Céu e terra

segunda-feira
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Acredito, na verdade, que qualquer homem que chegue ao céu acabará descobrindo que o que abandonou (mesmo que tenha arrancado seu olho direito) não foi perdido: que o âmago daquilo que estava realmente buscando, mesmo em seus mais depravados desejos, estará lá, além de qualquer expectativa, nos “lugares altos”. Nesse sentido, todos aqueles que tiverem completado a jornada (e somente estes) poderão verdadeiramente dizer que o bem é tudo e que o céu está em toda parte. Mas nós, que estamos do lado de cá dessa estrada, não devemos tentar antecipar essa visão retrospectiva. Se o fizermos, é provável que abracemos o falso e desastroso conceito de que tudo é bom e qualquer lugar é o céu.

“Mas, e quanto a terra?”, você pode perguntar. Penso que a terra, no final, não será considerada por ninguém como um lugar muito diferente. Caso tenha sido posta no lugar do céu, ela acabará se mostrando como tendo sido, o tempo todo, nada mais do que uma região do inferno; se posta em segundo lugar em relação ao céu, a terra terá sido desde o início uma parte do próprio céu. 

>> Retirado de Um Ano com C. S. Lewis, Editora Ultimato.

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