Cleber Santos Oliveira

INTRODUÇÃO                                                                   

A sociedade está em crise. Reduzido pela máquina mercadológica como mero consumidor, o homem secularizado é condicionado ao modelo capitalista, cuja ideologia corrobora para a sua despersonalização e desumanização. Vivemos numa sociedade em que a vida é descartada meramente como mercadoria e as consequências são evidentes: opressão, sofrimento e destruição. Como a luz do farol que indicava um caminho seguro aos navios em dias de baixa visibilidade e os guiavam até o porto, assim também, nesse mar de incertezas e obscuridades, precisamos de luzes que nos capacitem a compreender a realidade e dar-lhe novo sentido. Lentes que nos possibilitem discernir o significado da vida, redescobrir seus valores e reeoncontrar o seu sentido último. Devemos cativar a imaginação. Voltar a vislumbrar a possibilidade de transformar a nossa percepção de mundo. A literatura é um instrumento oportuno porque possibilita ao leitor, por meio de sua compreensão, dar significado à realidade. O presente artigo tem por objetivo refletir sobre a Ética da Virtude, tendo como objeto imediato a obra-prima de C. S. Lewis As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda Roupa. Nosso foco será a Virtude da Reverência segundo as considerações do professor Stan Van Hooft. Para realizar este projeto, vamos dialogar com notáveis escritores, pesquisadores, teólogos e filósofos, dentre os quais: Alister McGrath, Colin Duriez, Devin Brow, Franscis Schaeffer, Gabriele Greggersen, Glauco Maganhães Filho, Ives Gandra M. Filho, Nelly Novaes Coelho, Willian Lane Graig e Stan Van Hooft. C.S. Lewis é reconhecido mundialmente e as suas obras infantis são objetos de discussão e comentários em todo o mundo. As Crônicas de Nárnia são uma obra digna de ser lida porque oferece orientações fundamentais sobre a conduta humana além de oportunizar ao leitor pensar nas questões sérias da vida e da sociedade. Nosso maior objetivo ao tratar sobre Ética da Virtude, vinculado à obra prima de C.S. Lewis é, como um luzeiro, contribuir para uma sociedade mais justa e humana e destacar a importância das histórias como instrumentos de reflexão e conduta.

Palavras-chave: Ética. Moral. Fantasia. Literatura. Filosofia.   

Nossa época terrivelmente materialista e burocrática tem sido muito cruel com a fantasia e a imaginação, duas de nossas faculdades mentais mais estimulantes. Em toda parte, esse modo pacífico e sutil de interagir com a realidade – o prazeroso exercício da fantasia e da imaginação – tem sido sistematicamente desetimulado e desvalorizado. Nossa época terrivelmente utilitarista e desencantada precisa urgentemente dos contos de fadas, das fábulas, dos mitos, das narrativas fantásticas, de tudo o que esteja carregado de poesia, símbolos e arquétipos, ou seja, de energia vital. (OLIVEIRA, Nelson de, 2012, p. 13). 

E quem disse que a história não é verdadeira?”
(Digory Kirke – o professor, em As Crônicas de Nárnia: O Leão, a feiticeira e o guarda-roupa

1. UM HOMEM CHAMADO C. S. LEWIS

Clive Staples Lewis nasceu em 29 de novembro de 1898, na cidade de Belfast na Irlanda do Norte. Foi catedrático de filosofia, crítico literário, renomado palestrante de Oxford e Cambridge e uma das maiores autoridades em literatura inglesa.

Reconhecido como um notável educador (Greggersen, 2010, s/p) e “[…] um incansável leitor de contos de fadas e histórias infantis” (JACOBS, 2015, p. 333) C.S. Lewis e seu irmão Warren cresceram num  ambiente cercado de livros e de belas paisagens. Essa condição o beneficiou para desenvolver sua imaginação e vocação literária (MCGRATH, 2014).

Lewis também é reputado como um dos mais influentes intelectuais cristãos do século XX, porém, os primeiros 30 anos de sua vida foram comprometidos com o ateísmo. Foi nessa época que Lewis enviou uma carta ao amigo Arthur Greeves declarando que não acreditava em Deus e que Jesus Cristo era apenas um grande mestre da moralidade, um “filósofo hebreu” (NICHOLI (2005).  Sobre esse período Mcgrath descreve,

O compromisso contínuo de Lewis com o ateísmo, em 1920, baseava-se em sua crença de que estava certo, de que era uma “severidade saudável”, embora ele admitisse que oferecia uma visão “sombria e sem sentido” da vida. Ele considerava que a retidão intelectual do ateísmo excedia sua inadequação emocional e existencial. Lewis não           considerava o ateísmo libertador ou excitante; parecia simplesmente tê-lo aceitado, sem entusiasmo, default, sem quaisquer virtude ou graças particulares (MCGRATH, 2014, p. 22).

