De acordo com Douglas Gresham, um dos filhos de Joy que eu conheci pela internet, e encontrei pessoalmente em Oxford, há várias inconsistências com relação a alguns fatos, como a omissão do seu irmão, David no filme. Imagino que isso se deveu a uma questão de economia e conveniência dos produtores do filme.

Talvez também quisessem preservar a identidade desse filho, que preferiu ficar longe das câmaras de seu famoso padrasto e, ao que sabemos, também do cristianismo. Outro fato omisso foi de que quando conheceu Joy pessoalmente, Lewis já tinha ido lecionar em Cambridge, onde o esquema de aulas era um pouco diferente de Oxford, retratado no filme.

Mas de uma maneira geral, de acordo com Douglas, o diretor conseguiu recriar bem o relacionamento dos dois e o clima que imperava no lar dos Lewis.

Anthony Hopkins disse certa vez que se trata de uma “iluminação baseada em fatos”. Em entrevista ele também afirma que o papel de Lewis foi um dos mais emocionantes que já havia feito até então.

Além de cuidar diretamente do legado do padrasto, acompanhando inclusive os filmes que estão sendo rodados sobre as suas obras, ele tornou-se missionário, tendo uma espécie de “Labri” para ajudar aos necessitados.

Mesmo não sendo escritor, ele dedicou um livro ao pai, chamado “Lenten Lands”. Vc poderá encontrar várias entrevistas dadas por ele na internet.

Embora muitos interpretassem isso a partir do filme e do livro que ele escreveu após a morte de sua amada Joy, A Grief Observed (Anatomia de uma Dor – Ed. Vida), para bom entendedor, tudo leva a crer que isso não aconteceu. Aqui vão alguns indícios:
1. Embora Lewis realmente questionasse Deus em Anatomia de uma Dor, chamando-o até de “carrasco divino”, esse tipo de efusão emocional lembra muito o livro de Lamentações (tá na Bíblia para quem não sabe, rsrs). Não nos proíbe de nos queixar quando a coisa dói. Afinal, Lewis já tinha perdido a mãe aos seus nove anos de idade, depois o pai e agora a amada, todos vitimados pelo câncer ?!
2. Conheci um rapaz brasileiro que me disseram que curtia Lewis e que me surpreendeu. Quando fui lhe perguntar, que livro ele mais amava, ele mencionou A Grief Observed, que nem havia sido traduzido na época ainda. Não o considero exatamente “popular” ou “agradável” para a maioria das pessoas. E quando eu perguntei o porquê, eleexplicou: “É que eu acabei de perder o meu pai há alguns meses. Quando o livro me caiu nas mãos, ele se tornou uma das fortes razões que me preservaram de desviar-me da fé cristã.

3. Depois desse, Lewis ainda escreveu um último livro, Letters to Malcolm, chiefly on prayer (Cartas a Malcolm, principalmente acerca da oração, que também já se encontra traduzido para o português). Esse livro mostra que, ao contrário de ter perdido sua fé, Lewis se reergueu fortalecido, vivendo a última fase de sua vida, profundamente pautada pelo que Francis Schaeffer considera a “verdadeira espiritualidade”.

O outro filho de Joy, que não aparece em Shadowlands, até, penso que, para não comprometê-lo e deixá-lo seguir o seu rumo, ao que tudo indica, está bem.

De acordo com Douglas, o irmão que se converteu ao cristianismo da mesma forma que a mãe, lendo as Crônicas de Nárnia, ele está casado e tem um filho. Ele abraçou o judaísmo e está morando na Índia. Mas não estou certa sobre a atualidade dessa informação.

Originalmente, tratou-se de uma peça de teatro que retratava a amizade e casamento de Lewis com Joy Davidman Gresham. A história foi adaptada para várias “mídia”: para a BBC; para a TV; para o teatro; para o rádio e para os cinemas.
Provavelmente o título foi inspirado em um trecho de A Última Batalha, em que Aslam esclarece, depois do fatal desastre de trem que sofreram, que “estão todos mortos, como vocês costumavam dizer na terra das sombras…”. Ou seja, a idéia é que o nosso mundo e no caso, também o de Nárnia, um mundo (sub-) criado pelo “terráqueo” Jack, não passam de reflexos do Reino de Deus, representado por Aslam em Nárnia. Essa idéia foi muito mal interpretada no filme para o cinema, embora tudo isso já possa ser lido em Platão (No mito da Caverna), como Lewis costuma lembrar em muitos dos seus escritos. É por isso que o professor de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupas reclamava do sistema de ensino do seu tempo: “Mas, afinal, o que é que estão ensinando nessas escolas?”

Eles se conheceram quando Tolkien já era professor em Oxford. Lewis mesmo levou muitos anos para conseguir uma cadeira naquela universidade pelo fato mesmo de ter sido um cristão e não tê-lo escondido. Além desse, o outro fato que gerava muito preconceito entre seus colegas do mundo acadêmico era o de terem se tornado autores populares de obras de ficção pouco ou nada “científicas”… As duas primeiras características de Tolkien que Lewis registra em seu diário foram as de “filólogo” e “papista”, dois tipos de pessoas de que Jack havia sido alertado para manter distância.

Então a primeira impressão não parece ter sido das melhores, mas depois eles acabaram desenvolvendo uma amizade sólida, que se aprofundou depois que Lewis se converteu, em grande parte por influência do próprio Tolkien e mais alguns professores cristãos, que Lewis descobriu com espanto, provavam ser até inteligentes!

Além de escrever ficção, eles compartilhavam pelo menos outros quatro prazeres: a mitologia; a natureza, especialmente animais e árvores; um bom happy hour nos clubs depois do serviço; e a amizade.

Veja mais a esse respeito no meu livro O Senhor dos Anéis: da fantasia à ética (Editora Ultimato). Você também pode adquirir o livro via site.

Eles se conheceram quando Tolkien já era professor em Oxford. Lewis mesmo levou muitos anos para conseguir uma cadeira naquela universidade pelo fato mesmo de ter sido um cristão e não tê-lo escondido. Além desse, o outro fato que gerava muito preconceito entre seus colegas do mundo acadêmico era o de terem se tornado autores populares de obras de ficção pouco ou nada “científicas”… As duas primeiras características de Tolkien que Lewis registra em seu diário foram as de “filólogo” e “papista”, dois tipos de pessoas de que Jack havia sido alertado para manter distância. Então ela não foi das melhores, mas depois eles acabaram desenvolvendo uma amizade profunda, que se aprofundou depois que Lewis se converteu, em grande parte por influência do próprio Tolkien e mais alguns professores cristãos, que Lewis descobriu com espanto, provavam ser até inteligentes!

Além de escrever ficção, eles compartilhavam pelo menos outros quatro prazeres: a mitologia; a natureza, especialmente animais e árvores; um bom happy hour nos clubs depois do serviço; e a amizade.

Veja mais a esse respeito no meu livro O Senhor dos Anéis: da fantasia à ética (Editora Ultimato). Você também pode adquirir o livro via site.