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As mudanças históricas, especialmente aquelas positivas, são lentas. A humanidade viveu milênios de experiências despóticas, violentadoras da dignidade humana. Civilizações inteiras desconhecem a noção de Graça, de Amor ou de Perdão. A Declaração de Direitos Humanos somente foi possível inicialmente dentro do marco cultural judaico-cristão. Seus princípios são princípios bíblicos. Seus valores são inspirados nos valores do Reino de Deus.

(…)

Preocupação particular temos em relação à comunidade evangélica da América Latina, criada em uma cultura autoritária rapidamente incorporada aos seus costumes, desconhecedora da marcha histórica da Igreja em termos de pensamentos e práticas democráticas, distante do espírito da Reforma, sem conseguir sair do Antigo Testamento. O que se tem visto é um contraste entre a visão dos direitos humanos pelos pais fundadores da fé evangélica neste continente, e o posicionamento atual de desprezo pelo mesmo, de apoio e abuso por sua violação pelas ditaduras ou pelas democracias de mentirinha por estas bandas. Comunidade evangélica que produziu delatores e torturadores, indiferente ao drama dos necessitados, justificando a desigualdade, buscando status, prestígio, poder e dinheiro.

 

Enquanto esperamos a culminação escatológica, proclamemos o poder transformador do evangelho em gerar homens transformadores, em favor dos valores do Reino de um Deus que ama e sobre todos faz nascer o sol e descer a chuva.

 

Robinson Cavalcanti, A utopia possível. Viçosa: Ultimato, 1993, p. 95.