No entanto a cosmovisão ateísta de Lewis não foi suficiente para dar-lhe explicações sobre as questões fundamentais da vida e para fazê-lo discernir o seu significado, ao invés disso Lewis constatou que “o ateísmo era existencialmente insignificante, não tendo respostas para as questões mais profundas da mente humana ou anseios do coração humano” (MCGRATH, 2014, p. 24). Lewis compreendeu que somente o cristianismo poderia dar sentido e significado à sua vida, que o cristianismo era “a bússola moral e intelectual de seu mundo”(NICHOLI, 2005, p. 48), que somente “a razoabilidade da fé cristã” era capaz de oportunizá-lo a contemplar as coisas de modo maravilhoso, conexa e coerente (MCGRATH, 2014, p. 28) e que somente o cristianismo se encaixava com a Alegria (Joy), o desejo intenso, “um  desejo não satisfeito, que é em si mais desejável do que qualquer outra satisfação […] e que jamais o trocaria por qualquer outro prazer do mundo”(NICHOLI, 2005, p. 93).

C.S. Lewis finalmente entendeu a verdade desse desejo: “A alegria era ‘um indicador de alguma outra coisa lá fora’, uma placa sinalizadora que apontava para o Criador” (NICHOLI, 2005, p. 93). Passou a considerar o cristianismo como uma lente que amplia a visão a qual o fez enxergar as coisas corretamente e compreender que “se eu encontrar em mim mesmo um desejo que nenhuma experiência neste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para outro mundo” (MCGRATH, 2014, p. 31).  Como esclarece McGrath (2014, p. 31):

Uma das razões de Lewis abraçar o cristianismo é que o ajudou a discernir o sentido da vida. A vida é mais que apenas entender as coisas: trata-se de ser capaz de lidar com a ambiguidade e a confusão, e de encontrar algo de valor para nos dar direção e sentido.

Lewis compreendeu que o Cristianismo tem as respostas para as questões cruciais da vida, entretanto, o caminho da fé cristã não é fácil, ainda que a mensagem da fé cristã seja simples. 

2. AS CRÔNICAS DE NÁRNIA

As Crônicas de Nárnia foi publicada entre 1950 a 1956 e reúne sete contos infantis. Nesses contos Lewis tratou sobre algumas peculiaridades fundamentais que abordam além de temas cristãos, aspectos morais, literários e determinadas questões fundamentais da vida (Brown, 2006). Segundo McGrath, Lewis tem a capacidade de explorar surpreendentemente questões filosóficas e teológicas:

As crônicas de Nárnia esclarecem como os seres humanos se veem a si mesmos, e como enfrentam suas fraquezas e como tentam se tornar as pessoas que devem ser. Elas tratam da busca de significado e da virtude, não apenas da busca de explicação e do entendimento. Esse talvez seja o fator que explica seu forte apelo: as crônicas de Nárnia        falam de escolhas a fazer, de certo e errado, e de desafios a enfrentar. Todavia, essa visão de benignidade e grandeza não é exposta como uma argumentação lógica ou raciocinada; é, antes, afirmada e explorada por meio da narrativa de uma história – uma história que prende a imaginação (MCGRATH, 2013, p. 284).

Neste mundo imaginativo Lewis conduz o leitor a verdadeiras reflexões como escolhas, desafios, conduta e fé além de despertar o reencanto pelo mundo (MCGRATH, 2013). Nas Crônicas encontramos maravilhosas e autênticas fontes de conhecimento “cheias de verdades escondidas, de mistérios profundos e de tesouros espirituais” (DITCHFIELD, 2003, p. 15).

De acordo com Gabriele Greggersen (2006), mestre e doutora em História e Filosofia da Educação e autora de livros e diversos artigos sobre Lewis no Brasil, a linguagem didática e acessível de seus contos são elementos que têm cooperado significativamente para as ciências humanas como particularmente para a educação. Para Greggersen, por trás da aparente simplicidade das histórias de Lewis existe potencial didático para o ensino de conceitos filosóficos universais e atemporais.

3. QUAL A IMPORTÂNCIA DO CONTO DE NÁRNIA PARA HOJE?

Diante da decadência do homem moderno e do  declínio espiritual da civilização ocidental haveria boas razões para ler C.S. Lewis? O que tem a nos dizer um dos maiores pensadores e apologistas cristãos do século XX?

São muitas as razões para ler C.S. Lewis. Seus livros, além de edificantes, exploram a verdade concreta, ajudam o leitor a ponderar o crescimento moral e  possibilitam, por meio de sua compreensão, relacioná-los aos aspectos práticos do cotidiano. Para o professor Ricardo Gouvêa (s/d, s/a), por meio da literatura distintamente cristã, C.S. Lewis oportuniza o cristão a pensar a sua fé, a viver uma vida de oração e inspira os Valores do Reino até mesmo para aqueles leitores hostis ao Cristianismo.

É evidente no mundo moderno o “declínio completo da personalidade humana” (DOOYEWEERD, 2010, p. 242). Não é difícil contemplar homens sem faces, indivíduos mercadorias, corpos dilacerados pela fragmentação do sujeito, cuja vida foi reinsignificada como sendo uma vida de consumo, privada de autonomia, meramente como apêndice na esfera do consumo (Mueller Apud Adorno, 2009). Nessa barbárie, o discurso do homem secularizado é condicionado ao modelo capitalista, cuja ideologia corrobora para a sua coisificação, despersonalização e desumanização.

Refém do sistema, privado do exercício da sua autonomia e envolto em uma atmosfera de incertezas, de anulação de direitos e de ocultação da realidade, o homem ainda precisa enfrentar as forças intangíveis reabsorvidas pelos pixels de sua janela eletrônica que, subordinada aos interesses das elites, da utilidade e do lucro funciona como instrumento de domínio, manipulação e sujeição (MININNI, 2008). Tal é o terror do espírito do mundo atual que tem aterrorizado o homem. É nesse meio tenobroso, povoado de massas manipuláveis, que “o homem se encontra em estado de condições anormais agora” (SCHAEFFER, 2007, p. 69). E a falta de uma reflexão tem afetado de modo substancial o homem moderno. Como bem disse Postman (Apud STOCMAN, 2006, p. 116) “[…] somos um povo a ponto de nos divertir até a morte”. É preciso urgentemente pensar de modo correto, desenvolver o pensamento crítico porque as consequências da falta de reflexão crítica são inimagináveis, que vão desde a exploração do homem pelo homem à manipulação das massas ocasionando repetições irrefletidas de comportamentos numa verdadeira inteligência de rebanho (Sayão, 2001, p. 6), “uma massa passiva, homens sem consciência” (NUNES, 1986, p. 17). É nessa atmosfera que Schaeffer nos faz um alerta crucial: um alerta para a crise de princípios morais:

Não é que o mundo de hoje só tenha padrões morais falsos – não tem padrões morais em qualquer sentido absoluto.  Pensamos imediatamente em padrões morais sexuais, mas não são só os princípios morais sexuais. É toda a moralidade na vida privada e pública. Os homens modernos, na ausência de absolutos, já poluíram todos os aspectos de moralidade, fazendo padrões completamente hedonistas e relativistas. O mundo já os cobriu com seu próprio vocabulário e chamou isso de ética situacional. Cada situação é julgada subjetivamente sem nenhum absoluto ao qual se possa apelar (SCHAEFFER, 2009, p. 71).

É impostergável que precisamos ser resgatados do fundo desse lamaçal e quebrar as algemas que nos prendem nesse “nocivo encantamento da mundanidade” que […] tem saturado tão profundamente nosso pensamento”  (MCGRATH, 2014, p. 65) e que tem gerado nos corações do homem insatisfação, individualismo, negação da identidade e solidão. Mcgrath, (2013) oferece-nos uma saída vital: cativar a imaginação por meio de narrativas encantadoras é fundamental se quisermos destrancar as portas do progresso moral. Na prática a imaginação oportuniza compreender melhor a realidade na sua completude (GREGGERSEN, 2006). A imaginação é a via que nos oportuniza avivar aquele “misterioso encanto” pelo mundo  (CORTELLA, 2009) e a vislumbrar a possibilidade de transformar a nossa percepção de mundo. Bem disse Filho I. (2010, p. 12) que “A admiração traz consigo a curiosidade: o afã de saber, a busca do sentido da existência e o desejo de comprender o que são as coisas”. A curiosidade nos leva a uma atitude filosófica e a imaginação, ao conhecimento da verdade.

Nessa perspectiva a literatura é um instrumento oportuno, porque possibilita ao leitor, por meio de sua compreensão, dar significado à realidade, visto que, de certo modo, ela tem como pressuposto o ato de empreender a tarefa de explorar a verdade como autênticos mananciais de conhecimento.

Para a educadora Coelho (2012, p. 23), a literatura fantástica, quando considerada além de um simples “entretenimento infantil”, revela-se como um verdadeiro manancial de conhecimento do homem. Nesse sentido, passamos a percebê-las como “portas que abrem para verdades humanas ocultas”. Ainda para Coelho (2012, p. 18) “literatura é o ato de relação do eu com o outro e com o mundo. Os tempos mudam incessantemente, porém, a natureza humana permanece a mesma”. A literatura contribui na construção da estrutura do conhecimento e viabiliza a prática de uma reflexão-ação. Conforme esclarece Anacker:

As histórias mexem com nossa imaginação porque elas tratam de uma coisa que todos nós achamos extremamente interessante a vida: sentido e propósito, como viver, como não viver, como lidar com o sucesso ou o fracasso, qual é a aparência das pessoas boas e das más, e assim por diante. As histórias são reais. Histórias marcantes e emocionantes podem ser construídas com base em quase todas as facetas da vida ambições, compromissos supremos, medos, eventos profundos qualquer coisa que mexa com elementos importantes da vida (ANACKER, 2006, p. 135).

Para Anacker (2006) as histórias são fundamentais para a constituição do caráter moral, dentre as quais: (a) levantar questões fundamentais acerca da vida e (b) identificar a imagem das pessoas boas e maldosas. Para Anacker as histórias de Nárnia suscitam a imaginação moral e esse é o ponto chave. A imaginação moral pode ser comparada com uma base maciça sobre a qual podemos firmar os nossos pés no caminhar da nossa vida: nas decisões, nas questões fundamentais da vida e nas nossas ações. Firmados sob essa base concreta podemos caminhar com novos enfoques morais.

Para Coelho (2012, p. 124):

[…] não podemos esquecer que na vida real não existem fadas nem madrinhas que venham realizar por magia aquilo que temos vontade de fazer. Há, na vida, um trabalho a ser realizado, uma luta a ser empreendida por todos nós. E, nesse sentido, a literatura cumpre um papel. Pela imaginação, varinha de condão capaz de revelar o homem a si mesmo, a literatura vai-lhe desvendando mundos que enriquecem seu viver. O objetivo último da literatura é a experiência humana, o convívio com ela. Como diz Lotman, a literatura “ajuda o homem a resolver uma das questões psicológicas mais importantes da vida: a determinação do próprio ser.

As histórias praticamente possibilitam o pensar e com as armas da reflexão somos encorajados a exercitar o nosso “ser filosófico” em busca de uma apreensão significativa a respeito da vida: “como viver, como não viver”. Para McGrath (2014, p. 74 ) “As histórias de Nárnia parecem pueris para alguns mas para outros absolutamente transformadoras”. As histórias nessa perspectiva assume uma valiosa fonte de resgate. 

4. ÉTICA DA VIRTUDE: O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA-ROUPA

Segundo SAYÃO (2001, p. 52) “a marca do caos manifesta-se no campo da moral. Uma sociedade sem ética torna-se insuportável”. Falar sobre Ética é fundamental, dadas as possibilidades de escolha e a capacidade que o ser humano tem de dispor da liberdade (SAYÃO, 2001). Somos sujeitos morais cuja liberdade, consciência e responsabilidade estão diretamente relacionados com a nossa vida ética e ao escopo das virtudes éticas  (CHAUI, 2012). Somos agentes conscientes capazes de diferenciar nossas ações, atitudes ou motivações e distingui-las entre o certo e o errado, bondade e a maldade e atribuir valores aos nossos atos e comportamentos.

Na maioria das vezes praticamos atos morais, logo, a questão ética faz parte do nosso mundo real: do nosso cotidiano. Ainda que a multiforme e complexa variedade de situações, experiências e circunstâncias da vida confere sentido diferente da existência humana de modo que nem todos expliquem a vida cotidiana da mesma forma. O escritor Robert Banks nos ajuda a compreender alguns aspectos da vida cotidiana, que comumente são caracterizados por:

situações regulares em que nos vemos dia afora ou no decorrer da semana, as responsabilidades em andamento que nós temos, ou as atividades com que nos envolvemos; os problemas que com regularidade solicitam nossa atenção; as pressões mais insistentes que sentimos, as coisas sobre que comumente pensamos e falamos, os desejos, valores e crenças que mais nos moldam a existência (BANKS, 2004, p. 54).

Filho I. (2010,  p. 13) argumenta que “O atrativo da Ética está na distinção entre as ações nobres e as ações vis, em que a primeira nos encantam e as últimas nos causam repulsa. No fundo a Ética se resume a escolher bem e a tomar a decisão certa em cada momento”.

Segundo Anacker (2006, p. 141) existe uma crise na ética que é conhecida pelos filósofos. Uma crise que se propagou a partir do início dos tempos modernos. As teorias éticas apresentadas pelos filósofos cerca de três séculos antes pressupunham que o mais importante que nos compete no âmbito da moralidade são as ações, porém, as teorias fundadas em ações não foram aceitas por unanimidade e nesse ínterim o relativismo e o ceticismo moral ganharam espaço juntamente com outros distúrbios intelectuais. Sendo assim, o pensamento dos filósofos tem sido o de reconsiderar a correlação entre moralidade e as ações. Destarte, muitos filósofos começaram a repensar sobre a relação entre a moralidade e as ações o que fez com que vários deles reconsiderassem a “abordagem moral da Antiguidade e da era medieval quando se presumia que a ética tem como interesse central o caráter e a virtude, não as ações ou os deveres específicos (2006, p. 141)”.

Para Anacker essa forma de tratamento da moralidade é denominada ética da virtude e representa um grande avanço na Filosofia. Cabe destacar que foi o filósofo ateniense Aristóteles que desenvolveu a Ética da Virtude em sua obra Ética a Nicômaco cujo objetivo era orientar seu filho Nicômaco quanto ao modo de agir em sua vida para alcançar a excelência moral e a felicidade (FILHO, G. 2010).

Mas o que é Ética da Virtude? Ética da Virtude, de acordo com o Dicionário de Filosofia de Cambridge (2011, p. 305), são “concepções ou teorias de moral nas quais as virtudes exercem papel principal ou independente. Assim, é mais do que simplesmemente a descrição das virtudes oferecida por determinada teoria”.  Moreland e Crag explica que a ética da virtude:

[…] é teleológica por natureza. O tipo de teleologia (o foco nos objetivos e nos fins) envolvidos na ética da virtude não é semelhante a do utilitarismo. […]  A ética da virtude se concentra no propósito geral da vida em geral, a saber, viver bem e alcançar a excelência e experiência como ser humano. Nesse sentido, a ética da virtude é profundamente ligada ao conceito de vida como um todo e à ética da pessoa. Dada a compreensão do propósito da vida e do desenvolvimento humano ideal, bem como do viver habilidoso que seja parte desse propósito, a ética da virtude é a tentativa de esclarecer a natureza da pessoa boa e como alguém se desenvolve à luz desse conceito tão elevado. Em outras palavras, a ética de virtude objetiva definir e desenvolver a boa pessoa e a boa vida, e as virtudes são traços de caráter que capacitam as pessoas a alcançar a eudemonia ou felicidade, não de bem-estar, de excelência e experiência na vida. (MORELAND E CRAG 2005, p. 555).

Para os filósofos Moreland e Crag (2005, p. 555) a correspondente harmonia entre as concepções da vida moral com o contexto das adequadas potencialidades para o desenvolvimento humano, quais sejam: “o propósito da vida, a boa pessoa, o caráter e a virtude”, justificam a amplidão de partidários dessa teoria ética.

Segundo Duriez (2005, p. 113) “Um elemento principal nas Crônicas é a busca”. No movimento de busca a personagem das histórias de fantasias se põe numa  jornada e é nesse movimento que ele se depara com situações desfavoráveis, contradições, dramas, mas também com provisões, oportunidades, atos de heroísmo e coragem. É aqui, nessa seção, que empreenderemos a nossa jornada em Nárnia com a finalidade de “discernir níveis mais profundos de significado e valor naquilo que já conhecemos” (MCGRATH, 2013, p. 292). Nossas análises serão baseadas nas considerações de Hooft (2013, p.213-220) sobre o que ele entende como “Algumas Virtudes Importantes” com foco na Virtude da Reverência.

Conforme MCGRATH (2014), quando C.S. Lewis escreveu As Crônicas de Nárnia sua intenção era, além de proporcionar o prazer encantador da leitura, também promover uma experiência para o leitor pensar sobre algumas questões importantes acerca da vida. Segundo McGrath a originalidade fundamental das histórias de Nárnia consiste, sobretudo, em permitir que o leitor compreenda e interprete as “narrativas concorrentes” do mundo em que vive. Para McGrath (2014, p. 73) “Lewis queria que entendêssemos que vivemos em um mundo modelado por histórias – por narrativas que nos dizem quem somos e o que realmente importa”. Nesses termos a fantasia de Lewis, longe de ser uma forma de escapismo ou uma literatura alienante, é uma obra que expande a consciência do leitor,  amplia a relação do indivíduo com o mundo, e cria a oportunidade para pensar certo.  Assim, para Filho. B. (2008, p. 26) “A verdadeira fantasia nunca deve ser associada ao escapismo, pois ela não é uma fuga, mas um aprofundamento no mundo real, tanto de seu terror como de sua beleza”.

Conforme Hooft  (2015, p. 213), a virtude da Reverência é:

Uma virtude que podemos compreender à luz do conceito aristotélico de “contemplação: a atividade de pensar acerca das coisas eternas exercida por esse aspecto do nosso ser que olha para além das vicissitudes e contingências dessa vida mundana a fim de encontrar significado e compreensão em uma realidade de maior valor.

O mundo é o campo da virtude da reverência. O céu, lá em cima, é a prova de que existem coisas maiores. Deus na Sua providência manifesta a Si mesmo por meio das coisas que criou (Romanos, 1.20). Basta olhar para cima, para o esplendor do céu, para “o firmamento iluminado de estrelas” (PAINE, 2008, p. 49), para sermos inspirados. Segundo Hooft, aqueles que creem contemplam a beleza divina. Tal perspectiva da magnitude das coisas criadas evoca tanto a admiração, quanto a adoração.  Se para alguns as histórias são pueris, para outros “essas histórias evocativas afirmam […] que de fato existe algo lindo e maravilhoso no coração do universo; e que isso pode ser encontrado, aceito e adorado” (MCGRATH, 2014, P. 74). Segundo McGrath (2013, p. 291) em Nárnia isso é muito evidente: os animais falantes como personagens do conto são “em parte um protesto contra as afirmações superficiais do direito da humanidade de fazer o que lhe aprouver com a natureza”, nesse sentido, em Nárnia temos a percepção de quem somos e o que não somos.

