Neste podcast Carlinhos conversa com Marcos Fernandes, líder da banda Sal da Terra, sobre o CD Boas Novas.

Este CD, que é o décimo da banda, mostra um pouco do sertão que o Brasil não conhece. Novidades, beleza… boas novas!

Conheça no podcast #11 o CD Nordestinamente do músico e compositor Gerson Borges.

Muito xote e baião. Uma homenagem ao Nordeste. Escute agora.

Nesta semana, tive uma triste incumbência: a de sepultar um poeta! De uma hora para a outra, a saúde lhe faltou, e, depois de muita luta, partiu, levando consigo um pedaço de muita gente.

Eu não convivi muito com ele. Nossos encontros foram quase sempre na escadaria da igreja, enquanto subíamos rumo às classes de escola dominical. Sempre ao seu lado, havia gente interessada nos causos que fugiam completamente do trivial: artes cênicas, poesias, discos voadores, viagens por esse mundo de meu Deus e coisas tais. Outros, por causa de seu jeito um tanto estranho, o ignoravam.

O poeta era considerado muito polêmico e um inconformado com o sistema. Brigava insistentemente pelo mundo ideal, empunhando suas armas: as palavras e as artes. Por isso, era tido por estranho e esquisito… Alguns chegavam a rir-se dele pelos cantos, com a mão sobre a boca. Sobre isso, lembro-me das palavras de Bob Marley: “Vocês riem de mim, porque sou diferente; eu rio de vocês, porque são todos iguais…” Acho que, por dentro, o poeta dava gargalhadas de todos nós – os pseudo-normais.

Enquanto a cerimônia de despedida acontecia e as palavras de testemunho iam sendo ditas, lembrei-me de G. K. Chesterton: “Geralmente se diz que os poetas não são confiáveis do ponto de vista psicológico, e geralmente faz-se uma vaga associação entre cingir a cabeça com uma coroa de louros e fazer loucuras […] A imaginação não gera insanidade. O que gera insanidade é exatamente a razão. Os poetas não enlouquecem; mas os jogadores de xadrez sim”. Para Chesterton, os homens não enlouquecem sonhando; por isso, os críticos são muito mais loucos que os poetas. “A poesia mantém a sanidade, porque flutua facilmente num mar infinito; a razão procura atravessar o mar infinito, e assim torná-lo finito. O resultado é a exaustão mental…”

Viver como um poeta é viver sob outra ótica, observando a vida de outra maneira, diferente da lógica que nos escraviza e adoece. Poetizar é descobrir rasgos de luz e virtude nos entremeios, por entre as cascas rotas e exauridas, marcadas pela dura vida. Poetizar é sonhar e deixar-se embalar pelos sonhos que apontam para uma outra realidade, tão real quanto, mas mais prazerosa e deliciosa. É não desistir de viver e de extrair beleza de onde parecia nada mais oferecer. Por isto, o poeta é tido por louco: ele vê o que o calculista não consegue enxergar; ele absorve imagens, cheiros e sons daquilo que a mente lógica não consegue abstrair além da utilidade prática. Nem tudo o que é belo serve para algo; talvez sua vocação seja apenas inspirar poesias e belezas no coração tomado pela sensibilidade.

Chesterton acertou em cheio quando disse: “O poeta apenas pede para pôr a cabeça nos céus. O lógico é que procura pôr os céus dentro de sua cabeça. E é a cabeça que se estilhaça”. Talvez aí esteja a explicação para muito teólogo que perde a sanidade e a humanidade pelo estilhaçar de uma mente que queira tornar lógica a poesia de Deus.

O poeta se foi, voando para abraçar aos céus… para ser abraçado pelo Pai. Sua poesia ficou, como sementes para nos instigar e nos inspirar a uma vida mais bela. Inspirações e pirações de quem amou a vida e amou a Deus.

Gravado no Som do Céu deste ano, o podcast #10 traz para vocês a Banda de Boca.

Formada por Hiran, Júnior, Fábio, Neto e Poliana, a banda tem excelente qualidade e técnica vocal.

Conheça agora o CD MPB pras crianças, o trabalho mais recente da Banda de Boca (dezembro de 2009).

dvd carlinhos veiga, por Beto Ribeiro

Chegamos ontem de Pirenópolis depois de intenso trabalho na gravação do DVD Chão, viola e gente. Foram dias muito marcantes em nossas vidas. Graças a Deus tudo correu bem até aqui e, pelo que tudo indica, o produto final ficará maravilhoso.

Como já escrevi antes, gravamos as músicas em dois cenários distintos: na Fazenda Babilônia e no histórico Theatro de Pirenópolis. No teatro fizemos dois shows. O primeiro aconteceu na sexta, dia 16; o segundo no sábado, dia 17. Na sexta tivemos um bom número de participantes, tendo em vista que o deslocamento para Pirenópolis era mais complicado para quem estava vindo de outras cidades. No sábado o Theatro superlotou, sendo necessária a colocação de cadeiras extras.

