PS_20160509132707Anuacy Fontes passou 16 anos de sua vida em Recife trabalhando como músico, onde teve a oportunidade de gravar com alguns importantes nomes da música popular brasileira, como Dominguinhos, Nando Cordel e Elba Ramalho. Anos depois, voltou para o Maranhão, sua terra natal, e atualmente dedica-se como ministro de música na Igreja Presbiteriana do Calhau. Segundo ele, o ministro de música é “uma função não muito observada na Igreja Presbiteriana em geral em nosso país, mas de total relevância e de apoio importantíssimo ao ministério pastoral”. Além de ser o regente do coro, Anuacy é o responsável pelo repertório e os arranjos das músicas para o tempo de adoração comunitária.
Atualmente desenvolve um projeto bem interessante: a produção do álbum TULIP – o famoso acróstico que designa os cincos pontos do calvinismo. A Novos Acordes conversou com Anuacy sobre o projeto:


Novos Acordes: Como surgiu o projeto TULIP?

Anuacy Fontes: O projeto surgiu a partir da inquietação que eu sentia ao ouvir algumas músicas evangélicas com letras antropocêntricas, com teologias e doutrinas inconsistentes no ponto de vista bíblico, sem criatividade poética e musical. Entendi que, como ministro de música, produtor e arranjador musical, poderia também contribuir para mudar este quadro, apresentando algo que viesse a ser notado e experimentado diante da pluralidade artística em que estamos inseridos.

 

NA: Mas, por que os cinco pontos do calvinismo?

AF: A doutrina reformada é muito clara e consistente biblicamente, e tem como aspecto mais visível os cinco pontos do calvinismo. Como compositor, me saltaram aos olhos as possibilidades poéticas da TULIP e o que este acróstico comunica em verdades bíblicas. E quando me detive aos detalhes históricos, especialmente da vida de João Calvino, sua influencia na arte, na música como conceito de graça geral e específica, me maravilhei com as possibilidades deste projeto.

 

NA: São quantas músicas ao todo?

AF: O projeto consta de oito canções. Além das cinco referentes aos pontos da TULIP – Total depravação (Total Depravity), Incondicional eleição (Unconditional Election), Expiação limitada (Limited Atonement), Irresistível graça (Irresistible Grace ) e Perseverança dos santos (Perseverance of the Saints ) – gravei o Hino 88, do Hinário Novo Cântico, “Amor Perene”, de Guilherme L. dos Santos Ferreira. Tomei conhecimento de uma primeira estrofe inserida nele, composta pelo presbítero Solano Portela, que particularmente ficou perfeita, dando a completude que faltava para os cinco pontos da TULIP. Compus e gravei uma canção de abertura que fala que “antes de tudo é preciso escutar e examinar as escrituras! Se nelas julgais ter a vida eterna, estão seja Deus quem vos convencerá”. E para fechar, uma canção que conta sobre a vida de João Calvino.

 

NA: Como os interessados podem ter acesso a este trabalho?

AF: No momento o projeto está em sua fase final, aguardando os trabalhos de prensagem. Porém, já pode ser adquirido pelo e-mail anuacy@gmail.com ou pelo WhatsApp 098 996177075.

 

NA: Você tem outros projetos em mente?

AF: Sim, em mente muita coisa para realizar musicalmente, outros na prancheta aguardando o tempo certo, e alguns já com repertório definido e arranjos escritos como: “Graça e Misericórdia”, que trata da teologia destes dois conceitos em dez canções, “Encontros com Jesus”, que relatam alguns encontros de Jesus com personagens bíblicos em uma musicalidade bem brasileira. Tem ainda o álbum “Grão” que está em fase de finalização das composições, o projeto “Palavra Cantada”, onde além da TULIP, tem os salmos musicados, cantados literalmente na versão corrigida e atualizada de João Ferreira. O Salmo 119 (que gerou 22 canções), os de Romagem e Penitenciais já estão prontos e podem ser enviados a quem se interessar em aprender os salmos de forma musical. Este projeto, particularmente, tem sido apoiado pela Renovar, na pessoa do empresário Isaque Alves que me desafiou e tem me animado a prosseguir neste caminho. Tenho ainda em andamento, em fase de gravação, o CD “Os cinco ‘solas’”, que deve estar a disposição até o fim do ano. Este ministério, apesar de ser musical, sempre é acompanhado de palestras, estudos e oficinas nas áreas de ministério de música na igreja, cultura e sonorização, este último como experiência profissional em estúdio.