Foi a admiração da magnitude da existência que levou Chesterton a reverenciar o universo e as coisas que nele há:

Existe por trás de todas nossas vidas um abismo de luz, mais ofuscante e mais penetrante do que qualquer abismo de escuridão: é o abismo da realidade, da existência, do fato de as coisas realmente existirem, e do de nós mesmos sermos inacreditavelmente, e, às vezes, incredulamente, reais (PAINE apud CHESTERTON,  2008, p. 103).

As aventuras dos irmãos Pevensie começaram na manhã seguinte em que chegaram de Londres para ficarem na casa do professor Digory Kirke, por causa da guerra e dos ataques aéreos. Assim, colocaram-se a explorar a casa, porque não podiam brincar lá fora visto que chovia muito e “da janela, quase não se viam as montanhas, nem os bosques, nem sequer o riacho do quintal” (LEWIS, 2011, p. 104). Num determinado momento os quatros irmãos entraram a expiar uma determinada sala “onde só existia um imenso guarda-roupa, daqueles que têm um espelho na porta (LEWIS, 2011, p. 105)” e uma mosca morta no parapeito da janela. Para Pedro não havia nada ali! Decerto, todos decidiram sair da sala. Todos, menos Lúcia. Lúcia não saiu da sala porque “Para ela, valia a pena tentar abrir a porta do guarda-roupa, mesmo tendo quase certeza de que estava fechada à chave. Ficou admirada ao ver que se abriu facilmente…” (LEWIS, 2011, p. 105).

O sentimento de admiração e apreciação é a virtude da reverência, posto que “A pessoa reverente procura contemplar as coisas que lhe inspiram admiração, ser sensível à beleza e à grandiosidade das coisas…” (HOOFT 2015, p. 215). Lúcia atribuiu beleza ao guarda-roupa. Para ela aquele móvel era um objeto belo que a deixou encantada. De acordo com Éttienne Gilson “Não há oposição entre o útil e o belo, já que é possível que a beleza seja útil – o que em certo sentido, ela sempre é”. Por utilidade compreende-se a funcionalidade do guarda-roupa. Tal apreensão despertou em Lúcia a pretensão de entrar dentro do guarda-roupa: “Lá dentro [Lúcia] viu dependurados compridos casacos de peles. Lúcia gostava muito do cheiro e do contato das peles. Pulou para dentro e se meteu entre os casacos, deixando que eles lhe afagassem o rosto” (LEWIS, 2011, p. 105). A atitude de admiração de Lúcia assinala sua virtude de atitude. Segundo Gilson (2010, p. 28) “o belo se reconhece por ser objeto de admiração. A palavra admirar significa ‘voltar o olhar na direção de’; admiração é a reação espontânea do homem, sensibilidade e inteligência, à percepção de todo o objeto cuja apreensão agrada por si mesma”. Lúcia se entregou àquele sentimento de alegria e de desfrute, como resultado de seus sentimentos adequados. Como assinala Gilson (2010, p. 33) “O prazer do belo ora engendra o desejo, ora o coroa; em todo o caso, a experiência do belo engendra o desejo e se coroa de prazer”.

Quando Lúcia entrou em Nárnia conheceu o Sr. Tumnus, um fauno, e é na relação de amizade entre eles que existe um sentimento harmônico e de afeição. Esse vínculo concorda com Hooft (2015), na medida em que se caracteriza pelo simples regozijo da companhia do outro pontuado por Hooft como “sentimentos de afeição das pessoas reverentes”. Segundo Hooft (2015) para ornamentar nossos relacionamentos é importante que haja o sentimento adequado de apreciação ao outro.

– “Acham que ela está louca? – perguntou, calmamente, o professor. – Podem ficar descansados: basta olhar para ela, ouvi-la um instante para ver que não está louca” (LEWIS, 2011, p. 123).  No diálogo entre o professor e os irmãos Pevensie podemos analisar o que Hooft considera como atitude de virtude o compromisso com a dignidade da pessoa humana em resposta a um julgamento. Nesse sentido, a pessoa reverente considerará a dignidade da pessoa humana, demostrará importância e lhe dará auxílio. Encontramos uma virtude no professor Kirke, a qual Hooft (2015, p. 217-218) assinala como “O conhecimento e julgamento da situação presente”. Durante uma empolgante conversa entre eles o professor foi questionado sobre a possibilidade de existir um outro mundo, e ele respondeu: “É muito provável – disse o professor, tirando os óculos para limpá-los. – Eu gostaria de saber o que estas crianças aprendem na escola! – murmurou para si mesmo (LEWIS, 2011, p. 124). Kirke sabe do que se trata. Ele esteve em Nárnia. Aqui ressalta mais uma vez sua virtude de atitude cuja conduta descreve ao que Hooft denominou “ação do agente em resposta ao julgamento”. Nesse sentido Hooft (2015, p. 217) ajuda-nos a compreender esse conceito quando explica que “o pensamento pragmático e instrumental torna mais difícil para nós vermos o ambiente natural como sendo inerentemente valioso […] é difícil acreditar em entidades para quais não há provas”. Estavam diante de Digory Kirke, “homem de meia idade (um famoso professor dado a viagens)”(LEWIS, 2011, p. 97). Era evidente que o Lúcia esteve em Nárnia: “ – Lógica! – disse o professor para si mesmo. – Por que não ensinam mais lógica nas escolas? (LEWIS, 2011, p. 123). Quando lemos a conversa entre eles, fica evidente o motivo do “protesto” do professor em defesa da Lúcia com base nos argumentos logicamente certos do pensamento.

