cristão não deve ser amante do dinheiro (1Tm 3.3,8; Tt 1.7).

 

IV. O próprio Senhor Jesus: por amor

1. Jesus Se identificou com os pecadores o tempo todo.

2. Jesus Se recusou a desviar-Se da cruz.

3. Jesus predisse a Sua morte (Mt 17.23).

4. Jesus deu a Sua vida ( Jo 10.11,17-18).

5. Jesus Se entregou por nós (Gl 2.20; Ef 5.2,25).

6. Deus O entregou por amor (Rm 8.32).

“É essencial que conservemos juntos estes dois modos complementares de olhar a cruz. No nível humano, Judas O entregou aos sacerdotes, os quais O en­tregaram a Pilatos, que O entregou aos soldados, os quais O crucificaram. Mas, no nível divino, o Pai O entregou, e Ele Se entregou a Si mesmo para morrer por nós. À medida que encaramos a cruz, pois, podemos dizer a nós mesmos: ‘Eu O matei, meus pecados O enviaram à cruz’; e: ‘Ele Se matou, Seu amor O levou à cruz’. O apóstolo Pedro uniu as duas verdades em sua admirável afirmativa do dia de Pen­tecostes: ‘Sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mão de iníquos’ – At 2.27. Assim, Pedro atribuiu a morte de Jesus simultaneamente ao plano de Deus e à maldade dos homens. Pois a cruz, que é a exposição da maldade humana, como temos considerado em particular neste capítulo, é ao mesmo tempo a revelação do propósito divino de vencer a maldade humana assim exposta” – Stott.

 

Conclusão

Por que Cristo morreu? Morreu pela responsabilidade de Judas, dos sacerdotes e de Pilatos. Contudo, o que se conclui é que Jesus foi à cruz voluntária e deliberada­mente. Ele Se consagrou a esse destino. Ele Se identificou com os pecadores e morreu por eles. De fato, o bom Pastor dá a Sua vida pelas ovelhas ( Jo 10.11). Grande deve ser a nossa gratidão.

—  Autor da lição: Pr. Luiz César Nunes de Araújo
>> Estudo publicado originalmente pela Editora Cristã Evangélica, na revista “A Cruz de Cristo”, da série Adultos. Usado com permissão.

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7 Comentários para “Por que Cristo morreu?”

  1. Eduardo 24 de setembro de 2014 at 8:26 #

    O porquê Cristo morreu, é uma impossibilidade. Quem morreu não foi uma título, mas uma pessoa, Jesus.

    Em segundo lugar toda a construção jurídica foi correta, tempestiva, e não há como fugir do fato de que tanto os Judeus quanto Herodes e outros seguiram a risca o direito Romano.

    Quando o texto bíblico tenta desconstruir isso, faz por motivos teológicos, por exemplo, Jesus morreu na cruz voluntariamente. Os evangelhos parecem conduzir a essa voluntariedade dele, mas sobretudo a leitura de que o que ocorreu foi uma construção que vinha desde o Velho Testamento de que o cordeiro de deus seria imolado (palavra usada no sacrifício).

    Assim, quando o autor deste estudo bíblico declara:

    1. Que assim como a Justiça determina um ‘trabalho de investigação’, quer o autor fazer uma investigação nas Escrituras, esquecendo que se entrar por aí pode levar o ‘réu’ à possibilidade de ser inocentado. O que o autor do estudo bíblico certamente não quer. Portanto ele procederá à uma ‘investigação’ fajuta’.

    2. Quando faz as perguntas — por qual razão Cristo morreu (ele quer dizer Jesus), as perguntas são retóricas, “Ou será que fazia parte dos propósitos de Deus Pai?”.

    3. Eu, Eduardo, não faço parte desse tipo de arranjo teológico que vara os séculos e desconhece que há outros. Eu não sou culpado, eu não participei desse ato de aplicabilidade de justiça tanto Judaica (à época), quanto de Justiça Romana. Eu não faço parte dessa visão de que o Filho de Deus veio para pagar pelos meus pecados. Felizmente há outras explicações que fazem justiça ao caráter de Jesus, chamado o Cristo, e a sua enorme obra como o Filho de Deus.

