Que amor é esse?

quinta-feira
quinta-feira

Quando o cristianismo diz que Deus ama o ser humano, isso quer dizer que Deus realmente ama o ser humano; não que ele tenha alguma preocupação “desinteressada” e totalmente indiferente com nosso bem-estar. A verdade mais terrível e surpreendente é que nós somos os objetos do seu amor. Você queria um Deus amoroso: aí está ele. O grande espírito que você invocou com tanta sensibilidade, o “senhor de aspecto terrível”, existe mesmo. Não como um velho bondoso e solene, desejoso de que você seja feliz à sua própria maneira; nem como a filantropia fria de um magistrado consciente; tampouco como um anfitrião que se sente responsável pelo conforto dos seus convidados. Trata-se do próprio fogo consumidor: o amor que criou o mundo, persistente como o amor de um artista por sua obra e autoritário como o amor de um homem por seu cachorro, providente e venerável como o amor de um pai por seu filho, ciumento, inexorável e exigente como o amor entre os amantes. Como isso deve acontecer, eu não sei. A razão por que qualquer criatura, ainda mais criaturas como nós, tem um valor assim tão prodigioso aos olhos do Criador extrapola nossa capacidade racional. Trata-se certamente de um fardo ou peso de glória que não vai apenas além dos nossos desertos, mas, salvo raros momentos de graça, além dos nossos desejos. Temos a mesma tendência das senhoras daquela peça antiga que desaprovaram o amor de Zeus. Mas o fato parece inquestionável.

>> Retirado de Um Ano com C. S. Lewis, Editora Ultimato.

Print Friendly, PDF & Email

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário