As portas da morte

quinta-feira
quinta-feira

Misericórdia, Senhor! Vê o sofrimento que me causam os que me odeiam. Salva-me das portas da morte. (Sl 9.13.)

Quem disse que o salmista não se preocupa com a morte? Há mais referência à morte no livro de Salmos do que nos cinco primeiros livros da Bíblia e nos quatro Evangelhos. O poeta fala no sono da morte, no pó da morte, na sombra da morte, nos laços da morte, nas portas da morte, nos pavores da morte e no poder da morte. Ele se preocupa com “os condenados à morte” (Sl 79.11; 102.20) e com a morte própria.

A certa altura, o salmista entende que a morte não está muito longe dele: “Tenho sofrido tanto que a minha vida está à beira da sepultura” (88.3). Noutra ocasião, concorda que a morte é inevitável: “Que homem pode viver e não ver a morte, ou livrar-se do poder da sepultura?” (89.48). Ao mesmo tempo, conta que a morte se aproximou muito dele e, depois, se afastou, graças à misericórdia do Senhor: “As cordas da morte me envolveram, [mas] tu me livraste da morte” (116.3, 8). Daí a sua declaração: “O nosso Deus é um Deus que salva; Ele é o Soberano, Ele é o Senhor que nos livra da morte” (68.20). Que a morte está sob o controle de Deus, o salmista não tem a menor dúvida: “Ilumina os meus olhos, ou do contrário dormirei o sono da morte” (13.3).

Como qualquer mortal que ama a vida, o salmista tenta sobreviver, tenta alcançar mais alguns anos de vida. E então ora: “salva-me das portas da morte” (9.13). Mas, quando ela vier, ele não vai ficar desesperado: “Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei perigo algum, pois tu estás comigo” (23.4).

>> Retirado de Um Ano com C. S. Lewis, Editora Ultimato.

Print Friendly, PDF & Email

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário