Colocar em evidência a negligência, o abuso e a exploração de crianças é o principal objetivo do Jejum Solidário, promovido pela Visão Mundial em várias partes do mundo. A mobilização ocorre durante 5 semanas com orações, reflexão e ação de jovens e igrejas. No Brasil, o Dia do Jejum Solidário será 12 de abril. Para participar, basta propor uma ação nas celebrações e cultos da igreja e enviar a informação para daniel_moreno@wvi.org de onde e quando a ação acontecerá. Veja aqui o site oficial do Jejum Solidário (em espanhol). Participe!

 

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por Jorge Barros*

 

Clique na imagem para visitar o site “Brasil: Nunca Mais Digit@l”

Hoje fez 50 anos que foi controlada a Revolta dos Marinheiros, a rebelião de praças que se entrincheiraram no Sindicato dos Metalúrgicos, na Rua Ana Néri, em Benfica. Eu e minha família morávamos ali perto, na Rua Fausto Barreto 10. Eu ia completar dois anos em maio daquele ano. Meu pai, Jorge da Costa, fora cassado pelo AI-2. Era sargento da Aeronáutica, militava no Centro Popular de Cultura da UNE e era estudante de direito na UFRJ, cujo campus era ao lado da Praça da República. Meu pai era atuante no C.A.C.O. (Centro Acadêmico Cândido de Oliveira), um centro de agitação do movimento estudantil, que completará cem anos em 2017.

Para completar o perfil “comunista” do meu pai — que nunca foi filiado a nenhum partido comunista — ele era locutor da Rádio Mayrink Veiga, no Centro do Rio, que era considerado um centro de agitação brizolista.

Essa introdução é para explicar que nas minhas veias corre sangue antigolpista. Acusado de não-sei-o-quê, meu pai foi preso incomunicável por 60 dias no Parque de Material Aeronáutico, na Avenida Brasil, Zona Norte do Rio. Apesar disso, nunca vi meu pai chorando pelos cantos, criticando o regime militar. Ele foi privado de participar de concursos públicos simplesmente porque fora cassado como militar, sem qualquer acusação formal. Só em 1979, quando comecei a estudar jornalismo, fui saber dessa história contada pelo meu pai. Eu detestava política, como boa parte dos jovens da minha geração.

Na faculdade, Suse, em Jacarepaguá, peguei um jornalzinho dos estudantes intitulado “Pro que der e vier”. Havia uma nota pequena, mas que cresceu diante dos meus olhos. Lembrava que um militante, Mário Alves, havia sido torturado, empalado e morto no Doi-Codi, na Barão de Mesquita. Aquela notícia me chocou. Por que afinal um ser humano havia sido vítima de tanta truculência dentro de um quartel do Exército? Os militares não eram preparados para enfrentar o inimigo externo? O que levou militares a assassinarem seus compatriotas, dentro dos quartéis transformados em masmorras?

A curiosidade, o pavor e as dúvidas diante de uma fração da História me levaram a cobrar do meu pai explicações sobre o que afinal fora aquela “revolução de 64”. No Centro Cívico Escolar (CCE) da Escola Marechal Mascarenhas de Moraes, no Caju, ouvi falar que os militares haviam feito uma revolução para livrar o país do comunismo. Mas era preciso tanta violência?

A resposta do meu pai durou uma noite. Foi uma aula de política em casa. Passei então a gostar do assunto e a ler tudo o que caía nas minhas mãos sobre política. Entendi que em 1964 o país estava dividido. Quem não tinha nada estava de um lado. Quem tinha muito ou alguma coisa estava do outro. Esse lado conseguiu apoio da elite militar e da superpotência americana para fechar o cerco e varrer os que estavam no poder e defendiam profundas reformas sociais e políticas. Quem tinha muito alegava que o Brasil marchava, sem volta, para o comunismo — ideologia difundida pela guerra fria, que dividia o mundo entre capitalistas e comunistas.

Atemorizados pela “ameaça comunista” — cujo pânico foi gerado pela propaganda americana — os religiosos, católicos e protestantes, também aderiram à ideia do golpe, de se romper com a legalidade, em nome da liberdade. O golpe gerou o que de pior pode gerar uma sociedade: terror, repressão política e social, censura à imprensa, violência sem controle, controle social absoluto, suspensão dos direitos políticos, arbítrio, ditadura. A democracia foi jogada na lata do lixo, sempre debaixo da tese de que o golpe era justamente para defender a democracia. Mentira em cima de mentira.

Cinquenta anos depois, temos um país pior, mil vezes pior do que se tivesse seguido seu destino democrático. Durante os anos de chumbo, não foi só tortura que se ofereceu aos oponentes. À sociedade foi entregue um legado de empobrecimento cultural e a desigualdade social se acirrou, enquanto os militares investiam em desenvolvimento. Até hoje o Brasil patina na educação. A impunidade na corrupção também é herança da ditadura, que, auxiliada pela censura à imprensa, conseguiu acobertar grandes falcatruas de seus ministros e governantes nomeados, sem eleições diretas. Os movimentos políticos e sociais foram castrados ao ponto de assistirmos hoje alguns deles renascerem sob a égide do terror e do mesmo tipo de violência que foi empregado pela ditadura.

Esclareço que nunca fui favorável à reação armada dos grupos de esquerda, que lutaram para derrubar a ditadura. Sinceramente, não me interessa mais se esses grupos tinham o ideal de implantar o comunismo no Brasil. Jamais conseguiriam. Não resta dúvida de que a luta armada acirrou também a reação da linha-dura do regime militar, que deu seu golpe de misericórdia com o AI-5, em dezembro de 1968. A ditadura poderia ser derrubada por ações pacíficas? Não se sabe, mas teria sido possível, sim. A não-violência também é uma forma de resistência.

Desculpe alugar vocês com meus dilemas. Cinquenta anos depois, estou cada dia mais convicto que nenhuma forma de ditadura vale à pena. Seja de direita, seja de esquerda. Criado à semelhança divina, o homem nasceu para ser livre e decidir seu próprio destino. E que Deus nos ajude a decidirmos pelo melhor. E, sem dúvida, democracia é melhor. Sempre.

 

 

*Este texto foi publicado hoje pela manha nas redes sociais no perfil do jornalista do O Globo Jorge Barros. Jorge é um amigo de longa data, homem de fé, irmão camarada e comprometido com a dignidade humana. É um privilégio tê-lo por aqui no Dignidade!

 

 

rua

 

 

O pastor Thiago Rocha tem como hábito concluir seus sermões com poesias de sua autoria. Esse hábito rendeu vários livros e belos momentos que expressam de forma especial os conteúdos pregados. Neste post compartilhamos a poesia “Coisa ou gente?”, publicada no livro Hoje (1979, p. 27-28).

 

 

 

Coisas a gente pode comprar:

à vista, a prazo, quando quiser.

Mas amizade não se compra,

não se faz, nem se exige.

Simplesmente nasce, como a flor no jardim,

quando nele se planta uma semente.

 

Ter coisas é muito importante:

uma casa, um carro, uma roupa,

ou mesmo dinheiro na mão.

mas nada representam

quando, com elas ou sem elas,

não se é feliz.

E felicidade não depende de coisas

que se tem,

mas daquilo que se tem

dentro da gente.

 

Não devemos preocupar-nos demais com coisas:

as que são nossas, ou a dos outros.

Afinal, quando daqui nos formos,

se deixarmos apenas coisas,

logo se desfarão, ou as queimarão,

e o que formos e fizermos

é o que ficará,

e o que nos acompanhará.

 

Enchemos demais nossas vidas com coisas:

comidas, bebidas, prazeres:

utilidades futilidades.

E o tempo se vai, e, no meio das coisas,

não vimos a lágrima

a rolar dos olhos sofredores;

as feridas abertas

nas almas transfiguradas de dor;

ou o sorriso franco e limpo

de uma criança alegre;

ou o “olá” de um amigo de fato.

Afinal, coisas não podem amar.

Gente, sim. E elas passam e as não vemos.

 

E quando nos agarramos às coisas,

pensando que nos darão segurança,

Querendo-as só para a gente,

não as dividindo com ninguém,

então, ao final, percebemos

que elas se transformam em água,

que corre por entre as mãos.

Se nos agarrássemos às pessoas,

e as amássemos de fato,

então, ao fim,

elas não se desprenderiam da gente

nem a gente se desprenderia delas.

 

Thiago Rocha

 

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Alguém já disse que seguir o  Evangelho deve ser algo presente tanto em nosso cotidiano imediato, como também nas grandes questões da vida. Seu campo de ação seria válido tanto na dor de dente, como também em grandes questões existenciais ou sociais. Penso nos direitos do consumidor como, talvez, algo desse lado “menor” na vida dos Direitos Humanos. Algo cotidiano, corriqueiro e, talvez, de menor importância. É certo que diante dos diferentes sofrimentos e dores que tantos padecem em nossas sociedades, o fato de um equipamento não funcionar direito certamente é algo menor. Por outro lado, se os valores relacionados ao reconhecimento da dignidade humana não são capazes de se fazerem presentes nestas relações comerciais temos sinal que há muito o que melhorar.

O direito a devolver um produto em 7 dias sem justificativas é um exemplo dessa tal dignidade. Quem nunca sofreu horrores para cancelar serviços como assinaturas de TV à Cabo ou similares. Há promessas de que isso vai mudar, ventos de mais dignidade por aqui em nossa ainda imberbe democracia. Como se constrói essa relação “adulta” baseada na confiança entre consumidores e mercado? Eis uma coisa que me mobiliza. Por aqui vivemos sempre com uma suspeição à nossa volta, brasileiros sempre querem dar um “jeitinho” e daí não temos relações estabelecidas na palavra e em confiança.

Para ter direito à garantia precisa apresentar a nota fiscal. Para saber se é você mesmo que assinou, precisa de “firma autenticada”… são vários os exemplos dessas confirmações, afinal você e eu podemos estar buscando enganar os outros. Pois bem, tem uns 15 anos que sou usuário de uma mesma marca de computadores. Já tive sete equipamentos da Dell e desenvolvi essa relação porque eles confiavam em mim. Deu um problema? Ligava, informava o que ocorreu, faziam um par de perguntas e daí em dois ou três dias resolviam o problema com um técnico em minha casa.

Eis o lascado culpado.

Eis o lascado culpado.

Sem notas, sem dúvidas. Isso ocorria tranquilamente na década de 1990. Manteve-se um pouco mais questionador na primeira década do século 21, mas para a minha surpresa em 2013 algo diferente ocorreu. O técnico que veio à minha casa considerou que um pequeno (pequeno mesmo!) lascado na lateral da tampa configuraria minha culpa e logo a companhia não deveria efetuar a troca do HD. Argumentei e muito, o lascado havia ocorrido há 10 meses e o HD estava pifado há uma semana. Diante da intransigência agradeci e perguntei a quem poderia recorrer. Foi-me passado um endereço eletrônico para onde eu deveria enviar fotos e relatar o caso.

Isso feito numa sexta-feira, na segunda pela manhã recebi um telefonema de um técnico da empresa pedindo desculpas e me informando que a troca do HD seria realizada naquela semana. Pois bem… Isso foi em outubro de 2013 e para encurtar uma longa história adianto que a tal peça (e muitas outras) só foi trocada em dezembro. O que aconteceu nesse meio tempo? Bom, vamos a alguns flashes.

Na quinta daquela fatídica semana recebi uma ligação me perguntando se eu aceitava pagar por um novo seguro. Fui informado que houve uma reavaliação do meu caso e de que a Dell não se responsabilizaria pela troca do HD. Coloquei mensagem no Reclame Aqui, respondida protocolarmente pela empresa. Comecei a postar “twittes” questionando a Dell. No Facebook não fiz nada porque achei que seria “violência demais” postar coisas numa página de vendas (eu e meus escrúpulos…). Enviei também uns seis ou sete e-mail para diretores da Dell Brasil relatando o caso. Resultado: recebi um telefonema me pedindo para parar de enviar aquelas mensagens e que o meu caso estava encerrado da parte da Dell. Ou eu pagava o tal novo seguro ou eles não fariam nada.

Recorri então ao Procon, que me informou que eu é quem devia provar que não havia associação entre o lascado e o defeito no HD. Com um laudo nas mãos eu deveria, então, entrar com uma ação no Juizado Cível para obrigar a Dell a fazer o reparo…  Fui ver se cabia algo relacionado à danos morais. Muito pouco provável pelo que li. Porém o que se passava, para mim, era algo muito mais relacionado à quebra de confiança dentro de um relação empresa-consumidor vivida a uns 15 anos.

Fui a um técnico que me cobrou 400 reais para a troca do HD e ficou de fazer o tal laudo. Com a Dell eu teria que ampliar o meu seguro pagando mais 800 e poucos reais. Ok. Fiz uma última tentativa junto à empresa, só que agora escrevi para os diretores da Dell internacional. Mensagens personalizadas e em inglês, para uma dúzia de pessoas, nas quais fazia menção à função dela e de como eu estava “annoyed” com a Dell Brasil, que recebia em seu e-mail para redes sociais a cópia dessas mensagens.

Dell no Reclame Aqui: dados de 2013 e 2012

Dell no Reclame Aqui: dados de 2013 e 2012

Falei do aumento absurdo nos últimos anos das reclamações recebidas pela empresa em sites como o Reclame Aqui e que não acreditava que este aumento estivesse associado a um aumento similar nas vendas. Também lamentava a saída do antigo CEO brasileiro que passou para uma função na América Latina e que, talvez, o novo diretor brasileiro tenha adotado uma política, para mim lamentável, na relação com o consumidor e no pós-venda. Tópicos em que a empresa se diferenciava.

Também disse que o maior problema para mim era que perdia a confiança baseada numa relação de quase 15 anos e de 7 diferentes equipamentos (listei todos). Enviei essas mensagens numa sexta feira. Na segunda recebi três ligações de técnicos da Dell, desde o primeiro que me atendeu até de um supervisor nacional de pós-vendas.

Na quarta um técnico estava em minha casa no início da tarde. Quando entrei na sala (ele estava me esperando), me perguntou: “Senhor o que aconteceu com o seu computador, pois mandaram praticamente todas as peças para trocar!”. Pois é… tirando a tela, enviaram (novos ou recondicionados) todos os outros componentes. O técnico levou cerca de 3 horas trabalhando. Também trocaram a “carcaça” para evitar que novas avaliações fossem feitas equivocadamente por técnicos por conta da aparência da tampa do notebook.

