Em alta voz

sexta-feira
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Em alta voz, darei muitas graças ao Senhor; no meio da assembléia eu o louvarei. (Sl 109.30.)

Quando estava derramando sua alma diante do Senhor em Siló, Ana mexia os lábios, mas não emitia som algum (1Sm 1.13). Ela estava fazendo uma oração silenciosa.

Nem sempre se ora assim. O salmista, por exemplo, escreveu: “Em alta voz, darei muitas graças ao Senhor; no meio da assembléia eu o louvarei” (Sl 109.30). Ele elevou o volume da voz não porque Deus é “tão surdo que não possa ouvir” (Is 59.1). Naturalmente foi por uma questão de testemunho e de entusiasmo: ele queria que toda a multidão o ouvisse.

Todavia é quase impossível fazer uma oração clamorosa em voz baixa. Em algumas ocasiões a oração transforma-se num grito de socorro ou de dor. Como esta, também do salmista: “Ouve a minha oração, Senhor, escuta o meu grito de socorro” (Sl 39.12). Em seu desespero, nas profundezas do Mediterrâneo, cercado de algas marinhas e “no ventre da morte”, Jonas não fez nenhuma oração silenciosa, mas gritou por socorro (Jn 2.2). O mesmo fizeram Pedro (Mt 14.30) e Bartimeu (Mc 10.48). Os três Evangelhos Sinóticos mostram que a última palavra de Jesus na cruz não foi em voz baixa: “Por volta das três horas da tarde, Jesus bradou em alta voz: ‘Eloí, Eloí, lamá sabactâni?’” (Mc 15.34). Foi também em voz alta que Jesus se dirigiu ao irmão de Maria e Marta: “Lázaro, venha para fora!” (Jo 11.43).

A força da gratidão e do entusiasmo costuma elevar a voz dos crentes. Foi em alta voz que Isabel falou a Maria: “Bendita é você entre as mulheres, e bendito é o filho que você dará à luz!” (Lc 1.42). Foi também em alta voz que o único leproso agradecido louvou a Deus por ter sido curado (Lc 17.15,16). 

>> Retirado de Refeições Diárias com o Sabor dos Salmos. Editora Ultimato.

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