UMA VERDADE BEM-HUMORADA!

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A IDADE DO GATO – Quando crianças viram adolescentes

Texto de Adair Lara (premiada escritora norte-americana, tendo artigos escritos em colunas de diversas revistas de circulação nacional nos USA)

Acabo de perceber que, enquanto crianças representam cães – leais e afetuosos – , adolescentes são gatos. É fácil ser dono de um cachorro. Você o alimenta, treina-o e manda nele. O cachorro apoia a cabeça no seu joelho e fica olhando como se você fosse um quadro de Rembrandt. Corre com entusiasmo quando chamado.

Por volta dos 13 anos, seu adorável cachorrinho vira um grande gato velho. Quando chamado para entrar, ele parece surpreso, como se perguntasse quem morreu e nomeou você imperador. Em vez de acompanhar seus passos, ele desaparece. Você só o verá novamente quando estiver com fome. Nesse momento, interromperá a corrida através da cozinha durante tempo suficiente para farejar o que você está oferecendo. Quando estende a mão para acariciar-lhe a cabeça, naquele antigo gesto afetuoso, ele se afasta com um tranco e oferece um olhar gelado, como se estivesse tentando lembrar onde já o viu antes.

Você, sem perceber que o cachorro agora é um gato, pensa que algo deve estar desesperadamente errado com ele. Parece tão anti-social, tão distante, talvez deprimido. Recusa-se a comparecer às reuniões familiares.

Como foi você que o criou, ensinou-o a buscar o graveto, ficar parado e sentar-se ao ouvir o comando, supõe que fez algo errado. Afogado em culpa e medo, redobra esforços para fazer seu bichinho se comportar.

Agora você está lidando com um gato e, portanto, tudo o que funcionava antes produz o resultado oposto. Chame-o e ele fugirá. Diga-lhe que fique sentado, e ele pulará para o balcão. Quanto mais se aproximar dele, torcendo as mãos, mais ele se afastará.

Em vez de continuar a agir como dono de cachorro, você precisa aprender a se comportar como dono de um gato. Ponha o prato de comida próximo à porta e deixe que ele volte para você. Mas não se esqueça de que um gato também precisa de amor e de afeição. Sente-se imóvel e ele virá, procurando o colo aquecido e confortável do qual não se esqueceu completamente. Esteja lá para abrir a porta.

Algum dia, seu filho crescido entrará na cozinha e lhe dará um beijo. Dirá: “Você ficou em pé o dia inteiro! Deixe-me lavar estes pratos.” Perceberá, então, que seu gato voltou a ser um cãozinho.

FAÇA O QUE EU DIGO, MAS…

Há pessoas que questionam o porquê de tantos filhos de casais ‘certinhos’ desenvolverem padrões de conduta, especialmente na área da sexualidade, tão disfuncionais. Na verdade não são poucos os casos em que observamos jovens, provenientes de famílias ‘aparentemente saudáveis’ viverem vidas sexualmente promíscuas, contraírem DSTs ou mesmo terem confusão sobre sua identidade sexual.

Conversando com muitos jovens e muitos pais eu descubro que nestas ‘famílias certinhas’ a sexualidade é vivenciada de forma bastante dissociada, ou seja, embora afirmem algo, acabam praticando o contrário.

A sexualidade, conforme entendida na tradição hebraico-cristã, é resultado da livre e soberana criação de Deus e serve ao propósito último de gerar uma intimidade/unidade entre o casal, cumprindo a meta final de um companheirismo (Genesis 2: xx). Todavia a sociedade, em uma de suas muitas distorções pós queda (afastamento de Deus), reduz TODA a dimensão da intimidade ao intercurso sexual e, ainda mais, estabelece como meta final do exercício da sexualidade o prazer fisiológico (orgasmo).

Assim, muitos casais que professam a fé cristã, vivenciam a sexualidade neste padrão da sociedade que os cerca e ‘esquecem’ das outras dimensões da mesma. A sexualidade é vivenciada de forma dissociada da ternura, do carinho, da valorização do outro, do afeto e até mesmo do compromisso.

Não são poucos os casais que, embora não tenham brigas e conflitos, também não tem gestos de carinho como um abraço, um beijo no cônjuge; não tecem palavras de elogio reafirmando o valor do outro enquanto pessoa humana; não tem um tempo de qualidade de diálogo com o cônjuge para ouvir mesmo suas ‘bobagens’. Entretanto à noite quando vão para o quarto, tem um intercurso sexual, acreditando que esse ato em si é a ÚNICA forma de expressarem seu afeto pelo outro.

