Dia desses tive acesso, via redes sociais, ao pequeno vídeo acima. Nele há uma representação da presença do ser humano sobre a terra e de como o mandato cultural de cuidar e cultivar a terra foi se deteriorando e perdendo a razão de ser.

 

Vendo este vídeo me lembro das diferentes concepções de mundo que o texto bíblico nos apresenta, tema de um dos diálogos que foi dirigido pelo querido pastor Eduardo Rosa da Comunidade Presbiteriana da Barra no Rio de Janeiro.

 

Temos uma primeira interpretação que é a perspectiva do mundo ser definido como um sistema de usos e costumes, valores que acabam por fazer frente ao plano de Deus para a humanidade. Nesta mesma linha, pode-se entender o mundo como uma geração. Situação em que as ações individuais trazem consequências para outros, como sociedade vivemos uma situação de interdependência. E, tanto no tempo como no espaço, as ações de cada indivíduo trazem repercussões nas vidas dos outros.

 

São estas as concepções de mundo a que somos chamados a não nos conformar, a combater e a evitar. Visões que agem a partir de valores contrários à Palavra e que, diante de suas decisões, prejudicam as pessoas.

 

Por outro lado não podemos esquecer o chamado feito por Jesus em relação ao mundo: como sua criação. Um convite a estar presente e a levar a boa notícia a todos os rincões do planeta. Aqui temos uma concepção de beleza do mundo, pois não podemos nunca esquecer de nossa condição terrena e de que este é criação de Deus. No passado este esquecimento se materializou diante da ausência de grande parte dos cristão de debates e ações relacionadas à preservação do meio ambiente.

 

Hoje a agenda de proteção ao mundo, a criação de Deus, passa por temas como a defesa da agroecologia e de outras formas sustentáveis de produção. Passa pela condenação ao uso abusivo de agrotóxicos e por uma firme postura ética em relação a não-liberação de sementes transgênicas. Não podemos permitir que lógicas e valores que entendem no lucro e na concentração da riqueza suas principais motivações, predominem nas decisões e encaminhamentos relacionados com o mundo e a terra. Questões relacionadas ao social, à cultura, à saúde e a sustentabilidade precisam ser consideradas nas equações e nos fluxos sistêmicos de tomada de decisão.

 

O mundo já teve mais do que suficientes provas que tanto o avanço tecnológico como a produção de riquezas e sua concentração, não são os melhores conselheiros para a definição de condutas que irão repercutir na vida de todos por tanto tempo. Diagnosticar, refletir e agir são ações necessárias no cotidiano daqueles que amam a vida!

 

É constrangedor a rápida velocidade das mudanças no clima. Relatório do IPCC (Painel Internacional de Mudanças Climáticas, 2007) confirma a previsão e indica que a região próxima ao Ártico aumentou suas temperaturas duas vezes mais rápido do que a média mundial nos últimos 100 anos.  A terra e o planeta podem não suportar a ganância dessa geração de humanos e ameaçar a sua existência com desastres naturais jamais vistos.  O planeta clama por justiça ambiental.

 

O convite é entender nossa condição humana de agentes transformadores da realidade e nossa relação com outros agentes e sujeitos de direitos que fazem parte do planeta: água, terra, céu e tudo o que neles há.

 

A humanidade contemporânea tem se desenvolvido focada prioritariamente no mercado, no lucro, no benefício privado, na concentração da riqueza, na exploração da natureza, na escravidão de pessoas e de seus recursos, no desequilíbrio das relações de ética com a natureza e a própria humanidade.

 

A mordomia a que tanto a Igreja prega significa agir com dignidade humana em prol dos humanos e dos não humanos em um mundo que foi criado para ser sustentável, ou seja, uma geração agir em prol da próxima geração.  Onde vai parar a humanidade?  A humanidade não é o centro da criação de Deus, mas foi pensada para ser o agente representante da mão de Deus para o cuidado de sua criação.

 

Assim, o Mundo como criação de Deus: Urge um clamor pela VIDA!

 

Dignidade humana é agir em defesa da VIDA COMUM PLANETÁRIA!

 

Daniela S Frozi

 

Referencia:

 

IPCC (2007b) [Core Writing Team, Pachauri, R.K and Reisinger, A. (eds.)]. Climate Change 2007: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, 2007