É bondade mesmo?

quarta-feira
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Por aproximadamente cem anos, nós nos concentramos tanto em uma das virtudes — “bondade” ou misericórdia — que muitos de nós achamos que só precisamos da bondade para sermos realmente bons e da crueldade para sermos realmente maus. Esses desequilíbrios éticos não são incomuns, e outras eras também tiveram as suas virtudes de estimação e suas estranhas insensibilidades. Se uma virtude deve ser cultivada em detrimento de todas as outras, não há nenhuma com reivindicações superiores às da misericórdia — pois todo cristão deve rejeitar aquela propaganda enganosa a favor da crueldade, que tenta eliminar a misericórdia do mundo chamando-a de nomes como “humanitarismo” e “sentimentalismo”. O problema é que a “bondade” é uma qualidade fatalmente fácil de atribuir a nós mesmos, e de formas bastante inadequadas. Todo mundo se sente benevolente se não houver nada com que se aborrecer no momento. Assim, o homem facilmente se consola por todos os outros vícios, movido pela convicção de que “o seu coração está no lugar certo” e de que ele “não faria mal sequer a uma mosca”, enquanto na verdade ele nunca fez o menor sacrifício em favor de alguma criatura companheira. Nós nos achamos bondosos quando na verdade somos apenas felizes; da mesma forma, não é assim tão fácil nos imaginamos moderados, castos ou humildes. 

>> Retirado de Um Ano com C. S. Lewis, Editora Ultimato.

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