Todavia os filhos que observam esta conduta dos pais – embora os pais nem se deem conta que estão sendo observados – concluem que a relação sexual nada tem a ver com atitudes de carinho, abraços, beijos, elogios, conversas… Facilmente são levados à conclusão que sexo é somente para sentir uma modificação visceral prazerosa e o outro é apenas um ‘acessório’ complementar para se atingir essa sensação – equivalente a qualquer assessório que pode ser adquirido em um sex shop.

Acabam reproduzindo essa dissociação de forma potencializada com o favorecimento e incentivo do contexto social. Desenvolvem relacionamentos de USO do outro (como a versão moderna do ficar), sem sequer estarem interessados REALMENTE no outro como pessoa. O interesse é somente na busca de sensações fisiológicas, denotando extremo egocentrismo e uma coisificação do outro ser humano – que não é reconhecido como alguém portador da imagem de Deus!

Como as sensações fisiológicas são insaciáveis e ‘viciantes’, facilmente a busca pelas mesmas torna-se compulsiva e abrem caminho para fantasias de ‘perversão’ (experimentar tais sensações através de condutas extremamente disfuncionais – como pedofilia, por exemplo).

Urge se romper este ciclo de dissociação, iniciando pelos pais, que devem procurar expressar diante dos filhos uma sexualidade integral, na qual o filho reconheça que o intercurso sexual que os pais vivenciam a portas fechadas é tão somente uma expressão das muitas expressões da TERNURA que existe no relacionamento entre eles, tais como os abraços, beijos, elogios, etc., que se vivenciam a todos os momentos do convívio familiar. Fazendo isso os pais estarão contribuindo para a construção de uma identidade sexual sólida dos filhos, que verão no outro não um OBJETO de sua busca sensorial, mas um SUJEITO pelo qual pode se encantar e desfrutar um relacionamento de compromisso para a vida!

A CONSTRUÇÃO DE UMA SEXUALIDADE RELACIONAL

O compositor e cantor baiano Raul Seixas afirmava em uma de suas músicas que ele preferia ser uma ‘metamorfose ambulante’. Em verdade o ser humano é realmente um ser em contínua construção. A cada novo dia, cada nova experiência, cada novo relacionamento, nós somos transformados. Nossa sexualidade é parte inseparável desta construção.

 A idéia de uma sexualidade estática adquirida nos primeiros anos da infância e imutável é bastante questionável desde o ponto de vista das teorias mais atuais no campo da psicologia, como a Teoria Sistêmica.

Em outra perspectiva, o reducionismo fisiologicista que observamos hoje em muitos campos das ciências do comportamento e especialmente da mídia, querem nos levar a pensar que a sexualidade é algo exclusivamente sensorial e orgânico: nada mais equivocado! O principal agente construtor de nossa sexualidade é nossa mente. É através dela que somos capazes de evocar sentimentos de desejo ou repulsa, de excitação ou aversão, de amor ou ódio.

Todavia a mente humana é extremamente complexa e construída a partir de influências genéticas, ambientais, familiares, sociais, religiosas, culturais e uma infinidade de outras influências que vão moldando nossa forma de perceber a realidade. Logo a sexualidade humana é algo de uma complexidade muito grande. A redução da mesma a uma dimensão meramente fisiológica é rebaixar o ser humano de sua condição primordial de HOMO SAPIENS SAPIENS e animalizá-lo.

Assim a sexualidade humana deve ser compreendida dentro desta condição de complexidade intrínseca à mesma. Simone de Beauvoir (1980, p.301) afirmava categoricamente que “a gente não nasce mulher, torna-se mulher”[1]. Pode-se dizer o mesmo de qualquer outra expressão da sexualidade.

Acima de tudo, porém, a sexualidade precisa ser compreendida dentro da dimensão da relacionalidade. Somos seres relacionais e a sexualidade é, sem sombra de dúvidas, uma das expressões de nossos relacionamentos. O outro é que me constitui: só me torno marido diante de uma esposa!

As mudanças sociais das últimas décadas, com excessiva ênfase no individualismo, transformaram a sexualidade, de uma expressão relacional em uma expressão objetal, ou seja, ao invés do outro me constituir, torna-se um objeto para meu uso, na busca de um desfrute sensorial/fisiológico. Essa busca é sempre insaciável e neste viés surgem todas as perversões e a indústria da pornografia!

A sexualidade relacional é aquela que, muito antes da penetração genital, busca a interpenetração de ‘outros orifícios’ relacionais: a interpenetração do olhar, que atravessa o orifício da pupila e enxerga/ deixa enxergar a alma (Mateus 6:22); a interpenetração do falar, que atravessa o orifício auditivo e toca o mais profundo do ser (Provérbios 16:24) – não apenas a pele! Para estas outras interpenetrações é necessário muito tempo e diálogo fecundo. Não vai acontecer em um primeiro encontro – nestes encontros rápidos com finalidade sexual, o máximo que se obtém é o orgasmo fisiológico, e a verdadeira celebração da sexualidade é muito superior a isso.

É necessária uma nova reflexão (Romanos 12:2) sobre a sexualidade, fugindo da superficialidade de binarismos tipo (homo x hetero) que só causam discussões reativas e pouco fecundas. Pensar na sexualidade como uma construção complexa e permanentemente mutante, cujo elemento motriz é o RELACIONAL, é o desafio destas linhas!


[1] BEAUVOIR, Simone. (1980) O Segundo Sexo, vol I., tradução de Sérgio Milliet, Rio de Janeiro: Nova Fronteira

PELO FIM DE UMA ‘CULTURA DA VIOLÊNCIA’

Quando falamos sobre pessoas ligadas à criminalidade de forma genérica, sempre nos ocorre uma imagem mental masculina. Porque isso acontece?

Na realidade associamos mais facilmente a imagem masculina à criminalidade porque realmente existe uma maioria de homens vinculados às atividades marginais que mulheres, sendo estas últimas, em geral, mais ligadas à atividade marginal da prostituição e das drogas, bem como com o submundo ligado a tais práticas.

E podemos afirmar que os homens estão mais ligados ao crime por várias razões: Em nossa cultura, a violência está associada a símbolos de masculinidade. Desde criança se tem uma expectativa que o menino brinque com jogos de força e violência, enquanto a menina deve buscar atividades mais tranqüilas e que reproduzam o estereótipo do papel feminino (atividades domésticas e criação de filhos).

Pais estimulam que seus filhos homens façam demonstrações públicas de masculinidade ligadas à força, tipo ‘brincar de lutar’, e gostam de ‘derrotar’ os filhos como um sinal de ‘autoridade’. Também muitos homens, no processo educacional de seus filhos, não sabem recorrer ao diálogo e impõe o aprendizado de comportamentos pela violência, criando um processo circular de aculturação pela violência.

Ao invés de disciplinar o filho explicando-lhe a razão do mesmo estar sendo corrigido, um grande número de pais impõe castigos físicos aos filhos nos momentos que estão com raiva, tornando a disciplina em agressão. O filho agredido aprende que se pode intimidar o outro e obter certas condutas através de violência e fecha um ciclo de agredido/agressor, potencializando assim a violência social.

Jung denomina a tendência masculina na mulher de ANIMUS e a tendência feminina no homem de ANIMA. Para afirmar sua masculinidade o homem su­prime em maior ou menor escala sua ANIMA e a mulher faz o mesmo em re­lação ao ANIMUS. Caso essa supressão se dê de forma muito acentuada, criará indivíduos desequilibrados.

Uma das expressões deste desequilíbrio é a violência. Quando os homens abdicam de suas tendências de ternura, vida emocional e suavidade por considerar que estas são características femininas têm uma tendência a tornar-se mais rude e violento. Nossa sociedade precisar ensinar aos homens que, o desenvolvimento de padrões de suavidade e ternura não os tornarão menos masculinos ou afetarão sua orientação sexual, mas, ao contrário, aproximarão homens e mulheres em um relacionamento harmônico que expressará melhor a “Imago Dei”.

Em virtude da violência masculina, muitas mulheres sofrem maus-tratos e na maioria das vezes passam anos sob uma escravidão silenciosa. É dever da Igreja ajudar estas mulheres proporcionando-lhes orientações seguras e encaminhando tais homens para tratamento. Quando estes não aceitam ser tratados, é preciso denunciá-los e dar todo o amparo legal e estrutural para a sobrevivência da mulher de forma independente deste violentador. Infelizmente muitas mulheres se sujeitam a violentadores por motivos financeiros.

Ajudar mulheres vítimas da violência não é promover desagregações familiares, mas resgatar o valor da pessoa, amada e valorizada por Deus. Neste sentido a Igreja tem voz e ação profética nesse mundo.

Para mulheres que tem esposos ou filhos encarcerados em virtude de crimes violentos, a Igreja é chamada a dar-lhes apoio e sustento – emocional e material – durante a ausência do cônjuge, e prepará-las para reinserir o mesmo no seio da família quando a pena estiver cumprida.

Que o Evangelho de AMOR e JUSTIÇA penetre nossas vidas pessoais e familiares e que os relacionamentos familiares sejam adventos da nova criação, onde leão e cordeiro pastarão juntos e não haverá mais violência!

FÉRIAS NA ALEMANHA – Março/2013

Ponte sobre rio congelado em Ludwigslust - Alemanha

Ponte sobre rio congelado em Ludwigslust – Alemanha

Castelo em Celle - Alemanha

Castelo em Celle – Alemanha

Castelo em Weikersheim - Alemanha

Castelo em Weikersheim – Alemanha

Castelo em Harburg - Alemanha

Castelo em Harburg – Alemanha

Landberg am Lech - Alemanha

Landberg am Lech – Alemanha

Mosteiro Beneditino em Ettal - Alemanha

Mosteiro Beneditino em Ettal – Alemanha

Viagem à Alemanha - Schwangau

Viagem à Alemanha – Schwangau

PORQUE DEUS ODEIA O DIVÓRCIO?

Muitas pessoas, de dentro e de fora da igreja cristã, acreditam que, numa sociedade moderna onde se privilegia a liberdade de escolha e a busca da felicidade, qualquer argumentação contra o divórcio é, no mínimo equivocada.

Muitos intérpretes da Bíblia acreditam que os textos bíblicos que apontam para uma objeção de Deus em relação ao divórcio são contextualmente equivocados e não servem mais para uma aplicação direta em nossos dias – tais como os textos que falam sobre restrições alimentares e similares.

Entretanto permitam-me, os que assim pensam, de discordar desta idéia.

Quando eu era adolescente e comungava em uma igreja de origem alemã e com forte influência do movimento pietista, o divórcio era visto com uma conotação sexual equivalente ao adultério, ou seja, as pessoas que se divorciavam ‘queriam’ experimentar novos parceiros sexuais – e isso era abominável! Portanto naquele contexto o divórcio era visto como moralmente degradante – ponto de vista do qual eu também discordo, haja visto que tenho amigos pessoais cristãos que são divorciados há mais de 15 anos e que não buscaram novas companheiras, muitos menos uma vida promíscua sexualmente – simplesmente mantém-se em abstinência!

Então qual o real significado do divórcio que leva Deus a afirmar que odeia o mesmo (Malaquias 2:13-16)? Ao longo de mais de 30 anos atendendo casais em meu consultório posso dizer que a essência de todo o divórcio está na INCAPACIDADE de amar o diferente.

Quando iniciamos um relacionamento afetivo, acreditamos – de forma imatura – que temos com o outro uma sintonia tão próxima que, mesmo os pequenos sinais de diferenças não nos incomodam, haja visto os enormes sinais de concordâncias. A proximidade de convivência e a rotina escancaram o quanto estávamos equivocados. O outro é SIM, muito diferente de mim em muitos aspectos: em seu ritmo, tempos, estilo de vida, projetos, gostos, interação social, etc.

Então caímos na ilusão que, com um pouco de esforço conseguiremos mudar o outro e ‘torná-lo à minha imagem e semelhança’, afinal se pensarmos de forma mais sintônica, tudo vai ficar maravilhoso. Passamos então a sermos educadores do outro, que teimosamente mostra-se um aprendiz ineficaz e não muda. A frustração da não mudança aumenta gerando irritação e os ‘padrões educacionais’ tornam-se mais violentos, com as solicitações se transformando em gritos, que levam a ressentimentos. Isso tudo colabora para que a sensação inicial imatura de que haveria uma sintonia total se dilua e se passa a acreditar que não somos mais compatíveis – precisamos buscar outra pessoa mais compatível para não arrastarmos ao longo da vida um relacionamento que nos fará infeliz. Aí surge o divórcio.