Para os diretores escrevi depois sugerindo que criem um seguro específico para pessoas que querem “ser tratadas com dignidade”, sem precisar brigar por isso. Pessoas que paguem para que durante 2 ou 3 anos tenham o suporte com estas peças que são recondicionadas e que, imagino, acabam criando um sistema minimamente razoável para uma empresa que investiu em logística e que oferece esse produto como diferencial aos seus consumidores.

Entendo que no capitalismo é preciso diferenciar pessoas e que isso tem custos. Enfim, o ideal é que todos sejam tratados de forma equânime, com confiança e com dignidade, sem precisar pagar por isso. O problema é que no sistema econômico atual isso representa custos, às vezes altos, e daí fica mais fácil deixar esse tipo de coisa “de lado” diante da falta de pressão e da fraqueza dos direitos do consumidor em locais como a nossa “terra brasilis”.

Uma dúvida que o Marcus Vinicius, da equipe desse blog, levantou: Será que a opinião do consumidor vale mais para os diretores internacionais do que para os nacionais? Por que o contato com os diretores nacionais não alterou a decisão dos “times superiores”,  mas alterou após mensagem enviada para os diretores internacionais? Há diferentes “confianças” e diferentes “dignidades”? Será que isso tem relação com o respeito e o valor da vida humana conferido nas diferentes sociedades? Boas questões.

Outro ponto a considerar dessa história são as desigualdades em relação ao conhecimento. Lembro de um texto de um sociólogo sobre isso (veja aqui). O conhecimento será provavelmente a fonte maior de desigualdades no futuro, isto em uma sociedade que tem avançado no aumento da qualidade e da expectativa de vida. Daí passarão a ser fontes fundamentais nas desigualdades a capacidade ou não de se expressar em outras línguas e a de acessar informações (no caso o contato com os diretores internacionais e as informações sobre o dia-a-dia da empresa)

No mais, resta afirmar que com a Internet você pode ter bem mais informações do que imagina sobre a vida dos outros e de uma empresa. Outra questão é que você deve exigir seus direitos com quem tem poder para resolver e decidir efetivamente, seja com o poder público, seja com empresas privadas.

Que dias melhores de dignidade estejam ao alcance de mais e mais pessoas. E que a dignidade humana seja um valor efetivo tanto para evitar mortes e maldades variadas, mas também para que tenhamos um cotidiano de respeito em nossas relações sociais, as quais abrangem desde relações familiares, mas também outras relações afetivas e contatos que estabelecemos nas ruas, nas igrejas, nos serviços e, como neste caso, nas relações comerciais.

 

Alexandre Brasil Fonseca

 

resistir e preciso

 

Histórias de luta por liberdade de expressão e por justiça são narradas em duas séries que estreiam hoje, 24 de março, na TV Brasil.

 

Resistir é Preciso “resgata a trajetória da imprensa brasileira que resistiu e combateu ao golpe militar”. Além disso, apresenta “depoimentos e material historiográfico de jornalistas que atuaram em três frentes de combate: a imprensa alternativa, a clandestina e a que atuava no exílio”. A série possui dez episódios com 26 minutos de duração. No primeiro episódio, Resistir É Preciso recua a 1867, ano em que foi publicada a que é considerada uma das primeiras charges políticas da nossa história, desenhada por Ângelo Agostini. Nos dez episódios, são citadas aproximadamente 100 publicações, com mais de 50 entrevistas.

advogados contra ditaduraA outra série, Advogados contra a ditadura, promete apresentar “memórias de homens e mulheres fundamentais na luta contra as atrocidades cometidas pelo Estado: os advogados que atuaram na defesa de presos políticos”. A série é dirigida por documentarista Silvio Tendler e realizada em parceria com o Projeto Marcas da Memória, da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

 

Resistir é Preciso estreia hoje, dia 24 de março, às 19h30, na TV Brasil. A estreia de Advogados contra a ditadura ocorre algumas horas mais tarde, às 23h30.

 

Para outras informações veja a matéria completa aqui.

 

Assista também o documentarista Silvio Tendler falando sobre “Advogados contra a ditadura”:

 

 

* Com informações da Empresa Brasileira de Comunicação – EBC.

roda“Sons que se dissipam” e sons que chegam; um ônibus, uma praça; uma presença e uma leitura. Coisas que primeiro me chegaram em emoção e, depois, me fizeram pensar. Dignidade se revela no instante, e no anônimo.

O instante. Semana passada, tentando recolocar o corpo na rotina, fui correr. A praça estava convidativa, uma pista regular, dividida com pedestres. Praças são lugares de encontros. Havia um cheiro de flor, uma luminosidade boa, sorrisos, sons de crianças, gente lendo, cãezinhos correndo no gramado. Reparei em uma senhora idosa, sentada graciosamente em um dos bancos de madeira, abaixo da árvore, com um carrinho de apoio para andar, com cesta para carregar coisas, que repousava ao lado do banco. O coque no alto da cabeça exibia um porte elegante, um casaco discreto, cabelos naturalmente prateados. Só, não parecia sozinha.

A senhora olhava ao redor, enquanto eu olhava para ela à distância, mantendo meus movimentos. Mas o olhar senil não cruzou os meus olhos corridos. Caiu sobre o olhar jovial de uma mãe que, por sua vez, olhava para os filhos, um casal de crianças. Por razões muito diferentes das minhas, as crianças corriam. A mais velha à frente, a mais nova logo atrás, titubeando. Quando decidiram por destinos diferentes, a mãe se viu em apuros. Correu para uma, olhou para a segunda, que ficava cada vez mais distante, saiu em direção a esta última e, no fim, heroicamente reuniu as duas.

Em sua face não havia sinal de cansaço pelo esforço das corridas, apenas alegria de fim de tarde no parque com os filhos. Já chegando próximo à cena, eu focava meu olhar na senhora, enquanto via simultaneamente a mãe com as crianças. Presenciei o sublime. No instante em que a mãe reuniu os dois filhos e os três riram, a senhora sorriu. Um sorriso tão denso e profundo, alegre e desejoso, um sorriso de passado, de presente e de sonhos.

 

O anônimo. Facebook é um exercício quase diário. Costumo abrir tais páginas de vidas alheias e me perceber na relação com elas. Outro dia, exercitando, encaro a narrativa de um fato – tipicamente carioca -, que transcrevo, com permissão da autora-protagonista:

“Os sons se dissipam rapidamente. A visão fica turva, escurece. Minhas pernas bambeiam e penso: “Já era, vou desmaiar” – e, tendo em vista meu histórico, eu ia mesmo. São 8h da manhã e eu estou num 457 lotado, quase sem ventilação. Em pé, sob um sol escaldante, que, pasmem, tem a capacidade de deixar um dia absolutamente lindo à beira do “invivível”. Suando frio, era provável que eu estivesse bem branca, quase sem cor. Eis que, então, sinto uma mão no meu ombro e ouço algo como: “_ Você tá passando mal?” Até agora não sei se respondi ou sequer esbocei qualquer reação. Não me lembro do rosto do sujeito, nada. Mas marquei seu olhar cuidadoso, quase fraternal, que tratou de logo me arrumar um assento. Fez vento. Se importou. E, tentando me acalmar, repetia: “_ É o calor, vai ficar tudo bem.””

A narrativa fechava com um agradecimento e um “status: restituindo a fé na humanidade”. Também eu virei-me para esse estado.

Narrativas e vivências cotidianas simples, nos olhos que observam, nos olhos que leem, no instante simultâneo a uma corrida, no passado, no próximo que se revela nas letras das mídias. Dignidade é sorrir na velhice, rir na praça, ver o mundo; é gratidão, é humano, é fé.

 

Priscila Vieira

 

 

luto

 

Ainda não consegui digerir a morte da Cláudia Silva Ferreira. Não consigo esquecer aquela imagem. É como se minha mente, de maneira arbitrária, se esforçasse por simular em minha própria carne a sensação de ter a minha pele sendo desfigurada ao ser arrastada violentamente em asfalto quente, por 350 metros. É como se a todo o momento meu subconsciente reproduzisse de maneira audível aos meus ouvidos a voz de uma adolescente, agora órfã, dizendo: “jogaram a minha mãe igual a bicho”. E tudo isso, eu ainda não digeri.

 

Tamanho incômodo não me permite alcançar abstração necessária para escrever sobre outra coisa ou focar em outra reflexão, eu não consigo esquecer. E ao não esquecer, eu lembro que é exatamente o esquecimento que nos afronta como instrumento de destruição da esperança que busca insistentemente o seu lugar, perturbador da nossa memória, estabilizador das potências de conflito de nossas contradições sociais.

 

O esquecimento é a aposta dos que detém o poder, dos que oprimem cotidianamente, possuidores da legitimidade da força e da violência. É a aposta de que, seja lá qual for a dor ou a dimensão da injustiça, sempre contra os mais fracos, sua indignação popular causada não se sustentará, será diluída, dissolver-se-á na futilidade do nosso cotidiano, em meio a folclorização das nossas desigualdades sociais, na repetição das nossas ações de postagens, curtidas e compartilhamentos. Pois todo assunto, por mais bárbaro que seja, no fim, vai mesmo para o fundo de nossas timelines.

 

O esquecimento é o gatilho da nossa capacidade de invisibilizar a condição do outro, de neutralizar a nossa sensibilidade, inclusive a própria sensibilidade de quem sofre. Ele se torna o arcabouço da produção de invisíveis, e o poder não se relaciona com invisíveis. Ele elimina. Uma eliminação que nem sempre se materializa na supressão da vida, mas na negação da dignidade da vida, negação que torna a vida in-vivível, exatamente pela invisibilidade que aliena o acesso ao direito, aos serviços, ao reconhecimento. O poder não se relaciona com invisíveis, as urgências e clamores dos miseráveis não interessa.

 

Eis que a resposta do estado, a resposta do poder, quando vem a público, nunca vem como uma relação face a face – um pedido de desculpas, um reconhecimento de vergonha, um manifesto de repúdio, um compromisso de indenização – como um olhar nos olhos do injustiçado, do vitimado, do indefeso, do fraco, do desprovido. A resposta do estado é sempre um gesto proporcional à visibilidade midiática da tragédia, ou seja, o tamanho da repercussão. A resposta do estado não foi dada à família de Cláudia Silva Ferreira, a resposta foi dada à imprensa, à mídia, à pressão dos olhos de todo o Brasil e do mundo. Sem olhos nos olhos, sempre a mediação da câmera, do microfone, do foco. Mesmo ao ter encontrado a família de Cláudia Silva Ferreira, a mediação está presente na relação com o governador, chefe máximo do Estado. A mediação é simbólica, mas está.

 

No fundo, a mulher negra, pobre, favelada, detalhe anônimo num território criminalizado, de corpos criminalizados, continua sendo invisível. Sendo invisível, ao que tudo indica, após toda essa euforia de comoção e revolta será digna de nosso esquecimento. Mas até agora eu não digeri, eu não consegui esquecer.

Ronilso Pacheco
A Justiça de Salomão, Candido Portinari (1943) http://http://enciclopedia.itaucultural.org.br/

A Justiça de Salomão, Candido Portinari (1943)
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/

 

A justiça bíblica não depende de sistemas ideológicos. O sentido de justiça brota de Deus e está dirigido à Ele. Creio que é necessário que incluamos esta perspectiva de justiça social em todos nossos programas de assistência ou desenvolvimento. Os projetos assistenciais ou de ajuda técnica aos pobres são bons e necessários, mas necessitamos denunciar os sistemas sociais injustos para contribuir em sua transformação. Isto passa necessariamente pela proposta ou reforma de leis e pela luta para que o Estado cumpra com suas funções de respeitar e garantir o cumprimento dos Direitos Humanos de todos, especialmente dos mais vulneráveis.

(…)

A justiça social deve estar precedida pela justiça pessoal. Necessitamos cidadãos retos de coração. Lewis Smedes afirma que, em última análise, a justiça de uma sociedade se esvai se em tal sociedade exista um alto percentual de pessoas que não são justas. E aqui surge um grande desafio para as crescentes igrejas latino-americanas: temos necessidade de cristãos justos. Eu sei que o adjetivo parece estar a mais, pois se uma pessoa é cristã se supõe que é justa, e é uma aberração falar de cristãos injustos, mas lamentavelmente nos aproximamos perigosamente a um ponto sem retorno em relação a qualidade dos evangélicos que enchem os templos latino-americanos. As vozes que gritam que o avivamento chegou, deveriam calar um pouco para escutar a opinião das pessoas na rua sobre a conduta ética dos evangélicos, especialmente daqueles que têm ocupado cargos públicos. Seria bom recordar a pregação de Isaías, filho de Amós, uns dois mil e setecentos anos atrás, a um povo próspero, muito piedoso, que buscava a excelência na adoração e louvor a Deus, mas cuja vida era injusta e cuja prosperidade de baseava na negação dos Direitos Humanos aos pobres, as viúvas e aos órfãos (Is 1:15-17). Como é evidente, nada há de novo debaixo do sol.

 

Necessitamos, pois, de cristãos justos que proclamem com sua vida santa que os direitos devem ser vividos primeiramente nos lares, com cônjuge e filhos, nos centros de trabalho, nas organizações eclesiásticas. Devemos derrubar essa parede que os homens e as mulheres construíram entre a vida privada e a vida pública, entre o discurso e a prática.

 

Incluir uma perspectiva de justiça deve impulsionar-nos a sair fora do gueto evangélico. Devemos nos juntar com outros grupos civis ou governamentais na busca de que os Direitos Humanos sejam promovidos e respeitados, mas fazendo-o desde nossas convicções evangélicas. Jamais devemos nos envergonhar da gloriosa cruz de Cristo, que pode parecer loucura para o mundo.

(…)

Somente compartilhei, desde minha pouca experiência e compreensão da Bíblia, que a luta pelos Direitos Humanos não é um acessório da missão cristã. Não tenho nenhum temor em dizer que se não buscarmos justiça em nossa vida pessoal e na de nossos povos, estaremos mutilando a missão. Felizmente, o Espírito de Deus nos guiará a toda verdade. Que belo é o versículo escrito em Isaías 61:8: “Porque eu, o Senhor, amo o direito.” O Deus que nos chamou esta perdidamente enamorado pelo direito e pela justiça. Todo o Seu ser deseja liberdade para os homens e as mulheres que Ele criou. Deus passa sonhando com a justiça. E já sabemos que o servo não é maior do que o seu senhor.

 

Alfonso Wieland. Dios ama la justicia: reflexiones sobre el tema desde América Latina. In: Haugen, Gary. Buenas noticias acerca de la injusticia. Buenos Aires, Kairos, 2002.

 

 

A premiação mais famosa do cinema americano tem uma série de interessantes rituais e preferências, as quais determinam quais filmes merecerão figurar na lista para concorrer ao prêmio ou não. Obviamente que além das qualidades presentes em cada obra, há também um forte trabalho de divulgação, lobby e outras “cositas más” que tanto são presentes em nossas sociedades contemporâneas. Faz parte do jogo, diriam alguns e, afinal, é algo que se fundamenta na decisão discricionária de um grupo de gentes.

Pois bem, em 2014 vimos a premiação do Oscar apresentar o novo ganhador do momento: 12 anos de Escravidão. História absurdamente revoltante pois além de aviltar de forma gritante todo e qualquer conceito de dignidade humana, o faz tendo a Bíblia como fundamento e justificativa. Lembrar disso para cristãos – como também de todo o processo de colonização ou das teologias que fundamentaram o Apartheid ou mesmo às ações que foram substrato para a tal Marcha da Família, que alguns poucos querem ressuscitar em pleno século 21 – é algo que não desce fácil no estômago.

O querido amigo e pastor Welinton Pereira, assessor da Visão Mundial e incansável lutador em defesa das causas de crianças e adolescentes escreveu nas redes sociais após ver o filme: “…fiquei chocado, angustiado e revoltado com tanta dor e maldade. Como negro e cristão fiquei pensando o que leva um ser humano a cometer tamanha atrocidade com seu semelhante e com a Bíblia na mão para justificar seus atos. Espero, portanto, a vinda do Reino de Deus para consolar todos os que choram, mas também para julgar os autores de tanta maldade no decorrer da história. Maranata!”.

Consolo e julgamento, eis um tema delicado. Nisso temos, por exemplo, o trabalho que envolve tanto a Comissão Nacional da Verdade como a Comissão de Anistia, que buscam reconhecer as ações equivocadas cometidas pelo Estado na época da ditadura civil-militar. Neste sentido eles julgam a possibilidade de reparações econômicas e ao anunciar o veredito também pedem perdão, em nome do Estado, pelas separações, perdas e torturas sofridas por cada um dos anistiados. Um momento significativo de incrível simbolismo e de importante consolo. O trabalho vai além e também busca identificar, inclusive dentro das Igrejas, quais pessoas atuaram de forma conivente com os processos de torturas e assassinatos cometidos pelo Estado na recente ditadura na busca de dar visibilidade a uma parte de nossa história que não pode ser intencionalmente ocultada.

Aqui retorno a recente filmografia americana para falar de um filme que, por conta dos tais rituais do Oscar, ficou de fora das premiações. Filme que vai na mesma linha do grande vencedor, só que não em um passado distante, mas num inquietante presente. Falo de uma realidade que, como sociedade, precisamos lutar para que se torne efetivamente uma página do passado. Fato que se deu com a escravidão – que ocorria de forma massiva e legalizada – e que hoje ocorre numa forma tácita em relação a violência policial e outras agressões “permitidas” que são sofridas por milhões de pessoas nas periferias do mundo.

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Fruitvale Station no cinema: Oscar e amigos são detidos.

O filme que falo é “Fruitvale Station – A última parada” e conta uma história tristemente simples: as últimas horas na vida de um americano negro que após um tempo preso, vive tentando se reabilitar junto à família e sofre com a violência de uma sociedade que ainda identifica negros como inferiores. Nesta história a religião serve de consolo e de suporte para os que sofrem, dos que padecem diante da violência de uma injusta sociedade. Neste caso, pelo menos, a religião está do lado certo.

A verídica história remete a um recente acontecimento na região metropolitana de San Francisco e o filme trata da barbaridade ocorrida no dia 1º de janeiro de 2009, em decorrência de uma ação desastrada da polícia na estação de metrô Fruitvale. Este filme, do diretor estreante Ryan Coogler e com produção do excelente ator Forest Whitaker, ganhou 27 prêmios em festivais, tendo recebido no Festival de Sundace (porta de entrada do cinema independente no mercado americano) o prêmio do Grande Júri por sua “realização bem feita, por seu impacto emocional devastador e por sua urgência moral e social”.

Pela internet lemos que o filme não entrou na lista do Oscar de melhor filme por conta da campanha bem feita pelo filme Philomena, tendo ocupado este a vaga de “filme independente” reservada para os finalistas. Pode ser. Quem perdeu mais com isso foi o Oscar e o grande público, já que a lamentável história de Oscar Grant III (nome do jovem assassinado na Fruitvale Station pela polícia americana) ficará um pouco menos conhecida mundo afora.

Os horrores da escravidão são lamentáveis, e não devemos e nem podemos esquecê-los. Os horrores da violência policial, do exercício de poder descontrolado estão presentes nos dias de hoje e temos a obrigação de evita-los. A culpa do jovem assassinado na estação do trem? Nenhuma, ele simplesmente saiu para passear e se divertir com amigos. Coisas como “rolezinhos de gente preta” geralmente não são bem vistos em nossas sociedades… Nada demais aconteceu e, talvez, o único erro dele foi ser um negro diante de policiais brancos. Forte? Pode ser, mas é o que dezenas de câmeras de celulares gravaram e é com esta cena real que o filme se inicia.

Train Station Shooting

Fruitvale Station no celular: segundos após o tiro que matou Oscar.

Durante a escravidão não tínhamos celulares nas mãos com suas câmeras. Hoje cada um em nossas cidades pode atuar como um defensor dos direitos humanos (recomendo este artigo sobre isso). Eis uma possibilidade acessível que possuímos para denunciar e questionar aqueles que exercem seu poder para além do que deviam.

O desafio está posto, não só em relação ao passado distante da escravidão, mas também em nosso cotidiano, seja no chamado primeiro mundo, seja por nossa terra. Em nossa realidade – onde Claudias e Amarildos são cotidianamente eliminados e em que o assassinato/sumiço de jovens e negros se tornou algo terrivelmente banal e corriqueiro – é fundamental que atuemos tanto para o consolo, como também para a promoção da justiça. Vidas humanas não se estornam e é na defesa delas e na ruptura e denúncia de processos e estruturas assassinas é que somos chamados a nos envolver. Maranata!

 

Alexandre Brasil Fonseca

 

Minha geração se fez de terços e rosários: um terço se exilou, um terço se fuzilou, um terço desesperou

Affonso Romano de Sant’Anna

 

Numa contramão filosófica ao fragmento poético acima, creio numa geração composta por um “Outro” Terço…

 

Educação

Mais de um terço vai estudar o “fundamental” na precariedade da infraestrutura das nossas instituições que insistem em ensinar ao invés de educar

Quase terço não vai se importar em valorizar tudo que conquistar

Um terço vai persistir em refletir e produzir novas formar de deduzir e intuir e assim construir nossa pátria amada que começa antes do porvir

orando

 

Espiritualidade

Um terço vai orar ou rezar, mas sem meditar ou contemplar

Um terço não vai importar e vai banalizar

Um terço não vai desprezar, mas sim acolher e exercitar

 

Habitação

Um terço vai abrigar na escassez

Um terço vai desfrutar sem sensibilizar com a negação da habitação para muitos da população

Um terço vai lutar para universalizar o direito de morar

 

Justiça social

Um terço não vai conhecer e vai padecer em múltiplas dimensões da integralidade do viver

Um terço não vai entender e vai exceder em seus desejos e posses que corrompem o ser

Um terço não vai corromper e nem retroceder, mas vai defender e viver ou morrer para ver acontecer

 

Ambiente

Um terço do mundo vai poluir sem reduzir

Um outro terço vai assistir e não vai interferir

Mas um novo terço vai modificar suas formas de consumir e produzir, bem como aprender a cuidar da geração do presente e do porvir

 

Oficio do Ócio

Um terço não vai desfrutar e vai esgotar

Um terço não vai valorizar e vai criticar

Um terço não vai rejeitar e vai descansar

 

Trabalho

Um terço não vai encontrar

Um terço não vai precisar, mas ainda assim vai acumular os dividendos que ganhar

Um terço não vai desistir e vai construir novas formar de gerar dignidade na condição de existir e produzir

 

Participação Política

Um terço não terá acesso aos meios para sua efetivação

Um terço não vai entender a importância de sua construção e monitorização

Um terço não vai desistir de tentar uma emancipação que gere inserção e inclusão

 

Evangelho Integral

Um terço para esquecer a essência da formação do ser

Um terço vai se lembrar, mas na esteira da vida vai se cansar de refletir, praticar e inovar

Um terço vai se comprometer e tentar influenciar os outros dois terços, lembrando-os permanentemente de que desenvolvimento não é para um terço das populações, respondendo a apenas um terço das necessidades integrais e comprometendo-se com menos de um terço das responsabilidades planetárias com a condição humana.

 

Use um terço de coragem e descubra onde se encontra, não apenas um terço, mas todo o seu coração, seus sonhos, seus projetos e suas paixões e reverta a situação, pois cada um de nós tem missão gerada da visão da redução das barbáries e desigualdades. É tempo de Pensar, Sentir e Atuar na mesma direção: o desenvolvimento e o envolvimento nas necessidades humanas em todas as suas dimensões.

 

Leides Barroso Azevedo Moura