Quão melhor é adquirir a sabedoria do que o ouro! E quão mais excelente é adquirir a prudência do que a prata! (Provérbios 16:16)

Qual das duas é mais necessária? Qual é a nossa maior necessidade? O que pedimos a Deus com mais freqüência?

Parece que está havendo um erro de orientação muito grave, que tem causado não pequeno malefício à igreja e, ao mesmo tempo, uma afluência enorme de novos crentes. Esse erro de orientação agrada a massa e atrai discípulos. Ele se propaga rapidamente pelo púlpito, pela televisão e pelos livros.

Nunca se orou tanto como hoje em dia. No mundo inteiro. Em todas as religiões. Tanto nas igrejas históricas como nas igrejas pentecostais e carismáticas, talvez mais nestas que naquelas. Além do seu aspecto devocional, de comunhão com Deus, a oração tem sido anunciada e usada como instrumento válido e certo de adquirir, preservar e aumentar tesouros na terra. (Veja O casamento da religião com o cifrão.)

Por que não oramos também por outros valores, por outras graças, por outras bênçãos, certamente muito mais necessárias e valiosas que as riquezas? Em nossas orações não temos o costume de suplicar a Deus coisas como amor, compaixão, desprendimento, humildade, paciência, coragem, entusiasmo, alegria, pureza sexual, direção, poder para testemunhar e assim por diante. Será que esses dons valem menos que as riquezas? Qual desses dois grupos de oração contribui mais para a implantação e expansão do reino de Deus na terra?

A oração é o instrumento adequado para se adquirir sabedoria, uma das nossas maiores carências. É Tiago quem explica: “Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida” (Tg 1.5 NVI). Foi exatamente isso que Salomão rogou a Deus, quando era jovem e tinha acabado de subir ao trono de Israel, em lugar de seu pai Davi (1 Rs 3.3-15). Ele fez o melhor uso possível da oração e Deus se agradou muito de sua súplica. Salomão era um homem encantado com a sabedoria e a ela se refere quase uma centena de vezes nos livros de Provérbios e Eclesiastes.

Outro escritor bíblico apaixonado por esse tipo de sabedoria que promana de Deus é Jó. E é exatamente Jó que faz comparação entre a sabedoria e a riqueza. Para ele a sabedoria é muito mais cara que o ouro fino, o ouro de Ofir, muito mais precioso que o ônix, a safira, o coral, o cristal, as pérolas e o topázio da Etiópia (Jó 28.12-28).

A sabedoria a que se refere a Bíblia não é a sabedoria dos sábios deste mundo. É uma sabedoria sóbria, centralizada em Deus, que ensina a viver e a morrer, que tem fortes conotações éticas, que sabe distinguir com acerto a luz das trevas, que promove um bom relacionamento do ser humano com Deus. O ponto de partida dessa sabedoria dinâmica é o temor do Senhor. Daí o testemunho de Salomão: “Para ser sábio é preciso primeiro temer ao Deus Eterno. Se você conhece o Deus Santo, então tem compreensão das coisas” (Pv 9.10 BLH). Esse mesmo conceito de sabedoria aparece em Jó (28.28) e nos Salmos (111.10).

Texto originalmente publicado na edição 253 de Ultimato.

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