Não é esse uma metáfora de nosso relacionamento com Deus? Ele querendo nos ensinar a sermos cada vez mais à imagem e semelhança dele e nós obstinadamente seguimos com as nossas ‘verdades’? Todavia Deus JAMAIS desiste de nós, nem se altera quando não lhe damos ouvidos. Em última instância o casamento é a REAL aprendizagem do AMOR e quando nos negamos a esta aprendizagem, nos afastamos do Deus que é amor – e é isso que Ele odeia!

Deus não quer que transformemos o outro à nossa imagem e semelhança, mas que encontremos no outro a imagem de Deus que é multifacetária e que, justamente por isso, torna a humanidade tão rica em sua diversidade. Esse caminho é estreito e poucos são os que trilham por ele.

TEMPO DE QUARESMA

Compartilho com vocês um texto que me foi enviado pelo Prof. Dr. Carlos José Hernandez, um psiquiatra argentino e querido amigo:

Según la tradición de la Iglesia, “Cuaresma” es un tiempo de intensa lectura de la Palabra y “revisión  de vida”. Durante este tiempo los invito a meditar, diariamente, sobre  el “don de la confesión”.

Confesar es “espirar”, es decir, el movimiento complementario de “inspirar”. Es un equivoco  pensar que la vida es nuestra, que se “origina” en nuestro  “yo”, en lugar de sentirla una “donación”.

Confesar es reconocer que mentimos cuando decimos que amamos  dando cosas y no nos dandonos a nosotros mismos. Cuando no amamos primero … esperando  estar seguros!

Confesar es creer! Creer que la dicha ya inició su regreso y que hay manifiestas señales de su movimiento. Que nuestra carne que registra la ternura del interior de su madre, lo sabe!

Porque esa ternura que tiene un registro semejante de la dicha que viene, esto lo sentimos  íntimamente y lo diferenciamos de cualquier imaginación o pensamiento. Es una  certeza de la Vida.

Confesar es “despegarse” de las obsesiones que cobijan los insomnios,  construidas a fuerza de culpabilidad. Es intentar dejar las luchas internas que disocian la identidad del si-mismo.

Confesar es hablar  de nuestros miedos  en la intimidad que nos concede nuestro Padre Dios. Contarle con cuanto freno los miedos nos traban a las buenas intenciones  que nos esforzamos en tener.

Confesar nuestros miedos es  permitir que el Espíritu se encarne, en nuestro interior; es recibir el arribo  del coraje en las fibras internas de nuestra alma, es herir la soberbia que nos habita.

Confesar es entender que la vida se nos “da” por Gracia! Vida que nosotros  retenemos, manipulamos, y nos imponemos haciendo lo que quiere nuestro deseo, impedimentos para que ella se revele !

Propongo confesarnos ante una persona, que comparta nuestra fe, que elijamos por el cariño, la discreción y la autoridad que le reconocemos. Con ella oraremos a Dios pidiendo el perdón.

El arrepentimiento instaura una nueva génesis. Colocar todo nuestro desorden en presencia de Quien nos ama hasta la muerte afirma la fe de que sin El somos absolutamente “nada”.  

El arrepentimiento es tal vez la manifestación más sencilla de la “biología de la resurrección”. Es el instante  en que nuestra biología reconoce la iniciativa de desandar el proyecto propio..

Como consecuencia de la confesión “experimentamos” a nivel de nuestra “carne” (el espesor más profundo del cuerpo”) de inmediato y con nitidez un “alivio” La garra se torna mano.

Alivio que con frecuencia se acompaña de un  profundo suspiro.  Emoción,  el alivio, que indica que el diálogo que estamos manteniendo con Dios acontece en la plenitud delo real.

Es el disfrute de ser perdonados, por Dios en Jesucristo, Señor nuestro. La  compañía del  “confesor”, su presencia otorga un marco  significativo a nuestro relato, crea una nueva realidad!

Es el misterio de la pupila del otro, lo que nos ayuda a tomar conciencia de cada palabra que pronunciamos. Y así llegamos con el otro, al altar,  pidiendo perdón  por lo que confesamos.

Con la iluminación del Espíritu Santo  prevenimos, entonces,  aquello que  podría tornarse obsesivo! Luz que expulsa la repetición. Mi abuela María recomendaba  una purga al año.

La cuaresma es esto: un tiempo de revisión, de arrepentimiento, de purgación. Un deseo de degustar la Palabra con un paladar limpio . Una boca  que se ha enjuagado por el “ayuno”.

El quisiera contar, que cuente. El alma no recoge conceptos sino testimonios. Somos  testigos de un “don increíble” ser perdonados incondicionalmente.  Confesemos! Gloria a Dios

Gerações diferentes. Sexualidade diferentes?

Como pais cristãos devem ajudar seus filhos a lidar com as demandas contemporâneas no campo da sexualidade?

Dagmar Fuchs Grzybowski

Recentemente fui abordada pela líder do trabalho com crianças em uma igreja de minha cidade. Ela estava muito chocada que ao pegar o celular de uma criança de nove anos, o qual estava gerando muito alvoroço durante a reunião, percebeu que havia gravado no mesmo um filme pornô. Como isso pode acontecer? A criança é filha de pessoas comprometidas na igreja, será que algum “gene” ruim está se manifestando, será que somos vitimas desse mundo depravado sem limites e não tem como preservar as crianças dessas influências malignas?

Ross Campbell[i] afirma que certamente vivemos numa época muito difícil de educar, existem muitas influências externas, as crianças passam grande parte do dia sob cuidados externos à família, seja a escola, babas, ou sozinhos com a internet ou a TV. Os pais ao chegarem em casa à noite e nos finais de semana estão cansados e pouco dispostos a colocar limites e dar atenção de forma concentrada.

Carlos “Catito” Grzybowski [ii]  (p.20) afirma que adquirimos nossos conceitos sobre a sexualidade a partir de várias fontes: “a cultura em que estamos inseridos; a educação e os modelos de nossa família de origem; as opiniões dos meios de comunicação de massa; as tradições e ensinos do meio religioso que freqüentamos; a ciência; a nossa experiência pessoal e a bíblia.” Para ele a forma como percebemos nossa própria sexualidade como adultos, a verdade em relação à ela tem a haver com um somatório de todos estes ingredientes, sendo que alguns poderão ter um peso maior do que outros.

A cultura ocidental no século passado passou por uma série de mudanças muito grandes, o surgimento da psicanálise com os escritos de Freud sobre a sexualidade humana e a influência da família, principalmente da mãe na formação desta abalaram conceitos firmes outrora existentes. O surgimento das linhas filosóficas niilistas, com os conceitos de Sartre, Nietsche, Focault, Marx, e outros, afirmando a não existência de Deus e conseqüente desesperança de uma vida futura, incrementaram a vida sem propósitos e valores onde tudo é permitido e onde as pessoas pensam apenas no desfrutar, no conquistar coisas e no possuir; é mais importante ‘ter do que ser”.

A educação que recebemos em casa é outro fator na formação de nossa sexualidade. Arrisco afirmar que este talvez é o item mais importante para os conceitos que formamos a respeito do assunto. Infelizmente muitas famílias, mesmo as cristãs, parecem não perceber como são responsáveis pelo que passam a seus membros. No meu consultório muitas vezes pergunto aos casais quais são os valores que julgam importantes e que deverão ser apreendidos pelos seus filhos, e percebo que eles não o sabem ao certo. É difícil ensinar algo que eu próprio não vivencio, e a daí torna-se muito fácil aceitar os valores seculares que nos rodeiam. A mídia está pronta para ensinar, formar opiniões, transmitir valores, infelizmente estes pouco ou nada tem a haver com os preceitos de Deus.

Hoje em todas as escolas são ensinados princípios de biologia, e em muitas também existe a disciplina de Educação Sexual, mas apesar de toda a informação, cresce o número de gestantes adolescentes, pois não basta saber da biologia e fisiologia da reprodução, transmitir conceitos sobre sexualidade sem valores é reduzir a mesma à genitalidade. Esquece-se que temos a “Imago Dei” somos criaturas feitas à imagem de Deus, portanto muito superiores que os animais irracionais, temos responsabilidade sobre os nossos atos, inclusive sobre o exercício da sexualidade.

A igreja também tem (deveria ter) forte influência na formação dos conceitos de sexualidade de seus membros, mas infelizmente pouco se tem falado sobre assuntos como pornografia na internet, relações pré-matrimoniais, ficar, etc. Em Romanos 12:2 lemos que não devemos nos amoldar ao padrão deste mundo, mas transformarmos pela renovação da nossa mente, para que possamos experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Não é fácil ser pais hoje, demanda tempo, atenção e trabalho conjunto. Significa que os pais deverão cumprir a tarefa em conjunto, ambos devem educar e abordar os assuntos da sexualidade dentro da família de forma conjunta. Demanda transformarmos a nossa mente corrompida pelas vãs filosofias deste mundo contemporâneo, em uma mente segundo o coração de Deus.