 

Abaixo inserimos a faixa Irresistível Graça, de Anuacy Fontes, integrante do CD “TULIP”.

 

Depois de um tempo parados, voltamos a produzir os podcasts Novos Acordes. Dessa vez com algumas mudanças. Iremos mostrar e comentar trechos dos CDs citados na coluna da revista Ultimato, impressa, que chega até os nossos leitores. A idéia é tornar a nossa coluna ainda mais atrativa.

Nesse primeiro programa da nova série, apresentamos os CDs “Deus no Interior”, de Eliseu Eduardo, “Cântaro”, de Melina Prista, e “Vila Nova”, de Eder Duarte.

 

Há poucos anos atrás ouvi pela primeira vez falar desse tal de EP. De início me soou como mais uma das modernidades na indústria da música. Depois, pesquisando, fiquei sabendo que é uma abreviatura de “Extended Play” e que remonta os tempos do vinil. As categorias daquela época, mais conhecidas, eram basicamente os Compactos Simples e Duplos (que cabiam de uma a duas faixas por lado do disco, durando em média até 15 minutos) e o Long Play ou LP (que cabiam quantas faixas pudessem ser administradas naquele espaço – quase sempre de 4 a 6 de cada lado, numa duração média de 60 minutos). O EP era exatamente o formato utilizado entre o Compacto e o LP. Tinha em média de duas a oito faixas, com uma duração de 3 a 40 minutos.

Nos tempos do vinil era uma opção, apesar de não muito utilizada, para aqueles que gravavam uma quantidade de músicas insuficientes para um LP e mais do que pudesse conter num Compacto.

Os tempos passaram. Presenciamos uma revolução com o surgimento da música digital. Uma série de inovações foram incorporadas neste processo, reinventando as formas de captação, edição, mixagem, masterização, fabricação e distribuição, sem falar dos novos formatos disponíveis ao público e das interações artista-artista e artista-público. Possibilidades inimagináveis agora eram realidades disponíveis a um custo acessível.

No meio de tudo isso, vimos o ressurgimento do EP. É claro, debaixo de um novo conceito. Se antes, o que estava em jogo era o espaço físico disponível no vinil, agora o EP ressurge por outras razões.

Eu particularmente entendo que o EP é fruto dessa ansiedade que nos atinge a todos, viventes do mundo pós-moderno. A tecnologia trouxe enormes avanços no que tange a equipamentos e possibilidades de produção de um álbum. Se antigamente, para se produzir um trabalho era preciso pagar caro por algumas poucas horas de estúdio, hoje é possível ter um estúdio de qualidade no quarto dos fundos de casa a um custo razoável (considerando os preços dos equipamentos de anos atrás).

Assim, as possibilidades de gravação foram democratizadas. Existem inúmeras opções para se produzir um álbum, de acordo com o orçamento disponível. Opções que vão do mais simples ao mais complexo, do totalmente eletrônico ao totalmente acústico, do barato e econômico ao caro e sofisticado.

Acho que o retorno do EP surge especialmente como opção para aquele que tem poucos recursos financeiros, insuficientes para bancar a produção de um trabalho com 12 ou mais faixas, mas que tem músicas em estoque. Com o EP ele vislumbra a possibilidade de lançar um álbum por partes. É uma maneira que o artista encontrou para conter a ansiedade que antes precisava ser dominada por longos meses e anos de produção de um álbum completo. Por outro lado o EP é a forma encontrada para saciar um público cada vez mais ansioso por novidades. Talvez em nome dessa ansiedade mercadológica, vemos que artistas renomados também partiram para a produção de EPs, obviamente por razões diferentes do curto orçamento para a produção.

O certo é que o mercado da música se adaptou ao novo momento. O público mais antenado já não compra mais o CD físico, nem mesmo se liga em comprar um álbum completo, se as músicas não lhe agradam. Hoje compra apenas as faixas que lhe interessa nos sites de música digital ou as curte através dos aplicativos que oferecem música em streaming, como o Spotify, Deezer, Rdio, entre inúmeros outros.

É coisa do passado ficar aguardando o lançamento de um novo trabalho do artista preferido a cada ano, ou a cada dois anos. Hoje o mercado é tão dinâmico que algumas poucas canções são produzidas e lançadas em prazo de poucas semanas ou meses, sistematicamente, no mercado fonográfico. O EP se encaixa perfeitamente nisso.

Eu sou artista dos tempos do vinil. Estou nessa praia desde os anos 80, quando participei de minha primeira gravação num estúdio de 4 canais. Confesso que preciso me esforçar, e muito, para acompanhar toda essa evolução.

Foto de Pierre Yves Refalo (Todos os direitos reservados)

Foto de Pierre Yves Refalo (Todos os direitos reservados)

Quando menino, lembro-me sentado na sala dos meus avós tocando violão e cantando as músicas que havia aprendido com a família. O tio Beto, irmão da vó Elza, silenciosamente ouvia. Ele morava na cidade de Goiás Velho e, vez por outra, passava uns dias em Goiânia para visitar os médicos na peregrinação pela saúde já um tanto combalida. Quando terminei uma das canções ele suspirou e me perguntou: “Por que você não segue a carreira musical, vira um Rolando Boldrin?”. Eu sorri respeitosamente e disse: “Tio Beto, isso é impossível para mim, um menino do interior do país”. Não sei porque, mas aquele momento ficou marcado na minha memória.

Os anos passaram rapidamente. Tio Beto faleceu algum tempo depois. Segui tocando minha viola e meu violão. Agora não só cantando as músicas aprendidas na família, mas também compondo e gravando. Viajei por lugares e pisei palcos que nunca imaginei pisar. Tenho plena convicção que tudo isso é graça de um Deus que vai adiante abrindo portas e mostrando por onde passar e pisar, levando minhas canções.

Pois bem… Numa manhã de novembro desse ano abri meu computador para trabalhar e percebi uma mensagem luminosa na minha caixa postal. Tremi nas bases: era um contato da produção do Sr Brasil, programa da TV Cultura, apresentado, pasmem, pelo Rolando Boldrin. Era um convite a gravar. Fui invadido por antigas lembranças, gratidão a Deus e tentando imaginar como seria aquele momento.

Foto de Pierre Yves Refalo (Todos os direitos reservados)

Foto de Pierre Yves Refalo (Todos os direitos reservados)

Na data marcada viajei com a Claudia, minha esposa, e os demais companheiros da banda para São Paulo e gravamos o programa. Parecia um sonho aquilo tudo: tocar no SESC Pinheiros, gravar no Sr Brasil, assentar naquele banco por onde passaram inúmeros artistas que admiro profundamente, ao lado do Rolando Boldrin. Era muita emoção.

Ouço Boldrin desde a minha meninice, quando viajávamos na camionete do vô Nacim para a Barra, ou com meus pais para o Rio Araguaia. Ele era companhia sempre presente, ao lado de Luiz Gonzaga, Tião Carreiro e Pardinho, Cascatinha e Inhana, entre outros. Sempre o admirei. E agora eu estava lá, ao lado daquele ícone da música popular brasileira. Uma honra dada por Deus..

Enquanto preparávamos para a gravação, conversei um bom tempo com ele, no famoso banco de madeira e pude contar-lhe sobre a conversa do tio Beto. Disse o que aquele momento significava para mim. Ele graciosamente respondeu: “Você é muito bem vindo. A honra é nossa recebê-lo nesse programa”.

Nessa semana o Sr Brasil que gravamos foi ao ar e postado no Youtube pela produção do programa. Compartilho com você essa emoção. Espero que goste.

E sigamos adiante, porque tem muita cantoria ainda por fazer.

 

Em 1981 ouvi pela primeira vez o Grupo ACTOS, num acampamento em Goiânia. Foi revolucionário assistir a apresentação daquela rapaziada com um som e uma estética nada comum para a igreja dos anos 80. Era uma mistura de um cristianismo contextualizado e inteligente, com um visual hippie, marcado por uma música brasileiríssima e de fortes influências latino-americanas. Um deleite para nós, recém-chegados na igreja, que trazíamos em nossa origem musical influências do Clube da Esquina, Taiguara, Mercedes Sosa, Tarancón e tanta coisa boa dos anos 70 e 80.

Vavá e amigos

Vavá Rodrigues (à esquerda) e amigos. Foto original da contracapa do LP.

O ACTOS durou um breve tempo. Infelizmente não deixaram nenhum registro fonográfico. Mas Vavá Rodrigues, um dos mentores e autor da maioria das canções do grupo (quase sempre em parcerias com o Stenio Marcius), reuniu a rapaziada e gravou o LP “Brilhar”, lançado em 1985.

Eu bati um papo com o Vavá, relembrando o ACTOS e os 30 anos desse álbum incrível. No final da entrevista, compartilho um link onde você encontra o LP na íntegra, generosamente postado no youtube pelo Eliézer Venâncio.

 

Novos Acordes: Como surgiu o Grupo ACTOS. Qual era a formação?

Vavá Rodrigues: O ACTOS surgiu em 1981. Eu havia acabado de participar da gravação do disco “Vida em Vida” (Jovens da Verdade) com o Stênio Marcius e o Haryson Guanaes Lima. Foi a primeira vez que entrei num estúdio de gravação e fiquei encantado com aquilo tudo. Desde o lançamento do “De Vento Em Popa” (Vencedores Por Cristo), os ventos (com o perdão do trocadilho) da MPB Cristã, sopravam cada vez mais forte no coração dos moços daquela época e posso dizer que 90% do pessoal que andava com violão debaixo do braço pelas igrejas queria fazer um som que fosse mais a cara do Brasil, ou da América Latina.

Quanto a formação do ACTOS, acho melhor citar quem passou pelo grupo: o Stênio, o Haryson, Eu, Wanelly Botelho, Cláudia Vassão, Ana Raia, Eduardo Raia, Celso Raia, Marcos Barros, Beto Barros, Alcinéia Luz, Selma de Oliveira, Sonia Polonca, Marisa Salles, Gilda e por último Cíntia e Silvia, que nunca deixaram de ser dupla.

 

Novos Acordes: O que tornava o Actos um grupo ímpar? Quais eram suas principais influências?

Vavá Rodrigues: Diferentemente dos grupos musicais que surgiam dentro das igrejas, reproduzindo e fazendo covers principalmente de VPC, o ACTOS era um grupo “interdenominacional”. Surgiu na IPI do Ipiranga, mas reunia batistas e presbiterianos independentes que queriam fazer música própria. E fazer música própria para nós, naquele tempo, era reproduzir a sonoridade dos artistas que nós ouvíamos, assistíamos os shows e nos juntávamos na casa de alguém pra ouvir e reouvir o vinil. Nomes como Boca Livre, Céu da Boca, MPB4, Quarteto em CY e os latinos Tarancón e Raíces de América.

O ACTOS foi uma onda musical que durou apenas três ou quatro anos, mas que contaminou e contagiou muita gente. Afinal, quebramos alguns paradigmas, inauguramos o uso da mesa de percussão dentro das igrejas (as que permitiam… rsrsrs), executávamos música latina com instrumentos andinos, fazíamos ritmos nordestinos sem a menor cerimônia, cantávamos canções sem letra só explorando vocalizes e reproduzíamos pequenas óperas bufas quando executávamos canções infantis… O ACTOS mergulhou de cabeça nisso e acho que foi justamente isso que encantou tanto as pessoas naquele tempo. Era algo inovador e ousado para a época.

 

Novos Acordes: O Actos chegou a gravar algum LP na época?

Vavá Rodrigues: Não! Planejamos, mas nunca aconteceu.

 

brilhar

Capa do LP “Brilhar”, lançado em 1985 pela Bom Pastor

Novos Acordes: Qual a conexão entre o Vavá e Amigos, que gravou o Brilhar, e o ACTOS? Os integrantes eram os mesmos?