O público estava bastante entusiasmado. O cenário e o figurino de Day Mari, a iluminação do Laércio Jacaré  e o som do CA (Estação UM) foram fantásticos, trazendo um clima super legal para o espetáculo. A captação do áudio ficou ao encargo da Zero Db (Olemir Cândido e Walter). As imagens maravilhosas dirigidas pelo diretor Jader Gudin foram colhidas pelos cinegrafistas Fabio Pestana e Vinícius. Márcia Pacheco cuidou das imagens do making off. Na sexta, tivemos as imagens de grua sob a batuta do Rafael. O produtor Davi Julião coordenou uma equipe formada por mais de 20 profissionais que atuou de maneira precisa em suas funções.

dvd carlinhos veiga, por Beto Ribeiro

Agora falta-nos retornar a Pirenópolis em fins de maio para colhermos as imagens das Cavalhadas que também comporão o material. Temos muito trabalho ainda pela frente. A nossa previsão é que em outubro lancemos o DVD. Vale a pena esperar!

Quero registrar meus profundos agradecimentos aos parceiros da banda que dividem comigo mais do que a música –  são amigos mais chegados que irmãos, uma verdadeira família: Cláudia Barbosa, Pedro Veiga, Leo Barbosa, Eline Márcia, Enos Marcelino, Ismael Rattis e Marcus Moraes. Mais do que excelentes músicos, companheiros de caminhada.

Por ocasião do Dia do Índio, comemorado no dia de ontem, 19 de abril, publico um poema retirado do livro que fiz em parceria com Romero Fonseca – “Brasil – o encontro das raças. Enquanto eu escrevia os poemas, Romero fotografava.

OS INDIOS

Carlinhos Veiga

Em 1500 eram inúmeros:

Pataxós, avás-canoeiros,

Guaranis, bororos,

Crenacarores – índios gigantes,

Carajás, xavantes,

Caripunas, tamoios,

Tupinambás, caetés,

Tapuias, terenas,

Nações, nações, nações…

Hoje não passam de 350 mil

Na amada terra Brasil

Na esteira do desenvolvimento

Cinco milhões de índios foram dizimados

900 povos enterrados

Culturas irremediavelmente perdidas

Identidades eternamente esquecidas

Deus abençoe nossos irmãos indígenas

Com tua Palavra que salva e cura

Ao mesmo tempo os livre

De nossa palavra que condena, adoece,

Impõe e destrói a cultura

Alcance os indígenas, Senhor,

E mostra-lhes o caminho

Lume que dissipa toda treva escura

– Jesus Salvador –

Faça isso, apesar de nós.

captando o som do carro de boi

Nessa quinta-feira tivemos um dia inteiro com muitas atividades. Acordamos bem cedo, por volta da 5h30 da manhã.  Às 7h já estávamos na Fazenda Babilônia para os acertos das gravações do dia.

Toda manhã nos dedicamos ao registro das primeiras canções, num cenário muito lindo preparado na antiga moenda da fazenda. A equipe realmente caprichou no cenário. Gravamos ali quatro canções, todas ao som da viola caipira, acordeom, violão, flauta, baixo acústico e percussões. Gostamos muito do resultado do áudio e das captações dos instrumentos feitas pela Zero Db (Olemir e Walter), de Goiânia. O equipamento do PA e de iluminação era da Estação Um de Brasília (Carlos Adriano e Neander). A direção e produção da Toca de Barros Filmes (Jader e Davi).

Depois da parada para o almoço retornamos para concluir as gravações iniciadas pela manhã. Encerramos o dia gravando um lindo por do sol, ao som de uma música tocada na viola de cocho. Estamos surpresos com o resultado obtido até aqui.

Quero registrar ainda a participação de Horacinho Oliveira, meu primo, vindo da cidade de Crixás especialmente para contar uns causos nas gravações da fazenda. Ele é hilário… Deixo aqui um agradecimento especial a ele que deu uma pitada especial nesse trabalho.

Banda vendo a boiada

Assim que terminamos as gravações, as equipes já se mobilizaram para rapidamente desmontar todo o equipamento e levar para o Theatro de Pirenópolis, local dos shows nos próximos dois dias (sexta e sábado). Nesse momento, às 23h, o movimento no teatro ainda é intenso na preparação da iluminação e do som. Muitas pessoas estão lá trabalhando. Por enquanto ainda não me deixaram entrar para ver o cenário… tudo surpresa! Amanhã não há mais como escapar.

Temos tido muita procura nos ingressos, por parte de pessoas vindas de diversas partes do país, para os shows. Já confirmaram presença interessados vindos de Londrina (PR), São Paulo, Limeira (SP), Brasília, Goiânia, Anápolis, entre outras localidades. Para sábado já temos praticamente a metade dos ingressos reservados.

Ontem a equipe que se hospeda na casa foi completada. Ao todo somos 29 pessoas, entre técnicos, músicos e colaboradores. É muito trabalho, mas certamente tudo isso valerá muito a pena. Que Deus seja engrandecido com todo esse esforço!

Voltamos amanhã contando como foi o show dessa sexta.