Pais que adotam os valores das novelas televisivas, que dedicam mais tempo aos chats de amizade, do que os valores do reino de Deus transmitem aos seus filhos que o que a cultura vigente, a mídia e a internet transmitem tem mais peso do que as palavras proferidas por eles mesmos ou pela igreja. A sociedade prega uma sexualidade descomprometida com a pessoa, o “ficar” é o máximo do uso do outro, este deixa de ser à imagem de Deus e passa a ser objeto de consumo, que me serve enquanto me agrada, mas com o qual não formo vínculo. Rubem Amorese[iii] fala que a sociedade-supermercado apresenta o sexo como produto de consumo, sem o qual não podemos sobreviver (p. 31). Mas também afirma (p.37) “Somos livres em relação ao poder de sedução do mundo, (…) ela não pode nos escravizar, se não permitirmos.” Para isso precisamos: estudar a bíblia para saber o que o nosso Senhor pensa a respeito; buscar constantemente a sabedoria de Deus para enfrentar os “senhores do mercado”.

Um dos textos que mais gosto em relação à educação é o de Deut.6: 6-9. Creio que nele se resume o mais importante que podemos dar aos nossos filhos. Ensiná-los o amor a Deus acima de todas as coisas; com o coração, a alma e as forças; (na dimensão: corpo, alma e espírito) é interessante que não basta ensinar, o texto é muito mais enfático, fala em ensinar com persistência, inculcar; todo tempo, ao deitar e levantar, nas paredes da casa. O amor a Deus deve permear todos os atos de nossa vida familiar. Mas como amar alguém a quem não se conhece? Como transmitir os preceitos de Deus que são saúde para a vida se não me dedico a Ele. Isso é impossível, portanto preciso conhecer a Deus através de sua palavra, insistentemente, a fim de poder transmitir os seus preceitos à minha família. A bíblia nos fala de várias famílias, ela não esconde os erros cometidos, mesmo pelas pessoas que tinham uma vida íntima com Deus. Lembremos do profeta Eli seus filhos que não eram tementes à Deus, o pai foi alertado várias vezes sobre as atrocidades de seus filhos mas não tomou providencia (I Sam. 2: 22-25; 27-30  I Sam. 3:11-13). Outro exemplo é Davi, homem segundo o coração de Deus, mas um pai fracassado, que não soube enfrentar os pecados de seus filhos (II Sam. 13 a 18), em ambos os casos o resultado da falta de enfrentamento por parte dos pais trouxe morte e ruína na vida familiar. Em Provérbios 19: 18; 22:6 e 15 e 23:13 e 14) somos alertados sobre a responsabilidade de guiar os nossos filhos no caminho do Senhor.  Não se pode delegar-la a terceiros, pois são os pais que respondem perante Deus pelo comportamento e educação dos filhos.



[i] Campbell, Ross. Como realmente amar seu filho, São Paulo: Mundo Cristão, 2005.

[ii] Grzybowski, Carlos. Macho e Fêmea os criou; celebrando a sexualidade. Viçosa: Ultimato, 1998.

[iii] Amorese, Rubem M. Sexo e Felicidade: em busca de sabedoria – Curitiba: Encontro,2002.

Abusador Sexual – quem é este monstro?

Outro dia apreciava um filme intitulado “O Monstro”, protagonizado por Roberto Begnini (o mesmo ator de “A vida é bela”), cujo roteiro descrevia as trapalhadas criadas quando o protagonista principal é confundido com um maníaco sexual que abusava sexualmente e depois matava suas vítimas. O filme trata de um tema delicado – abuso sexual e violência – de forma cômica e um tanto irreverente, mas nos trás à mente esta figura temível, em todo seu estereotipo – o abusador sexual! Exatamente sobre esta figura “temível”  ‘que eu gostaria de refletir nas linhas abaixo.

O primeiro dado a ser apontado é que os estudos (não quero citá-los aqui, mas aos que desejarem posso enviar as referências por e-mail) nos revelam que a maioria das pessoas que cometem abuso sexual foram vítimas do mesmo na sua infância/adolescência. Este é um dado significativo, pois mostra em primeiro lugar que há uma correlação muito forte entre vítima/algoz. Não cito o dado estatístico no intuito de justificar o abusador, desresponsabilizando-o de suas ações e colocando-o no papel de “vítima inocente” reprodutora de um trauma da infância – longe de mim tal intento e, mesmo porque, o contrário não é verdadeiro, ou seja, nem todas as pessoas que sofreram abuso sexual em sua infância tornam-se abusadores. Todavia extraiamos algumas lições que a estatística nos ensina.