Vavá Rodrigues: Depois de alguns anos de estrada, tempo este em que nos apresentamos em igrejas, colégios, teatros e acampamentos em vários lugares do Brasil e também conhecemos Cíntia e Silvia, Wesley e Marlene, João Alexandre, vimos nascer o MILAD e mais uma penca de grupos que vinham na cola da nossa sonoridade, o ACTOS parou. Acho que cansamos, minha leitura é que apenas como grupo musical o projeto iria se esgotar e foi o que aconteceu. Quando você não consegue gerar um fruto do seu trabalho (nesse caso específico, um LP), é natural que venha um desânimo, um tipo de desgaste.Nem sei exatamente como o grupo acabou, simplesmente fomos recusando convites para nos apresentar, estávamos cansados. Mas não deixamos (alguns amigos que fizeram parte do ACTOS), de nos encontrar para ensaiar e fazer música. Engraçado que num primeiro momento, a idéia de um disco seria para registrar um pouco do que o ACTOS produziu em seus anos de vida, mas o que aconteceu foi o surgimento de um repertório totalmente novo e com canções que nunca havíamos cantado. Nasceram então: O Dia Da Vitória, Irá Me Guiar, Pare Um Momento, O Que Dizer?, A Porta, Cantares, Exaltação, enfim, todo o repertório do “Brilhar” e mais duas canções: Salmo 134 e Amo ao Senhor que foram gravadas, mas que não couberam no vinil.

Portanto, o “Brilhar” foi gravado por integrantes do ACTOS, Cíntia e Silvia, com o instrumental do grupo ALOÉS, um pessoal quentíssimo que fazia música instrumental de primeira linha na época. Músicos como Emílio Mendonça, hoje professor no IMT, o guitarrista Omar Campos e o baixista Jadão Junqueira. Não era exatamente o ACTOS, por isso o nome óbvio de AMIGOS.

 

Novos Acordes: Como o disco foi produzido? Foi uma produção independente ou havia uma gravadora por detrás?

Vavá Rodrigues: Tomei a iniciativa de fazer um disco independente e tentar pré vendê-lo nas apresentações do grupo ainda como ACTOS. Juntei algum dinheiro e começamos as gravações na COMEV, em São Paulo. A pré venda através de carnês não foi propriamente um sucesso e depois de um ano e meio, o disco estava parado e eu, devendo para o estúdio. Neste momento, através do Maurão Oliveira, conheci o Elias de Carvalho, proprietário da gravadora Bom Pastor, que se interessou pelo projeto e resolveu bancá-lo introduzindo na etapa final de gravação músicos como Luiz Antônio Karam, Hector Costita e o flautista Sumé. Não era exatamente o melhor dos mundos, pois no meu coração o BRILHAR era pra ser um disco “cabeça” (besteira), não elitista, mas um álbum para um público universitário, mais crítico, e a Bom Pastor sempre foi forte no nicho de mercado dos neo e pentecostais. Logo, éramos um produto meio fora de contexto no casting da gravadora. De qualquer forma o problema estava resolvido. O legado musical do ACTOS, apesar de não ter nenhuma das canções que o ACTOS tanto cantou, seria preservado.

 

vavá 2015

Vavá Rodrigues no NMB 2015. Foto de Cris Tozzi.

Novos Acordes: O disco chegou a ser lançado?

Vavá Rodrigues: Não! O disco saiu em abril de 1985, teve uma distribuição excelente, chegou aos mais recônditos lugares do país, ganhou espaço nas rádios evangélicas e as pessoas aos poucos foram conhecendo e se interessando pelas canções, acredito eu, justamente pelo gostinho de novidade que elas tinham e ainda tem. Nunca fizemos uma apresentação ou um show com o repertório desse álbum. Mas mesmo assim ele figurou listas dos melhores discos de música evangélica já gravados no Brasil. A matriz não existe mais, foi destruída em um incêndio que ocorreu nos anos noventa, no galpão da Bom Pastor. Tenho alguns vinís ainda em casa e também fitas cassete com o som impecável. Graças ao Eliézer Venâncio, de Santo André, o Brilhar está disponível no youtube.

