À procura de algo mais

terça-feira
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Não é verdade que todas as amizades duradouras nascem no momento em que você finalmente encontra outra pessoa que tem certa percepção (embora superficial e vaga) daquilo que você nasceu desejando, e que, por baixo do fluxo de outros desejos e em todos os silêncios momentâneos entre as paixões mais gritantes, você tem buscado, observado e ouvido noite e dia, ano após ano, desde a infância até a idade adulta? Acontece que você nunca teve isso.

As coisas que arrebataram profundamente sua alma não passaram de pistas daquilo — piscadelas sedutoras, promessas nunca inteiramente cumpridas, ecos que se foram assim que caíram em seus ouvidos. Porém, se a coisa realmente se tornar manifesta — se um dia você ouvir um eco que não se desfez, mas se transformou no próprio som — você o saberá. Diante de qualquer possibilidade de dúvida você dirá para si mesmo: “Foi para isso mesmo que eu fui feito”.

Não dá para contar isso aos outros. É a assinatura secreta de cada alma, o desejo incomunicável e insaciável; aquilo que desejávamos antes de conhecer nossas esposas ou nossos amigos, ou de ter escolhido nossa profissão, e que devemos continuar desejando até morrermos, quando a mente já não mais conhecer esposa, nem amigos, nem trabalho. Será sempre assim, enquanto formos gente. Se deixarmos escapar isso, estaremos pondo tudo a perder.

>> Retirado de Um Ano com C. S. Lewis, Editora Ultimato.

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