Se Deus não perdoou seu Filho porque ele se tornou fiador do homem, que esperança pode ter quem não tem fiador? Se a lei divina é tão severa e a justiça tão rigorosa, que só o sacrifício de Cristo consegue apagar a sentença pronunciada contra todo o que tem quebrado essa lei, qual seria a infeliz sorte do pobre pecador que se apresentar perante o tribunal de Deus fiado em seus próprios merecimentos ou nos de qualquer outra criatura?

Há exatos 158 anos chegava ao Brasil, Ashbel Green Simonton, fundador da Igreja Presbiteriana do Brasil, a mais antiga denominação reformada do país.

Em agosto de 1867, ele escreveu: Em poucos dias se completará o sexto ano em que explico a Palavra de Deus nesta Corte.

Por ter descoberto, aos 22 anos, no primeiro semestre de 1855, que era um grande pecador, exposto com justiça à ira de Deus, e que não tinha outro nome nem outro caminho senão Jesus Cristo para ser perdoado e salvo, Ashbel Green Simonton, o primeiro missionário presbiteriano a vir para o Brasil, pregava insistentemente sobre o sacrifício expiatório de Jesus.

Dizia que “o fim principal de pregador deve ser conduzir seu auditório aos pés de Jesus”. Para ele, “o teólogo que se propuser a explicar o caminho da salvação sem ter convicção íntima dessa verdade central [o Salvador é só Jesus] perderá seu trabalho e será um marinheiro que não sabe usar a bússola”. Embora não estivesse falando num encontro de pastores, em seu sermão sobre os meios da graça, Simonton esbravejou: “Ministros de Cristo, lembrem-se disso [a centralidade de Jesus na pregação] cada vez que vocês subirem ao sagrado púlpito!”.

Numa época sem recursos de gravação e conservação, as mensagens orais perdiam-se. Todavia, vários sermões de Simonton foram escritos e publicados na “Imprensa Evangélica” e, depois de sua morte, no livro “Sermões Escolhidos de Ashbel Green Simonton”, publicado por seu cunhado Alexandre Blackford, em Nova York, em 1869.

Algumas frases dos sermões de Simonton na corte podem ser lidas a seguir.

“Foi da vontade de Deus salvar a nossa raça e por isso ele suspendeu a execução de suas leis e publicou um decreto de anistia ou de perdão, sob certas condições.”

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É verdade que Deus é Rei dos reis, Senhor dos senhores, Todo-poderoso, Altíssimo, três vezes Santo, sobremodo tremendo (Sl 111.9) e Deus zeloso que visita a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que o aborrecem (Êx 20.5).
Mas Ele é Pai também e deve ser tratado como tal.

Por que não consideramos Deus Pai? Por que não nos relacionamos com Ele como filhos? Por que não o buscamos como nosso Pai?

Talvez seja por falta de informação ou por informação equivocada – talvez nos tenham comunicado apenas a santidade de Deus, e não a sua misericórdia; talvez só a sua severidade, e não a sua bondade; talvez só o seu castigo, e não o seu perdão. Nesse caso, é necessário romper com a informação incompleta e abraçar novos conceitos, embora tão antigos quanto os primeiros conceitos. A reviravolta pode ser difícil, mas é a única saída.

Jesus fez um esforço constante para nos passar a ideia da paternidade de Deus. Muitas vezes, Ele se dirigia aos discípulos referindo-se sempre a Deus como “o vosso Pai” ou “o teu Pai”. Só no Sermão da Montanha, essa curta expressão aparece quinze vezes, especialmente no capítulo 6 de Mateus (versos 1, 4, 6, 8, 14, 15, 18, 26 e 32).

A palavra mais direta e encorajadora está no modelo de oração que Jesus oferece: “Portanto, orem assim: ‘Pai nosso, que estás no céu…’” (Mt 6.9, NTLH).

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Tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória por vir a ser revelada em nós (Romanos 8.18)

O homem é mesmo um desequilibrado. Até bem pouco tempo atrás uma fatia respeitável da igreja cristã empurrava todas as bem-aventuranças para o céu e para a eternidade. Dizia-se então que era necessário suportar pacientemente o sofrimento presente, inclusive a injustiça social, porque “a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo de sua glória” (Fp 3.20-21). Essa posição extremada fechou a boca da igreja, deixou inteiramente à vontade os corruptos e os opressores deste mundo e deu oportunidade e espaço à teoria marxista de que a religião é o ópio dos povos. Graças à ênfase socialista e à redescoberta do evangelho integral, principalmente a partir do Pacto de Lausanne, a fase do chamado “celeste porvir” (nome dado no Brasil pelo pastor Antônio Gouvêa Mendonça a essa tendência de adiar tudo para o tempo da segunda vinda de Cristo) está vivendo seus derradeiros dias.

Mal se livra de um grotesco extremismo, outro se aproxima célere e com força total. Do celeste porvir estamos passando neste final de século para o “aqui e agora”. Ao invés de empurrar todas as bem-aventuranças para o céu e a eternidade, a Teologia da Prosperidade está trazendo o celeste porvir para o terrestre presente. Para comermos a melhor comida, para vestirmos as melhores roupas, para dirigir os melhores carros, para termos o melhor de todas as coisas, para adquirir muitas riquezas, para não adoecermos nunca, para não sofrer qualquer acidente, para morrermos entre 70 e 80 anos, para experimentarmos uma morte suave – basta crer no coração e decretar em voz alta a posse de tudo isso. Basta usar o nome de Jesus com a mesma liberdade com que usamos nosso talão de cheques.

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“Sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que se torne galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6). Portanto, se você se aproxima de Deus por uma questão de hábito, para manter a aparência de religioso, você está perdendo tempo.

Você não é obrigado a viver e morrer sem fé. Com a graça de Deus e algumas poucas providências de sua parte, você deixará de ser descrente, incrédulo, semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento, sem direção nem estabilidade. Há cura para a incredulidade, para a aparente incapacidade de crer.

A fé consiste em acreditar em Deus como Ele é: espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade. Acreditar e também confiar. Sem questionar, sem duvidar, sem desconfiar, sem exigir provas, sem demonstrações espetaculares, sem informações retiradas de computadores.

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O aqui e o agora revestem-se de grande importância. Há coisas que você não pode nem deve adiar para outro lugar e outro tempo. Pois estão dentro do espaço físico e do espaço de tempo onde você se encontra. É necessário enxergar essas coisas, agarrar-se a elas e consumi-las dentro das limitações de lugar e tempo.

Tudo tem o seu lugar e o seu tempo determinado (Ec 3.1). Você não vai plantar uma horta no jardim público, nem construir um campo de pouso no quintal de sua casa. Você não vai colher antes de plantar, nem morrer antes de nascer. A escolha do lugar e da hora não é simples produto de convenções humanas.

Há certas coisas que não vão acontecer nem aqui nem agora. Não adianta correr atrás delas. Não adianta achar ruim. É preciso esperar outro lugar e outro tempo. Sem irritação. Sem ansiedade. Sem agitação. Sem raiva ou revolta. Sem lamúria. Sem desespero. Sem desânimo. Antes, com paciência, com entusiasmo, com fé e coragem. Em plena certeza.

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Ó Deus, além do meu chamado para o ministério, do meu preparo e da minha ordenação, quero e preciso orar pelas ovelhas que me deste.

Eleva o nível espiritual delas. Faze-as ler a Bíblia com prazer e proveito, faze-as orar, amar como tu as amas, perdoar como tu as perdoas;

provoca um despertamento na igreja onde sou pastor, santifica o teu povo, entusiasma-o, ajunta-o;

dá aos meus congregados a capacidade de chorar com os que choram e de se alegrar com os que se alegram. Livra-os da insensibilidade, do isolamento, do egocentrismo;

concede ao teu povo maturidade, conhecimento bíblico, vitória sobre a provação e a tentação e capacidade de renunciar a qualquer coisa que se interponha entre ti e ele;

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