Discipulado: o desafio de transmitir a fé para as novas gerações

Discipulado: o desafio de transmitir a fé para as novas gerações

SÉRIE REVISTA ULTIMATO
Artigo: 
O desafio da transmissão da fé, por Ricardo Barbosa

Texto básico: 2 Timóteo 3

Textos de apoio
– Deuteronômio 6. 4-9
– Salmo 51. 10-13
– Provérbios 6. 20-23
– Mateus 28. 18-20
– Atos 2. 42-47
– 1 Timóteo 4. 11-16

Introdução

Podemos enxergar o desafio da transmissão de nossa fé para os mais novos como um desafio de “formação”. Afinal, não se trata apenas de compartilhar conceitos ou doutrinas, mas muito mais de “educar” novos seguidores de Cristo, que aprendam a obedecer a tudo o que ele nos ensinou (Mateus 28. 20) e que por sua vez se dediquem a formar novos seguidores.

Falar de formação é falar de um processo, contínuo, que envolve todas as dimensões do nosso ser – intelectual, moral, espiritual. Os novos seguidores aprendem com o ensino e, sobretudo, com a prática deste ensino na vida de seus “formadores”. Este processo nunca vai funcionar na base do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

Timóteo, um jovem seguidor de Cristo (1 Timóteo 4. 12), propenso à introspecção (2 Timóteo 1. 6-8) e de frágil saúde (1 Timóteo 5. 23), teve um “formador” de nome Paulo. E experimentou este processo de formação que temos mencionado; um processo integralizador das várias dimensões da vida humana, pois ele seguia de perto não apenas o ensino de Paulo, mas também “a conduta, os projetos, a fé, a longanimidade, a caridade, a perseverança, as perseguições e os sofrimentos” do apóstolo (2 Timóteo 3. 10-11).

Portanto, este é um processo que envolve intimidade, transparência e autenticidade. Não perfeição, pois senão nenhum de nós (incluindo Paulo e, principalmente, Timóteo!) poderia participar dele. Temos nos envolvido neste processo de formação? Quem tem nos formado como seguidores de Cristo? A quem temos “educado” neste processo? Nossa comunidade se preocupa genuinamente com este assunto?                                          

Para entender o que a Bíblia fala

  1. Timóteo, filho na fé e colaborador de Paulo na cidade de Éfeso (1 Timóteo 1. 1-3), já estava vivendo “nos últimos dias” (2 Timóteo 3. 1, 5b), período inaugurado na primeira vinda de Cristo, e que aguarda seu desfecho na volta do Senhor. Nos vv. 2-4, Paulo fornece uma lista geral (sem a pretensão de ser definitiva) contendo as atitudes características das pessoas neste período. Note a primeira e a última atitude listada por Paulo (v. 1, 4). De que maneira elas podem resumir bem toda as demais características? Que evidência temos aqui de que essas pessoas também eram religiosas (v. 5)?
  2. Observe a forma como as pessoas controladas por aqueles líderes religiosos são descritas (v. 6). Por que nos tornaremos vulneráveis às manipulações espirituais e religiosas quando estamos “instáveis, sobrecarregados de pecados e levados por toda espécie de desejos” (v. 6, NVI)?
  3. Ao contrário daqueles líderes, Timóteo deveria se apoiar na influência espiritual de Paulo (vv. 10-13). Por que Timóteo poderia confiar neste apoio? É possível percebermos aqui um “legado integral” por parte do apóstolo? Como?
  4. Paulo não esperava, da parte de Timóteo, fé e confiança cegas. O que ele esperava, e quais as duas razões que ele fornece para isto (vv. 14-15)?
  5. Qual é a origem da Escritura Sagrada, e por que ela é fundamental tanto para o “mestre” quanto para o “aprendiz” (vv. 16-17)?

Hora de Avançar

Diante do desafio de transmitir a fé para novas gerações, precisamos considerar com seriedade três dimensões que demonstram a natureza pessoal de nossa fé em Cristo. A primeira é a necessidade de sermos intelectualmente íntegros.(…) Muitos jovens abandonam a fé porque encontram respostas evasivas aos grandes questionamentos, o que os leva a uma crise de confiança.(…) A segunda é a necessidade de sermos moralmente íntegros. A fé cristã requer de nós uma coragem moral como expressão do caráter transformado que experimentamos em Cristo.(…) A terceira é a necessidade de sermos espiritualmente íntegros. A fé cristã é um chamado para nos relacionarmos com a Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo. O convite de Jesus para segui-lo envolve estar com ele e não somente aprender com ele. (Ricardo Barbosa)

Para pensar

John Stott, em seu comentário (A mensagem de 2 Timóteo, ABU Editora), resume o ensino de Paulo com as seguintes sentenças: guarda o evangelho (cap. 1), sofre pelo evangelho (cap. 2), permanece no evangelho (cap. 3), e prega o evangelho (cap. 4). No terceiro capítulo, portanto, Timóteo é chamado e animado a permanecer com fidelidade no caminho que havia escolhido trilhar, caminho que havia sido pavimentado previamente com a fé de sua família (2 Timóteo 1. 5) e com o ensino e exemplo do apóstolo.

Timóteo havia não apenas ouvido Paulo, mas também presenciado a encarnação daqueles ensinamentos no viver diário e nas reações do apóstolo. Ele devia permanecer firme naquilo que havia aprendido, pois sabia quais tinham sido seus mestres (v. 14).

O que disseram

“Alguém perguntou a Pai Poimen: ‘O que devo fazer com minha alma: ela é insensível e não teme a Deus!’ Ele lhe disse: ‘Vai e junta-te a um homem temente a Deus. Quando dele te aproximares, ele acabará te ensinando a temer a Deus!’” (Apotegma, 639). Aqui não se oferece uma solução fácil, mas mostra-se uma caminhada que poderá durar muitos anos.(…) Assim, quando se trata de dar um conselho, os monges reportam-se à experiência. Não é a teoria, mas sim a vida na prática que nos ensina a viver corretamente, a crer corretamente e a amar corretamente.
Anselm Grun, “A orientação espiritual dos Padres do deserto”, Editora Vozes.

Para responder

  1. Numa dinâmica saudável do discipulado cristão, nós sempre estaremos cuidando de alguém e sendo cuidados por outros. Em outras palavras, sempre estaremos influenciando e sendo influenciados em nossa caminhada. Como tem sido esta dinâmica em sua vida? Quem tem acompanhado e influenciado sua relação com Deus? E como você tem influenciado as pessoas mais novas ou inexperientes do que você?
  2. De que maneiras a minha comunidade cristã pode estar construindo “uma aparência de piedade, mas de fato negando seu poder” (v. 5)? Como transformar essa situação?

Eu e Deus

Senhor Jesus Cristo, quando eu usar teu nome, mantém-me honesto de modo que eu esteja expressando um relacionamento contigo e me comprometendo com uma resposta a tua vontade. Quero que toda a minha vida, não apenas minha boca, expresse teu nome. Amém.
(Eugene Peterson, “Um ano com Jesus”, Ed. Ultimato)

Autor do estudo: Reinaldo Percinotto Júnior

Este estudo bíblico foi desenvolvido a partir do artigo “O desafio da transmissão da fé“, do pastor e colunista Ricardo Barbosa de Souza, publicado na edição 362 da revista Ultimato.

Leia Mais:

O Discipulado na Igreja Local, de Randy Pope (Editora Ultimato).

Print Friendly, PDF & Email

Um comentário para “Discipulado: o desafio de transmitir a fé para as novas gerações”

  1. Kidney Seixas 23 de setembro de 2016 at 2:02 #

    Sensacional. Este estudo me levou a várias reflexões com relação ao meu testemunho de Cristo na ótica da sociedade. Irei compartilhar esse conhecimentos aos meus pares. Obrigado a Ultimato e ao Rev. Ricardo Barbosa.

Deixe um comentário