O aprendizado como vocação

sexta-feira
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A EDUCAÇÃO, os talentos e as circunstâncias de uma pessoa normalmente são indicadores aceitáveis da sua vocação.

Se os nossos pais nos mandaram estudar em Oxford e o nosso país nos deu a chance de continuar ali, essa é uma evidência primária de que, em todos os sentidos, a vida que melhor podemos dedicar para a glória de Deus no momento é aquela voltada ao aprendizado.

O que quero dizer com dedicar a vida para a glória de Deus não é, de forma alguma, tentar fazer com que todas as nossas investigações intelectuais redundem em conclusões edificantes. Como diria Bacon, isso seria oferecer ao autor da verdade o impuro sacrifício de uma mentira. Estou falando da busca do conhecimento e da beleza, em um certo sentido, por si mesmos, mas, em outro, em relação a Deus. Há um gosto natural na mente humana por coisas assim e Deus certamente não criou esse gosto em vão. Por isso, podemos buscar o conhecimento e a beleza por si mesmos, pois, agindo assim, estaremos avançando em nossa própria visão de Deus ou ajudando outros a avançar.

A humildade, não menos do que o gosto, nos encoraja a nos concentrarmos simplesmente no conhecimento ou na beleza, sem nos preocuparmos tanto com a sua relevância final na visão de Deus. Quem sabe essa relevância não seja para nós, mas para pessoas melhores do que nós – aquelas que vêm depois de nós e encontram o significado espiritual daquilo que buscávamos em obediência cega e humilde à nossa vocação. […] A vida intelectual não é o único caminho para Deus, nem mesmo o mais seguro, mas nós a vemos como um caminho, e talvez seja o caminho indicado para nós.

>> Retirado de Um Ano com C. S. Lewis, Editora Ultimato.

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