A Lógica é o organon (instrumento) para distinguir o raciocínio correto do incorreto; a lógica é o instrumento que nos fornece elementos para a avaliar argumentos e é ferramenta fundamental do pensamento e da linguagem, para a realização do conhecimento e do discurso, ou seja, para pensar e falar bem sobre a realidade. De acordo com Sproul (2002, p. 43), a lógica “é ferramenta suprema” e a “razão disso é que a lógica é essencial ao discurso inteligível. O que é ilógico é ininteligível; não só é entendido, mas também não pode ser entendido” Para o professor Kirke […] Só há três possibilidades: ou Lúcia está mentindo; ou está louca; ou está falando a verdade. Ora, vocês sabem que ela não costuma mentir, e é evidente que não está louca. Por isso, enquanto não houver provas em contrário, temos de admitir que está falando a verdade” (LEWIS, 2011, p. 123).

Para Hooft “[…] a forma de julgamento apropriada à reverência é aquela da disponibilidade e da sensibilidade para com o maravilhoso e o numênico. É intuitiva e de mente aberta”. Mente aberta não está distanciado da lógica, pelo contrário, pressupõe análise crítica da realidade contrária à instrumentalização colonizadora do pensamento, estabelecida pelo racionalismo. Para Hooft (2015, p. 218) “a virtude da reverência depende de sermos um tanto quanto menos racionais […]”.

Sobre “os vícios e falhas correspondentes da virtude”, Hooft esclarece:

Os vícios ou falhas correspondentes da virtude da reverência são a ignorância, a insensibilidade, o filistinismo, a grosseria, a crueza, a superficialidade, a falta de cultura, o racionalismo econômico, a insensibilidade, a falta de apreciação, a alienação, o individualismo, o vazio espiritual, a hubris (incluindo aquelas formas de nacionalismo, o que afirmam que ‘Deus está do nosso lado’) e a falta de qualquer senso de importância relativa das coisas (HOOFT, 2015, p. 220).  

Em Edmundo destacam-se: a insensibilidade, a grosseria e o individualismo. Vejamos algumas passagens que denotam essas características: (a) “Decidiu humilhar Lúcia” (b) “Ele, a cada momento se tornava mais maldoso…”, (c) portava-se “como cavalo com os mais novos…” e (d) fingia que não conhecia o bosque.  Cabe destacar o que diz o narrador mais à frente: Não pense que Edmundo era tão ruim a ponto de desejar ver o irmão e as irmãs transformados em estátuas de pedra. O que ele queria simplesmente era comer manjar turco, ser príncipe […] e vingar-se…”. E depois de ser resgatado por Aslam diz que a aparência dele era “bem melhor do que antes. Com uma aparência melhor até do que no tempo em que entrou para a escola e começou a seguir pelo caminho mau. […]” e “foi armado cavaleiro…” (LEWIS, 2011, p. 183). É indispensável destacar que “um vício de um homem é compreendido quando comparado com outro homem, porque enquanto alguns são direcionados pela falta, outros são direcionados pelo excesso” (AQUINO, 2013, p. 75). Mais tarde, Edmundo recebe o título de o justo.

Segundo Duriez (2005, p. 117):

Igualmente ao seu amigo J.R.R Tolkien, Lewis acreditava que narrar histórias é o modo mais natural de exprimir espiritualidade e verdade sobre a natureza da realidade.  […].

[…] Para Lewis (assim como seu amigo J.R.R. Tolkien) o modelo para todas as boas histórias é o tema bíblico da restauração de uma primitiva queda no pecado e perversidade, restauração essa que envolve sacrifícios.

Para finalizar faremos uma breve reflexão sobre Aslam “a alma de toda a série de As Crônicas de Nárnia” (VEITH, 2006, p. 58).

“–  Aslam?! – exclamou o Sr. Castor. – Então não sabem? Aslam é o rei” (LEWIS, 2011, p.137).

Aslam é o verdadeiro rei de Nárnia, o Filho do grande Imperador do Além-Mar. O Rei dos Animais e da Floresta, o grande leão,“que vem botar tudo nos eixos” (LEWIS, 2011, p.137). Com a sua vinda a primavera surgirá e o reinado da Feiticeira sobre Nárnia “sufocante, limitante e escuro” (BROWN, 2006, p. 245) sucumbirá ante o seu glorioso poder.

