Mais leves que um sopro

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Os homens de origem humilde não passam de um sopro, os de origem importante não passam de mentira; pesados na balança, juntos não chegam ao peso de um sopro. (Sl 62.9.)

O que pesa menos neste mundo de Deus? Um grão de arroz? Um dedo de algodão-doce? Uma folha seca? Um pingo d’água? Uma única partícula de pó de terra? Um sopro, isto é, aquela reduzidíssima quantidade de ar que se põe para fora com a boca?

Curioso. Para o salmista o que pesa menos neste mundo de Deus é a soma do peso do homem de origem humilde com o peso do homem de origem importante: “Pesados na balança, juntos não chegam ao peso de um sopro” (Sl 62.9). O pé descalço e o colarinho branco, pesados na balança, juntos não chegam ao peso de um sopro. O rico que se vestia de púrpura e de linho branco e vivia no luxo todos os dias e o mendigo que se vestia de chagas e comia da lata do lixo do rico (Lc 16.19,20), pesados na balança, juntos não chegam ao peso de um sopro.

Além de surpreendente, essa descoberta do salmista é vexatória e esmagadora! Não dá nenhum valor nem à elite nem aos marginalizados, nem à riqueza nem à miséria. Ora, a sociedade sempre valorizou o acúmulo de bens e a religião costuma valorizar o voto da pobreza.

Para entender o não exagero do salmista é preciso prestar atenção na palavra balança: “Pesados na balança, juntos [este e aquele] não chegam ao peso de um sopro”. Não é a balança dos mercados, é a balança de Deus, a mesma na qual o rei Belsazar foi pesado e achado em falta (Dn 5.27)!

 >> Retirado de Refeições Diárias com o Sabor dos Salmos. Editora Ultimato.

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