    • Daniel marques da Silva 24 de outubro de 2014 at 13:00 #

      Recomendo Eduardo, que leia a “Cruz de Cristo” de John Stott para mais esclarecimentos.
      Abraço
      Daniel

      • Eduardo 30 de outubro de 2014 at 5:29 #

        Obrigado.
        Não leio, porém, fontes secundárias.
        Grato.
        Eduardo

  2. Eduardo 24 de setembro de 2014 at 8:59 #

    Assistia agora a pouco a CNN quando entrou em cena uma cruz e um cidadão da cidade islâmica de Raqqa na Síria dominada por extremismo, sendo crucificado.

    Minha esposa que passava na hora ficou horrorizada, chocada, absolutamente translúcida, não tanto pela cena, mas pelo imaginário que ela sabia que ia acontecer com o pobre homem quando a própria CNN cortou a cena.

    Minha esposa é uma mulher profundamente cristã. Ou melhor, ela é profundamente cristã com o pendor para uma forma e interpretação da cruz, por exemplo, como algo ‘substitucionário’: Jesus no lugar dela!

    Quando, porém, viu a cena, ela não conseguiu na hora fazer a conexão da realidade com o ‘modelo teológico’ que ela abraça.

    Milhões de cristãos em todo mundo tomam a cruz como uma interpretação teológica, seguindo de perto o que os evangelistas parecem dizer sobre aquele ato de tortura Romano, talvez o mais ignóbil imaginário.

    Mas a visão da minha esposa é muito mais teológica. Ela acredita piamente no caráter substitucionário: alguém tomou o lugar dela.

    O Cristianismo tem como um de seus fundamentos a memória da cruz como algo totalmente ignóbil, terrível e inqualificável. Só não entende, muitos cristãos, especialmente o evangélico brasileiro, que o caráter substitucionário toma o lugar de alguém coberto de pecado, quando um dos sentidos, quiçá, o mais profundo, seja o caráter de injustiça total diante da totalidade de um Deus que, como declara o Cristianismo, cuida e protege.

    A cruz é a expressão da mais absoluta injustiça, grotesca, ainda que os Judeus e os Romanos tenham feito tudo de acordo com a lei.

    Mas o evangélico brasileiro, como a minha esposa, pensa sempre em como uma desgraça daquela redunda em benefício para ela!

    Minha esposa, teologicamente falando, é a maior consumerista da hora! E com ela a maior parte dos leitores de ULTIMATO.

    Ela só não esperava, ao ver o quadro do sujeito pendurado na cruz, algo tão absurdo, ignóbil e grotesco.

    Ela estava confortável com a sua teologia substitucionária, e os Islamistas de Raqqa na Síria estragaram tudo!

    • vanilson 14 de dezembro de 2015 at 14:00 #

      Jesus morreu para dar exemplo aos judeus de como deveriam se comportar frente ao Império Romano – ou seja, a morte de Jesus foi a consumação de um mero exemplo de vida abnegada, altruísta e eticamente correta aos olhos da sociedade;
      – Jesus morreu para derrotar o diabo. Com Sua morte, Ele desceu ao inferno, enfrentou o diabo, o derrotou e tomou de suas mãos as vidas das pessoas;
      – Jesus morreu apenas para pagar os pecados dos homens. Como o homem pecou e o salário do pecado é a morte, o homem deveria morrer eternamente. Entretanto, Jesus subiu à cruz e tomou sobre si o salário que deveria recair sobre o homem, a saber, a morte.

      Entretanto, olhando para o texto que fala sobre a ceia, percebemos que Jesus morreu por um motivo ainda mais sublime, muito além de apenas destruir o poder do diabo sobre as pessoas ou sofrer em si mesmo a condenação do pecado do homem. Sobretudo, Jesus morreu para formar um povo que verdadeiramente viva em unidade. Jesus morreu porque os homens estavam divididos, presos aos seus próprios egoísmos e buscando os seus interesses individuais. Então, para formar um povo diferente e que viva em real unidade, Jesus entregou Sua vida.