Agora no último NMB (Nossa Música Brasileira), realizado no Acampamento dos Jovens da Verdade, em Agosto de 2015, tive o doce privilégio de executar três de suas canções em sequência como se fosse um mini lançamento 30 anos depois. E não é que todo mundo cantou junto?

 
Para ouvir o álbum “Brilhar”, de Vavá e amigos, clique aqui 

 

 

 

Crédito da Foto: Karina Santiago

Crédito da Foto: Karina Santiago

Há algumas décadas atrás os músicos cristãos quase sempre ficavam restritos ao meio eclesiástico, tocando apenas nos cultos. No entanto, essa profissão conquistou espaço e hoje é reconhecida tão digna quanto qualquer outra.

São muitos os profissionais cristãos que se destacam no atual cenário musical erudito e popular. E a música instrumental  também recebe contribuições de artistas geniais que cresceram nas fileiras das igrejas, ou que tiveram um encontro pessoal com Jesus Cristo na caminhada.

Um dos instrumentistas que se destaca no cenário brasiliense é Felipe Viegas. Pianista de mão cheia, Felipe é bacharel em música pela Universidade de Brasília. Embora ainda jovem, há anos acompanha artistas conhecidos no cenário local e nacional, como Hamilton de Holanda, Roberto Menescal, Eduardo Neves, Gabriel Grossi, entre outros. Atualmente participa da banda de Ellen Oléria como pianista, arranjador e produtor musical.

Há três anos o Viegas  também participa da banda que me acompanha pelo Brasil e exterior. Além de um músico bem acima da média, é um grande amigo e parceiro de canções.

Em 2013 gravou seu primeiro trabalho autoral. “Encontro” reúne 8 faixas, todas de autoria própria. Foi acompanhado por uma banda da pesada: Daniel Santiago (violão), Frederico Heliodoro (baixo), Pedro Martins (guitarra), Renato Galvão (bateria) e Josué Lopez (sax). A produção foi de Daniel Santiago (guitarrista e violonista do Teatro Mágico, João Bosco e Hamilton de Holanda Quinteto).

O álbum está disponível nas plataformas digitais Spotify, Deezer, Rdio, Itunes, entre outras. Em breve sairá a versão CD, com capa muito bem transada, encarte contendo informações sobre a produção e outros detalhes que os “velhinhos” como eu ainda prezam em ter nas mãos.

Vale a pena ouvir! Posto aqui a faixa “Dia Novo” para se ter uma degustação da beleza que é esse trabalho.

 

O Nossa Musica Brasileira é um evento de artes que há 9 anos é realizado em Arujá, nas proximidades da cidade de São Paulo. Promovido pela missão Jovens da Verdade reúne diversas expressões artísticas. Como o próprio nome sugere, a música é o forte. Mas vemos ali outras expressões como poesia, fotografia, vídeo, performances teatrais, pintura, decoração, artes visuais, entre outras. A brasilidade se espalha de diversas formas, ritmos, cores, aromas e sabores – falando nisso, a culinária sempre surpreende.

NMBTive o privilégio de participar nessa nona edição. É sempre uma alegria. Tornou-se um encontro de amizade, uma verdadeira celebração de vida. A cada ano alguns artistas sobem nos dois palcos, num revezamento respeitoso e parceiro. Todos entendem que não há competição – sentem-se complementares.

Infelizmente, nem todos artistas ali reunidos se apresentam nos palcos, pois não haveria tempo suficiente para a demonstração de tanta riqueza e pluralidade. Mas, a cada ano, excelentes trabalhos, mas ainda pouco conhecidos, são divulgados acrescentando ainda mais a essa rica nossa música brasileira. Há espaço ainda para todos que querem compartilhar suas canções, assentados nos bancos de cimento ou na grama, sob a sombra das árvores, doando-se em abraços, na simpatia, nos incentivos mútuos e no surgimento de novas parcerias musicais. É um evento  que oferece múltiplos espaços.

Que bom que o NMB existe. Obrigado Raquel e André, Jasiel e Ivone, Wilhão, Anderson e Lisa Claúdia, e tantos e tantos outros que fazem daquele espaço algo tão especial em nossas vidas.

Agora é se preparar para os dez anos que serão celebrados em 2016. Aguardaremos com expectativa.