Aslam simboliza Jesus Cristo que “entra então na criação para tomar o poder do usurpador e restaurar tudo mediante um sacrifício redentor” (MCGRATH, 2013, p. 291, 292). O redentor que trouxe a libertação do homem cativo, pelo seu sacrifício e amor (Veith Apud Schakel, 2005) e devolver ao homem sua imagem e semelhança de Deus.

O Leão de Nárnia é objeto de admiração. O canto criativo do Leão em O Sobrinho do Mago deixa-nos em maravilhosa perplexidade diante do poder e da força do Criador. Aslam inspira admiração e paz (Hooft, 2015, p. 214). O rei de Nárnia inspira-nos ideais de “verdade, justiça e beleza”, faz-nos contemplar as coisas de modo maravilhoso e infunde em nós “atos de grandeza” e sentimentos de alegria. Aslam é o objeto de reverência.

Segundo Brown (  p. 242):

Enquanto Edmundo, prisioneiro da feiticeira, é conduzido mais e mais pelo meio da lama, Nárnia, em contraste, é libertada da prisão da feiticeira e vai do degelo para a plena primavera. O nevoeiro “de branco passou a dourado” e abre caminho para que o céu azul olhe “entre as copas das árvores” (119). Um passarinho sozinho chilreia, outro responde mais adiante, e logo há “música da passarada” de todas as direções (119). Os malmequeres substituem os flocos de neve. Por fim, abetos, carvalhos, faias e olmos, todas as árvores “voltam à vida” (120).

Nárnia e os narnianos são os beneficiários da virtude de Aslam. Aslam é aquele que preserva, cuida e protege. É Aslam quem restaura, recupera e cura. É o Grande Leão que liberta e resgata. É o Rei que traz de volta a vida!

“[…] um sol muito puro clareou a escuridão,
e o mundo por um instante transformou-se”. (AKHMÁTOVA, 2008, p. 117)

Por fim, Hooft (2015, p. 219) nos diz sobre a “significância moral da virtude”.

A avaliação objetiva e imparcial da virtude da reverência não produz resultados claros. Não é tão fácil dizer por que nós aprovamos moralmente a reverência quanto o é dizer porque aprovamos moralmente a honestidade, por exemplo. Nós de fato a admiramos, embora talvez mais frequentemente menosprezemos a sua ausência, mas é difícil dizer por quê. Talvez a necessidade de se ter a virtude a fim de se ver por que se deveria tê-la. Se você for um racionalista instrumental e desencantado, poderá considerar o numênico uma tolice e tanto. Você poderá pensar que os valores transcendentes são meramente produtos de ideologias, que a arte e os patrimônios históricos são simplesmente recursos a serem explorados pela indústria turística, que a religião é o ópio das massas, o ambiente natural é uma pedreira a ser minada pelo lucro, que as outras pessoas são recursos humanos, que os idosos são um problema de saúde, e que o silêncio é nada mais do que uma pausa do trabalho. Essas visões não são imorais enquanto tais. Elas não envolvem injustiça óbvia (embora possam levar à exploração), mas são tão terrívelmente empobrecidas, e um mundo baseado nelas seria desumano. Assim, a virtude da reverência deveria ser moralmente aprovada.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A literatura de Lewis viabiliza a prática de uma reflexão-ação. Oportuniza ao leitor a diligência a que Greggersen (2010, s/p) classifica como a busca de algo “que vai além da letra morta”, uma busca que o leva aos mananciais de conhecimento.  Uma busca que o convida a ir além, a transcender os condicionamentos, barreiras e estereótipos.  Semelhante ao homem que contempla um fragmento de um mapa anexado num quadro e questiona sobre as bandas para além daquelas limitações. É isso que C. S. Lewis faz: nos impulsiona a avultar a nossa perspectiva de reflexão e divisar a natureza da literatura como possibilidade e instrumento de um pensar questionador crítico e significativo. Decerto, pensar é não se deixar estagnar; é um movimento que conduz nas trilhas de uma profunda reflexão e ponderação. E é disso que precisamos: de homens e mulheres que pensem nas questões sérias da vida e da sociedade e que assumam um posicionamento crítico e reflexivo em nossos dias.

Se de acordo com Bezzerra (2013, p. V)  [..]“ a maior vitalidade de uma obra se mede por sua capacidade de ampliar-se na recepção e por sua duração no tempo”, As Crônicas de Nárnia demostra sua força, dimensão e magnitude pela evidência de sua propagação, aceitação e permanência, haja vista o número de leitores apaixonados pela obra que cresce a cada ano, as extraordinárias produções cinematográficas sobre os contos e sua notória receptividade, conforme aponta Greggersen (2010), em organizações educacionais como uma obra de leitura obrigatória em vários cursos de instituições de ensino nos Estados Unidos e indicada para fazer parte do currículo de algumas escolas e universidades. Enfim, As Crônicas de Nárnia são uma boa história que transforma o leitor e renova a sua mente.

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