      Esse é o argumento exposto por Paulo em I Coríntios 11.17-34. Nesse texto, ao falar da Ceia do Senhor, Paulo a coloca dentro do contexto da unidade. A Ceia foi instituída para que, dentre outras coisas, as pessoas se lembrassem de que Jesus morreu por elas para que juntas fossem um só povo; para que, de todos os povos e gentes, nações e etnias, línguas e costumes, um único povo que ande em unidade fosse formado.

      Mas qual é o contexto da passagem acima citada? O que estava acontecendo para que Paulo escrevesse esse texto?

      Segundo Paulo (v.17), as reuniões e cultos dos coríntios não estavam sendo nada proveitosas. Eles não se ajuntavam para aquilo que era útil, mas sim para o que era inútil. Elas não edificavam, mas sim, destruíam. Ao invés de trazerem bênção, as reuniões estavam trazendo maldição sobre as pessoas que participavam. Logo em seguida (v.18), Paulo apresenta o motivo pelo qual aquelas reuniões não edificavam. O problema girava primeiramente em torno das divisões que existiam dentro da igreja (I Co 1.10-12). Segundo Paulo, aquela existência de partidos e de opiniões diversas, em última análise, era boa porque no meio daquelas contendas e rixas ficava evidenciado quem de fato pertencia a Deus, e quem não pertencia; quem era aprovado e quem não era.

      Aprovado (Dokimos) = Aquele que passa pelo teste de fogo e é aprovado.

      Depois de apresentar o motivo primeiro pelo qual aquelas reuniões não eram abençoadas, e também depois de uma breve reflexão sobre os aprovados, Paulo se volta para o motivo específico pelo qual aqueles ajuntamentos não eram para melhor, e então ele fala da ceia do Senhor (v.20). Ele diz que as pessoas que estavam ali se reunindo imaginavam que iriam participar da ceia do Senhor. De fato, os elementos da ceia até mesmo se achavam presentes, o pão e o vinho. Contudo, apesar de toda aquela preparação, de maneira alguma, afirmava Paulo, as pessoas se reuniam para a ceia do Senhor – aquela ceia não pertencia a Jesus (v.21).

      Naquele tempo, como revela o texto de Judas 12 e também testemunham os pais da igreja, a ceia do Senhor acontecia em meio a uma festa em que cada um dos participantes levava comida. Nessas refeições comuns, os ricos a traziam e a compartilhavam com os pobres, assentando-se com eles em uma mesa comum. Contudo, tudo indica que essa festa começou a sofrer corrupção. Os ricos já não mais esperavam pelos mais pobres, que por serem em sua maioria escravos, não tinham como chegar antecipadamente, e comiam toda a refeição que traziam. Como se isso não bastasse, os ricos bebiam em demasiado até a embriaguez, enquanto os pobres passavam fome. Isso era uma evidente demonstração de egoísmo e soberba – as pessoas disputavam para verificar quem era melhor, mais rico ou mais “abençoado”.

  3. Misael Alves do Nascimento 25 de março de 2016 at 7:18 #

    João 6
    …53Então Jesus os advertiu: “Em verdade, em verdade vos afirmo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida dentro de vós. 54Todo aquele que comer a minha carne e beber o meu sangue tem vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia. 55Pois a minha carne é verdadeira comida, e meu sangue é verdadeira bebida. …

    São palavras da Salvação. Amém

  4. Luiz Moraes 11 de abril de 2017 at 11:01 #

    A verdade só pode ser compreendida espiritualmente pela revelação do Espírito Santo.
    Podemos, pela razão, argumentar de várias formas. Os Evangelhos nos dão os detalhes, causas e informações suficientes para concordar com o texto da Ultimato.
    Pilatos é o político comum e ambicioso. Os religiosos era invejosos e medrosos. Temiam perder o poder e suas mordomias vindas de Roma. Acordos políticos egoístas não cabem no Reino de Deus. Pilatos e Herodes se ajustaram politicamente e assim por diante. Jesus morreu por ser plano Divino? Sim, mas isso não anula todas as injustiças praticadas, nem a ação do traidor Judas. NO MAIS, só a iluminação do Espírito nos fará ver os mistérios e propósitos de Deus. Abraço e Deus nos abençoe.

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