Em primeiro lugar, essa pessoa que parece a nós um monstro, algum dia esteve nas garras de um monstro similar. E que relevância tem este fato? Muita! Uma criança que é abusada sexualmente tem sua sexualidade despertada muito precocemente, fazendo com que sua perspectiva da sexualidade seja muito imatura, mesclando o prazer biológico com a culpa e a violência (emocional e mesmo física) com que foi iniciada sexualmente.

Desta forma, essa pessoa crescerá com uma visão negativa da sexualidade, desvinculando a mesma de todo o aspecto afetivo e relacional. Para ela, a prática sexual passa a ser vista como algo violento, impositivo e que, embora tenha um potencial muito alto de gerar prazer físico, está desvinculada do afetivo e do relacional. Quando tal pessoa torna-se adulta, ela vai reproduzir nos seus relacionamentos este modelo introjetado da vivência da sexualidade, ou seja, uma vivência violenta, desprovida de afeto e sem necessariamente ser resultado de um relacionamento significativo.

Em segundo lugar, alguns estudiosos do assunto afirmam também que uma criança abusada interrompe o curso natural de seu desenvolvimento psicossexual, ocorrendo uma espécie de “paralisação” deste desenvolvimento na idade em que sofreu o abuso. Assim sendo, os abusadores seriam pessoas imaturas sexualmente e que, portanto, estariam ainda buscando “parceiros sexuais” a quem pudessem dominar plenamente na relação, a fim de não lhes causar a ansiedade de serem dominados, rememorando os momentos de dor vividos em sua própria história.

Sabe-se que nem todas as crianças que foram abusadas sexualmente tornam-se, na idade adulta, abusadores de outras crianças, mas o fato certo é que grande parte das pessoas abusadas sexualmente em sua infância terão problemas no exercício de uma sexualidade saudável na idade adulta. Problemas como frigidez, sado-masoquismo e até algumas perversões sexuais têm em sua base o abuso sexual sofrido na infância. Também problemas que tecnicamente (CID) são denominados de “Transtorno de Maturação Sexual” e também “Orientação Sexual Egodistônica”.

Em base destas constatações clínicas pode-se perguntar: o que fazer quando se depara com uma pessoa com problemas nesta área? Será que o isolamento social, a punição legal, a rejeição, ajudariam a uma pessoa assim a solucionar seus problemas? Outra pergunta mais incisiva: Esta pessoa também é fruto do amor incondicional de Deus? A graça de Deus também alcança pessoas assim perversas que abusam de crianças indefesas?

Creio que primeiramente devemos afirmar nossa convicção que a graça de Deus atinge todas as pessoas em sua condição de pecadoras (Romanos 5:8). Desta forma temos que entender que Deus quer a reabilitação destas pessoas porque Ele as ama. Também entendemos que Deus quer que os cristãos, sejam seus instrumentos de restauração de vidas e de reconciliação das pessoas com Ele mesmo (II Coríntios 5:19-19). Portanto devemos superar nossos preconceitos pessoais e o errôneo entendimento de que há diferenciação de pecados diante de Deus, e nos dispormos a sermos instrumentos de reconciliação para aqueles que praticaram o abuso sexual.

Finalmente é importante afirmarmos que um problema tão sério como a questão de um abuso sexual não deve ser tratada com leviandade. É imperioso o entendimento que o abusador necessita de um tratamento profundo de sua alma! Uma pessoa experiente que possa estar acompanhando este abusador na “transformação de sua mente” (Romanos 12:2) – preferencialmente um profissional na área de psicologia e que já tenha algum manejo nestas questões de abuso sexual. Falo isto especialmente porque muitos cristãos hoje em dia têm se arvorado no direito de serem “experts” na área emocional e aplicam técnicas da chamada “cura interior” de forma acriteriosa em sem as habilidades necessárias para atingir o foco das questões, acabando por causar mais mal que bem.

Que Deus nos dê compaixão e sabedoria para acompanharmos tais pessoas e sermos instrumentos de restauração nestas vidas!